C&A, Preta Gil e o Photoshop

No dia 19 de agosto é comemorado o dia mundial da fotografia. Aqui fica minha homenagem aos profissionais/artistas que talvez tenham visto (e se revoltado com) o caso da campanha da C&A com a Preta Gil.

Antes de saber da existência do curso de Relações Públicas, fiz um curso técnico em Design Gráfico onde, entre tantas outras matérias, estudei história da arte, Photoshop (ainda que bem de passagem por este software que na época era bem pesado, lento e difícil de trabalhar) e fotografia (de filme, de revelar num quarto escuro, de proporções, de relações claro/escuro, luz/sombra e cores, montagens, composições, ângulos, planos, fotometria, abertura do diafragma, velocidade do obturador…), mas principalmente tive a oportunidade de aprender por 3 semestres a “treinar” minhas percepções visuais para sempre.

Quando ingressei no curso superior, logo no primeiro ano, tive matérias para aprender a usar o Photoshop e, lá pelo terceiro ano, tivemos a sensacional matéria de fotografia digital (usando o estúdio, criando histórias com imagens e teve até a tal técnica do “painting light”). É aprendendo a mexer que, além de quebrar uns galhos, saberemos como elaborar um briefing decente e, principalmente, como poderemos recomendar alterações aos parceiros publicitários e designers sem pedir coisas impossíveis, pois sabemos da prática e o Photoshop ainda não tem os filtros mágicos de “remover robert” e “foco”.

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E por que contei tudo isso? Bem, nesses últimos dias foi discutido nas redes sociais o “exagero” do uso do Photoshop na coleção feminina “Special For You” da C&A onde a garota-propaganda é a cantora Preta Gil.

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Reprodução Facebook

Não é preciso dez anos de treino visual para notar que a cabeça da cantora parece estar ligeiramente menor que o corpo (ai Eliane, sua exagerada, pára por ai, ok? A foto tá bonita), os ombros parecem deslocados (é porque ela está com os cabelos ao vento) o que fez parecer que ela não tem pescoço (foi o ângulo da fotografia, sua malvada), o quadril estranhamente estreito (ela está com uma perna na frente da outra), e uma cintura tão bem curvadinha que eu poderia até pensar ser um corset ao invés de uma blusa “soltinha” como as mangas (ok, a foto está mexida, mas é só um pouquinho de nada…) não vou entrar no mérito do rosto afinado e do clareamento da pele dela.

Em nota enviada a diversos portais de notícias, a C&A negou o uso excessivo do Photoshop:

“Esclarecemos que a foto em questão explora um ângulo que causa a impressão de uso excessivo de recursos de edição de imagem, o que não foi feito. Admiramos a Preta Gil, que pelo segundo ano estrela nossa campanha da linha Special for you, e lamentamos a repercussão negativa dessa foto”.

Com essa breve análise pretendo dizer “é aqui que entra o RP”, pois, uma das muitas áreas de atuação (e ferramenta primordial) é a assessoria. A boa imagem perante seus públicos de interesse não se restringe apenas às organizações, mas também aos profissionais que trabalham essencialmente com ela por transmitir credibilidade, como atletas, modelos, políticos, líderes empresariais ou artistas.

No caso de campanhas publicitárias, estão envolvidas as imagens corporativas da empresa, da agência que fez a campanha, da garota-propaganda, publicitários, designers, fotógrafos, maquiadores, estilistas e muitos outros profissionais.

Saber fazer (ou saber o que e quem faz) confere mais versatilidade à atuação do relações-públicas desde o planejamento até o pós-campanha além, claro, de municiar o profissional no processo de prevenção de crise.

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