TCC, RP e muito conhecimento: Daniela de Oliveira

O glorioso e assustador último ano da faculdade chegou. Uma reflexão que faço todo dia é: o quanto de conhecimento e experiência levarei ao mercado?  Eu aproveitei bem as aulas? E os professores souberam transmitir os seus conhecimentos?  Na verdade, acredito muito que a faculdade é o primeiro degrau da longa escadaria para o melhor de cada um.

Os professores Alexandre Costa e Gilceana Galerani sempre me elogiam quando apresento, aqui, a nova geração das Relações Públicas. E isto me faz querer, a cada dia, pesquisar ainda mais. Fábio França, Maria Aparecida Ferrari, Sidnéia Gomes Freitas, Rodrigo Cogo já são consagrados. No seminário da Aberje conheci uma profissional que gostaria de apresentar a vocês (caso não conheçam).

Daniela de Oliveira é graduada em Relações Públicas pela Universidade Metodista, concluído em 2003. Já no ano de, começou a cursar a pós-graduação em Marketing pela própria Metô. Mas, ainda não terminou. Tem amplo conhecimento em eventos corporativos e promocionais, acumulados ao longo destes 10 anos de carreira.  Entre 2003 e 2005, desenvolveu plano de divulgação e de captação de recursos para Comunidade Inamar, ONG de grande porte da área de educação e assistência social. Como Coordenadora de Operações de Merchandising na Selling Out atendeu clientes como Nestlé, Souza Cruz e McCain.

Trabalhou e implementou um projeto de comunicação na Associação Brasileira de Empresas de Eventos, entre os anos de 2005 a 2007, projeto que incluiu revitalizarão de marca, produção de boletins e site, comunicação interna e ampliação para ABEOC´s Estaduais.

Desde 2007, atua como sócia-diretora da Backstage Brasil Comunicação. Como este blog, a empresa é versátil. Atende clientes de diversos segmentos como: Octapharma (Indústria farmacêutica), SFK Brasil (Educação) e Gaia (Consultoria e Gestão Ambiental)

Versátil RP quer conhecer e, espero que vocês também, um pouco mais desta profissional e colega de profissão.

 1 – Quando a vontade de estudar Relações Públicas despertou em você? Já conhecia a profissão antes de ingressar a faculdade?

Daniela: Eu me identifiquei muito com o curso, por isso, para mim, ser Relações Públicas é tão amplo e, ao mesmo tempo,  muito natural.  Cada dia mais tenho percebido que meus interesses pessoais convergem para minha missão como Relações Públicas e que as Relações Públicas me ajudaram a desenhar meus interesses pessoais.

Relações Públicas é verdade, é ética, é entender os fatos envolvidos em uma história. É criar experiências agradáveis, é estética. É revelar potencialidades, integrar pessoas, ideias e interesses. É zelar e promover o bem-estar e a harmonia nas relações.

Conhecia pouco sobre a profissão e, mesmo durante o curso, fiquei muito tempo sem saber ao certo o que faz um RP. Eu queria fazer uma faculdade para me especializar na organização de eventos empresariais, porque já trabalhava na área, e RP foi o que me pareceu mais adequado. Felizmente o curso me ofereceu muito mais do que isso, me preparando para ter uma visão mais global e estratégica sobre comunicação.

  2 – Seu TCC foi sobre qual foi o cliente? Muitas brigas de grupo? Como foi esta experiência?

Daniela: Já faz tempo. Rapidamente passaram-se oito anos. Mas vamos lá… Meu cliente foi a Comunidade Inamar, uma ONG de grande porte da área de educação e assistência social, com sede em Diadema e mais 12 creches espalhadas pelo grande ABC.  A Comunidade Inamar atende apenas crianças em situação de vulnerabilidade social por meio de uma metodologia própria de ensino, que, ao lado de sua reconhecida eficiência administrativa, lhe rendeu importantes prêmios.  Meu grupo do TCC e eu ficamos muito animados com a oportunidade de desenvolver um trabalho de comunicação para a Comunidade Inamar. Acreditávamos no potencial da nossa atividade para “ajudar” a organização.

Na verdade, um TCC de Relações Públicas requer uma investigação a fundo do cliente, do mercado em que ele atua e ele (o cliente) tem um papel fundamental para o sucesso do trabalho. Primeiramente ele precisa entender que você precisa saber tudo o que acontece na organização e como acontece. Com pouca experiência de mercado, esse entendimento pode não ser tão simples para os estudantes. Nosso cliente, Franco Rigolli (in memoriam), fundador da ONG sempre nos atendeu com muito respeito, paciência e dedicação. A universidade também cumpriu bem o papel de apresentar a importância e as etapas dessa parceria.  Por outro lado, meu grupo e eu fizemos a nossa parte e nos dedicamos de corpo e alma ao projeto. Ter optado por uma ONG com uma proposta tão especial como a da Comunidade Inamar nos permitiu ir muito além do que aplicar os conhecimentos aprendidos durante quatro anos de faculdade. Tivemos uma vivência muito enriquecedora ao testemunhar a profunda paixão e dedicação de todos os envolvidos com a ONG – seu fundador, funcionários, voluntários e parceiros – ao lidar com situações e histórias de vida críticas e muitas vezes intimidadoras.

 A convivência com o grupo do TCC também foi harmônica. Tivemos a sorte de ser um grupo comprometido, dedicado e sensato. Cada um fez o seu melhor. Buscávamos sempre dividir as tarefas por habilidade e isso deu muito certo. Nós havíamos entendido que éramos um grupo de trabalho e aquele trabalho era uma amostra do que tínhamos a oferecer para o mercado. Se aconteciam falhas, atrasos etc., todos assumiam e partiam para a solução. É um período que requer sacrifícios para administrar sua vida pessoal, trabalho e, ao mesmo tempo, dar conta do volume de atividade que o TCC requer.  Mas tudo isso valeu a pena e nos rendeu reconhecimentos acadêmicos, significando que cumprimos com sucesso essa etapa tão importante para nós, mas que também considero que é o reconhecimento da dedicação dos professores, da nossa orientadora, Jocélia Mainardi, do cliente e de nossas famílias.  Recebemos o 1º lugar no Prêmio Talento Metodista de Relações Públicas da Universidade Metodista de São Paulo em 2003, o 2º Lugar no 11ª Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) na categoria Projeto Experimental Institucional e o 5º Lugar no XXII Concurso Universitário de Monografias e Projetos Experimentais de Relações Públicas – ABRP (Associação Brasileira de Relações Públicas), na categoria Terceiro Setor – 2004.

 3 – Algum mestre marcou sua vida? Você se inspira em algum profissional para atuar?

Daniela: Os mestres que marcaram minha vida são aqueles pelos quais, antes de tudo, tenho admiração pessoal. São Relações Públicas integralmente, na teoria e na prática.  Quando falo de planejamento estratégico em Comunicação penso em Jocélia Mainardi. Quando penso em evento, lembro de Isilidinha Martins, que realiza há anos um trabalho maravilhoso na formação de profissionais nessa área. Tive a sorte de ser estagiária sob a coordenação dela na Agência Experimental de Relações Públicas da Metodista. Quando penso na análise de públicos, não tem outra pessoa a não ser o Mestre Fábio França.  Um profissional de mercado em destaque, com uma experiência completa e admirável na área é o Roberto Constante Filho. Todos eles foram meus professores durante o curso da Metodista e mantemos uma relação de parceria profissional até hoje.

 Todo profissional deve buscar seu diferencial.  Eu me inspiro no meu olhar sobre os temas para me diferenciar. Acredito que é a partir desse olhar de cada um que surgem as soluções criativas. Mas é fundamental recorrer aos experts da área sempre que necessário.

 4 – Conte-nos um pouco da história da Backstage Brasil Comunicação? Quem é sua sócia (o)? Muitos colaboradores? Quantos departamentos?

Daniela: A Backstage Brasil existe desde 2005 e foi fundada por Roberto Constante Filho. Em 2007 decidi tirar da gaveta o projeto de abrir uma agência. Antes de entrar na faculdade, a ideia era abrir uma agência de eventos. Depois a ideia se ampliou para comunicação, porque passei a entender que, dentro do universo corporativo, eventos é apenas uma das poderosas estratégias de comunicação. O trâmite para a abertura de uma empresa, principalmente para marinheiros de primeira viagem como eu, não é fácil. A solução veio de forma imprevista: encontrei com Roberto Constante, que havia acabado de assumir o posto de executivo da FirstCom e decidido fechar a Backstage.  Naquela ocasião Roberto me ofereceu a Backstage para que eu pudesse iniciar o projeto da agência. Sua crença na atividade e no potencial do mercado fortaleceu em mim a ideia que eu deveria assumir esse desafio. Convidei para ser sócia uma grande profissional, Jocélia Mainardi, e procedemos à transferência da empresa. Hoje a Backstage Brasil oferece serviços de Consultoria em Comunicação, Prevenção e Gerenciamento de Crises, Relações com a imprensa, Investimento Cultural, Memória Institucional, Produção Gráfica, Branding, Mídias Sociais e Eventos. Jocélia e eu atuamos como consultoras e atendimento e convidamos profissionais especializados para atuar conosco nos projetos.

 6 – Quais os trabalhos que a Backstage produziu que você mais gostou?   Aconteceu de algum não sair como desejado e a perda do cliente ser inevitável? Se sim nos conte um pouco.

Daniela: Todos os trabalhos que são confiados à Backstage procuramos entregar com um diferencial competitivo, de mercado, que ressalte a identidade da empresa-cliente. A verdade que é temos paixão pelo que fazemos e não consideramos o trabalho finalizado até ficarmos plenamente satisfeitas com o resultado.  No desenvolvimento de um projeto prevemos reuniões com o cliente para refinamento do briefing e apresentação das etapas do projeto. Nossos projetos são desenvolvidos em conjunto com nossos clientes, por isso é difícil não sair como o planejado.  Mas já aconteceu um caso onde a perda do cliente foi realmente inevitável. Tratava-se de uma empresa em criação, que nos confiou toda a área de Comunicação e Marketing. Chegamos a desenvolver o discurso institucional, Identidade Visual, folder, site, mas, devido a empecilhos jurídicos e de patente, a empresa decidiu não se apresentar naquele momento ao mercado e estacionou seus projetos. Foi frustrante, mas é parte do jogo.

7 – Como é ser uma empreendedora tão nova?

Daniela: O desafio está em ser uma nova empreendedora. É preciso estar cercada de muitas pessoas competentes, clientes potenciais, parceiros de verdade para que as coisas aconteçam e atendam às nossas mais altas expectativas. Ninguém faz sucesso sozinho. É sempre um desafio fomentar esses encontros, que não podem ficar só por conta da sorte: precisam ser planejados, receberem investimentos, ser reconhecidos.  Perseverar é palavra-chave, pois o mercado não é um mar de rosas.

8 – Uma vez em uma aula o professor disse que a qualidade do serviço não é mais diferencial de mercado, mas sim uma obrigação, o que acha desta afirmação?

Daniela: A qualidade deveria ser uma obrigação, mas isso ainda não é uma realidade. Acontece que o Brasil é o país das oportunidades.  O mercado está aberto. Quem tem mais atitude consegue atuar facilmente em qualquer área. Porém, essa qualidade só é obtida com a profissionalização, que vem da formação acadêmica e da experiência prática.

 9 – As redes sociais seria um diferencial para você? O que pensa do RP 2.0?

Daniela: As redes sociais são poderosas ferramentas de relacionamento, marketing pessoal, disseminação de ideias, produtos e serviços. É um recurso democrático, ao alcance de todos. Acho fantástico o dinamismo e a espontaneidade que as coisas adquirem por meio de redes sociais. É a comunicação dos nossos tempos.

11 – Qual mensagem daria para nós estudantes de RP para que possamos ser profissionais diferenciados?

Daniela: Os quatro anos de formação serão completamente úteis para dar base à sua profissão, mas os livros não serão suficientes para resolver todos os desafios que você irá encontrar. O que te tornará um ótimo profissional e o diferenciará é o seu olhar especial sobre as coisas. Novas soluções para novos fatos.

Ah! E não se assuste com o fato de ninguém saber ao certo o que são as Relações Públicas. Nas várias tentativas de explicar, com base nas teorias que temos hoje, você pode se complicar. No Brasil esse termo Relações Públicas está voltado para a formação. Somente as agências internacionais podem se apropriar confortavelmente do termo porque nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, a atividade é consolidada. Fale a língua do mercado. Reconheça todas as habilidades para que você esteja preparado: você pode ser um assessor de imprensa, um produtor ou gestor cultural, um organizador de eventos, um redator, um consultor ou assessor em comunicação, profissional de marketing, um consultor de imagem, um blogueiro, um pesquisador de mercado etc. Seja a necessidade em comunicação que for a formação em RP irá chancelar sua capacidade para exercer o cargo. A atividade de RP é muito ampla e toda a bagagem que ela fornece dá uma visão muito estratégica do todo, mas só a formação não é o suficiente.   Relações Públicas são uma atividade multidisciplinar e o profissional, além de dominar todas as técnicas e acompanhar de perto as novas técnicas, precisa ter uma visão psico-socio-econômico e cultural específica para interpretar cada nova situação a ser gerida. Nós lidamos como comportamento humano.  Por isso, depois da formação acadêmica, penso que o perfil do profissional de Relações Públicas só é lapidado com a vivência. Com muita experiência no mercado é que geralmente os RPs passam a atuar mais estrategicamente, resgatando toda a bagagem de sua formação, na função de Gerente, Diretor, Vice-Presidente e Presidente de Comunicação, de Sustentabilidade, de Relações Institucionais, Comunicação com o mercado, Relações governamentais e, em algumas ocasiões, como Relações Públicas, propriamente.

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3 pensamentos sobre “TCC, RP e muito conhecimento: Daniela de Oliveira

  1. Parabéns a todos do Versátil RP e um “muito obrigada” bem grandão à Daniela de Oliveira por me tranquilizar nessa reta final da graduação rumo ao mercado profissional (estava realmente tensa com vários aspectos abordados aqui). Entrevista sensacional!!!

  2. Pingback: A Bordo da Comunicação » Blog Archive Os 10 melhores posts de Relações Públicas da semana

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