017 – RP escreve a sua história com Eric Nogare

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No “RP escreve a sua história” de hoje recebemos Eric Nogare, graduado em Relações Públicas pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, possui experiência nas áreas de Eventos, Comunicação Interna, Marketing e Relacionamento com o cliente. Já atuou em empresas de diversos segmentos e, atualmente, trabalha na área de comunicação digital do Hospital Israelita Albert Einstein, divulgando os cursos EAD.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

EN: Tive o privilégio de ter conhecido uma RP na ONG Junior Achievement São Paulo. Por meio do voluntariado, surgiu a oportunidade de eu adquirir experiência com organização e realização de eventos de pequeno porte, além de captação de recursos para um núcleo da ONG, composto por ex-alunos dos cursos que ela realizava.

Essa experiência foi determinante para que eu não só conhecesse a área de comunicação, mas despertasse meu interesse pelas Relações Públicas e o papel que um RP pode ter nas organizações.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?eric

EN: Ainda que essa visão esteja mudando depressa, vejo muitas empresas no Brasil que não valorizam a área e o profissional de Relações Públicas como um pilar importante para realização de suas atividades. Além dessa desvalorização, o mercado ainda não enxerga o potencial e retornos que ele pode trazer à empresa.

Por outro lado, há uma demanda crescente por profissionais que tenham especializações em Relações Públicas, mas que ao mesmo tempo possuam uma atuação generalista, conhecendo, no caso, a empresa e seu negócio como um todo.

Vale ressaltar, ainda, que essa realidade varia de acordo com o porte da organização, pois, as empresas de menor porte, tendem a investir mais nas áreas de produção, do que na comunicação propriamente dita.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

EN: Existem tantos RPs e não RPs que colaboraram na minha formação enquanto profissional, mas gostaria de ressaltar a minha professora da época de faculdade, agora colega de profissão, Glaucya Tavares, que foi crucial para a compreensão de um fator que considero muito importante na vida. Mesmo sem expressar isso em palavras, ela foi uma das pessoas que me ensinou que é necessário batalharmos pelos nossos objetivos, sempre com um sorriso no rosto, independente das adversidades da vida. Acredito que todo mundo e, principalmente, o profissional de Relações Públicas, deve ter essa filosofia em mente.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

EN: Acredito que ainda falte muito para que a nossa profissão seja valorizada como deveria e existem vários fatores que comprovam essa desvalorização. Desde o não registro da maioria dos profissionais como atuantes em Relações Públicas até a transição desses profissionais para outras áreas devido à falta de oportunidade no mercado de trabalho.

É importante lembrar que a profissão já conquistou um bom espaço no Brasil, mas há um longo caminho para que as Relações Públicas deixem de ser a profissão do futuro, como constatado em pesquisas de algumas revistas, e passe ser a profissão do presente. As empresas ainda precisam melhorar a visão que tem das áreas de comunicação como um todo, tornando esse ramo mais estratégico do que operacional.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 100 anos das relações públicas no Brasil?

EN: Gostaria de lembrar que cada RP tem um papel importante na organização onde atua, independente do porte desta. É o nosso dever exercer, de forma estratégica, as atividades e habilidades pertinentes à nossa profissão, tornando-nos, assim, interlocutores entre as empresas e os seus diversos públicos.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

EN: Tive a oportunidade de ter contato com RPs de outros estados e, na troca de conhecimentos e experiências, percebi que nem todas as instituições de ensino têm a preocupação de formar profissionais que atuem de forma estratégica nas organizações, sem contar o pouco foco que estas dão a assuntos relevantes à profissão, como a comunicação integrada.

Hoje, julgo ser o principal causador desse cenário, a pouca oferta de bacharelados em Relações Públicas em outros estados e a não estruturação de um modelo de ensino que forme profissionais mais capacitados e condicionados a atuar no mercado de trabalho.

Claro que isso por si só não basta, pois, como a maioria das grandes empresas e oportunidades de emprego do país se encontram em São Paulo, muitos profissionais tem vindo de outros estados para cá, em busca de novas oportunidades de trabalho.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

EN: Para mim, a principal contribuição que a profissão deu ao país foi a mudança na visão das organizações quanto ao relacionamento destas com seus clientes e colaboradores. No passado, pouco se ouvia. Hoje, a nossa profissão fornece ferramentas para que isso ocorra e, a partir daí, sejam traçados planos de comunicação, internos e externos, que atinjam com maior eficiência o público-alvo da organização.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

EN: Conheço muitos profissionais que escolheram a área de humanas, pois não tinham afinidade com os números. Eu, pelo contrário, sempre tive facilidade com a matemática, mas, foi o contato com uma profissional de Relações Públicas que me tirou do caminho da área de Ciências da Computação. Fabiana Moreira, formada pela Cásper Líbero, me introduziu ao mundo dos RPs. No início, tive mais contato com a área de eventos, que foi a minha primeira área de interesse enquanto RP, mas, após iniciar a faculdade, vi o quão vasta é a área de Relações Públicas. Entre tantas dúvidas, tive uma única certeza, a de que seria com base nessa profissão que eu construiria a minha carreira.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

EN: Há um tempo, eu acreditava ser a área de assessoria de imprensa, mas, com o advento da tecnologia, é incontestável a expansão das atividades de Relações Públicas por meio das redes sociais. Muitas empresas têm usado páginas e perfis para fazer a divulgação de produtos, como também fortalecer a marca e o relacionamento com os clientes. Um bom exemplo foi a Copa do Mundo, onde grandes empresas, de diferentes setores, trabalharam com maestria suas marcas e produtos, mesmo que as vezes não tivessem nenhuma relação com futebol.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

EN: Acredito que o maior desafio que tivemos no primeiro centenário foi a necessidade de explicar ao mercado o que o profissional de Relações Públicas fazia e a importância que as nossas atividades tinham nas organizações. Agora, passada essa fase, vejo que devemos nos preocupar em consolidar essa visão e batalhar pelos direitos da categoria, sempre procurando beneficiar as organizações, a comunidade e as Relações Públicas.

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