Nem polêmico, nem incompreendido. Apenas Marcello Chamusca

No início de maio no V Congresso Abrapcorp  a equipe Versátil RP teve a honra de conhecer o professor Marcello Chamusca.

Mestre Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social (UCSAL), Pós-graduado em Educação Superior e Novas Tecnologias (FBB) e Bacharel em Comunicação Social/Habilitação em Relações Públicas (FTC). Ainda podemos destacar que o professor é pesquisador da área de cibercultura vinculado ao CNPq,  Secretário geral da Associação Latinoamericana de Relações Públicas (ALARP-Brasil). Vamos dar voz ao bom Baiano.

Versátil RP: O que te fez escolher o curso de Relações Públicas?  Sabia o que era?

Marcello Chamusca: Sou mais um daqueles casos de alguém que não escolheu a profissão de relações públicas inconscientemente. Fiz música profissionalmente dos 14 aos 28 anos. Aos 17 abandonei os estudos porque a carreira artística ia bem e achava que estava perdendo tempo tendo que ir ao colégio. Ledo engano. Aos 29 percebi que o melhor caminho que um ser humano pode trilhar é o do conhecimento e voltei a estudar. Aos 32 anos prestei vestibular para Direito. No formulário de inscrição era obrigado a preencher uma segunda opção. Foi aí que a profissão me escolheu. Perdi para Direito e fui chamado para fazer Relações Públicas. Quando terminei o primeiro semestre do curso já estava completamente apaixonado pela profissão e não conseguia mais me enxergar em outro lugar. Hoje, entendo que a minha profissão é uma das mais relevantes para a conjuntura social e empresarial contemporânea, uma vez que tem como objeto central os relacionamentos, certamente, um dos mais importantes capitais para o mundo atual.

VRP: Relações Públicas para você é…

MC: …uma atividade administrativa de gestão de relacionamentos, que utiliza, prioritariamente, a comunicação como meio para cuidar da qualidade das relações estabelecidas entre as organizações e seus diversos públicos, visando de forma estratégica à formação e manutenção de uma imagem pública favorável.

VRP: Se graduou em qual instituição? E como foi o caminho até o mestrado?

MC: Graduei-me pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC). Fiz especialização juntamente com o meu último ano de graduação. Quando me formei, três meses depois conclui a minha pós-graduação lato sensu em educação, pois tinha o firme propósito de ser professor. Precisei interromper o processo de minha formação por um ano, em 2007, por causa da coordenação geral da campanha nacional de valorização da profissão de relações públicas, que aconteceu de 2006 a 2007, e que tenho a honra de afirmar, por que possuo dados que fundamentam que foi a maior e mais representativa campanha de valorização da história da nossa profissão no Brasil. Sei que essa afirmação mexe com muitos egos, mas é a pura verdade. Em 2008 retomei o processo de formação e ingressei no mestrado da Universidade Católica do Salvador. Conclui no início de 2010.

VRP: Como é trabalhar com Márcia Carvalhal?

MC: Sensacional. Ela é uma parceira verdadeira, no sentido real da palavra. Está comigo em tudo, me apóia em todos os meus projetos, além de ser um ser humano excelente e uma mulher absolutamente maravilhosa. Márcia é a minha vida. É simplesmente tudo pra mim.

VRP: Quais os aspectos essenciais para um profissional de Relações Públicas se sobressair no mercado?

MC: Acredito que ter um bom cabedal de conhecimento específico na área (qualificação), ter um nível alto de alfabetização digital (necessário pela conjuntura tecnológica atual), dominar outras línguas (pelos dos aspectos da globalização), e, sobretudo, ter uma postura pró-ativa diante das diversas demandas que possa se deparar (empreendedorismo). Pra mim, esse é o conjunto de aspectos essenciais para um profissional de relações públicas se sobressair no mercado competitivo que temos hoje.

VRP: Acredita que a formação de redes de relacionamentos entre os profissionais e mais divulgação da profissão, faz diferença real para nós?

MC: Acredito que sim. Imagino que precisamos parar com esse discurso risível de que somos profissionais de bastidores e botar a cara pra bater. Sair dos bastidores e ir pra frente, mostrar a cara e dizer quem somos. Entendo que a profissão de relações públicas é muito valorizada e reconhecida no âmbito das grandes empresas. Além disso, a minha percepção é de que o mercado está em franco crescimento e a cada dia o reconhecimento social vem se ampliando. Pra mim, o nosso grande problema ainda está na baixa estima da categoria. Os relações-públicas têm um seriíssimo problema identitário. Acham-se os patinhos feios da comunicação. Só pra se ter uma ideia, outro dia, acompanhei estupefato uma discussão numa dessas listas de discussão na internet, que fazia uma analogia entre os relações-públicas e os zagueiros de um time de futebol. Uma das colegas propunha que em todo time tem que haver os atacantes e os defensores. Até aí tudo bem, a continuação é que é de arrepiar. Ela dizia que “somos” (como diria um bom baiano: lá ela) os zagueiros e, nesse sentido, nunca teremos o reconhecimento que um atacante tem. Apesar de indignado, preferi não entrar na discussão, pois, entendi que era absolutamente improdutiva e sem a menor consistência. Mas é um exemplo emblemático da baixa estima de parte da categoria. E o mais interessante é que essas mesmas pessoas são as que discursam contra as ações de valorização da profissão que realizamos através do Portal RP-Bahia. Até porque já se conformaram com a posição de defensor e acham que a nossa função é ficar atrás, se defendendo. Mesmo assim entendo que o quadro mudou significativamente do início de 2006, quando iniciamos a campanha, para os dias de hoje. A campanha fomentou muitas discussões, mexeram com egos muito inflados, muitos colegas que estavam estagnados há anos começaram a se movimentar para não cair no esquecimento, sites que pareciam peça de museu passaram por reformas, enfim, foi muito importante para impulsionar a categoria e, sobretudo, os estudantes da época – hoje novos profissionais – a assumirem também uma nova postura diante do mercado e da própria categoria. Quem viveu aqueles momentos, certamente, não esquecerá jamais e tem uma certeza no seu coração: toda aquela movimentação não foi em vão, ela provocou mudanças profundas sim e transformou para sempre as relações públicas brasileiras.

VRP: Considera-se uma pessoa polêmica ou está mais para incompreendida?

MC: Nem uma, nem outra. Sou como todo mundo que tem opinião e se posiciona, nada mais. Em alguns casos conquisto amigos e admiradores, em outros inimigos e odiadores (risos). Mas não sei ser diferente. Não consigo fingir que não vejo as coisas erradas e, muito menos, deixo de fazer algo porque isso vai mexer com o ego inflado de alguém. Resumindo: sou apenas um relações-públicas que ama sua profissão, que tem atitude e não aceita dizer “sim senhor” pra tudo o que ver. Ainda preservo em mim, o direito de me indignar com as coisas e reagir a elas.

VRP: Pode nos pontuar um pouco sobre seus trabalhos no Brasil e no exterior?  Conte-nos sobre a ALARP.

MC: Sou professor-pesquisador. Ensino Comunicação Organizacional e Relações Públicas em dois cursos de graduação e em sete cursos de pós-graduação espalhados pelo país. Além disso, atuo também no mercado como consultor empresarial. Tenho me dedicado à carreira internacional e hoje já coleciono mais de 70 conferências e palestras realizadas em eventos internacionais no Brasil e em outros nove países, da Europa e América Latina (Iberoamérica). Atualmente sou secretário geral da Associação Latino-Americana de Relações Públicas (ALARP-Brasil), que é uma associação que atua em diversas frentes na valorização e reconhecimento da profissão na região. Tenho muito orgulho de ser secretário da professora doutora Souvenir Dornelles (PUCRS), a atual presidente da ALARP-Brasil.

VRP: Está envolvido em alguma pesquisa atualmente?

MC: Sim. Atualmente estou envolvido num grupo de pesquisas ligado ao CNPq, sobre os processos infocomunicacionais e dinâmicas territoriais nas cidades contemporâneas, investigando como as tecnologias móveis digitais têm transformado as relações das organizações com os seus públicos nessa nova conjuntura tecnológica e social.

VRP: Qual a importância do aumento de blogs sobre RP para a profissão? Muita gente dando opinião de coisas que nem sabe do que se trata não pode ser mais prejudicial do que benéfico?

MC: Acredito que tem o seu lado positivo, sim. Mas, de fato, temos que manter o nosso senso crítico aguçado, uma vez que tem muita gente desqualificada questionando autores e pesquisadores reconhecidos, que possuem história e experiência suficientes para serem respeitados nos seus posicionamentos e ideias. O fato de amadores terem espaço para difundir seus pensamentos com status de profissionais, certamente, é algo perigoso. Por outro lado, essa possibilidade amplia a condição de avanço das discussões acadêmicas e, consequentemente, contribuir para a profissão, formando massa crítica para a área.

VRP: Escrever um livro é uma arte. Como é o processo criativo para você escrever um?

MC: Trata-se de momentos de muita dedicação e reflexões. É preciso empenho e, claro, muito conhecimento sistematizado sobre o que vai tratar. É como costumam dizer: 1% de inspiração e 99% de transpiração.

VRP: Seus e-books estão superando suas expectativas em número de downloads?

MC: Sim, e muito. O e-book Relações Públicas Digitais, lançado em setembro de 2010, já está com quase 180 mil downloads. E o Comunicação e Marketing Digitais, lançado no final de abril de 2011, já passou dos 150 mil downloads. São números impressionantes. Nunca imaginei que alcançaríamos números dessa envergadura.

VRP: Como analisa o mercado de Relações Públicas no Brasil? E especificamente na Bahia? Está muito distinto da América Latina?

MC: As possibilidades de atuação que temos são muitas, uma vez que, segundo o mestre Simões, não há uma só organização neste mundo que possa prescindir de se relacionar com os seus públicos. Neste sentido, há espaço para atuação em absolutamente todos os tipos e portes de organizações existentes. Entre os países que conheço da América Latina, o Brasil certamente é o que está numa melhor condição em relação ao avanço da profissão. Mas os problemas identitários e baixa estima, infelizmente, são generalizados. Em todos os lugares ainda há uma sensação de falta de valorização e reconhecimento.

VRP: Evidente sua inspiração na profissão é o professor Roberto Porto Simões, conte um pouco mais sobre essa admiração? Quais outros te inspiram?

MC: O professor Simões foi o primeiro autor da área que li. Quando tive acesso à sua teoria, que por sinal é a única teoria completa no Brasil, fiquei absolutamente encantado. Concordo com quase tudo da sua teoria e entendo a nossa profissão como uma atividade administrativa, assim como ele. Tenho outras grandes inspirações como a Profª. Margarida Kunsch, pela sua grande capacidade de produção, realização, além de ser a mais agregadora de todas. Fora isso, tenho como referência os professores Fábio França, Maria Aparecida Ferrari, Luis Alberto de Farias, Wilson da Costa Bueno, Maria José da Costa Oliveira, Cleuza Cesca, Cicilia Peruzzo, dentre outros grandes mestres.

 VRP:  Algum recado para profissionais e aspirantes a Relações Públicas ?

MC: Prefiram fazer a criticar. Acreditem que construir é mais importante do que destruir. A nossa profissão é absolutamente essencial no contexto contemporâneo. E isso não podemos perder de vista um só segundo. E quando alguém lhe criticar pelo que fez não se deixe abater e vá em frente, pois, certamente, o medíocre sempre viverá em função de manter a mediocridade, pois precisa provar para o mundo, e para si mesmo, que nunca fez melhor porque não era possível ser feito. Não sejamos medíocres, façamos mais do que esperam de nós, assim, em muito pouco tempo alcançaremos o nosso objetivo comum: o reconhecimento e a valorização da nossa profissão.

 @galofero

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28 pensamentos sobre “Nem polêmico, nem incompreendido. Apenas Marcello Chamusca

  1. Sensacional as palavras do Professor Chamusca
    Prefiram fazer do que criticar. Acreditem que construir é mais importante do que destruir.(via Chamusca)
    Parabéns, pela postagem e pela grande escolha!

  2. O Marcello, assim como tantos outros (inclusive eu) é o típico jovem que caiu por acaso no curso de Relações Públicas e, com o passar do tempo, se apaixona por aquilo que aprende e estuda. É um grande profissional e uma mostra de que, um trabalho feito com dedicação e com seriedade gera muito sucesso.

    Parabéns e forte abraço, meu amigo!

    Mitchell Azevedo

  3. Diego e Marcelo,

    Parabéns pela entrevista. E, boas palavras para reflexão.
    Abraços,
    @alexandre_amc

  4. Chamusca, você conquista muito mais fãs do que inimigos. Aqui você tem mais um fã do seu trabalho. Abraços meu amigo!

  5. E que honra conhecê-lo e também a professora Márcia.
    “Prefiram fazer do que criticar. Acreditem que construir é mais importante do que destruir.” – e que frase hein… lições pruma vida!!!! =D

    Parabéns Diego pela entrevista e obrigada Professor pela honrosa presença no nosso blog!!!! \o

  6. Tenho prazer de ser aluno e amigo de Marcello.
    Sua dedicação e amor a profissão não é negada por nenhum profissional, nem pelos que discordam de sua idéias.
    Pois bem professor, já passou da hora de colocarmos a cara na rua!
    Vamos juntos, estou nessa contigo!

    Abraços e parabéns Galofero!

  7. Tive o privilégio de participar com o Chamusca do último evento pela valorização da profissão e conheci um pouco mais do profissional que luta pela classe. Posso afirmar que tudo o que está escrito, bate com o cara que conhecemos. Parabéns ao blog, Diego, parabéns pela entrevista e Chamusca, parabéns pelos amigos que possui.

  8. Chamusca,

    Gostei muito da entrevista. E fico feliz em saber que os E-books que você lançou já pasam de 150 mil downloads. A internet nos possibilita esses números impressionantes, como você define. No papel você sabe, os números seriam bem modestos pelo custo para o interessado e as dificuldades de distribuição.
    Parabens !

    Nelson Cadena

  9. Agradeço imensamente os comentários dos colegas e amigos Ana Clarissa, Mitchell, Alexandre, Tiago, Tais, Rodrigo, Rubens e Nelson. Vocês são estudantes e profissionais de destaque da nossa área. Ler comentários como esses que vocês escreveram aí em cima, me deixa muito feliz. Obrigado, sinceramente!!!

  10. Sou obrigado a confessar que me identifiquei muito com o Chamusqueira. Comecei no curso com 26 anos e me achando velho.Quando ganhei a bolsa do Prouni eu nem sabia o que era Relações Públicas e vejo que alguém com um grande destaque e profissionalismo passou pelo mesmo. Na verdade eu sempre quis ser jogador de futebol,mas como não deu tentei contabilidade e sem querer estou me formando em Relações Públicas adorando muito o trabalho de um RP e tendo um referencial próximo. Sempre digo que quero chegar no nível de Fábio França, que tenho como motivadora e Guru Denise Aquino, mas o Chamusqueira é um exemplo próximo que não é difícil alcançar seu espaço. Tenho posições e colocações que muitas vezes são interpretadas como agressivas e sua resposta sobre ser polêmico ou incompreendido foi fenomenal. Obrigado. “Ainda preservo em mim, o direito de me indignar com as coisas e reagir a elas.” Chamusqueira

  11. Show, gostei da visão e adoro entrevistas fica a dica, entrevistas me chamam mais atenção do que um breve relato sobre algum líder de opinião, poder entender a visão nua e crua de nossos representantes no mercado, nos prepara para o que vamos enfrentar e pretendemos mudar. Nos faz entender como começamos, para onde vamos, identificando experiências similares. Adorei a entrevista e nem conhecia o chamsca hein!

  12. Para mim uma futura RP essa entrevista é mágica. Eu sempre digo que foi a profissão que me escolheu e que ao terminar as primeiras semanas de aula eu já estava apaixonada pela atividade! Valorizar nossa esfera é fundamental para tomar posse do que nos pertence!

  13. Conheci Marcello e Márcia no ano passado, no Intercom e tive o enorme prazer de participar do livro Comunicação e Marketing Digitais, organizado por eles. Com certeza, o sucesso é consequência do excelente trabalho que realizam. Só tenho a agradecer por ser parte dessa história.

  14. Marcello,

    Que orgulho!!

    Gente saibam todos, este é e sempre será, meu professor e incentivador

  15. Olá sou estudnate de RP, estou cursasndo o 7º semestre.
    Muito bom poder aprecisar a hisória de mais um profissional de RP.
    Espero poder lem breve poder compartilhar de minhas experiências profissionais, assim que o mercado me der uma oportunidade, rs. Sou perseverante e estudo em busca deste objetivo.
    obrigada pela experiencia compartilhada.
    Sucesso
    Abs
    Daniela Fausto]

  16. Prof. Chamusca, fico suuuuuper orgulhosa toda vez que me deparo com leituras à seu respeito. Acompanho sua luta pela valorização do profissional de Relações Públicas faz algum tempo e saiba você merece o reconhecimento e congratulações de todos os alunos e professores que compartilham do mesmo interesse. Beijos. Fernanda Ida

  17. Agradeço imensamente aos colegas que estão a frente desse espaço (Versátil RP), pela oportunidade de divulgar as minhas ideias e posicionamentos, me permitindo um momento de muita alegria, vendo todos esses importantes colegas comentando tão positivamente a entrevista.

    Saibam que a entrevista teve uma repercussão excelente. Recebi hoje, mais de 30 e-mails de colegas de todo o país referindo-se à entrevista. Além disso, me rendeu três convites para realizar palestras em outros estados do Brasil. Uma delas, infelizmente, não pude aceitar, porque chocou com um outro compromisso já assumido.

    Resumindo: muito obrigado pela boa vontade e apoio de vocês do Versátil RP!!!

    Um grande abraço do amigo
    Marcello Chamusca

  18. Fato Diego
    vou utilizar uma frase que infelizmente não sei quem é o autor
    ‎”O dinheiro faz homens ricos;
    O conhecimento faz homens sábios,
    e a humildade faz homens grandes.”

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