008 – RP escreve a sua história com Kelly Feltrin

rp-facebookKelly Feltrin, graduada em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, possui experiência nas áreas de cerimonial e protocolo, elaboração de eventos, ações de relacionamento com diferentes públicos, monitoramento e produção de conteúdo para redes sociais e assessoria de imprensa.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

KF: Como a maioria dos jovens estudantes do Ensino Médio, eu ainda não havia me decidido sobre qual curso seguir na faculdade. Até certo dia, quando tive o contato com uma profissional da área, em uma ONG que trabalha a temática do empreendedorismo com crianças e adolescentes. Vivenciando um pouco o seu dia a dia, vi a amplitude de ferramentas e áreas que o profissional de RP pode trabalhar e acabei me interessando.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?kelly

KF: Vejo as relações públicas como uma área em ascensão no país. Percebo que as organizações tem se preocupado, cada vez mais, com a forma que são percebidas por seus públicos. Seja no ambiente online ou offline, é necessário que haja um profissional capacitado a diagnosticar e, assim, estabelecer estratégias que atinjam as necessidades identificadas, alinhando, principalmente, os objetivos da empresa.

Além disso, hoje em dia, são muitas as premiações e eventos organizados por entidades como a Aberje e a Abracom, que fomentam o debate sobre a atividade, áreas de atuação, estratégias e práticas atuais, com o objetivo de contribuir com o crescimento das relações públicas. Entretanto, ainda enxergo um longo caminho a se percorrer para que se eleve esse reconhecimento, bem como o número de profissionais atuantes e registrados com essa função.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

KF: A gente aprende que todo mundo faz relações públicas, não é verdade? O fato de se comunicar de maneira clara, concisa e objetiva é essencial para evitar conflitos e favorecer o diálogo entre todos. É partindo dessa premissa que destaco duas pessoas. A primeira é minha mãe, Neusa Feltrin, formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia. Ela sabe ouvir, analisar cenários, fornecer soluções adequadas, bem como, se comunicar claramente e defender o diálogo como base para qualquer relacionamento.

Além dela, destaco minha professora de graduação, Glaucya Tavares. Formada na área e mestre em Comunicação, ela emana a positividade que o profissional de RP deve ter frente as situações diárias, além de defender, também, o diálogo para uma boa relação e o diagnóstico antes de tomar qualquer decisão.

Enxergo nas duas, a profissional que quero me tornar e, algum dia, refletir da mesma maneira na vida ou carreira de alguém!

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

KF: Acho que a cada dia ela passa a ser mais valorizada. Nos encontros que já participei, no qual havia gestores e executivos da área de comunicação de grandes empresas, percebe-se que as Relações Públicas estão adquirindo mais espaço dentro das organizações, bem como da sociedade. Em uma realidade onde o fluxo de informações é instantâneo e é difícil acompanhar o que falam ou deixam de falar sobre você, sua empresa e seus produtos e serviços, a alta administração passa a ver com outros olhos, uma área que tem ferramentas e teoria para estabelecer estratégias que sejam capazes de, se não acompanhar no âmbito instantâneo, ao menos monitorar e atualizar as estratégias de relacionamento com os stakeholders.

Ao mesmo tempo em que enxergo, ainda, resistência em entender o papel que a comunicação, evidenciando as Relações Públicas, pode realizar para com a atividade da empresa. Acredito que essa realidade, em breve, deverá ser alterada, pois uma empresa que persiste nessa visão reduz, e muito, suas chances de crescimento e atualização, o que pode gerar uma perda no seu diferencial competitivo perante a concorrência.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

KF: Parece que foi ontem quando o primeiro escritório de RP chegava ao país. Desde então, a área foi se desenvolvendo a cada ano. Aos poucos, mais profissionais se juntaram ao time, assim como eu, e continuamos com a importante tarefa de contribuir com o reconhecimento da área dentro das empresas e da sociedade. E, pelo visto, nossos esforços valeram a pena, pois agora o aniversário já é de 200 anos!!!

Parabéns a você RP que em suas atividades diárias permite a nossa profissão alçar voos cada vez maiores!!!

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

KF: A consciência dos resultados que a área pode trazer para os negócios das empresas, seja ela de pequeno, médio ou grande porte. Hoje, na região sudeste está a maioria das grandes empresas, brasileiras ou multinacionais e, por seus relacionamentos não só internamente, mas com outros países, a compreensão acerca da importância da área se torna mais clara e, dai, ocorrem os investimentos.

Lá fora, percebe-se que as organizações e, até pessoas físicas, que possuam relevância em algum setor, sabem que ter um profissional de RP ao seu lado auxilia e muito. Por isso, surgem maiores oportunidades de emprego. Entretanto, enxergo nos profissionais de maior destaque na área, no Brasil, um esforço diário para essa mudança de consciência e, dessa forma, creio que logo as coisas também mudarão por aqui.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

KF: O diálogo como base para qualquer relacionamento e, principalmente, como ferramenta para a manutenção do mesmo. Criar uma via de trocas é essencial. Dessa forma é possível identificar demandas, estabelecer e atualizar estratégias e monitorar os impactos sobre o que está sendo desenvolvido. É uma maneira importante de acompanhar

o perfil e as mudanças pelas quais passam seus públicos de interesse, bem como eles perceberem as mudanças que a empresa está fazendo, seus impactos na sociedade, etc.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

KF: Antes da faculdade, foram raras as oportunidades nas quais eu havia ouvido falar da área de Relações Públicas. Essa realidade mudou até o dia em que tive o contato com uma profissional e um estudante da área. Acompanhando o dia a dia deles, pude perceber a riqueza e amplitude de atuação que ser RP permite.

Interessei-me bastante e, aos poucos, conforme chegava o período dos vestibulares, fui considerando o que eu gostava de fazer, minha personalidade e aí acabei me decidindo por fazer o curso. Posso afirmar que gostei muito! Passei por alguns setores que me permitiram desenvolver ferramentas importantes para o tão conhecido jogo de cintura, que fizeram com que eu desabrochasse para o relacionamento humano.

Hoje, percebo que os estudos não param, as atualizações são fundamentais e consigo me adaptar a qualquer situação com sabedoria, calma e paciência tão necessária na hora de ouvir. Sim, por que o relações públicas tem, necessariamente, que estar atento ao que tudo se fala, para que uma sondagem seja feita e filtrações das situações sejam racionalmente analisadas para o desenvolvimento de ações e para a solução de problemas.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

KF: Sem dúvida o mundo digital. Diariamente temos contato com novas ferramentas que permitem a interação das marcas com seus consumidores, fomentando o relacionamento e criando laços. Nessa realidade não tem como as Relações Públicas ficarem de fora.

Durante nosso período de estudos e atividades do dia a dia, vamos aprendendo a identificar as melhores ferramentas para trabalhar a relação empresa-cliente e vice-versa, percebendo as necessidades e buscando as melhores soluções. Por isso, em um mundo online, onde tudo acontece muito rápido, nada melhor do que poder contar com uma área que já possui arraigada, a consciência de que é importante monitorar as transformações que acontecem nos ambientes em que a empresa e seus públicos estão inseridos, bem como, as novas características que surgem nos perfis dos públicos de interesse, adequando ações e buscando novas estratégias.

Assim, é preciso lembrar sempre que, o digital aproxima, quebra barreiras, encurta distancias e dinamiza as relações, daí a necessidade de estar atento a ele, que pode se tornar o mecanismo principal de comunicação da organização com seus stakeholders.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

KF: Com a atual “guerra” acirrada das comunicações em seus diversos veículos, podemos aguardar uma maior exploração de atuação nesta área. Aqui no Brasil, a política,

com os seus desencontros com a população, e quiçá com os outros países, tem a necessidade de mediação, tal é o fervor e clamor por uma moralização. A partir disso, acredito que a política poderá sim, ser o alvo das Relações Públicas no segundo centenário brasileiro.

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