013 – RP escreve a sua história com Henrique Souza

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E na última entrevista dessa semana no “RP escreve a sua história” recebemos o Henrique Souza que trabalhou como Relações Públicas para hotelaria. Atualmente é assessor de comunicação e planejamento estratégico para hotelaria e Relações Públicas da Agência Clave.

 

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

HS: Por acaso, sempre gostei da área de comunicação, mas não me identificava com PP, Jornalismo, RTV, e outros. Então um dia uma pessoa me mostrou um livro de profissões que continha a descrição de Relações Públicas e me identifiquei na hora. Então foi só procurar uma boa faculdade e fazer a prova. Graças a Deus, a FAPCOM me chamou, acho que tive muita sorte em escolher uma faculdade tão boa e que nunca me deixou na mão.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das Relações Públicas?

HS: O RP geralmente é pouco valorizado até que apareça uma crise na empresa, mas tenho presenciado um aumento na procura ultimamente com o advento das mídias sociais. Mas considero os próprios RP’s os culpados pela profissão não ter sido valorizada décadas atrás. Acho que não somos bons RP’s para nós mesmos e isso precisa mudar, o cenário brasileiro é favorável e temos que assumir nosso lugar que hoje é ocupado por jornalistas, publicitários, e até administradores ou em alguns casos pessoas que não possuem formação alguma.henrique

Temos que valorizar nossas técnicas, assim como um médico e advogado valorizam as suas. Hoje, vejo colegas se formando e jogando fora tudo que aprenderam para fazer o trabalho de qualquer jeito, com “achismos” e às vezes incorporando atividades que não são de nossa competência ou que são meramente operacionais. O Relações Públicas é um cargo estratégico e devemos nos limitar a fazer aquilo ao qual fomos preparados para fazer.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

HS: Não tenho uma inspiração. Acredito que tenho motivações hoje como, por exemplo, levanto a bandeira da valorização do RP, sei do potencial de um RP na empresa e para o mercado, somos profissionais estratégicos e de inteligência (algo que falta no mercado brasileiro). Nosso trabalho, em cerne, combate indiretamente o famoso “jeitinho brasileiro” entre outros motivos. Mas não achei uma pessoa que me inspirasse neste caminho até aqui. Obviamente tenho referências, mas não destacaria ninguém, todos são ótimos e, os que não são, estão em outras áreas. Não existe meio termo em nosso mercado.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

HS: Não é valorizada. O custo de um departamento/profissional de RP em algumas empresas é considerado gasto e não investimento. E o brasileiro nunca foi preocupado com a imagem de uma marca ou produto (generalizando), isso porque o consumidor brasileiro, por sua vez, não é exigente em relação ao que consome e paga caríssimo por produtos que não valem a metade do preço cobrado. Este cenário não favorece empresas sérias e honestas que têm um RP e políticas humanas, pois no final, uma “vantagenzinha” pesa mais para quem consome. Ainda assim, eu acredito que isso está mudando e esta mudança começou pelo próprio consumidor, pois está cobrando cada vez mais das marcas e produtos que consome. Eu vejo um cenário promissor em um futuro próximo.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

HS: Várias! E RPs sejam empreendedores de suas idéias, não vamos esperar para entrar em projetos dos outros, criem seus próprios e invistam neles, se permitam errar. Vale sempre lembrar que quando uma organização sente a necessidade de um Relações Públicas, ela sente a necessidade de humanizar-se, muitas vezes sem saber, mas na realidade é isso que ela busca, pois o consumidor quer um tratamento cada vez mais humano, ético, honesto, transparente, e tudo mais que se reserva para um cidadão honesto.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais da área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

HS: Como disse antes, é a cultura do brasileiro, isso vai levar um tempo para mudar, mas vai mudar. O custo de um RP será visto como um investimento necessário pela maior parte do mercado e esta empresa vai se destacar. Outro ponto é o profissional de RP muito passivo, acho que nós precisamos construir este caminho e a melhor forma é empreendendo nossas ideias sem medo, com coragem e convicção.

 

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

HS: Infelizmente não consegui enxergar ainda uma contribuição grande para nosso país. Acho que cresceu consideravelmente se levar em conta a cultura do brasileiro, mas ainda assim não tivemos espaço para que uma imagem geral do RP tenha se consolidado no país, muitos ainda não sabem o que faz o RP. Sei que contribuímos muito ao longo destes 100 anos, mas eu ainda não consigo identificar algo de destaque. Mas é por pouco tempo, tenho certeza.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

HS: Ser RP no Brasil hoje é um desafio. Gosto disso! Onde existe um desafio existe um caminho reto ao sucesso para quem tem capacidade. Tenho me preparado para as oportunidades que ainda vão vir e, para além da minha identificação com a profissão, as Relações Públicas são estimulantes, diferentes, têm grande potencial e considero um grande prazer exercer esta profissão. Mas o lado humano da profissão é o que mais me atrai (transparência, relacionamento ético com o cliente e investidores, sustentabilidade social e ambiental, etc.).

Recentemente montei minha empresa, a Agência Clave junto com minha colega de classe na faculdade e noiva hoje, estou feliz em assumir mais este risco e um cliente satisfeito me motiva ainda mais. É complicado ganhar um cliente em nossa área, mas é mais difícil perder. Uma vez que se faz conhecer nosso valor. Ele fica, é sólido e sustentável.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

HS: Assessoria de imprensa, porque responde rápido ao anseio da empresa em se mostrar para o mercado. O contratante vê como uma “publicidade gratuita” e principalmente porque mexe com o ego dos que são citados (marca ou pessoa). O resultado mais palpável é melhor percebido pelos empresários brasileiros. Não sei se é correto, mas é um caminho aberto para os RPs.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

HS: Com certeza, bem melhor que hoje para os profissionais. Mas isso vai depender de nós mesmos. O Brasil mudou muito nos últimos anos, só depende de nós manter este ritmo e, claro, “puxar a sardinha pro nosso lado”. O RP é elegante, inteligente, bondoso, gentil e tem bravura. Este é o perfil ideal de um RP. Sempre buscar ser uma pessoal melhor é obrigação de cada indivíduo, mas estas características eu acredito que são essenciais.

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