E a Proposta Foi Enviada ao MEC

Como já citado por aqui em maio deste ano uma gloriosa jornada começou. Uma jornada que interessa a todos nós Relações Públicas. Uma profissão que foi desdenhada por um dos fundadores FECAMP, mas que todos sabem que não faz sentido.

A presidência dos “guerreiros” ficou sobre a responsabilidade da professora Margarida Maria Krohling Kunsch, seguida por Cláudia Peixoto de Moura, Ésnel José Fagundes, Márcio Simeone Henriques, Maria Aparecida Viviani Ferraz, Paulo Roberto Nassar de Oliveira e Ricardo Ferreira Freitas. Tudo isso a pedido do Ministério da Educação através da portaria 595/2010.

Emiliana querida e simpática pessoa que conhecemos na audiência em São Paulo, que trabalha na ABERJE, encaminhou um e-mail contendo uma cópia  do documento enviando ao MEC com algumas conclusões colhidas nas audiências que aconteceram pelo Brasil. Vou discorrer sobre o documento, acompanhem alguns trechos:

 

RELATÓRIO DA COMISSÃO DE ESPECIALISTAS INSTITUÍDA

PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

(Portaria 595/2010, de 24 de maio de 2010)

1 – Introdução

Após uma década da elaboração das diretrizes curriculares nacionais para os cursos de Comunicação Social e suas habilitações, vêem-se os cursos diante da imperiosa necessidade de atualização de seus parâmetros básicos de organização pedagógica. De um lado, devido às intensas mudanças sociais, nas bases tecnológicas e dos próprios fazeres do campo da comunicação. De outro, o desenvolvimento do campo científico da comunicação, notadamente no que se refere às

Relações Públicas evidencia ainda de forma mais contundente essa demanda.

O profissional de Relações Públicas está apto a atuar nas áreas de comunicação nas organizações públicas, privadas e do terceiro setor, por meio do estabelecimento de políticas, estratégias e instrumentos de comunicação e relacionamento. Sua formação, no Brasil, é feita hoje por 107 cursos, estimando-se um contingente de 3.200 egressos em todo o país.  Desde 2006, o conjunto de cursos de Relações Públicas é avaliado pelo Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE

1.1 – Processo de trabalho da Comissão de Especialistas

A Comissão de Especialistas para subsidiar a formulação das diretrizes curriculares nacionais dos cursos de Relações Públicas foi instituída pela Portaria 595 de 24 de maio de 2010 pela Secretaria de Educação

Superior do Ministério da Educação. A Comissão estabeleceu como estratégia a escuta dos diversos segmentos envolvidos (estudantes, professores, profissionais, empresários e representantes da sociedade civil) realizando consulta virtual e audiências públicas em cada uma das cinco regiões brasileiras. A comissão também contou com diversas contribuições de entidades empresariais, profissionais e de ensino, todas consideradas pela Comissão. Procedeu a levantamentos e análises sobre a situação dos cursos de graduação em Relações Públicas no país e sobre a atividade de RP no Brasil e no mundo.

1.1.1  – Consulta pública virtual

Foi aberta uma consulta pública virtual, através de formulário no portal do MEC, que recebeu sugestões de 30 de julho a 30 de setembro de 2010. Foram recebidas no total 119 contribuições de todo o país.

1.1.2 – Audiências públicas regionais

Foram realizadas cinco consultas públicas regionais, a saber:

Porto Alegre/RS, dia 19/08/2010, número de participantes 71, região Sul;

São Paulo/SP, dia 27/08/2010, número de participantes 76, região Sudeste;

Recife/PE, dia 13/09/2010, número de participantes 40, região Nordeste;

Manaus/AM, dia 14/10/2010, número de participantes 83, região Norte;

Brasília/DF, dia 18/10/2010, número de participantes 22, região Centro-Oeste.

Total de 292 participantes nas 5 audiências pelo país.

4- Indicações para as Diretrizes Nacionais do Curso de Relações Públicas

4.1 – Organização geral e estrutura do curso

4.1.1 – Princípios gerais

– Projeto pedagógico e matriz curricular – Os projetos pedagógicos dos cursos contemplam o caráter estratégico das Relações Públicas na gestão dos processos de comunicação das organizações. Os aspectos sociais, culturais e relacionais são considerados na interação com os públicos e na política, no planejamento e nas ações da comunicação organizacional. A reflexão e a crítica acompanham os processos comunicativos, produzindo conhecimentos e práticas adequadas às mudanças e demandas, sem perder a ênfase nos interesses da sociedade. É imprescindível a preocupação com a formação humanística, crítica e ética e com a formação multidisciplinar. Deve-se garantir oferta de disciplinas e atividades didáticas optativas (de livre escolha do aluno).

– Linhas de formação e regionalização – Em seu projeto pedagógico, as IES podem definir suas linhas de formação específicas, apresentando uma identidade mais precisa e marcada para o profissional de Relações

Públicas. Observando as diretrizes, as IES podem adotar linhas de formação condizentes com suas demandas sociais, sua vocação e sua inserção regional e local.

– Articulação teórico-prática – A pesquisa é elemento constitutivo e fundamental do currículo, que possibilita aos cursos buscar o equilíbrio entre a teoria e a prática e estabelecendo uma conexão com as disciplinas que tratam da operacionalidade das funções de Relações Públicas, voltadas ao conhecimento e análise da prática profissional e do mercado de trabalho. Lançam mão de mecanismos ativos no processo ensino-aprendizagem (trabalhos de campo, formação de equipes, atividades de extensão, maior exposição a situações reais) e de resolução de situações-problema, aliando o conhecimento adquirido à capacidade do egresso de propor alternativas, de ser proativo na busca de formas inovadoras de atuação no mercado de trabalho.

– Atualização – Os cursos devem oferecer condições para que os alunos desenvolvam conhecimentos e práticas em mídias digitais, utilizando recursos tecnológicos sempre atualizados. Também é fundamental a constante renovação de conhecimentos teórico-práticos na área, através da capacitação permanente dos docentes e possibilidades de participação destes e dos discentes em fóruns acadêmicos e profissionais. Estimulam as atividades de iniciação científica e de extensão no âmbito da graduação.

– Autonomia e integração – Garantia de autonomia do sujeito, face ao seu próprio processo de aprendizagem e produção de conhecimento e de integração entre as diversas áreas profissionais da comunicação e com outros campos do saber. Deve ser encorajada a integração entre egressos e estudantes para a troca de experiências, assim como formas de acompanhamento e avaliação da inserção no mercado de trabalho.

4.1.2 – Carga horária total

A carga horária total é de 3.200 horas, assim distribuídas:

• 2.800 horas para as atividades didáticas (teóricas e práticas; obrigatórias e optativas) dos eixos de formação, sendo pelo menos

1.400 horas no eixo de formação em Relações Públicas – que inclui a carga de 150 horas destinada ao trabalho de conclusão de curso –, e as outras 1.400 horas nos eixos de formação geral, em comunicação e suplementar

• 200 horas para estágio

• 200 horas para atividades complementares.

4.1.3 – Estrutura laboratorial

A IES deve criar e manter laboratório(s) de relações públicas como espaço(s) catalisador(es) e organizador(es) das atividades práticas do curso. Deve servir como elemento de integração entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão e com as práticas do mercado profissional. É fundamental que, além desta estrutura específica, o curso conte também com espaços, equipamentos e softwares indispensáveis para a execução de diversos produtos midiáticos, para a realização de pesquisas quantitativas e qualitativas, garantida a constante atualização desses recursos tecnológicos, com o monitoramento e apoio de funcionários técnicos especializados. Devem ser estimuladas também as empresas juniores no âmbito das IES.

4.1.4 – Estágios

O estágio deve ser atividade obrigatória de vivência profissional, executada interna ou externamente à IES, componente do currículo

(200 horas) e regulamentado pelos colegiados acadêmicos da instituição, em consonância com a Lei n.º 11.788 de 25/09/2008, especialmente sob os seguintes critérios: (a) seja supervisionado por profissional de Relações Públicas da empresa concedente; (b) tenha aplicação de mecanismos efetivos de orientação e avaliação pelas IES e pelas instituições concedentes.

4.1.5 – Atividades complementares

Os cursos devem considerar para efeito de complementação de carga horária atividades complementares realizadas dentro ou fora da IES

(200 horas), sob acompanhamento, orientação e avaliação de docentes do curso, tais como projetos de iniciação científica e de extensão, publicações, participação em cursos, oficinas, eventos, seminários e congressos científicos e profissionais, disciplinas em outros cursos, segundo critérios regulamentados no âmbito de cada IES.

4.1.6 – Trabalhos de conclusão de curso

As instituições devem oferecer a realização do trabalho de conclusão de curso (150 horas) em duas modalidades para escolha dos discentes: (a) trabalho monográfico, individual, podendo versar sobre tema específico de Relações Públicas ou estudos do campo da comunicação, de modo mais amplo, e/ou (b) trabalho de relações públicas aplicado a organizações do primeiro, segundo ou terceiro setores (individual ou em grupo), acompanhado de fundamentação, reflexão teórica e intervenção documentada. Em ambos os casos, deverá ser orientado por docente do curso e avaliado por banca composta por docentes e/ou profissionais, conforme resolução específica da IES.

4.2 – Perfil do egresso

O egresso do curso de Relações Públicas deve ser profissional ético, humanista, crítico e reflexivo, com as seguintes características:

• Capacidade acurada de análise conjuntural, de forma a lidar quantitativa e qualitativamente com dados estatísticos, econômicos e sociais, transformando-os em indicadores para a elaboração de políticas de comunicação;

• Percepção das dinâmicas socioculturais, tendo em vista interpretar as demandas dos diversos tipos de organizações e dos públicos;

• Compreensão das problemáticas contemporâneas, decorrentes da globalização, das tecnologias de informação e da comunicação e do desenvolvimento sustentável necessária ao planejamento de relações públicas;

• Entendimento do campo técnico-científico da comunicação, capaz de estabelecer uma visão sistêmica das políticas e estratégias de relacionamentos públicos;

• Capacidade de liderança, negociação, tomada de decisão e visão empreendedora.

4.3 – Competências

4.3.1 – Gerais

• Dominar as linguagens e as técnicas utilizadas no processo de comunicação e nas diversas mídias, articulando as dimensões de criação, produção e interpretação;

• Articular de forma interdisciplinar as interfaces existentes nas diferentes áreas da comunicação, e outros campos do saber, promovendo a integração teórico-prática;

• Atuar em consonância com os princípios éticos de comunicação para a cidadania, considerando as questões contemporâneas de sustentabilidade;

• Produzir conhecimento científico no campo da comunicação e na área das Relações Públicas e exercer a docência.

4.3.2 – Específicas

• Desenvolver pesquisas, estratégias e políticas que favoreçam a interpretação qualificada da conjuntura sócio-organizacional;

• Criar, executar e avaliar planos, programas, campanhas e projetos estratégicos de relações públicas integrados às demandas organizacionais e da opinião pública;

• Sistematizar os repertórios necessários à prática profissional, nos âmbitos da gestão de processos comunicacionais, da cultura organizacional e das inovações tecnológicas;

• Utilizar técnicas e instrumentos adequados ao desenvolvimento de atividades específicas: assessoria de imprensa, organização de eventos, cerimonial e protocolo, ouvidoria, comunicação interna, pesquisa de opinião pública e de mercado;

• Realizar serviços de auditoria, consultoria e assessoria de comunicação de empresas;

• Atuar de forma qualificada em atividades de lobby/relações governamentais e comunicação pública;

• Administrar crises e controvérsias, promovendo ações para a construção e preservação da imagem e da reputação das organizações

4.4 – Seleção e organização dos conteúdos

Os conteúdos são organizados em quatro grandes eixos: (1) Formação geral; (2) Formação em Comunicação; (3) Formação em Relações

Públicas e (4) Formação suplementar. São indicados para cada eixo um conjunto de conteúdos básicos que podem ser contemplados em diversas atividades didáticas (disciplinas, oficinas, atividades laboratoriais, discussões temáticas, seminários etc.).

4.4.1 – Formação Geral

Contempla conteúdos de cultura geral e de formação ética e humanística:

Baseada essencialmente em conhecimentos das Humanidades e das Ciências Sociais Aplicadas; da filosofia e da sociologia, com foco na ética e nas questões da sociedade contemporânea. Podem ser agregados elementos gerais de economia, direito, antropologia, psicologia, estética e artes, ciência política, administração e outras áreas do conhecimento, conforme a linha de formação escolhida pela IES.

4.4.2 – Formação em Comunicação

Contempla conteúdos teóricos e aplicados das Ciências da

Comunicação, com foco naqueles que contribuem para o entendimento dos processos e práticas de Relações Públicas:

4.4.2.1 – Fundamentos Teóricos da Comunicação

Estudos das correntes teóricas da comunicação; história social dos meios de comunicação; a pesquisa em comunicação; interfaces da comunicação com a cultura e a política; os campos profissionais, a legislação e a ética da comunicação.

4.4.2.2 – Linguagens, Mídias e Tecnologias

Estudos da linguagem, da retórica e do discurso; organização das informações; estudos das mídias, das tecnologias de informação e de comunicação; cibercultura; estudos semióticos da comunicação.

4.4.3 – Formação em Relações Públicas

Contempla conteúdos teóricos e aplicados com práticas laboratoriais que são específicos para a compreensão de Relações Públicas como processo e como atividade profissional:

4.4.3.1 – Fundamentos Teóricos e Técnicos

História, princípios e fundamentos das Relações Públicas, perspectivas teóricas e tendências; estudos sobre públicos e opinião pública; as relações públicas no contexto nacional e internacional; estudos de comunicação pública, responsabilidade social/histórica e sustentabilidade; políticas, planejamento e gestão estratégica da comunicação; assessorias de comunicação e estratégias de relacionamento com as mídias; planejamento e organização de eventos; prevenção e gerenciamento de comunicação de risco e crise; comunicação governamental, no terceiro setor e nos movimentos sociais; estudos sobre teorias das organizações e correntes teóricas da comunicação organizacional; comunicação nos processos de gestão organizacional; estudos sobre a cultura organizacional e construção da imagem e da reputação; processos de comunicação interpessoal nas organizações; as relações públicas no contexto da comunicação integrada (institucional, administrativa, mercadológica e interna); avaliação e mensuração em comunicação; estudos de mercado e de negócios.

4.4.3.3 – Práticas Laboratoriais em RP

No decorrer de sua formação, o aluno deverá cursar atividades didáticas em laboratórios especializados com objetivo de desenvolver práticas tais como: pesquisas de opinião e imagem que fundamentem a execução de projetos específicos; diagnóstico, planejamento e gestão estratégica da comunicação; planejamento e organização de eventos; gerenciamento de crises; redação institucional; produção de mídias impressas, audiovisuais e digitais; webcomunicação; portais corporativos, governamentais e comunitários; realização de projetos sociais e culturais.

4.4.4 – Formação Suplementar

Contempla conteúdos de domínios conexos que são importantes para a construção do perfil e das competências pretendidas e seguindo a linha de formação escolhida pela IES:

Empreendedorismo e gestão de negócios; a comunicação nos processos de governança corporativa, psicologia social; estatística; lobby e relações governamentais; cerimonial e protocolo; ouvidoria.

5 – Acompanhamento e avaliação

Além do respeito às normas vigentes de avaliação institucional estabelecidas para as IES e em consonância com os critérios de avaliação do SINAES/MEC, o curso deve contemplar os seguintes critérios de qualidade:

• O perfil do corpo docente, agregando a experiência prático-profissional à acadêmica;

• Incentivo à produção científica e de publicações, contribuindo para o incremento dos indicadores de desenvolvimento da educação, da ciência e da tecnologia;

• Divulgação e socialização da produção científica de professores e alunos, bem como a promoção de grupos de pesquisa, em

Relações Públicas ou áreas afins, inclusive em redes nacionais e internacionais;

• Investimento institucional para a qualificação dos professores, por meio de programas de capacitação em cursos de aperfeiçoamento e em programas de pós-graduação lato e stricto sensu;

• Estabelecimento de políticas de capacitação docente e de planos de carreira;

• A infraestrutura adequada para operação do curso em sua plenitude, compatível com a supervisão docente nas atividades didáticas;

• A contribuição do curso para o desenvolvimento local e social e de cidadania nos contextos das IES, bem como avaliações periódicas da absorção do egresso pelo mercado de trabalho;

• A manutenção e a atualização permanente dos laboratórios e equipamentos técnicos necessários à aprendizagem, com apoio de funcionários técnicos devidamente capacitados;

• Atividades de pesquisa e extensão que promovam o aprofundamento do conhecimento na área de relações públicas, bem como do relacionamento da IES com os vários setores da sociedade;

• As condições adequadas à supervisão de estágios curriculares;

• O suprimento permanente de títulos atualizados (livros, periódicos e mídias digitais) nas bibliotecas e acesso a bases de dados científicas.

Brasília, 20 de outubro de 2010.

Para quem quiser ler o relatório na íntegra: http://migre.me/1Fb2s

Fonte: ABERJE

 

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6 pensamentos sobre “E a Proposta Foi Enviada ao MEC

  1. Diego,

    Parabéns pela iniciativa de disponibilizar o documento por aqui. Agora, é aguardar as respostas do MEC.
    Abeaços,
    Alexandre Costa
    @alexandre_amc

  2. Caro, Diego,

    Considero muito válida sua iniciativa de colocar trechos do documento aqui, mas senti falta de um comentário crítico em relação à proposta elaborada. Aliás, não vejo isso em lugar algum, como se a proposta fosse algo intocável e perfeito, que não demanda discussão e análise.
    Se o blog é generalista e especialista como um RP, é preciso ir além da publicação.
    Continuarei acompanhando! Sucesso! ;D

    • Muito obrigado pela dica. A intenção realmente foi de divulgar e realmente concordo que faltou tal análise. Farei isso nas próximas.

      Obrigado por sua atenção

  3. Pingback: Cadê a Comunicação Social? MEC decreta: agora Bacharéis em Relações Públicas | Versátil RP

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