Lívia Leitão e o caso Ecolave por ela mesma

Pretendo aqui neste texto dar voz a pessoa que se sentiu moralmente ferida. Já que esse assunto foi replicado e discutido por muitos profissionais, principalmente por colegas Relações Públicas ,  deixarei a própria Lívia contar o fato.

Ninguém gosta ou gostaria de ser definido por suas características físicas ou de caráter, entre outros, ainda mais por uma organização, que tem a responsabilidade de carregar a marca e princípios que demonstram seu posicionamento perante a sociedade e clientes.  Acredito que ninguém gostaria de ser maltratado por uma empresa, digo mais, acho que ninguém gosta de ser maltratado em momento algum. Para quem quiser contextualizar sobre caso leia o texto da Myla no Blog Somos RP.

Dia 13 de outubro Lívia Ribeiro Leitão, 22 anos, estudante do curso de Licenciatura  em Química na FURG (Universidade Federal do Rio Grande),  moradora da cidade de Cacequi no mesmo Estado,  procurou a Fan Page da empresa Ecolave Lavanderia com a segunda pergunta: “Quanto vocês cobram para lavar 8 edredons?  Dão desconto?”

1. Lívia, após essa pergunta, qual foi a resposta da empresa?

LL:  Que cobravam R$ 25,00 cada edredom, e que desconto só acima de 15 peças. Um amigo, online na hora, ao ver o preço comentou que cobrava 10,00 e ainda secava, era só eu levar na sua casa.

2. Qual foi o posicionamento da Ecolave até então?

LL:  Ofendeu-se com o comentário do meu amigo, dizendo que ali não era o local para concorrência, e me ofendeu. Apagou os comentários enquanto eu escrevia o que aparece nos prints, e após eu postar o meu comentário, eles postaram as frases presentes no print.

3. O que você achou do que Rosana Hermann escreveu sobre esse caso no blog Querido Leitor?

LL:  Na realidade não foi ela que escreveu que me incomodou, e sim ela postar o perfil errado da empresa, por não ter ido ao meu Facebook olhar o correto (pegou informações no ar e montou uma postagem), e além de tudo aceitar comentários que degradem minha imagem, falando ou debochando do meu sobrenome, o qual carrego com muito orgulho.

4. Recentemente o comediante Rafinha Bastos foi punido por um comentário com uma pessoa famosa. Acredita que a lei e a justiça só funcionam com algumas pessoas?

 LL:  É complicado responder, pois estarei sendo preconceituosa e isto é errado. Acho que a justiça acontece mais rápida para ricos e famosos.

5. Li que você não quer nada da empresa e não pretende buscar seus direitos juridicamente, por quê? O que você pretende?

LL:   Não pretendo nada. Não quero mais incomodação, ou mais falta de respeito. Simplesmente postei o print em meu Facebook para que os riograndinos não fossem mais àquela lavanderia. Porém, as palavras no print são tão chocantes que os compartilhamentos foram inevitáveis, e logo tinha virado assunto nacional.

6. O que seus amigos e familiares acharam da história?

LL:   Acham um absurdo, são completamente contra a prática de bullying e de qualquer tipo de humilhação ao próximo, mas concordam que não devo procurar a justiça. O empresário já está pagando pelos seus atos, com a diminuição muito grande de seus clientes.

7. O que acha dos padrões de beleza estipulados pela sociedade e como isso interfere nas relações entre empresas e consumidores?

LL:    Muitos autores falam sobre os padrões de beleza seguidos pela sociedade, mas isto não me afeta, até porque os remédios que tomo para asma e bronquite são à base de corticóides, que não facilitam em nenhum tipo de emagrecimento. Creio que não devemos julgar nenhum ser humano ou animal pela sua aparência.

8. É o físico de uma pessoa que define o seu caráter, inteligência e competência?

LL:  Respondo esta questão utilizando uma citação bem clichê, o que importa é a beleza interior. Nada que está externo irá determinar caráter, inteligência e competência.

9. Você enxerga as redes sociais como uma boa ferramenta de relacionamento? (Veja a matéria do Fantástico do dia 16 de outubro sobre o uso da internet para reclamar das empresas)

LL: Com certeza sim, desde que as páginas sejam bem planejadas, bem administradas, o cliente seja ouvido da mesma forma que é ouvido pessoalmente, e as opiniões sejam respeitadas.

10. Faltou alguma pergunta que gostaria de responder? Alguma questão a esclarecer? Qual lição tira de tudo isso? O que você gostaria de deixar de mensagem para os leitores?

LL:  A lição é, cada vez mais, tentar acabar com o bullying e qualquer tipo de humilhação a outros. Quem sofre estas humilhações fica altamente magoado, machucado. Ninguém é merecedor de tal atitude. Respeitem-se.

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14 pensamentos sobre “Lívia Leitão e o caso Ecolave por ela mesma

  1. Parabéns, pela postagem e super valiosa a declaração da cliente. Como falei hoje em reunião devemos ter EQUILÍBRIO principalmente o gerenciador das mídias sociais.
    Parabéns, Diego

  2. Acompanhei o caso e achei um absurdo a maneira que a empresa respondeu para a cliente. É necessário que as pessoas que se reportam aos clientes tenham consciência de que são a imagem daquela organização e que estejam preparadas para assumirem essa função. Acho uma pena ela não ir à justiça, pois discriminação é crime, mas entendo devido ao desgaste, que não seria pouco. Parabéns pela iniciativa e por dar voz para que a própria Lívia pudesse se manifestar.

    • Falam tanto de tolerância e tal. E atacaram a garota em seu aspecto físico que ela mesmo diz que é por causa dos remédios. Alguns “espertões” a chamaram de Dona Leitoa só pela sobrenome, mas ninguém foi perguntar o que realmente aconteceu a ela.

  3. Olha devo dizer que acho graça quando vejo casos como este, não pelo cliente obviamente, mas para mostrar a importância do profissional de comunicação no gerenciamento dessas mídias. Mais um exemplo negativo pro arquivo de gafes mortais. Boa matéria Diego.

  4. Nos últimos dias tenho trabalhado com a midia de uma rede grande e sei o quanto de cuidado e responsabilidade que quem é responsável pela postagem nas redes sociais. Me senti chocada com o que postaram a respeito da Livia, além de de ter sido um absurdo, poderia ter ocorrido a qualquer um e acredito que precisa o responsável arque com as consequências para que mais casos como esses não aconteçam.

  5. Graças as redes sociais sabemos mais rápido de casos assim. Lívia é um exemplo de muitos brasileiros que passam pela mesma discriminação. É vergonhoso que um estabelecimento comercial, onde o principio é o cliente haja dessa maneira. Vale o protesto e a divulgação para que estes estabelecimentos acabem na falência. Parabéns pelo post.

  6. Simplesmente ridículo! Essa empresa além de não saber como tratar pessoas, não tem idéia da força das redes sociais…. É certeza que depois de um caso como este os pedidos vão diminuir significativamente e isso é bem merecido! Aifinal são os clientes que dão o dinheiro para que a empresa permaneça em pé! Acho que a Lívia deveria entrar em um processo sim pois com isso o caso tomaria proporções maiores e a empresa (caso ainda exista depois do processo) será brigada a tomar medidas, além de pensar mil vezes antes de ofender qualquer cliente de novo.

  7. Parabéns Diego pelo post, foi ótimo ler o que a Lívia tinha a dizer. Como algumas outras pessoas disseram, pena que ela não vai processar a empresa, pois manter um profissional deste no quadro de funcionários é lamentável! Como comentei no blog Somos RP, o que houve foi falta de respeito com ela e isto iria acontecer no on ou no off-line, com a diferença que independentemente deles apagarem os comentários, o que foi escrito no online não se apaga NUNCA!

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