028 – RP escreve a sua história com Márcia Carvalhal

rp-facebookHoje no “RP escreve a sua história” recebemos Márcia Carvalhal, que é Doutoranda em Educação; mestre em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social; pós-graduada em Educação Superior e Novas Tecnologias; graduada em Relações Públicas; pesquisadora da área de cibercultura vinculado ao CNPq, desde 2006.

Professora do MBA em Mídias Sociais e do curso de pós-graduação Gestão Estratégica em Relações Públicas da Faculdade Batista Brasileira (FBB); professora do cursos de pós-graduação em Comunicação e Marketing da Faculdade Juvêncio Terra (FJT).

Atualmente é secretária geral da Associação Latino-Americana de Relações Públicas (ALARP-Brasil), membro do Conselho de Relações Públicas do Centro Interamericano de Comunicação (CIC) e membro associado da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM). Conferencista internacional com mais de 100 conferências e palestras realizadas em 9 países da Europa, América Latina e Caribe.

 

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

A princípio eu não escolhi. Acredito que as Relações Públicas me escolheram como porta-voz para difundir essa atividade de grande valor.

Quando entrei na faculdade não tinha muita noção do que iria conhecer e aprender estudando Relações Públicas. Optei por RP por ser um curso na área de comunicação, mas sem um amplo entendimento sobre o que eram as Relações Públicas e como iria atuar como profissional da área. Logo que iniciei, compreendi a importância da atividade para as empresas, considerando o contexto de mundo que nos encontramos, e que os ensinamentos que teria no curso, serviriam, não somente para a minha vida profissional, mas também para a vida pessoal. Como sempre digo, Relações Públicas é mais que uma profissão, é uma filosofia que, depois que a incorporamos, sempre permeará todas as ações da nossa vida.marcia-foto-divulgacao

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Excelente e em franca expansão. É uma atividade fundamental para o bom funcionamento das organizações e para a sua permanência no mercado, dada à importância cada vez maior de se criar e manter relacionamentos no mundo em que vivemos. É preciso apenas ter cuidado com os profissionais que se formam, por exemplo, alertá-los de que o mercado é seletivo e não tem espaço para curiosos e sim para profissionais competentes.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

No primeiro semestre da faculdade, me apresentaram o livro “Relações Públicas: Função Política”, do professor Roberto Porto Simões, profissional que tive a honra de conhecer pessoalmente e conviver em alguns momentos. Uma fonte enorme de inspiração.

Além dele, tive excelentes professores como Henrique Wendhausen, que atualmente leciona na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Durante a graduação, ele me apresentou as obras, vídeos e documentários dos principais autores da nossa área. Em um deles, vi Vera Giangrande, com toda a sua eloquência. Confesso que fiquei impressionada.

Em 2009, quando montei, junto com Marcello Chamusca, a grade de professores do curso de Especialização Gestão Estratégica em Relações Públicas (EGERP), em Salvador, selecionei um corpo docente de professores de renome na área, os principais autores e pesquisadores do Brasil, que são, e sempre serão, minhas fontes de inspiração. Na lista, tínhamos nome como o próprio Roberto Porto Simões, Margarida Kunsch, Fábio França, Maria Aparecida Ferrari, Cicília Peruzzo, Cleuza Cesca, Luiz Alberto de Farias, Rudimar Baldissera, Claudia Moura, entre outros grandes mestres brasileiros na área. Um curso que me dá muito orgulho de ter ajudado a tornar realidade.

Mas chamo atenção para um nome em especial, que além de ser um excelente relações-públicas, me inspira diariamente e é o amor da minha vida: Marcello Chamusca. Construí e construo a minha história nas Relações Públicas sempre junto com ele.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil. Para você, a profissão é valorizada como deveria?

A minha percepção é de que ela já é bastante valorizada e se torna cada vez mais a cada dia. O problema, no meu entendimento, não está na profissão e sim em alguns profissionais que não têm competência para exercer a profissão, não admitem as suas incapacidades e colocam a culpa no mercado ou na profissão que escolheu. Difundem essa inverdade de mercado retraído para os estudantes e contribuem para que uma profissão tão essencial seja tida como profissão de segunda categoria. O fato é que as Relações Públicas precisam de excelentes profissionais, que sejam capazes e valorizem e mostrem o seu valor.

Confesso que me sinto muito feliz em saber que dei a minha parcela de contribuição para a valorização da profissão e a postura mais otimista dos estudantes e jovens profissionais, quando realizamos a maior campanha de valorização da profissão que esse país já viu nos anos de 2006 e 2007. Movimentamos esse país como nunca se tinha feito e conseguimos fomentar uma postura proativa em toda a categoria nessa época. Acredito que foi um marco histórico na nossa profissão e tenho muito orgulho de ter sido uma das coordenadoras dessa campanha.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Que os estudantes e profissionais de Relações Públicas do futuro deixem de choramingar e busquem uma postura de profissional de primeira linha, que de fato somos. O que falávamos em 2006 e 2007 na campanha nacional de valorização da profissão de relações públicas do Portal RP-Bahia: não somos os patinhos feios da comunicação e sim os cisnes. Ainda hoje vale ressaltar este conceito, mas espero que não seja preciso mais repetirmos isso no futuro. Vamos trabalhar e mostrar o valor da nossa profissão com ações e intervenções práticas na realidade.

Para os bons profissionais de Relações Públicas digo: PARABÉNS, VOCÊS ESCOLHERAM A MELHOR PROFISSÃO DO MUNDO.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Não consigo ver essa dificuldade. No Nordeste, por exemplo, que, em tese, existiria um mercado em retração, enxergo muitas oportunidades de trabalho. Nos eventos que participei, nas aulas que ministro, enfim, nos lugares por onde tenho passado, sempre mostrei diversos nichos de mercado que o relações-públicas pode atuar e muitas vezes não são percebidos.

A questão é que, muitas vezes, o profissional quer que o emprego “bata à sua porta”. E por não ter uma postura proativa, começa a difundir que não tem mercado para atuar, que está difícil, e outras palavras negativas. Para esse perfil de pessoa, tenho que dizer: Levante a cabeça e vá trabalhar, porque emprego com carteira assinada pode ser mais difícil, mas trabalho é o que não falta.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Há grandes contribuições. Muitas no campo acadêmico dadas por esses mestres que já comentei numa das respostas acima. Muitas no campo profissional, como o caso de Vera Giangrande, que também já comentei. Mas acredito que posso citar como uma das contribuições, sem nenhuma falsa modéstia, a Campanha Nacional de Valorização da Profissão de Relações Públicas que Marcello Chamusca e eu, através do Portal RP-Bahia, iniciamos, ainda como estudantes, e que aconteceram nos anos de 2006 e 2007. Tenho plena convicção de que toda aquela movimentação que realizamos nesse país durante dois anos não foi em vão. Conseguimos intervir no curso da história, mudando o ciclo negativo, quase generalizado que havia nessa época, para uma postura proativa e de orgulho pela profissão que vemos hoje no ambiente da nossa profissão. O slogan da nossa campanha era: Relações Públicas: mais que uma profissão, uma causa, um caso de amor.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

Como disse, não escolhi as Relações Públicas, as Relações Públicas me escolheram. Entrei na faculdade sem saber exatamente o que estava fazendo e em menos de um semestre me tornei militante da profissão. A proposta de valorizar uma profissão que já tinha e tem muito valor nunca saiu da minha cabeça, mesmo percebendo que alguns estudantes e profissionais não perdiam a oportunidade de desvalorizá-la, colocando as suas incompetências nas “costas” da profissão.

Listo alguns momentos da minha história, que acredito que são relevantes, em que de alguma forma entendo que contribui para o fortalecimento da nossa profissão no nosso país:

– Criação o Portal RP-Bahia, em 2003, que já foi o portal da área mais visitado da América Latina, já ganhou dois prêmios internacionais e tem 11 anos de existência.

– O desenvolvimento da Campanha Nacional de Valorização da profissão de Relações Públicas, que certamente foi a maior e mais significativa campanha de valorização da profissão que esse país já viu acontecer, que lançou livros, realizou movimentos coletivos, ações de intervenção de grande porte como o Prêmio Relações Públicas do Brasil, que teve 8 edições e fazia parte do programa oficial do maior e mais importante congresso de comunicação do Brasil, o Intercom, além de ter sido eternizada através de dois capítulos do livro História das Relações Públicas, organizado pela professora Claudia Moura, da PUCRS.

– O Prêmio Relações Públicas do Brasil – que começou como uma ação da campanha e depois se tornou uma ação permanente de valorização da profissão no Brasil.

– O curso de Especialização Gestão Estratégica em Relações Públicas (EGERP), em Salvador/BA, que reúne os mais importantes professores da área no Brasil, conforme já falei anteriormente.

– Publicação de livros sobre a área: o mais significativo é certamente o Relações Públicas Digitais, que organizei em coautoria com Marcello Chamusca e que é hoje um dos livros citados em trabalhos acadêmicos em todo o Brasil.

– Palestras e conferências no Brasil e no exterior sobre Relações Públicas – já são mais de 100 conferências internacionais realizadas.

Entendo que ainda tenho muito mais a contribuir. No momento estamos organizando o Congresso da ALARP (Associação Latino-americana de Relações Públicas), que tem a pretensão de ser o maior e mais representativo congresso, em 100 anos de história. Com certeza será mais um momento importante da história da nossa profissão que escreveremos juntos e tenho convicção que será um ganho em termos de valorização da nossa profissão.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Todas as áreas de atuação são promissoras, mas uma área que percebo que está se expandindo muito para a atuação das Relações Públicas é na área de saúde, com a ampliação de clínicas, laboratórios e hospitais.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

No futuro, com a ampliação do entendimento de que Relações Públicas também depende dos seus profissionais, que precisam ser cada vez mais competentes e conscientes de suas funções, proativos e que valorizem a profissão que escolheu para atuar, o panorama para o segundo centenário brasileiro estará em alto nível.

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