Palavra do Presidente: Marcus Bonfim

Marcus Vinicius Bonfim*, no último 26 de setembro, durante o 30º Prêmio ABRP , fora apresentado como atual presidente Associação Brasileira de Relações Públicas. Com a simpatia de sempre cedeu entrevista ao Versátil RP. Nela, ele nos conta sobre seu período de graduação, TCC, ABRP, Flexibilização da profissão de Relações Públicas e muito mais. Acompanhem.

VRP – Marcus poderia nos dizer quando foi seu primeiro contato com as relações públicas?

MVB – Foi na graduação mesmo, quando entrei na Faculdade Cásper Líbero em janeiro de 1998.

VRP –  Você tinha o desejo de exercer outra profissão antes de conhecer RP? Qual?

MVB –  Gostava do Direito, mas não pensava em exercer a advocacia, me interessava mais a atuação na Promotoria, no Ministério Público.

VRP – Ao fim da graduação como foi a sua experiência com o trabalho de conclusão de curso (TCC)? O cliente era de que setor? Quais eram os mestres que te inspirava na época?

MVB – A minha agência experimental se chamava “Optimus Comunicação” e escolhemos como cliente o Condomínio Prédio Martinelli, no centro de São Paulo, nosso projeto experimental ficou então mais ligado ao setor cultural, já que esse edifício histórico (foi o primeiro arranha-céu na cidade, em 1929) apesar de abrigar hoje diversas secretarias e órgãos públicos do município de São Paulo, mas mantém sua identidade própria e distinta do setor público, e nosso desafio na época era organizar a sua história e atrair visitantes, o que vem sendo feito até então. Dos meus professores na época, os que me inspiravam e inspiram até hoje são os mesmos: Luiz Alberto de Farias, Júlio César Barbosa, Ethel Shiraishi Pereira e Marisa Santoro Bravi.

VRP –  Sabemos que todo profissional deve manter-se atualizado, quais foram suas opções de estudo depois da graduação? Tem alguma dica para quem pensa nessa continuidade? 

MVB – Acredito que hoje em dia é muito mais tranquilo acompanhar as novidades da área por meio das mídias sociais, mas é importante o profissional manter uma proximidade com colegas da turma e professores, participar de grupos de discussão e manter foco em uma especialidade da sua preferência ou competência, adquirir e ler livros da área. Logo depois que me formei em 2001, entrei no curso de especialização em Gestão de Processos Comunicacionais da ECA-USP, e praticamente nunca parei de estudar, sempre estou lendo e participando de cursos e eventos da área.

VRP   Como foi sua trajetória na carreira? Como foi o processo de descoberta dentro das atividades de RP? 

MVB – Quando entrei na Cásper em 1998 estava desempregado e nos primeiros seis meses busquei estágio e não consegui por conta da inexperiência e também porque as vagas de estágio oferecidas eram só para quem estava no terceiro ano. Felizmente em agosto de 98 consegui emprego na Ordem dos Advogados do Brasil, secção São Paulo (OAB-SP) na área administrativa e batalhei bastante até que no quarto ano consegui ir para a área de assessoria de imprensa que foi uma grande escola prática pra mim.

Saí da OAB-SP para trabalhar como técnico de Relações Públicas no Centro Universitário FIAM-FAAM no campus Morumbi em 2003 e trabalhei um ano e oito meses lá até fecharem o campus e ficar desempregado por seis meses, até conseguir emprego no cerimonial da Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo por um ano.

Daí, quis trabalhar em agência de comunicação e tive a oportunidade de atuar como redator na Scriba Comunicação Corporativa, escrevendo para a revista Semear, dos colaboradores da Bunge Fertilizantes, e um boletim eletrônico para a implantação do SAP da mesma empresa.

Essa experiência em agência durou uns seis meses, até que prestei concurso para a única vaga de Relações Públicas no Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP) e passei em primeiro lugar, e estou no Conselho desde dezembro de 2007.

Sempre busquei me aprimorar estudando ou no trabalho desenvolvendo diversas tarefas e acho que faz muita diferença para um bom desempenho você ter uma boa bagagem cultural, ler jornais e revistas e participar dos eventos.

VRP –  Pode nos dizer como é a experiência de ser professor? Indicaria para aqueles que pretendem seguir esse caminho?

MVB – Entre agosto e dezembro de 2011 tive a oportunidade de lecionar no Centro Universitário UniSant’anna substituindo a Profa. Mônica Costa que estava em licença maternidade, à convite do Prof. Daniel Zimmermann.

Eu já tinha participado de um projeto da Cásper chamado “Professores do Futuro” e tinha gostado da experiência e na UniSant’anna tive o prazer de encontrar três turmas de alunos com muita sede de aprender e pude também aprender: havia três alunos cegos e tive que repensar não só a forma de dar aulas mas como é dignificante educar, quem tem origem humilde, mora em periferia ou passa por preconceitos sabe o quanto é difícil, e pra eles era e é ainda mais complicado.

Foi uma lição de vida que a Vanessa, o Isael e o Smil me deram que carrego na memória pra sempre. Ser professor também buscar tornar teorias e mais palatáveis e quem busca essa carreira deve ter em mente que os desafios são diários.

VRP – O que é a ABRP? Quais as funções e benefícios do órgão? Qual é o processo para se tornar um associado?

MVB – A Associação Brasileira de Relações Públicas, São Paulo (ABRP-SP) foi fundada em 21 de julho de 1954, é a mais antiga entidade do nosso setor e teve participação fundamental na constituição dos cursos de Relações Públicas e da legislação que regulamenta a profissão e sua missão é fortalecer a atividade e a profissão por meio de seus associados.

Então, quando a entidade se aproxima de completar 60 anos de existência em 2014, queremos que ela se desenvolva cada vez mais no sentido de se reunir pessoas e organizações interessadas no desenvolvimento pessoal e profissional, divulgar os campos da comunicação e das Relações Públicas como fundamentais para o mercado.

Hoje, temos um novo estatuto que prevê a cadastro em quatro categorias: estudantes, profissionais, empresas ou agências e universidades. Para se associar, basta preencher o formulário no site da www.abrpsp.org.br, vamos checar as informações e deliberar em reunião da diretoria se o proponente poderá se filiar ou não.

VRP – Como ocorreu o relacionamento com a ABRP? 

MVB – Fui convidado em 2007 a compor a chapa da gestão 2008/2010 como suplente (nos moldes do antigo estatuto) e fui me envolvendo com as atividades e o dia-a-dia, quando surgiu a oportunidade ainda dentro daquela gestão de assumir a função de Diretor Secretário pois a Ana Bortoletto que era a diretora naquele período viajou a Índia para um período sabático. Na gestão seguinte (2010/2012) fui convidado pelo Prof. Luiz Alberto de Farias para ser vice-presidente de planejamento e agora, indicado por ele para ser o presidente até setembro de 2014. O trabalho como diretor da ABRP-SP é voluntariado, exige bastante dedicação e responsabilidade e fui conquistando meu espaço no grupo dando o meu melhor.

VRP –   Na cerimônia de premiação da ABRP foi apresentada a nova diretoria do qual você é o presidente. O que pretende desenvolver na sua gestão?

MVB – Nós formamos uma diretoria com profissionais em diferentes estágios e vivências pessoais e na carreira, e principalmente, descentralizada, ou seja, temos diretores que moram e atuam em cidades como Sorocaba (Prof. Ms. Maurício Marra), Campinas (Profa. Esp. Cristina Micaroni Altieri) e Santos (Prof. Ms. Wellington Lisboa), e daqui da capital temos a Profa. Esp. Ágatha Camargo Paraventi, e atuando no mercado além de mim temos, a Dayane Azeredo e o Rodrigo Pimenta.

Vamos dar continuidade aos projetos da gestão anterior que foram bem, como o “ABRP Visita”, o “Café com Ideias” (encontro com os coordenadores dos cursos de RP do estado de SP), fazer cursos e eventos focados nas demandas dos novos profissionais, e buscar ampliar a divulgação da nossa profissão com o apoio das universidades, especialmente no interior, indo a cidades que têm demandas de profissionais de comunicação e fazer essa divulgação institucional por meio de parcerias com as Associações Comerciais e Industriais.

Pra isso, vamos contar com a presença desses diretores que estão no interior pra fortalecer parcerias e vamos incentivar a nossa rede de associados para que sejam, por exemplo, os ministrantes das palestras e dos cursos, dar oportunidades de visibilidade para muita gente nova e boa que está no mercado fazendo coisas bacanas. Pegando o espírito do crowdsourcing, vamos cada vez mais buscar dentro da nossa rede de associados as expertises para gerar valor para a entidade e a profissão, e cada associado que desejar fazer parte destes e de outros projetos que estamos discutindo como e quando implementar será muito bem-vindo.

Na gestão anterior encaminhamos uma reformulação no site ABRP-SP, para abrir canais para que o associado possa postar conteúdos, e o gerenciamento de nossos cadastrados será feito através dele também, como já iniciamos no Prêmio ABRP, que terá novas adaptações no regulamento, visando sempre aproximar a qualidade dos projetos experimentais e monografias à realidade do mercado. Temos muito trabalho pela frente e aos poucos iremos divulgar no site e nas mídias sociais.

VRP –  ABRP tem um projeto de aproximação com escolas e universidades. O saldo até agora é positivo?

MVB – O programa “ABRP Visita” durante a gestão passada foi muito bem sucedido no seu objetivo principal, de aproximar a entidade dos alunos e professores dos cursos de Relações Públicas, isso trouxe maior visibilidade e comprometimento, especialmente fora da capital. Nossas idas a Sorocaba, Salto, Campinas, Santos, Taubaté foram ótimas, queremos repetir a dose durante esta gestão e também ir a outras cidades que ainda não foram visitadas, além dos cursos na capital, a ideia é manter esse relacionamento contínuo da ABRP-SP com o estudante, levando sempre um palestrante interessante pra um bate-papo, e vamos valorizar ainda mais o profissional que for associado à entidade pra ser esse “fornecedor” de conteúdo com informalidade, esse é o espírito do programa “ABRP Visita”.

VRP Na cerimônia Carlos Eduardo Mestieri disse a seguinte frase: “Vou fazer 50 anos de RP e faz tempo que não preciso justificar o que eu faço. Persistam.”. Você acha que a profissão tem ganhado visibilidade e valor?

MVB – A atividade de Relações Públicas, seu pensamento estratégico e ferramentas tem ganho destaque em diversos tipos de organizações, negócios e nas agências, isso já é reconhecido pelo mercado e bastante valorizado.

O salto que precisamos dar, em relação aos profissionais, é de qualidade e confiança: o profissional que já está no mercado e os que estão chegando terem a consciência de que possuem as competências para exercer a atividade, demonstrar isso de forma prática e técnica mirando o resultado, e principalmente empreender a si mesmos: utilizar a formação obtida ao longo dos quatro anos do curso para reinventar buscar alternativas de trabalho para além dos postos clássicos de trabalho, sair de uma visão limitada de que o nosso campo de trabalho são apenas os departamentos de comunicação das empresas, a atuação em agências de comunicação, a docência ou ainda visar apenas os cargos gerenciais ou de analistas logo de cara, tem que por a mão na massa antes, desenvolver a prática em posições mais operacionais e galgar espaços – e podemos muito mais!

Existem muitos negócios que precisam das Relações Públicas na comunicação e gestão de relacionamentos, eventos e produção de conteúdo institucional, mas tudo isso requer paciência, ética e projetar a carreira é muito importante nesse sentido, saber aonde se quer chegar e construir seu caminho.

Tenho encontrado relações-públicas atuando em mercados como moda, entretenimento, esportes, cultura e até abrindo negócios próprios já incorporando em seu plano de negócios toda uma visão de RRPP que enriquece toda a cadeia de valor do negócio já criando um diferencial no DNA da empresa e esse tipo de visão supera o que é visto na universidade, passa a ser uma forma genuína de criar uma identidade profissional e intelectual muito particular.

Acho que é nesse sentido que a frase do Mestieri nos deixa como ensinamento: ele não mais precisa se justificar porque sempre buscou fazer bem o seu trabalho e persistiu no seu intuito com determinação e demonstrando conhecimento, e o resultado foram trabalhos excelentes aos clientes.

VRP – Possui alguma opinião sobre a flexibilização da profissão proposta pelo Conferp? Poderia compartilhar?

MVB – Sim, sou favorável à flexibilização, mas apenas aos pós-graduados que além do título, passem por um exame de qualificação, e quando aprovados, tenham um registro diferente do registro do profissional de Relações Públicas egresso de um curso de graduação. Como o processo ainda está aberto, já que somente após a eleição das novas diretorias do Sistema teremos uma definição sobre isso, acredito que o assunto ainda será muito discutido.

VRP – Acredita que blogs e sites com foco em RP pode auxiliar na valorização da profissão?

MVB – Sim, acredito na força dos blogs e sites da nossa área como canais de difusão do conhecimento, além de sempre trazerem insights legais sobre a nossa atuação; precisamos desses conteúdos para criar mais ressonância para a nossa atividade com essa diversidade de temas que apresentam.

VRP – Gostaria de deixar uma mensagem para nossos leitores? 

MVB – Quero dizer aos profissionais e estudantes que nossa nova diretoria, à exemplo das anteriores, irá buscar promover a nossa profissão em todas as oportunidades possíveis e vamos criar possibilidades para que isso se fortaleça, e contamos com cada um de vocês para que esse trabalho cresça. Por isso peço que se associem à ABRP-SP, é só visitar nosso site – www.abrpsp.org.br – que vocês encontrarão mais informações. E quero agradecer à equipe Versátil RP pela oportunidade e espaço nesta entrevista. Valeu!

*Marcus Vinicius Bonfim, tem 33 anos, é graduado em Comunicação Social, habilitação Relações Públicas pela Faculdade Casper Líbero (2001). Possui duas especializações pela ECA-USP: Gestão de Processos Comuncacionais (2003) e Gestão Integrada da Comunicação Digital em Ambientes Corporativos (2011); É relações-públicas do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP) e assumiu desde 26 de setembro de 2012 como presidente da Associação Brasileira de Relações Públicas, São Paulo (ABRP-SP), gestão 2012/2014.

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