Aprendendo Relações Públicas com Madonna – Volume II

Essa semana temos a contribuição do já conhecido aqui no blog Marcelo Teixeira, que faz a parte II da análise da trajetória da cantora Madonna e as Relações Públicas.

Madonna

Confesso que estou com um pouco de dificuldades de escrever esta segunda parte. São tantas ideias que eu mesmo estou confuso, mas vamos lá, acho que isso vem principalmente por esta ser a fase na qual passei admirar a tia (como os fãs a chamam carinhosamente) e principalmente prestar atenção na busca dela pela espiritualidade, que em certo ponto se encontrou com a minha.

Depois do aclamado filme Evita, o nascimento de sua primeira filha e prestes a completar 40 anos, Madonna lança um novo trabalho, Ray Of Light. Totalmente diferente de todos os seus trabalhos até o momento, que mostra uma Madonna humana, madonna_evitaquestionando o sucesso e seu preço, convidando seu ouvinte a uma viagem pelo autoconhecimento.

A Madonna como porta-voz também merece um case a parte. Acho bacana, pois a Madonna não se mantém presa às informações que constam no release distribuído por sua assessoria, segundo jornalistas que já a entrevistaram, mas ela certamente mantém o controle da entrevista, e determina até que ponto o outro lado pode chegar.

Um exemplo clássico, para não dizer trágico, é a entrevista da artista com a Marilia Gabriela. A jornalista, claramente nervosa que comprometeu a sua confiança no inglês, transpareceu para a artista que estava ansiosa e que até aquele momento esta deveria ser uma das maiores entrevistas de sua carreira. Madonna cozinhou a torta de climão e serviu para a jornalista brasileira que primeira vez parecia perder o controle de um entrevistado.

Mas quem achou que a Madonna versão 2.0 não recorria a polêmicas se enganou. Em 2003, enquanto a guerra corria solta no Iraque, a cantora lança American Life, primeiro single do álbum que leva o mesmo nome, faz uma dura crítica à sociedade consumista americana e o clipe manda uma mensagem (bem forte) antiguerra com soltados mutilados em meio um desfile de moda, que termina com um sósia do George W Bush acedendo um charuto com uma granada. – Recado dado mais uma vez?

Um álbum tão polêmico lógico que se juntou ao Erotica na galeria de piores desempenhos da tia, parece que o mundo não estava pronto para as criticas da artista. Lógico que a opinião pública não perdoou e começaram mais uma vez os rumores sobre a longevidade de sua carreia – “Ela está velha”, “Amarelou”, “Se entregou ao marketing”.

A resposta da artista veio mais uma vez no palco, e em minha opinião uma das melhores jogadas de toda a sua carreira. Era o VMA’s de 2003 quando de repente surge Britney Spears (dublando como sempre), seguida de Christna Aguilera, canta Like a Virgin.

madonna vmaAté aí tudo normal, mais um tributo da MTV para Madonna, mas no meio de tudo, a música para, toca a marcha nupcial e surge com seu eterno ar de “who’s the queen?” Madonna que canta os primeiros versos de Hollywood, transformando as duas cantoras, que na época eram os principais nomes da música pop, em suas backing vocals e corando a performance com um selinho em cada. Com seu nome em alta a artista seguiu a receita que já sabia e saiu em excursão com Reinvention Tour, sucesso absoluto de critica e público.

Obvio que Madonna depois lançou um álbum de segurança, assim como depois do fracasso de Erotica, o Confessions on a Dancefloor, que vendeu bem e rendeu mais uma turnê esgotada.

Apesar do sucesso de suas turnês e do bom desempenho do álbum Confessions nas paradas europeias, Madonna ainda queria bons resultados nos charts americanos, e ela ciente da alta do R&B, e sabendo que era fundamental para seu sucesso dialogar com o público consumidor deste estilo, convocou rappers famosos para participarem de seu novo álbum como Timbaland, Pharrell Williams e o queridinho dos americanos Justin Timberlake. – Estratégia que ela repetiu em MDNA, mas desta vez com Nikki Minaj e M.I.A – o que revela que a Madonna sabe muito bem o momento de pegar atributos de outros artistas e usar a seu favor, e como usá-los para dialogar com as audiências que ainda não está se comunicando.

O que acho importante do ponto de vista das relações públicas é o quanto a Madonna manipula a sua imagem e o como ela sabe buscar endosso no conceito de outros artistas para endossar a sua reputação, como quando recorreu a Britney e a Aguilera para  legitimarem como a rainha do pop, ou quando recorreu ao Justin, Timbaland e Nikki Minaj para dialogar com audiências mais jovens que não acompanharam o desenvolver de sua carreira.

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