Mídia como políti(ti)ca

Antes de mais nada gostaria de ante mão dizer-lhes que este artigo teve o filme “O quarto poder” como base para a discussão, entretanto não será uma análise profunda e nem detalhada. O enfoque será entre a mídia e a opinião pública.

Aproveitem a leitura, e despertem o senso crítico 😉

O filme retrata a infinda ligação entre a mídia e a formação de opinião pública. Mostra-nos, exatamente, o grande ciclo à qual estamos envoltos: a história é boa para ser articulada, concretiza-se uma imagem através da mídia, a opinião pública é manipulada e formada, até aparecer outra “boa história”.

Se falarmos de ética, seguindo o exemplo de “O quarto poder”, entraríamos numa conduta óbvia, porém que, ao mesmo tempo, bem confusa.

A televisão é a primeira cultura verdadeiramente democrática – a primeira cultura disponível para todos e totalmente governada pelo que as pessoas querem. A coisa mais aterrorizante é o que as pessoas querem. (BARNES, Clive)

Se o público quer “violência”, dê-lhes violência. Se querem morte, dê-lhes morte!

Simples assim, as notícias são disseminadas, sempre, do mesmo modo: manipuladamente. Entretanto, como lidar com o fato de aferir a ética, quando, na verdade, a mídia mostra aquilo que a massa quer ver?

O repórter Max Brackett, interpretado pelo ator Dustin Hoffman, encontra a matéria perfeita para voltar em seu auge profissional. Quando presencia, num museu da Califórnia, Sam Baily – um segurança desempregado – interpretado por John Travolta, apontando uma arma para a proprietária do local, o repórter tranca-se no banheiro e consegue comunicar-se com sua estagiária que encontrava-se ao lado de fora do estabelecimento.

E é a partir deste fato que toda a trama começa a se desenrolar. Sam Baily apenas ameaçava a dona do museu, por querer seu emprego de volta, e por querer, também, que ela o ouvisse. Levara consigo um rifle e dinamites para poder chamar sua atenção. Coincidentemente, naquele mesmo dia, havia um grupo de crianças visitando o museu que, logo viraram reféns do ex-segurança.

Brackett enxerga seu momento de glória, propõe ao desempregado que lhe dê uma entrevista ao vivo, e que assim, em troca devido à confusão, faria com que as pessoas formassem uma opinião positiva sobre sua imagem – o que de fato acontece. A massa, hora ponderava as notícias com sentimento, hora com razão.

Eles contam à massa de que modo o gato está pulando e, então, a mesma tomará conta do gato. Entende?

As pessoas formam opiniões a todo instante, não deixam de serem críticas, porém agem conforme as leis da mídia. E isso comprova a tese de que o quarto poder – depois do executivo, legislativo e judiciário – é a própria mídia. Diria que até a primeira, entretanto a disputa com a opinião pública ficaria acirrada demais para angariar um primeiro lugar no pódio; embora as duas andem de “mãos dadas”.

No caso de Sam Baily fora exatamente o que acontecera, a opinião daqueles que o assistia na televisão, condenava-o ou absolvia-o. Este era seu julgamento.

A Opinião Pública está sempre lá… consolidada. Há, em sua gestão, ápices e sua opinião vem à tona, outrora entra em latência. E é neste momento – o de latência – que nós, Relações Públicas, entramos.

Diria um professor meu que, “se público fosse massa, isso com certeza, facilitaria e muito sua vida!”, afinal seria mais fácil apenas pedir à alguém que faça algo e esta o fizesse sem questionar. Será?

Às vezes fico pensando sobre a frase de meu professor. Ele como publicitário (nada contra àqueles que são) sem dúvida acharia mais fácil, mas hoje em dia o senso crítico é tão preciso…

É difícil aferir certas proximidades quanto à opinião pública, imagina aferir ao certo A opinião formada! Ninguém sai por aí imaginando o que as pessoas pensam, aliás, até imaginam, porém para se ter certeza, o processo fica bem mais complicado.

O mais interessante sobre o filme é que ele não teve alto índice de bilheteria, talvez fosse pelo fato de ser direcionado ao público que entenda sobre a comunicação em processo mais profundo, ou pela demonstração tangível referente à profissão de um jornalista que faz de tudo, e um pouco mais, para conseguir novamente seu status midiático.

Uma vez que, a opinião pública é formada, a voz do povo é a voz de Deus? Não!

A não ser que esse Deus esteja presente em todos os veículos de comunicação e saiba manipulá-los muito bem…

A mídia seja lá por quem é controlada ­ – a imagem – controla, também, a cultura”; certa chamada, um dia, passou corriqueiramente através de meus olhos ao ler uns artigos que criticavam a televisão. Sim, de fato, as imagens são as principais responsáveis pelas “mentes criadoras” que despertam nossos sentidos de latências e erupções. Entretanto não são essas ‘mentes únicas’ que formam a Opinião Pública.

Opinião é algo que está ligado a crenças e ideologias, e perceba que citei “opinião” singularmente e que, portanto, é a de um indivíduo apenas. Esse processo é interno, e a atitude que ele tomará quanto a essa formação é algo que as pessoas verão quando este indivíduo estiver “igualitariamente” dentre outros mais.

Um indivíduo em meio a outros indivíduos expressa seus desejos mais escondidos – Freud explica. Basicamente desperta seu sentido inconsciente na multidão. Logo, a opinião daquele grupo de pessoas, sendo ela verdadeira ou não, torna-se um senso. Afinal, elas estão ali por algum motivo semelhante, não? (Sim, há sempre exceções daqueles que não sabem o porquê encontram-se naquele lugar e hora, por exemplo).

O fato é que a mídia não precisa dizer como sua audiência pensa, ela precisa – e faz isso muito bem – direcionar a maneira com que pensa a sua audiência. Vide o final de nosso exemplo do filme “O quarto poder”: Max Brackett induz como as pessoas devem pensar, e induz também, Sam Baily a agir de forma que seus telespectadores gostem da imagem formada pelo repórter.

É um jogo, e nele só entra quem já tem a certeza que pode – alguma hora – perder 😉

 

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3 pensamentos sobre “Mídia como políti(ti)ca

  1. Recentemente vi um filme que chama Montanha dos 7 Abutres, mostra todo este espetaculo que mídia faz quando acha algo que agregue tudo isso que você falou no texto, formando consenso na Opinião Pública e às vezes até conduzindo a Opinião da Sociedade para um fato.

    Opinião Pública é um tribunal invisível.

  2. Texto show! Vou até usá-lo pra fazer o trabalho de hoje na facul =P heheh

    Parabéns Mah!

    Esta discussão é interessantissima se pensarmos no que uma Novela faz de um país, no que um caso ‘Isabela Nardoni’ faz com a cabeça das pessoas…

  3. Parabéns pela reflexão, Marcela. Sabe quando a gente estudava antropologia, semiótica, os conceitos de multidão, milling e rapport? Lembra que falávamos: Eu nunca vou usar isso, isso é chato, isso é babaquice? Pois é. Quem sabe esses conceitos, consegue a manipulação, consegue fazer massa crítica para os próprios interesses. Isso dá um debate muito legal sobre a formação da opinião e a condução (quem sabe indução) da reação. Parabéns pelo texto. Abraços.

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