009 – RP escreve a sua história com Ricardo Campos

rp-facebookHoje recebemos no “RP escreve a sua história” o Ricardo Campos, que tem 37 anos, mora em Belo Horizonte-MG e é Especialista em Gestão de Negócios pelo UniBH (2007), Bacharel em Comunicação Social habilitação Relações Públicas também pelo UniBH (2006) e fundador e Diretor Executivo da D’Minas Turismo.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

RC: As Relações Públicas entraram em minha vida por acaso, já sabia que queria fazer comunicação social e minha veia criativa me levava para formação em Publicidade e Propaganda. Mas ao pesquisar melhor sobre as habilitações da comunicação meus olhos brilharam e disse para mim mesmo: “É esta profissão que quero, é isso que eu sou“. Além disso a perspectiva de atuar com a gestão estratégica da comunicação levou o meu desejo de estudar comunicação a um novo patamar, muito mais desafiante e promissor.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

RC: Vejo a área de relações públicas no Brasil de uma forma bem otimista. Hoje temos um mercado muito mais ricardo_camposmaduro, que sabe reconhecer a importância estratégica e o valor das ações de relações públicas para uma organização. Temos muitos profissionais que estão na linha de frente da comunicação e do marketing de muitas empresas ou fazem parte de equipes de alta performance que conseguem entregar resultados cada vez mais expressivos. Mesmo aqueles profissionais que hoje não atuam diretamente com a comunicação conseguem empregar no seu cotidiano profissional os aprendizados conquistados com a formação profissional. Os números também demonstram que o cenário é favorável com surgimento de grandes grupos de comunicação tendo como base a fusão com agências de relações públicas. A ascendência da importância das relações sociais também contribui para valorização da profissão. Assim as perspectivas são positivas para a profissão e para os profissionais.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

RC: Tenho muitas inspirações de profissionais que elevam o nome da profissão, desde figuras da academia como Margarida Kunsch e Waldyr Gutierrez a profissionais do mercado como Antonio de Salvo e Ana Lúcia Novelli.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

RC: Como disse acredito que hoje a profissão esta mais amadurecida e já faz parte da estratégia das organizações. Claro que num país que tem em sua grande maioria pequenas e médias empresas ainda falta conhecimento e investimento na área. Assim acredito que a atividade em si é muito valorizada, mas a profissão ainda não. Penso que o próprio profissional ainda carece de reconhecer o valor de sua escolha e principalmente de priorizar a entrega de resultados. Formamos muitos profissionais todos os anos e é natural que somente os melhores se estabeleçam, mas a maioria pela falta de oportunidade deixa de ser embaixador da própria profissão no mercado e este pessimismo ajuda a nivelar por baixo a percepção dos gestores. Por onde passei na carreira profissional sempre tinha muitos profissionais de RP nas áreas de comunicação e marketing. Num deles formávamos uma equipe de 15 profissionais, sendo que 8 eram relações-públicas e quatro exerciam cargos de liderança. Isso é um reflexo da importância da profissão para as organizações.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

RC: A profissão demorou 100 anos para deixar de ser a profissão do futuro para se tornar a profissão do presente, deixando para as gerações futuras legados e oportunidades.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais da área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

RC: Acredito que o Sudeste concentra a maioria das grandes empresas, que normalmente tem a comunicação como estratégia, por isso é natural esta concentração. A ampliação do mercado passa pelo crescimento econômico do país e a diversificação dos polos industriais e de serviços que já vem acontecendo em diversas regiões, como norte e nordeste.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

RC: Acredito que a maior contribuição dada pela profissão durante estes 100 anos foi demonstrar a importância da comunicação e relacionamento com seus públicos. Hoje a importância das relações está em voga, principalmente pela força das mídias sociais, mas sempre foi a base da atuação profissional. A profissão ajudou as organizações a serem mais humanizadas, a olharem para seu público interno e suas diversas necessidades de comunicação e relacionamento, mas também para fora dos muros onde está a comunidade, a sociedade onde ela está inserida.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Onde começou? Qual foi ou é o seu maior feito na categoria?

RC: Como disse a profissão entrou na minha vida por acaso, mas ao pesquisar melhor as habilitações vi que era o que queria.

Me identifiquei muito com a profissão e com tudo que estava aprendendo na faculdade que quis ir além. Na faculdade fui agraciado com cinco edições do Projeto Vitrine – evento que premia os melhores trabalhos acadêmicos de Relações Públicas do UNI-BH. Comecei a participar de programas de pesquisa e extensão e as conquistas e reconhecimentos foram surgindo. Nosso grupo foi agraciado com Menção Honrosa no Expocom Mercosul – Bolívia e premiado com o primeiro lugar na 12º Expocom – Rio de Janeiro – 2005, na categoria Comunicação e Cidadania – Relações Públicas pela elaboração e implantação de projeto de comunicação para a Pastoral da Mulher Marginalizada de Minas Gerais. Premiado com o terceiro lugar no 1º Expocom Fórum – Intercom Regional – Juiz de Fora – 2007, na categoria Projeto Experimental Institucional com o projeto de comunicação para o MG Transplantes.

Fui coautor de artigos científicos publicados no Intercom 2004, 2006 e 2007 e apresentados no Núcleo de Pesquisa de Relações Públicas e Comunicação Organizacional. Autor de artigo publicado na III Jornada de Inovações Midiáticas e Alternativas Comunicacionais – Altercom 2008 e no Intercom Júnior 2007 no núcleo de Comunicação Organizacional, Relações Públicas e Propaganda. Este artigos ainda foram publicados em revistas científicas. Para finalizar minha trajetória acadêmica fui condecorado como Destaque Acadêmico do UniBH, sendo considerado o melhor aluno do turno da noite e melhor aluno geral do curso de Relações Públicas, entre os formandos do 2º semestre de 2006.

Já como profissional fui eleito como um dos 10 relações públicas brasileiros que merecem ser seguidos no twitter em eleição organizada pelo Blog O Cappuccino nas edições 2009 e 2010 e indicado ao prêmio Relações Públicas do Brasil organizado pelo Portal RP Bahia nas categorias profissional revelação e profissional de mercado.

Ainda na faculdade fui convidado a compor a equipe de relações públicas desta instituição de ensino onde fui responsável pelo planejamento e execução de eventos acadêmicos e institucionais, projetos de comunicação interna, relacionamento com stakeholders, branding, articulação e relacionamento com organizações externas, parceiras e conveniadas. Concomitantemente abri uma agência de turismo receptivo para atender um mercado com grande perspectiva em meu estado e mesmo tendo um cargo de liderança na instituição de ensino em 2012 optei por ficar por conta do meu negócio devido ao alto crescimento e aumento das demandas internas. Hoje além do negócio em si, cuido de toda parte de relacionamento, comunicação e marketing da agência.

Importante destacar também que dei minha contribuição para a profissão sendo conselheiro efetivo do Conselho Regional de Relações Públicas – Conrerp 3ª Região na gestão 2010/2012.

Assim minha carreira é cheia de conquistas e motivos para se alegrar com a profissão que escolhi.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

RC: Atualmente, devido ao valor dado pelas empresas e instituições no relacionamentos com seus públicos acredito que as áreas que lidam com estes processos relacionais tem um forte apelo junto as organizações. Assim Relações Públicas Digitais, Relações com o Mercado e Relações com a Comunidade geram uma boa perspectiva para os profissionais.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

RC: Teremos um mercado estabelecido e totalmente reconhecido pelas organizações, não apenas as grandes, mas também teremos o reconhecimento das pequenas e médias. Teremos também profissionais mais confiantes e estratégicos.

VRP: O que pensa sobre o projeto de flexibilização da profissão?

RC: Sou favorável às mudanças, pois hoje enfrentamos uma grande concorrência velada por nossos pares de outras áreas e não apenas da comunicação e que tem gerado bons resultados nas organizações. Acabamos assim sempre buscando reservas de mercado, mas o próprio mercado se auto regula dizendo o que é certo e o que é errado. O papel do Conselho ainda é instável e sem forte apoio jurídico para empreender fiscalizações mais eficientes, como em situações controversas a exemplo do tema assessoria de imprensa. Assim sou favorável ao projeto de flexibilização da profissão, mas com as devidas considerações.

VRP: Em sua opinião qual a relação de RP e empreendedorismo?

RC: Podemos olhar esta relação por dois caminhos, uma é a relação intrínseca entre a profissão e a criatividade dos profissionais que estão sempre empreendendo novas soluções para uma melhor comunicação e relacionamento entre as organizações e seus públicos. Os relações públicas na sua maioria são muito criativos e empreendedores e podemos sempre ver os resultados em premiações como o da Aberje e o PR Lions. O outro olhar é dos profissionais que empreendem negócios próprios com soluções também criativas. Já tive conhecimento de profissionais que criaram agências focadas no atendimento as pequenas e médias empresas e obtendo por meio de diversas contas a sonhada sustentabilidade.

VRP: Onde pretende estar em relação a profissão daqui há cinco anos?

RC: Posso dizer que consegui por meio da profissão conquistar tudo que queria. Já passei por cargos na área, inclusive de liderança; já enfrentei desafios e metas; já conquistei resultados; já dei cursos e palestras e ganhei dinheiro. Hoje cuido da minha própria empresa e coloco toda a minha experiência a disposição do meu negócio, assim sou um profissional realizado. Daqui cinco anos espero que possa continuar empregando estes conhecimentos, talvez em outros empreendimentos próprios.

VRP: Você trabalha na área de turismo, certo? Quais suas considerações sobre as ações de comunicação antes, durante e depois da Copa do Mundo? Tem alguma sugestão para as Olimpíadas?

RC: O Brasil por meio da Embratur e do Ministério do Turismo vem ao longo dos anos investindo pesado em ações de Relações Públicas, tanto no Brasil quanto no exterior. Uma das ações foi a criação dos EBTs – Escritórios Brasileiros de Turismo que são unidades avançadas de promoção, marketing e divulgação de produtos e destinos turísticos brasileiros. Os EBTs hoje estão em 11 países. Além disso o país participou antes da Copa do Mundo das principais feiras, tanto de turismo quanto de outras áreas, visando a divulgação do “País da Copa”. Com o evento ocorrendo acredito que as ações implementadas de controle da violência e manifestações e incrível operação e controle nos aeroportos permitiu que a receptividade do povo brasileiro pudesse ganhar o devido destaque, sendo este o maior legado que a Copa poderia gerar, no meu pensamento é claro. Acredito que o desafio agora é manter esta imagem e reputação positiva criada do destino Brasil para que possamos aumentar os números de turistas estrangeiros no país que acredito só não é maior devido as crises econômicas mundiais na Europa e Estados Unidos, além dos conflitos diversos que assolam o mundo atualmente.

Para as Olimpíadas acredito que o governo tem que se empenhar mais na questão de infraestrutura visando a melhoria da imagem do país no quesito organização. Mesmo conseguindo fazer uma excelente entrega para a Copa do Mundo, pois os índices sobre a percepção dos visitantes divulgados pós Copa são muito favoráveis, ainda somos conhecidos como o país do jeitinho e olhando por este lado do cuidado com a coisa pública esta imagem não é nada positiva.

VRP: Um acadêmico que você admira?

RC: É difícil nomear apenas um: Margarida Kusch, Waldyr Gutierrez, Alberto de Farias. Localmente também temos representantes como Raquel Parreira, Wilma Vilaça e Alice Arcebispo. Todos tem uma grande contribuição para o estudo da profissão.

VRP: Um profissional do mercado que você admira?

RC: Também é difícil nomear apenas um pois tenho vários profissionais que admiro, como Carlos Eduardo Mestieri, Ana Lúcia Novelli, Antônio de Salvo, Carolina Terra e Márcia Ceschini. Localmente temos o Tio Flávio, Daniela Santiago, Chana Vasco e vários outros que dão um verdadeiro testemunho do valor da profissão por meio de sua atuação no mercado.

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