031 – RP escreve a sua história com Carolina Modesto

rp-facebookCarolina é paulistana, recém-formada em Relações Públicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e técnica em Administração de Empresas pela ETESP. Em 2012, estudou Relações Internacionais no intercâmbio acadêmico que fez para o Chile e se apaixonou pelo mundo. Realizou estágios em empresas como Itaú e Hasbro do Brasil e durante um ano e meio foi estagiária da Abrapcorp, atuando também como membro da equipe editorial da Revista Organicom.

Atualmente, é assistente de eventos da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), “volunteacher” na ONG “Cidadão Pró-Mundo” e membro da rede de jovens transformadores da Fundação Estudar.
VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Eu me identificava com a área de comunicação social e quando procurei conhecer mais sobre as Relações Públicas, li sobre as atividades e consegui me visualizar na profissão. Naquele momento de dúvidas, foi um bom sinal, e depois de conversar com estudantes e profissionais da área, tomei a decisão.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?Foto_Carol Modesto_Entrevista_VersátilRP

Cenários são sempre instáveis e dinâmicos, mas vejo amadurecimento e crescimento da profissão, tanto quando falamos de melhorias curriculares e acadêmicas, quanto em mais oportunidades no mercado de trabalho. Contudo, a necessidade de “auto-afirmação” do RP ainda é um “calcanhar de Aquiles”, e isso, por vezes, desmotiva e precisa ser superado. Pode parecer irônico, mas ainda temos o desafio de melhorar a gestão da marca “RP”, trabalhando, paralelamente, em melhorias contínuas no ensino, para que essa “marca” não se sustente sobre bases frágeis e que seja honesta e condizente com a realidade.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

Sou recém-formada e estou construindo a minha trajetória profissional. No entanto, ao longo dos meus anos de faculdade na ECA e pela experiência de trabalho que tive a oportunidade de viver e ainda estou vivendo, posso dizer que grande parte dos meus professores e chefes foram pessoas inspiradoras e maravilhosas que muito me ensinaram por meio dos seus próprios exemplos. Os admiro e agradeço muito a todos.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

“Ser valorizado” é algo muito subjetivo e relativo. Para mim, ser valorizado pode ser simplesmente receber um elogio sincero, enquanto para outra pessoa pode ser um aumento de salário ou receber alguns dias de folga para investir em qualidade de vida. No caso de uma profissão, entidades representativas sérias, trabalham muito para fazer ressoar a voz da maioria referente a diferentes temas e demandas, bem como para inovar e fazê-la crescer. No caso das Relações Públicas, muito já foi conquistado em 100 anos e, hoje, vemos o reconhecimento de boas práticas que demonstram a importância da profissão e que, consequentemente, contribuem agregando valor a ela.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Uma mensagem eterna inspirada em Gandhi “Seja a mudança que você quer ser no mundo”. Boas pessoas fazem boas profissões. O mesmo quando falamos de eficiência e capacidade. Espero que a cada ano o mundo tenha profissionais interessados, preparados e cada vez mais pró-ativos no sentido de atuarem como agentes de mudança em seu entorno, causando impactos positivos para a sociedade.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Vemos que há muitas lideranças de relações públicas em outros Estados do Brasil, no entanto, essas pessoas se deslocam para o Sudeste, pois é onde está o principal eixo econômico do país. Talvez o desafio seja construir parcerias nacionais e locais capazes de mobilizar o maior número de profissionais interessados em atuar localmente, e realizar ações de impacto que gerem o caminho inverso e atraindo pessoas de outros Estados para as suas respectivas casas. É um trabalho árduo e de longo prazo, mas cheio de oportunidades.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Profissões estão sempre se adaptando aos cenários históricos, políticos, sociais, culturais e econômicos do país. Sendo assim, imersa na realidade do Brasil, vejo que ao longo de sua trajetória, as Relações Públicas contribuíram com o fortalecimento de muitas instituições públicas e privadas, uma vez que por meio da ética e democracia, visam planejar e administrar a comunicação a fim de ampliar a escuta e participação dos diversos públicos de relacionamento. Ouvimos muitas teorias de “negociação e harmonização” que podem soar utópicas, no entanto, vemos profissionais que fazem isso realidade, ou seja, trabalham na construção de pontes de relacionamento, olhando para o “outro”. Esse é um ganho que extrapola fronteiras organizacionais, pois é benéfica para o crescimento dos brasileiros, logo, da sociedade.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

No final do ensino médio, quando estava para decidir o que eu iria prestar no vestibular, estava em dúvida se seria Administração ou Relações Públicas. No ano seguinte, fiz um curso técnico de administração junto com o cursinho pré-vestibular e, ao final, decidi que gostaria de seguir me desenvolvendo no campo da gestão, porém na gestão de pessoas, relacionamentos e comunicação. Ao pesquisar sobre o curso de Relações Públicas, vi que seria possível trabalhar nesse sentido, bem como ter oportunidades valiosas de aprendizados humanos, pois o currículo do curso abarca muitas disciplinas interessantíssimas das ciências sociais e ciências da comunicação. Por ter uma natureza múltipla, assim como o curso que é oferecido na ECA, me imaginei atuando e tomei a minha decisão. Logo vi, que a vivência na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com os amigos, funcionários, professores e as oportunidades que lá tive, é que foram os grandes mestres da minha graduação. Sou grata a todos eles e, nessa oportunidade, deixo mais uma vez o meu sincero “muito obrigada”.

Hoje, sou recém-formada, trabalho na área (atualmente trabalho na área de eventos da Aberje – Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), e sigo no percurso de aprendizado que a vida e o trabalho nos mostram diariamente, mas sempre com amor e alegria. Essa é a mensagem que quero deixar e também desejo que outras pessoas deixem nos lugares por onde passam.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

A área de comunicação digital/mídias sociais é a bola da vez e acredito que seguirá sendo um bom nicho de mercado para os profissionais de Relações Públicas. A área de relações governamentais, responsabilidade social e organização de grandes eventos também são promissoras, na minha opinião.

VRP: Qual a importância de associações, como a Aberje, para aprimorar as Relações Públicas no país?

A Aberje é uma associação que tem a comunicação como causa. Sua importância para a área está no fato de sempre buscar realizar ações, cursos, eventos e periódicos que sejam adequados com o que está sendo discutido, buscando também inovar com conteúdos que as pessoas demandam que sejam discutidos para os seus próprios crescimentos e para o crescimento das organizações em que trabalham.

É uma grande rede de conhecimento, científica e profissional, que trabalha por essa causa. Se os comunicadores estão bem informados, bem relacionados e qualificados, o trabalho se torna muito mais motivador, excelente, exemplar e precisa ser reconhecido. Com este objetivo, existe o prêmio Aberje, que reconhece as melhores práticas de comunicação empresarial, e também o Centro de Memória e Referência, que cuida de todas essas histórias, ações e narrativas. Dessa forma, a Aberje segue cumprindo a sua missão e o seu papel social, sendo “a casa do comunicador”, pois está de portas abertas para receber todos que estiverem interessados.

VRP: Qual mensagem você diria para quem está iniciando no curso de Relações Públicas e para os recém formados na área?

Eu diria que sigam firmes em seus propósitos de vida e propósitos profissionais, buscando serem, acima de tudo, bons exemplos e bons líderes. Para isso é necessário ter humildade para aprender e servir sempre, dedicação para se aprimorar e ter sonhos grandes para seguir em frente.

Sejam luz e, mais uma vez, sejam a mudança que vocês querem ver no mundo. Pequenas ações podem transformar a vida de muitas pessoas e nós, como relações públicas, podemos ajudar a fazer essa diferença. Independente da atividade da área de que te faça feliz (mesmo se você já saiba qual seja ela ou não) não tenha medo de tentar, mudar e, principalmente, aprender com amor, ética e dedicação.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Acredito que a profissão seguirá dinâmica, desenvolvida, viva e atuante. Espero que lá na frente as pessoas olhem para trás apenas para aprender com os nossos erros e se inspirarem nos bons valores e práticas.

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