006 – RP escreve a sua história com Pedro Prochno

Hoje na série “RP escreve a sua história” recebemos o Pedro Prochno, 28 anos de São Paulo, rp-facebookrelações públicas, sócio-diretor da Hygge Comunicações e co-fundador da Todo Mundo Precisa de um RP.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Não sei, até hoje, o que me fez efetivamente optar por RP. Ainda acredito que era a minha vontade de fugir dos números, do português e de viver numa boa (uhum, tell me more)! Acabei caindo em RP.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Faz algum tempo que eu venho falando que as RPs no Brasil estão em franca expansão, que o mercado está se consolidando, amadurecendo e entendendo este tipo de serviço.

Não atoa tivemos a compra da CDN pelo Grupo ABC, a compra de participações em agências por parte de grandes grupos de comunicação e, mais recentemente, algumas matérias e estudos sobre estes processos todos.

Entendo que temos muita coisa boa para colher, precisamos estar (como pessoas e negócios) preparados para isso.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

Tive muita influência do Maurício Oliveira, um grande amigo e que já fazia RP quando eu estava prestando vestibular. Ele me incentivou muito.

VRP:  Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?1276933_10151699354424352_649476126_o

Não, e acho que nenhuma profissão é valorizada como deveria, imagina só se todas fossem? Devemos amadurecer mais (como profissionais e categoria) para podermos demandar mais valorização. Ao mesmo tempo não nos damos ao trabalho de buscar o registro profissional após a graduação, veja só.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Dedicação, qualidade e conteúdo são o que diferenciam as pessoas e as empresas no mundo. Isso é o que tenho feito como pessoa e como integrante de um movimento que está querendo mudar a realidade do mercado de RP no Brasil. Nossos projetos são tocados com qualidade, tem muita dedicação e focam conteúdo de primeira pra podermos avançar sempre. Queremos incentivar projetos criativos em comunicação, e focamos nisso, focamos em coisas fora do convencional e que façam a diferença na vida das pessoas. Espero que com isso, no 2º centenário da profissão tenhamos um mercado bem mais maduro e diferente do que temos hoje, e que efetivamente eu e a Todo Mundo Precisa de um RP tenhamos tido impacto nesse processo.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Acredito que falta mentalidade nos RPs de que é função deles gerar a demanda pelos serviços de nossa área. O Boston Consulting Group divulgou uma pesquisa que mostra o quanto o mercado das cidades do interior do Brasil vai crescer. No #Blogrelacoes publiquei um post que faz um paralelo disso com as RPs.

Nossa dificuldade está em mostrar e convencer o empresariado de que as RPs podem gerar impacto positivo nos NEGÓCIOS e negócio fala dinheiro e não amor pela comunicação. É justamente este ponto que precisamos melhorar e mudar na hora de apresentar as RPs, falar a linguagem dos negócios.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Acho que tivemos pouco impacto “para o país” durante este período. Fomos importantes durante a ditadura militar (“nascemos” lá). Entendo que ajudamos, aos poucos, a mudar a mentalidade de empresas ao mostrar não somente que elas são responsáveis por mais do que simplesmente o produto que entregam, mas também pela forma com que ele é entregue, produzido e se relaciona com o cliente.

VRP:  Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Onde começou? Qual foi ou é o seu maior feito na categoria?

A minha história com as RPs nasce ainda no colegial, sem saber que aquilo se chamava Relações Públicas. Fundei o Grêmio de minha escola, busquei parcerias para realizar eventos, zelava pela relação e conversa entre os públicos e isso deu certo.

Na faculdade, em 2005, oficialmente comecei minha jornada na área. Foi depois de formado que nasceu o #Blogrelacoes (lá em 2010). Essa acho que foi o meu maior feito solo (por um ano) na categoria. Hoje com outros 13 colegas o blog é uma referencia na área, cobre eventos internacionais, entrevistou grandes nomes das RPs no Brasil e se relaciona com gente de impacto e influência.

Mais recentemente formamos a Todo Mundo Precisa de um RP com a nova cara, agregando o BlogRelacoes, a RP Brasil, a Casa RP e as demais áreas de negócio. É na TMPRP que aposto minhas fichas sobre o legado que ela deixará na profissão e, com ela, eu também.

O principal motor disso, hoje, é a efetivação da RP Week, um evento sem precedentes no Brasil, totalmente dedicado à área, com uma agenda incrível e que mudará a dinâmica do nosso mercado e da forma com que os nossos profissionais se capacitam e trocam conhecimento.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Justamente o cerne das RPs, a parte estratégica. Quem conseguir entender e planejar de forma integrada para empresas, principalmente as pequenas e médias, vai se dar muito bem. Isso por um fator muito simples, precisamos cada vez mais ser mais assertivos na comunicação e gastar menos. Planejamento é palavra-chave pra isso.

VRP: Como nasceu a ideia de criar um blog sobre a área?

Nasceu da minha vontade de escrever, de compartilhar pensamentos. O Blog relações nasceu como um canal pessoal para falar das nossas relações com tudo (entre empresas, com governos, emoções, etc). Com um ano de vida achei que era hora de mudar, de ampliar a participação de pessoas e de focar na área, foi assim, com muita ajuda e pitaco dos atuais autores que o #Blogrelacoes adquiriu a sua cara atual.

VRP: Em sua opinião qual a relação de RP e empreendedorismo?

A relação é total. Somos empreendedores e não sabemos. Empreendedorismo tem como sinônimo a inovação, e fazemos isso todos os dias. Precisamos inovar processos, forma de se fazer coisas e de se comunicar. Profissionais que entendem isso com certeza se dão bem no mercado de trabalho.

VRP:  Você possui uma agência/consultoria quais são os principais serviços oferecidos?

Oferecemos o “pensar” da comunicação, principalmente, apoiando administrativamente os nossos clientes na otimização dos investimentos na área para obterem resultados mais rápidos e de forma mais direta.

Dessa forma eles podem dedicar tempo para dar atenção às outras áreas da empresa que precisam de mais cuidado. Por fim ajudamos eles a implementarem tudo o que foi pensado e decidido para atingir os objetivos de negócio.

VRP: Quais são as pretensões com o coletivo “Todo mundo precisa de um RP”?

Nós somos um coletivo que quer acelerar o mercado de Relações Públicas. Acreditamos em um mercado mais dinâmico, em profissionais mais qualificados e em ações mais estratégicas.

É com isso em mente que desenvolvemos tudo o que estamos fazendo: Conteúdo no #Blogrelacoes, o curso on-line “Como se dar bem no mercado de trabalho”, a “Imersão RP” que vai pra sua segunda edição, no Rio de Janeiro, a RP Week, que acontece em setembro, a Casa RP, que deve abrir suas portas até o fim do ano, e os programas internacionais para Davos e Cannes que devem aparecer em 2015!

Queremos que as pessoas saiam da zona de conforto, se capacitem e chamem a responsabilidade para si, que criem negócios e oportunidades e que mostrem o lugar que os RPs precisam ocupar nas empresas sem a necessidade de impor isso por meio da Lei.

VRP: O que você pensa sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Acredito que é um excelente COMEÇO. Acho que é importante flexibilizarmos nesse momento para facilitar o nosso entendimento do que queremos como categoria.

Não defendo a abertura indiscriminada do mercado, jamais, mas acho que quem se capacita e estuda e comprova que conhece RP, tem sim que ter registro.

Acho também que a discussão não pode parar aqui, temos que avançar ao ponto de rever a legislação que regulamenta as RPs para adequá-la à nossa atual realidade.

VRP: Pretende em algum momento de sua carreira compor o conselho regional/Federal das RP?

Eu não descarto a possibilidade mas, no momento, isso ainda não é uma prioridade. Ainda busco uma estabilização de carreira e dos projetos que toco além de aprimoramento profissional e pessoal para poder, caso isso ocorra, contribuir de forma relevante para o desenvolvimento do sistema CONFERP.

VRP: Quais suas considerações sobre a atuação do conselho para a consolidação da profissão?

Ao longo dos anos tivemos muitos avanços. Temos exemplos que valem a pena serem seguidos como o do CONRERP da 4ª região que recebe os novos registrados em sua sede para uma solenidade de entrega da carteira profissional, conversam sobre o que é ser RP, o código de ética e buscam uma aproximação e humanização com o profissional. É um GRANDE exemplo a ser seguido e contribui para a consolidação da profissão com o principal público, o próprio RP.

Ao mesmo tempo entendo que precisamos evoluir em outros pontos como o alinhamento da atuação dos regionais, eles precisam ser uníssonos, ter os mesmos entendimentos e funcionar com um mesmo objetivo. O Sistema CONFERP, a ABRP, a Abracom e o Simprorp, na minha visão, precisam sentar e trabalhar mais de forma integrada. Sei que cada um é responsável por uma coisa e tem limites de atuação e responsabilidades, é justamente aí que teremos os ganhos se trabalharem juntos, um colaborando com o outro diante das limitações inerentes aos seus propósitos mas visando o bem do mercado. É algo difícil mas fundamental.

Entretanto o principal ponto, pra mim, é a fundamental necessidade de que a conversa e a relação entre o conselho e os profissionais seja mais humana!

Os profissionais precisam parar de ver apenas o lado do “pagar o conselho sem ter retorno algum” que reina por aí. É LEI, temos que nos registrar. Juntos seremos mais fortes e quanto mais registrados mais mudanças positivas podemos ter e demandar.

Da mesma forma os conselhos regionais precisam tratar os profissionais de forma mais humana, gerando conversas de pessoas com pessoas, a famosa via de mão dupla que tanto falamos.

Como profissionais estratégicos precisamos pensar em uma outra abordagem. É possível sim tentar uma aproximação amena, primeiramente, visando sanar eventuais dúvidas e, dependendo da resposta, aí sim seguir com os trâmites defendidos pela legislação.

VRP: Sobre RP pertencer mais à área de negócios do que à comunicação social o que tem a dizer?

Concordo totalmente. Acho, e sou signatário do manifesto que defende que as RPs estão muito mais para a administração do que para a comunicação social.

Esse é o ponto que abordei algumas questões acima: precisamos falar negócio e não comunicação, é isso que vai nos diferenciar no mercado.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Acho que teremos algo muito diferente de hoje. É difícil tentar prever. A Tecnologia muda MUITO rápido, imagina como mudará. Acho que nossa sociedade ainda não traduz fielmente os impactos do celular, por exemplo, ou da social media. Estamos em transição.

Acho porém que as RPs sempre vão ter este desafio (e não será diferente nos nossos 200 anos), de usar o que existe de tecnologia e costumes para facilitar a comunicação e integração entre pessoas e instituições.

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