Semana de entrevistas: Mestre Fábio França – Parte Final

Dando continuidade à Maratona de Entrevistas no @versatilrp, apresentamos a segunda, e final, parte com Fábio França, sempre nos ofertando conhecimento e enchendo-nos de orgulho quanto sua trajetória de vida.

Aproveitem cada palavra, tivemos uma aula e tanto, e é um enorme prazer passar isso a todos os leitores e amantes da comunicação!

VRP – Hoje em dia, mais de 2.600.000 pessoas atualizam seus blogs diariamente. O que o senhor acha das empresas que têm acesso a esse tipo de ferramenta?

FF: Não existe segredo: tudo hoje é público. Então, a empresa e o profissional de RP, têm que ter controle do que fazem. Se tiver um blog, ele precisa ser bem planejado e administrado. Utilizar esse recurso exige uma editoria capaz de comunicar aquilo que a empresa quer dizer. O uso inadequado do blog ou das redes sociais pode ser prejudicial à empresa. A empresa deve estar preparada para receber apoio e também para ouvir críticas, comentários sobre sua atuação e também para dialogar com as redes. Nada pode acontecer por acaso, tudo tem que ter gerenciamento. Não posso criar um blog para uma organização, e não ter, por exemplo, segurança em relação às pessoas que o administram, pois  o nome da organização estará em jogo. Cada rede tem seus próprios objetivos e públicos. O Facebook é para gente jovem, já o LinkedIn é para os intelectuais e por aí vai. Então, tem quer ver qual a rede adequada à minha empresa. As coisas na internet não acontecem automaticamente. Isso é uma ilusão. Seu uso, bem como das redes sociais exige uma equipe capaz de redigir conteúdos de acordo com os interesses da empresa e que seja também capaz de monitorar o que acontece. Toda comunicação para ser eficaz precisa de planejamento, inclusive na internet.

O trabalho do RP é conhecer os públicos de uma maneira mais profunda e fazer com que a missão e diretrizes da empresa sejam transmitidas, para que tanto ela quanto  os públicos falem a mesma linguagem.

Trabalhamos na linha dos princípios, das políticas empresariais. O relações-públicas é quem orientará o que pode ou não ser dito sobre a empresa e ter ciência de que tudo é patente na internet; não se pode brincar em serviço, corre-se um risco muito grande, o que pode afetar a reputação da empresa.

Ao estudar toda a parte política da empresa, há necessidade, também, de estudar muito bem as informações confidenciais dessa empresa. O que eu, como porta-voz da empresa, posso ou não posso transmitir ao público.

A empresa precisa ter um posicionamento em relação à comunicação. A comunicação integrada significa que todos seguem a mesma linha, os mesmos princípios, e não juntar tudo quanto é mídia para dizer que há integração do processo da informação. O diferencial que faz o relações-públicas é exatamente esse: ensina a empresa como conhecer os públicos, como se relacionar com eles! E cada público exige uma comunicação específica. Muitas vezes as empresas apresentam um discurso muito bonito, mas falham no atendimento aos clientes como é o caso das empresas telefônicas, automobilísticas, de saúde, dos bancos, por exemplo. O papel do relações-públicas é procurar fazer com que a empresa cumpra suas políticas em relação a todos os públicos.

VRP – O senhor acha que dentro das salas de aula, há como ensinar a lidar com os públicos? Não é algo que depende mais da experiência, da vivência?

FF: A primeira pergunta a se fazer é: Qual é o objetivo da empresa na relação com seus públicos de interesse? As empresas estão vinculadas aos públicos e é obrigação do relações-públicas identificar e estabelecer os tipos de relacionamento com eles. Os públicos devem também conhecer as políticas e diretrizes da empresa para que haja comprometimento e harmonia entre as partes.

Nossa profissão é uma profissão de contatos, de relacionamentos, de redes e redes de informação e comunicação. Dentro da empresa os profissionais de relações públicas precisam conhecer todo mundo, diretores, gerentes, supervisores, e manter o maior número possível de contatos com as diferentes áreas da empresa. Será por meio destas redes que conseguiremos realizar o nosso trabalho com sucesso.

VRP – Na trajetória acadêmica do aluno, os projetos experimentais, tais como visitas às agências, produções de blogs, entre outros, é algo importante para se tornar um bom profissional?

FF: O projeto experimental, quando bem feito, leva ao estudante a capacidade de ordenar o pensamento, então você sintetiza todo o curso dentro do projeto, quando bem organizado.

Você faz à análise da empresa: briefing, análise estratégica, benchmarking, estuda a comunicação, a reputação, a marca da empresa, então você mergulha dentro desse mundo, inclusive da cultura empresarial.

Você pode fazer um bom diagnóstico, e a partir disso fazer um programa de comunicação, um plano de relações públicas para a empresa. Entretanto, o projeto deve ser adequado às necessidades da empresa porque se não o for, ela o engaveta e nunca o  utilizará.

Agora o grande erro do projeto, é que, geralmente, as faculdades trabalham com grupos de muitos alunos, muitas vezes por falta de professores ou de políticas adequadas para a elaboração dos projetos e monografias. Então, fazer um projeto com nove alunos, por exemplo, não é produtivo. Trabalham três ou quatro, os demais aguardam o dia da apresentação.

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Agradecemos, imensamente, ao professor e mestre Fábio França pela entrevista cedida. Agradecemos, ainda, o seu carinho e sua gentileza de locomover-se à nossa faculdade, e nos presentear com as mais sábias palavras.

É cada vez mais estimulante saber que existem profissionais desse nível na área da comunicação!

Agradecemos, também, o espaço que a FAPCOM nos disponibilizou.

E, por último, e não menos importante, agradecemos você, leitor, pela atenção ao nosso projeto, e mais, à sua ansiedade de receber informações.

Sim, claro, pois se você está aqui, lendo essa aula toda, e fora da faculdade/trabalho, representa um almejo de conhecimento que é expecialmente o que te faz crescer.

O conhecimento é o único meio de trazer a clarividência, assim dizia Milton Santos.

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Um pensamento sobre “Semana de entrevistas: Mestre Fábio França – Parte Final

  1. França!
    É tudo que que nós precisamos, ou seja, pensar nosso corpo de idéias num modelo filosófico em aberto e não num tecnicismo restrito.
    Mais uma vez meus parabéns pela entrevista.
    Do amigo
    Prof. Ms Roberto F. Vieira

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