Semana de Entrevistas: Recém Formado.

Em mais uma etapa da semana de entrevistas no @VersátilRP, falaremos com o recém formado em RP, Fernando Cosseti , que nos dirá sobre sua visão, os desafios e as ambições de quem acabou de cumprir a primeira fase do caminho de um RP. Fernando Cosseti formou-se em 2008 em Relações Públicas pela ECA-USP. Ele já atuou na área de Comunicação Interna para a América Latina da Accor, também trabalhou com RH, na área de Treinamento e Desenvolvimento do Hospital 9 de Julho. E em janeiro de 2010 assumiu a função de Relações Públicas da Infraero no Aeroporto de Congonhas.

VersatilRP – Qual era a sua expectativa quando pensou em fazer Relações Públicas?

Fernando Cosseti – Sempre gostei da idéia de lidar diretamente com pessoas e de estar na linha de frente, representando uma organização ou um conceito. Na época do vestibular achei RP o curso ideal para desenvolver habilidades como, por exemplo, expressar bem as minhas atitudes, saber trabalhar em equipe e, principalmente, ambientar-me no mundo corporativo.

VRP – Qual a sua definição de RP?

FC – RP, pra mim, é o ofício que anima a negociação de expectativas entre os públicos e a esfera de tomada de decisão da organização. É como se o profissional fosse um artesão, só que um artesão que trabalha de maneira diferente. A matéria-prima com que ele produz são as expectativas que alguns grupos organizados de pessoas fazem sobre o estúdio em que ele trabalha. Cabe ao artesão conhecer a fundo a matéria-prima, composta de atitudes e comportamentos coletivos, e, a partir dela, moldar as ferramentas de comunicação e de diálogo com os donos do estúdio para que, entre eles, viabilizem entendimentos e expectativas. Note-se bem porque o RP é um artesão às avessas: é a matéria-prima que molda suas ferramentas, e não o contrário.

VRP – Além da graduação, o que mais um RP deve fazer para conseguir entrar e manter-se no mercado?

FC – Experiência profissional e especialização em outras áreas de conhecimento. O curso de RP, como todo curso de graduação deve fazer, forma um profissional generalista, ou seja, um sujeito que sabe um pouquinho sobre um montão de coisas. É antropologia, marketing, mídias digitais, economia, estatística…  E o mercado de trabalho precisa de um profissional especialista para postos de começo de carreira, como assistentes e analistas. Daí contam muito a especialização e a bagagem que a pessoa tem na área em que pretende atuar. Bacana… mas, na minha opinião, só vai subir os graus hierárquicos superiores aquele profissional que domina a especialização e mantém a essência generalista no seu pensamento.

VRP – Na sua opinião, qual a posição  ou atuação que um profissional de RP deve ter diante desse novo cenário mundial de web 2.0, novos paradigmas de relacionamento e redes sociais?

FC – Retomando aquela historinha que contei do RP artesão: quanto mais ferramentas ele dominar para deixar que as expectativas as moldem, mais produtividade terá o estúdio e mais valioso será o trabalho do artesão. E a possibilidade de diálogo que traz a web 2.0 amplia a atuação das Relações Públicas Excelentes, conforme a teoria do Grunig de modelo simétrico de duas mãos. Portanto, acho que o profissional de RP deve tomar a dianteira neste processo e aproveitar esses recursos para construir e manter bases estáveis de relacionamento e diálogo permanentes com diversos públicos.

VRP – Quais são as maiores dificuldades que um recém formado em RP passa?

FC – Adquirir vivência na área de atuação. O maior desafio na hora de participar de um processo seletivo é demonstrar que você dá conta de fazer aquilo que está proposto na vaga. Se você não tem muita bagagem e é marinheiro de primeira viagem, é importante demonstrar habilidades e entusiasmo.

VRP – Qual a ligação entre RP e RH?

FC – As duas áreas de atuação corporativa têm bastante potencial de interação. De cara podemos pensar na Comunicação Interna como ponto de interseção, mas acho que dá pra ampliar o pensamento. Podemos pensar RP como uma atividade interna com vistas ao Desenvolvimento Organizacional, e esta é uma das áreas de RH. E podemos pensar RH como atividade suporte para os objetivos estratégicos traçados pela Comunicação Organizacional, gerida pelas RP.

Vamos aos exemplos: treinamento de colaboradores pode ser uma área pensada e gerida por um RP para impactar vendas e reputação institucional, mas também é uma função que está sob o guarda-chuva do RH. Dá pra pensar, também, em projetos conjuntos de Endomarketing, programas de reconhecimento e de incentivo, gerenciamento de crises, sustentabilidade, inovação, desenvolvimento de conhecimento corporativo. Poxa vida! Tanta coisa daria pra melhorar se RP e RH se integrassem em uma atuação sistêmica.

VRP – Como é assumir o cargo de RP em uma empresa pública renomada e que tem tanta atenção da mídia?

FC – É uma oportunidade ímpar. Atuar na Infraero é um grande desafio, ainda mais em um aeroporto que é vitrine para todo o País. Aprendo muito todos os dias sobre relacionamento com a mídia e atendimento ao passageiro e a autoridades. Mas o que é mais marcante é a experiência de trabalhar em uma empresa pública, que é muito diferente do dia-a-dia de uma empresa privada.

Também tenho a sorte de poder atuar livremente nas melhorias que pretendo implantar na área de Comunicação e posso fazer do meu trabalho um laboratório daquilo que aprendi na faculdade. Tem muita coisa por fazer aqui e pretendo experimentar bastante, te garanto…

VRP – A atuação efetiva da profissão é como você esperava?

FC – Até o momento, sim. Tem muita coisa pra ampliar e melhorar, mas isto também faz parte do processo de transformação de um recém-formado em um profissional plenamente capacitado. Tem chão… Mas, eu tenho uma vontade danada de correr!

VRP – Quanto ao seu TCC “Contribuições do conceito Sensemaking à Pesquisa em Relações Públicas”, poderia nos explicar um pouco sobre, e como foi o processo para elaborá-lo?

FC – Gosto muito de misturar coisas diferentes para ver se dá um produto bacana, que seja inusitado e construtivo. E foi com esse sentimento que comecei a fazer o TCC, que tem a proposta de analisar uma atividade de RP pela perspectiva de uma outra ciência, que é a psicologia cognitiva. Então bati bastante a cabeça para fazer o recorte metodológico ideal da monografia: a pesquisa em RP. Daí em diante foi só mergulhar em bibliografia para fazer uma revisão do conceito Sensemaking – que é uma teoria recente que fala sobre a maneira como nós, pessoas, construímos um sentido coletivamente sobre uma manifestação da realidade e, consecutivamente, sobre tudo o que há no mundo em que vivemos. Por fim, fiz a proposta de juntar essa teoria com a pesquisa de comunicação organizacional, que, de certa forma, tenta entender a maneira como as pessoas constroem sentido sobre a imagem da empresa e sua atuação diante de certas questões. Ainda pretendo desenvolver mais o tema e comprovar que o Sensemaking é um bom recurso metodológico para se desenvolver pesquisas em RP.

VRP – Qual a sua expectativa para a sua carreira e para a área de um modo geral?

FC – Tenho a impressão de que a Comunicação Organizacional vai muito bem e o futuro parece promissor. Costumo conversar com amigos estrangeiros e vejo que nós, universitários brasileiros, temos muito ainda para conquistar em termos de qualidade dos serviços que pretendemos oferecer. Dá pra nadar de braçadas neste mar da comunicação… Basta ter conhecimento e vontade de crescer.

Contatos: fernandocosseti@gmail.com e www.meadiciona.com/fernandocosseti

A equipe @VersatilRP agradece imensamente pela contribuição! Muito esclarecedora e de grande valia para a construção dos debates sobre as trilhas de um Relações Públicas.

E não deixem de acompanhar a próxima entrevista…

<!–[if !mso]> <! st1\:*{behavior:url(#ieooui) } –>

Em mais uma etapa da semana de entrevistas no @VersátilRP, falaremos com o recém formado em RP, Fernando Cosseti , que nos dirá sobre sua visão, os desafios e as ambições de quem acabou de cumprir a primeira fase do caminho de um RP. Fernando Cosseti formou-se em 2008 em Relações Públicas pela ECA-USP. Ele já atuou na área de Comunicação Interna para a América Latina da Accor, também trabalhou com RH, na área de Treinamento e Desenvolvimento do Hospital 9 de Julho. E em janeiro de 2010 assumiu a função de Relações Públicas da Infraero no Aeroporto de Congonhas.

VersatilRP – Qual era a sua expectativa quando pensou em fazer Relações Públicas?

Fernando Cosseti – Sempre gostei da idéia de lidar diretamente com pessoas e de estar na linha de frente, representando uma organização ou um conceito. Na época do vestibular achei RP o curso ideal para desenvolver habilidades como, por exemplo, expressar bem as minhas atitudes, saber trabalhar em equipe e, principalmente, ambientar-me no mundo corporativo.

VRP – Qual a sua definição de RP?

FC – RP, pra mim, é o ofício que anima a negociação de expectativas entre os públicos e a esfera de tomada de decisão da organização. É como se o profissional fosse um artesão, só que um artesão que trabalha de maneira diferente. A matéria-prima com que ele produz são as expectativas que alguns grupos organizados de pessoas fazem sobre o estúdio em que ele trabalha. Cabe ao artesão conhecer a fundo a matéria-prima, composta de atitudes e comportamentos coletivos, e, a partir dela, moldar as ferramentas de comunicação e de diálogo com os donos do estúdio para que, entre eles, viabilizem entendimentos e expectativas. Note-se bem porque o RP é um artesão às avessas: é a matéria-prima que molda suas ferramentas, e não o contrário.

VRP – Além da graduação, o que mais um RP deve fazer para conseguir entrar e manter-se no mercado?

FC – Experiência profissional e especialização em outras áreas de conhecimento. O curso de RP, como todo curso de graduação deve fazer, forma um profissional generalista, ou seja, um sujeito que sabe um pouquinho sobre um montão de coisas. É antropologia, marketing, mídias digitais, economia, estatística…  E o mercado de trabalho precisa de um profissional especialista para postos de começo de carreira, como assistentes e analistas. Daí contam muito a especialização e a bagagem que a pessoa tem na área em que pretende atuar. Bacana… mas, na minha opinião, só vai subir os graus hierárquicos superiores aquele profissional que domina a especialização e mantém a essência generalista no seu pensamento.

VRP – Na sua opinião, qual a posição  ou atuação que um profissional de RP deve ter diante desse novo cenário mundial de web 2.0, novos paradigmas de relacionamento e redes sociais?

FC – Retomando aquela historinha que contei do RP artesão: quanto mais ferramentas ele dominar para deixar que as expectativas as moldem, mais produtividade terá o estúdio e mais valioso será o trabalho do artesão. E a possibilidade de diálogo que traz a web 2.0 amplia a atuação das Relações Públicas Excelentes, conforme a teoria do Grunig de modelo simétrico de duas mãos. Portanto, acho que o profissional de RP deve tomar a dianteira neste processo e aproveitar esses recursos para construir e manter bases estáveis de relacionamento e diálogo permanentes com diversos públicos.

VRP – Quais são as maiores dificuldades que um recém formado em RP passa?

FC – Adquirir vivência na área de atuação. O maior desafio na hora de participar de um processo seletivo é demonstrar que você dá conta de fazer aquilo que está proposto na vaga. Se você não tem muita bagagem e é marinheiro de primeira viagem, é importante demonstrar habilidades e entusiasmo.

VRP – Qual a ligação entre RP e RH?

FC – As duas áreas de atuação corporativa têm bastante potencial de interação. De cara podemos pensar na Comunicação Interna como ponto de interseção, mas acho que dá pra ampliar o pensamento. Podemos pensar RP como uma atividade interna com vistas ao Desenvolvimento Organizacional, e esta é uma das áreas de RH. E podemos pensar RH como atividade suporte para os objetivos estratégicos traçados pela Comunicação Organizacional, gerida pelas RP.

Vamos aos exemplos: treinamento de colaboradores pode ser uma área pensada e gerida por um RP para impactar vendas e reputação institucional, mas também é uma função que está sob o guarda-chuva do RH. Dá pra pensar, também, em projetos conjuntos de Endomarketing, programas de reconhecimento e de incentivo, gerenciamento de crises, sustentabilidade, inovação, desenvolvimento de conhecimento corporativo. Poxa vida! Tanta coisa daria pra melhorar se RP e RH se integrassem em uma atuação sistêmica.

VRP – Como é assumir o cargo de RP em uma empresa pública renomada e que tem tanta atenção da mídia?

FC – É uma oportunidade ímpar. Atuar na Infraero é um grande desafio, ainda mais em um aeroporto que é vitrine para todo o País. Aprendo muito todos os dias sobre relacionamento com a mídia e atendimento ao passageiro e a autoridades. Mas o que é mais marcante é a experiência de trabalhar em uma empresa pública, que é muito diferente do dia-a-dia de uma empresa privada.

Também tenho a sorte de poder atuar livremente nas melhorias que pretendo implantar na área de Comunicação e posso fazer do meu trabalho um laboratório daquilo que aprendi na faculdade. Tem muita coisa por fazer aqui e pretendo experimentar bastante, te garanto…

VRP – A atuação efetiva da profissão é como você esperava?

FC – Até o momento, sim. Tem muita coisa pra ampliar e melhorar, mas isto também faz parte do processo de transformação de um recém-formado em um profissional plenamente capacitado. Tem chão… Mas, eu tenho uma vontade danada de correr!

VRP – Quanto ao seu TCC “Contribuições do conceito Sensemaking à Pesquisa em Relações Públicas”, poderia nos explicar um pouco sobre, e como foi o processo para elaborá-lo?

FC – Gosto muito de misturar coisas diferentes para ver se dá um produto bacana, que seja inusitado e construtivo. E foi com esse sentimento que comecei a fazer o TCC, que tem a proposta de analisar uma atividade de RP pela perspectiva de uma outra ciência, que é a psicologia cognitiva. Então bati bastante a cabeça para fazer o recorte metodológico ideal da monografia: a pesquisa em RP. Daí em diante foi só mergulhar em bibliografia para fazer uma revisão do conceito Sensemaking – que é uma teoria recente que fala sobre a maneira como nós, pessoas, construímos um sentido coletivamente sobre uma manifestação da realidade e, consecutivamente, sobre tudo o que há no mundo em que vivemos. Por fim, fiz a proposta de juntar essa teoria com a pesquisa de comunicação organizacional, que, de certa forma, tenta entender a maneira como as pessoas constroem sentido sobre a imagem da empresa e sua atuação diante de certas questões. Ainda pretendo desenvolver mais o tema e comprovar que o Sensemaking é um bom recurso metodológico para se desenvolver pesquisas em RP.

VRP – Qual a sua expectativa para a sua carreira e para a área de um modo geral?

FC – Tenho a impressão de que a Comunicação Organizacional vai muito bem e o futuro parece promissor. Costumo conversar com amigos estrangeiros e vejo que nós, universitários brasileiros, temos muito ainda para conquistar em termos de qualidade dos serviços que pretendemos oferecer. Dá pra nadar de braçadas neste mar da comunicação… Basta ter conhecimento e vontade de crescer.

Contatos: fernandocosseti@gmail.com e www.meadiciona.com/fernandocosseti

A equipe @VersatilRP agradece imensamente pela contribuição! Muito esclarecedora e de grande valia para a construção dos debates sobre as trilhas de um Relações Públicas.

E não deixem de acompanhar a próxima entrevista…

Anúncios

4 pensamentos sobre “Semana de Entrevistas: Recém Formado.

  1. Poxa legal esta visão de um cara que só passou por empresas excelentes até chegar na Infraero.

    O trecho que achei bem importante e interessante e vai de encontro ao que eu acredito é:

    ” Retomando aquela historinha que contei do RP artesão: quanto mais ferramentas ele dominar para deixar que as expectativas as moldem, mais produtividade terá o estúdio e mais valioso será o trabalho do artesão. E a possibilidade de diálogo que traz a web 2.0 amplia a atuação das Relações Públicas Excelentes, conforme a teoria do Grunig de modelo simétrico de duas mãos.

  2. Uma diretriz para que não formou. Muito bom! Importante destacar profissionais que ingressaram logo no mercado. Muitas vezes as pessoas ficão perdidas em que ramo atuar.
    Vocês estão de parabéns.

  3. Pingback: Semana de Entrevistas: Mestre Fábio França – Parte I «

  4. Pingback: Retrospectiva: Julho no @VersatilRP «

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s