Cuidado com o “Lobby” Mau

O lobby é uma ferramenta de comunicação muito importante. E é um dos veículos da comunicação dirigida, como Ludimila me alertou ,o lobby é uma técnica de comunicação dirigida, infelizmente utilizada de forma errônea. Mas para falar de comunicação dirigida preciso falar um pouco sobre ela.

A comunicação dirigida se apresenta como a especificação e personalização da informação e é definida como “forma de comunicação que tem por finalidade transmitir, conduzir e algumas vezes recuperar a informação para estabelecer a comunicação limitada, orientada e freqüente, com selecionado número de pessoas homogêneas e conhecidas” (ANDRADE, 2001, p. 34).

Lendo o artigo de Waldir Ferreira no Portal RP onde ela cita a ideia da Terceira Onda de Alvin Toffler:

“É na “terceira onda” que os veículos de comunicação de massa – tão poderosos na “segunda onda”, começam a ser desmassificados, para dar lugar aos veículos de “Comunicação Dirigida”. Na “terceira onda”, então, a Comunicação Dirigida passa a ocupar um espaço próprio e peculiar, delimitado por seu campo de atuação e alcance.”

Como lembra Ferreira na Comunicação dirigida na há massificação, mas veículo de comunicação de massa pode e é utilizada como veículos de comunicação dirigida:

“os jornais, as revistas, o rádio e a televisão – principais meios de comunicação de massa da “segunda onda”, estão cada vez mais, se especializando e se utilizando da “Comunicação Dirigida”, para atingirem determinados públicos, ou parte de seus públicos.”

Mas, infelizmente ser lobista está quase sempre atrelado ao ato mal caráter. Fazer lobby tornou-se algo com “aspectos demoníacos”. Como vemos nos noticiários sempre em tom pejorativo ou que alguém está se beneficiando com tal função:

Google sofre críticas por suposto lobby com governo dos EUA

O desastrado lançamento do Google Buzz foi apenas o caso mais recente. A grande polêmica atual veio com a divulgação, no mês passado, pelo “Washington Post”, de que o Google está negociando um acordo de troca de informações com a NSA (National Security Agency) -a agência federal norte-americana de vigilância eletrônica.”

Praticar lobby nada mais é do que pressionar. São grupos de pressão que visam alcançar um objetivo comum junto ao governo. Exemplo: a União Nacional Dos Estudantes (UNE) pressionarem melhorias no ensino brasileiro.

A profissão do lobby tramita pelo Senado desde 1989 para ser regulamentado. O autor do Projeto de Lei Nº 203 é o ex-vice- presidente e atual senador Marcos Maciel e por algum motivo que não sabemos. Mas um filme que assisti que ajuda a difamar a ação do lobby tem o nome de “Obrigado Por Fumar” história de um “lobista” que defende uma instituição de pesquisa sobre tabaco financiada por empresas do fumo. No filme passa-se a imagem que fazer lobby é praticar atos mentirosos, saber persuadir pessoas e ter influencia na mídia. Para quem não assistiu ainda aconselho.

Mas nosso código de ética diz:

Das Relações Políticas e do exercício do Lobby:

Artigo 28 – Defender a livre manifestação do pensamento, a democratização e a popularização das informações e o aprimoramento de novas técnicas de debates é função obrigatória do profissional de Relações Públicas.

Artigo 29 – No exercício de Lobby o profissional de Relações Públicas deve se ater as áreas de sua competência, obedecendo as normas que regem a matéria emanadas pelo Congresso Nacional, pelas Assembléias Legislativas Estaduais e pelas Câmaras Municipais.

Artigo 30 – É vedado ao profissional de Relações Públicas utilizar-se de métodos ou processo escusos, para forçar quem quer que seja a aprovar matéria controversa ou projetos, ações e planejamentos, que favoreçam os seus propósitos.

Mas o lobby não é praticar a retórica e a falsidade, o lobby é uma “arma” do povo em um país democrático. Nós deveremos utilizar para munir nossos públicos com informações quati e qualitativas para que estes possam ser menos alienados e deixem de utilizar o lobby apenas como uma forma de conseguir vantagens quase sempre no âmbito empresarial, visando o lucro e alimentando o sistema capitalista vigente. Como Relações Públicas acredito que devemos promover debates para a melhoria social e deixar de lado este comodismo que ainda é encontrado em nossa sociedade, que além do voto em pessoas e legendas partidárias, pessoas comuns, civis podem unir-se com outras com um ideário semelhante para pressionar o governo.

Então relações públicas devemos mostrar para os públicos que o lobista não é um lobo mau como das histórias infantis oportunista e imoral e sim mostrar que se deve tomar cuidado com estes. O Lobby para o grande público e no senso comum está estereotipado mostremos a eles o que é realmente a importância desta profissão. Vamos limpar a imagem deste profissional sendo um bom se assim tivermos oportunidade.

Como Paulo Costa diz em seu blog Agro Blog:

“No caso dos EUA a profissão de lobista é regulamentada por lei e o lobby é praticado sem conotação de ilegalidade”

Que assim seja no Brasil.

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7 pensamentos sobre “Cuidado com o “Lobby” Mau

  1. Olá Diego e pessoal do VersátilRP!

    Essa questão do Lobby é bem interessante, mas, primeiramente, não a vejo como um veículo e, sim, como uma técnica de comunicação dirigida, uma atividade de RP que visa isso aí mesmo, defender os interesses de um grupo/organização/entidade perante o governo e as instituições públicas.

    Realmente é vista de maneira equivocada no Brasil, como uma prática corrupta e que reina apenas no mundo da política. Acredito que a falta de informação é a maior causadora disso, por isso que a nossa atuação como RP muitas vezes é desconhecida também. A melhor forma de contornar essa situação é esclarecendo, informando, debatendo.

    Para quem ainda não viu, o filme ao qual vc se refere quando exemplifica a atuação do lobista é o “É PROIBIDO FUMAR”, que mostra a atuação de um lobista sim. Falta caráter no personagem, mas o lobista deve agir com a mesma garra e energia que ele age, na minha opinião.

    Como vc mesmo disse Diogo, nos EUA a profissão é regulamentada, mostrando, mais uma vez, o quanto o nosso país está atrasado…

    Um abraço! Ludimila

  2. Bacana a análise sobre o lobby!

    De fato o lobby não é um veículo mas para os Relações Públicas uma área de atuação. Como o exercício profissional do lobby requer conhecimento, flexibilidade, trânsito livre entre diversas esferas e bom relacionamento com grupos sua atuação é atribuida ao corrupto ou ao tráfico de influências.

    As pessoas possuem conhecimento distorcido do que seja está área pois nem mesmo os profissionais competentes para tal atividade sabem descrever sua real função, então, assim como as Relações Públicas, as dúvidas surgem e geram margem para qualquer interpretação.

    Gostei da discussão mas acredito que o texto poderia ter uma melhor linearidade. Só uma sugestão.

    Parabéns pessoal estou sempre acompanhando vocês!

    Um abraço!

    Rodrigo Almeida

    • Obrigado pela acompanhamento, sobre ser linear posso ser leigo e está falando bobagem mas acredito que na web a linearidade não existe mais.

  3. Diego, em primeiro lugar fico orgulhoso de ser citado em seu artigo. Grato pela leitura do Agroblog. Parabéns por este veículo também. Aliás apreciei a abordagem de seu texto e concordo plenamente que o lobby é um instrumento de comunicação. Em minha já longa vida profissional trabalhei dois anos em Brasilia com o pomposo título de “gerente de relações institucionais e análise política” (leia-se lobista, palavrão em nossa capital) de uma grande empresa multinacional, aliás altamente ética. Um ano de governo Collor e um ano de governo Itamar. Antes de chegar a Brasilia fiz um treinamento de um mês em Washington para aprender a fazer lobby de verdade. Estive envolvido de forma dedicada à discussão que corria no Congresso sobre a Lei dos Portos, que acabou sendo promulgada em setembro de 1993. Creio que a empresa onde trabalhava, através de minha pessoa, contribui fortemente para a educação dos legisladores, levando-os para conhecerem portos no Exterior que funcionavam com modernidade, trazendo especialistas para fazerem palestras aos congressistas, etc. Tudo sem mala preta, favores ou “festinhas”. As pessoas não acreditam mas em toda a parte, inclusive no Brasil, há políticos que são políticos porque gostam da política e ponto final. Vale a pena fazer um trabalho deste, consciente, de RP, de comunicação. O caso citado acabou por significar um grande avanço para a modernização do sistema portuário brasileiro (claro que ainda está sendo implementada…). Parabéns. Vou voltar a este espaço. Cordialmente, Paulo Costa

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