Mercado de Trabalho ou Panelinhas?

imagesSe existe uma sensação horrível e que não deseja a ninguém, é do desemprego. Desânimo, sentimento de fracasso, impotente e por aí vai. Trabalhar com aquilo que não se gosta também gera um sentimento negativo, quem chega ao domingo esperando que a segunda-feira não chegue sabe disso. Já conversei com muitas pessoas que sentem vontade de chorar quando toca a música do Fantástico e à hora do emprego enfadonho se aproxima.

O mercado de trabalho é algo dinâmico e a cada dia se exigem mais e mais competências, na época da minha mãe quem terminava o “ginásio” teria um excelente emprego e com o tempo isso só foi evoluindo. Hoje, se você não domina o idioma inglês, guardadas proporções, é quase igual não terminar o ensino fundamental daquela época.

Por que digo tudo isso? Porque quando eu conclui a graduação, (algo que na época da minha mãe seria suprassumo), pensei que teria mais oportunidades na área de comunicação. Já escutei colegas dizendo que eu deveria ter estudado Ciências Contábeis, que esse curso que escolhi é muito ruim e tal, mas não tem jeito as Relações Públicas me conquistou. Eu comparo a área de comunicação como a Maçonaria, se você não conhece ninguém na área você está fora. Baseado em minha opinião farei a seguinte pergunta para os colegas de sala que concluíram o curso em 2011:

1 – Após se formar em RP, qual é sua profissão atualmente? Conseguiu ou não trabalhar com comunicação?

Henrique Silva, 27 anos: Sim trabalho como RP. Além do projeto com a Erica (IMB Casamentos) e do Profissão Hoteleiro onde cuido de uma rede de consultores de hotelaria e funcionários de hotéis que utilizam blogs e Facebook para suas relações de negócios. Eu também faço alguns trabalhos freelancer na área de comunicação como produção de sites, planejamento estratégico, assessoria para empresas que querem entrar no mercado hoteleiro, fotografia, revisão de conteúdo, SEO, entre outros.

Taís Oliveira, 23 anos: Depois de formada trabalhei em algumas agências como social media e redatora, atualmente estou arriscando empreendimento próprio aplicando os conceitos de comunicação.

Everton Chacon, 27 anos: Trabalho com Treinamento & Desenvolvimento. Responsável por programas institucionais, de qualidade de vida, desenvolvimento de lideranças e comunicação interna. Fiz especialização em Coaching, sendo hoje um Master Coach. Aplico muitas teorias e ferramentas de comunicação.

Carol Garrido, 26 anos: Pouco antes de terminar a faculdade consegui um emprego na área na Casa de David, uma instituição que abriga e atende pessoas com deficiência intelectual física e com autismo.

O Departamento tinha apenas 1 ano e era formado pela coordenadora, que é advogada, por uma RP que na verdade fez Administração e por uma auxiliar de escritório que fazia tecnólogo em marketing. 

Fui registrada como Assistente de Marketing e Relacionamento, mas minha atuação era e é totalmente de RP. Sou responsável por eventos, planejamento estratégico de campanhas, comunicação interna, externa, assessoria de imprensa, mídias sociais e outras ações, tudo voltado sempre para construção de credibilidade e captação de recursos.

Neste 1 ano e alguns meses que estou lá me orgulho de cada ação, parceria, doação, pois além de me dar compensação profissional sei que estou ajudando na qualidade e expectativa de vida daquelas pessoas.

Além de trabalhar na Casa de David também atuei por um tempo como Relações Públicas da escola de samba Unidos de Vila Maria e cuidava de assessoria de imprensa e mídias sociais, além de ser do Departamento de Harmonia – responsável pelo relacionamento com os componentes da escola antes, durante e depois do desfile buscando sempre a obtenção das notas máximas nos quesitos de harmonia e evolução. Também auxilio na realização de eventos como shows e festas sazonais voltadas para a comunidade carente.

Trabalhar com terceiro setor é: Construção de imagem, Captação de Recursos e Paixão, pois, infelizmente, a remuneração não é equivalente a uma empresa. Mas, é a porta de entrada mais acessível hoje.

Milena Arantes, 28 anos: Sou assistente de marketing. Trabalho a 10 meses em uma empresa de viagens e faço a comunicação interna dela. Agora estou assumindo a assessoria de imprensa também.

Eliane Christina da Silva, 26 anos: Consegui atuar na área até o final do estágio “contrato Fundap”. Atualmente a busca tem sido exaustiva devido à falta de conhecimento das funções de um RP no mercado de trabalho. Empresas confundem atendimento e telemarketing com RP… Já perdi tempo indo a processos seletivos em que não deram detalhes da vaga e ofereciam salários brutos menores até que bolsa auxilio.

2 – Se arrependeu de ter cursado Relações Públicas?

Henrique Silva, 27 anos: Não me arrependi. Aliás, estou muito satisfeito com a formação. Uso diariamente tudo que aprendi na faculdade, redação, Corel e Photoshop, cultura nas organizações, redação jornalística, mídias sociais, entre outras, principalmente planejamento estratégico. Também vale ressaltar que é possível aplicar os conhecimentos de RP em quase todas as áreas de negócios, isso, acredito eu, devido ao alto nível de formação cultural que nos é exigido.

Taís Oliveira, 23 anos: Não, não me arrependo de ter feito o curso. Além de gostar muito da área, a considero o principio de muitas atividades e áreas, ou seja, é a pluralidade o diferencial do RP.

Everton Chacon, 27 anos: Não me arrependi não, muito pelo contrário, a formação te dá uma gama de oportunidades de atuação e uma bagagem muito boa para tratar de qualquer tipo de planejamento estratégico.

Carol Garrido, 26 anos: RP é um dom. Ninguém aprende a ser RP, você nasce e a graduação te desenvolve te aperfeiçoa e te prepara. Não saberia ser outra coisa na vida, ainda que a carreira seja difícil. Por isso, arrependimento nem passa pela minha cabeça. 

Milena Arantes, 28 anos: Não me arrependo de ter feito RP, faria novamente, com certeza! Tanto que pretendo fazer uma pós, também em comunicação, talvez comunicação organizacional. Isso não é para agora, mas está nos meus planos.

Eliane Christina da Silva, 26 anos: JAMAIS! Amo o que estudei e amo o faço. Amo demais pra ter arrependimento.

Conclui-se através desta pesquisa espontânea e informal com colegas de graduação que todos utilizam as ferramentas de um profissional de relações públicas, mas nem sempre sendo um RP. O intuito inicial foi contrariado, pois era esperado que as pessoas entrevistadas apontassem dificuldades em adentrar o mercado comunicacional e isso não se concretizou.

Um pouco de insatisfação ali, um registro em marketing aqui e muito de empreendedorismo, meus colegas estão conseguindo contornar muito bem o mercado de trabalho muito fechado que o da comunicação, sobretudo o das relações públicas. A sensação que fica é que quanto mais você se prepara menos você está despreparado.

No grupo de Relações Públicas surgiu um belo debate sobre o papel do conselho em abrir essas portas para os recém graduados, não sei se seria mesmo o papel deles, acredito que as universidades deveriam ser menos teóricas e mais práticas firmando convênios com empresas para os alunos sair da graduação empregados e as empresas também deveriam “abrir” suas portas para novos talentos e acreditar que esses possam ser peças transformadoras de seus empreendimentos.

Enquanto tiver essa supervalorização ao abrir um processo seletivo, pedindo até conhecimento em alquimia, as empresas vão deixar de conhecer outros profissionais que poderiam agregar e ao mesmo tempo para quem tem vontade mais por algum motivo não consegue preencher todas as exigências das vagas postas ao mercado ficará realmente que o mercado na área da comunicação é algo exclusivo para um pequeno “clube de felizardos. “

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2 pensamentos sobre “Mercado de Trabalho ou Panelinhas?

  1. Curioso ninguém ter se arrependido. No meu caso, foi o maior arrependimento da vida profissional, tanto na parte acadêmica quanto na de mercado. A faculdade (Cásper Líbero, no caso) não me proporcionou nenhuma habilidade técnica relevante, apenas algumas teorias repetidas a exaustão e de praticidade questionável. Se compararmos nossas qualificações técnicas a de um engenheiro fica muito fácil perceber pq a profissão é tão pouco valorizada. Infelizmente me parece justo. Bjs

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