001 – RP escreve a sua história com Luiz Alberto de Farias

rp-facebookPara abrir nossa série de entrevistas para celebrar os 100 anos de Relações Públicas no Brasil recebemos Luiz Alberto de Farias.

Luíz é Diretor Acadêmico das Escolas de Comunicação e de Educação e da Universidade Anhembi Morumbi, Professor Doutor da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Editor da Revista Organicom – Qualis B1 e Presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abrapcorp).

 

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

LAF: Entendi que se tratava de uma atividade que poderia colocar em contato ideias diferenciadas e seria capaz de mediar conflitos, abrir portas à negociação, ao debate. Isso fez com que me encantasse com as Relações Públicas.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?luiz alberto de farias

LAF: Nestas quase três décadas em que milito no campo das RP tenho visto mudanças muito significativas. Uma delas muito importante, e que de algum modo delineia o atual cenário e estado de coisas de nossa área é a mudança de percepção acerca do trabalho das relações públicas, desmitificando o seu uso “a favor de forças dominantes” e entendendo-se que se trata de uma área muito poderosa que, a exemplo de tantas outras, tanto pode ser utilizada para fins positivos quanto negativos. As novas gerações, também, tem demonstrado uma participação política muito importante, estando presente, discutindo.

A profissionalização do campo e a migração de diversos outros profissionais também mostram amadurecimento e crescimento. Além disso as redes sociais on line abriram espaço para que reflitamos mais rapidamente sobre o que é construir percepções, enunciar pensamentos e ter retorno em tempo real. Isso contribui para o desenvolvimento da profissão, seguramente.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira/m a ser Relações Públicas?

LAF: Desde 1987, quando entrei para o campo das relações públicas, tive a oportunidade de conviver com algumas das mais célebres figuras da área, tanto do campo acadêmico quanto do profissional. Um aspecto importante é que não apenas as pessoas que atuam em RP me inspiram, mas também as que investem suas forças nos seus campos profissionais. Vale destacar que ao longo de minha trajetória tive companheiros de estudo, de trabalho corporativo, associativo e acadêmico que me estimularam, desafiaram e ensinaram muito e por quem tenho tanta admiração.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

LAF: Eu acredito que a questão da valorização é muito relativa. Será que profissões tradicionais são devidamente valorizadas? Entendo que a nossa área tem criado massa crítica, se reunido em fóruns de discussão científica e profissional, colocado em pauta temáticas importantes, produzido conhecimento técnico e acadêmico. Isso mostra que estamos já em outro momento, mais evoluído do que a discussão sobre valorização, a consolidação de um espírito de corpo, com representações que trazem diversas e poderosas contribuições. A profissão é valorizada por nós cada vez mais e o mercado sabe que ela é fundamental.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

LAF: Cada RP em 2014 é responsável pelo que seja a profissão e em 2114 isso não mudará. Não há passado, presente e futuro: a noção de tempo é permanente uma imbricação de percepções. Somos a nossa profissão e a nossa profissão nos enuncia pelo seu exercício. Faço o que está a meu alcance para que todos saibam como RP pode contribuir para a sociedade e espero que continuemos a fazê-lo, cada um de nós, de todas as gerações.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

LAF: Essa questão está diretamente relacionada ao processo geopolítico-econômico brasileiro. Há partes do Brasil que ainda não tem condições de oferta de vagas/absorção de profissionais, mas talvez isso mude com novos olhares sobre a relação que RP tenha com essas áreas. É preciso sair da visão tradicional do trabalho de RP junto a grandes órgãos de imprensa e grandes corporações e entender que novas atividades econômicas podem receber muito bem esses profissionais e que as mídias se reinventam a cada dia. Novos tempos, novas ideias, novas oportunidades. E isso vale para todas as demais profissões.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

LAF: Eu entendo que evoluímos como país e sociedade nas discussões acerca de nossos problemas e isso se dá por uma imprensa livre e abrangente, que não conseguiria atuar sem a contribuição essencial das relações públicas. Só existe RP em sistemas abertos e democráticos, do contrário ela até pode ser utilizada, mas indo de encontro ao princípio básico das relações públicas que é a ética como mediadora de todas as nossas estratégias. RP é parte importante nos processos democráticos, afinal é por meio dela que se expressam organizações e pessoas.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

LAF: À época da escolha universitária (década de 1980) trabalhava em uma organização multinacional e ali tive o primeiro contato com as Relações Públicas, acompanhando meio a distância, mas muito atentamente, o trabalho desenvolvido pelo grande profissional Rolim Valença na gestão de uma crise envolvendo meio ambiente em uma cidade do Estado de São Paulo. Vi como as relações públicas tinham por base a negociação, a busca do entendimento a partir das diferenças. Comecei a ver como havia pessoas brilhantes atuando nessa área e, ao mesmo tempo, tanto tinha para ser desenvolvido. Entendi que eu poderia aprender muito e ainda teria muito espaço para contribuir. 

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

LAF: Sem dúvida hoje o que está mais presente é o trabalho na gestão de relacionamentos em mídias sociais on line, mas acredito que o futuro venha a nos apresentar um elemento que hoje só se trabalha em situações-limite: gestão de riscos comunicacionais. Atualmente se atua muito mais em gerenciamento de crises do que de fato na sua prevenção cuidadosa e de longo prazo.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

LAF: Falo seguramente que estaremos no patamar das relações públicas praticadas em países nos quais ela já está muito bem desenvolvida, como Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo. Hoje já praticamos RP de excelência – nossas agências são extremamente profissionais e bem desenvolvidas – e também ensinamos RP de ponta, pois já temos obras de primeira linha, pesquisadores de excelente nível. Entidades como ABRP, Aberje, Abracom, Abrapcorp, Intercom contribuem muito para que nossa área possa buscar desenvolvimento permanente. Creio que em um século tanto o Brasil quanto as RP estarão muito bem consolidados, destacando-se frente ao cenário mundial.

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