049 – RP escreve a sua história com Bruna de Paula

rp-facebookA nossa convidada de hoje é Bruna de Paula, graduada em Relações Públicas pela FAPCOM (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação), possui oito anos de experiência em empresas multinacionais, consultorias e organizações do terceiro setor nas áreas de Relacionamento Institucional, Comunicação e Responsabilidade Social. Desenvolveu trabalhos com relacionamento e gestão de parcerias com diversos públicos: colaboradores, clientes, parceiros e ONGs.

Sua última experiência profissional foi na Lynx Consultoria, momento em que foi responsável pelo planejamento e implementação do programa Jovens de Responsa da Ambev, em parceria com 23 Organizações Sociais em 6 estados do país.

Parabéns, Bruna, você é uma #RPdeResponsa 😉

 

VersátilRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Bruna de Paula: Sempre gostei de pessoas e minhas primeiras experiências profissionais foram Foto Entrevista Bruna de Paulavoltadas para o atendimento ao cliente. Lembro que terminei o ensino médio, comecei a trabalhar e, nessa época, já queria ser, e atuava como, RP, mesmo sem saber. Valorizava que o cliente fosse ouvido e que ele compreendesse os processos e serviços que recebia. Entendia que assim era possível abrir um canal de diálogo, fortalecer a comunicação, logo, estabelecer uma parceria sólida que a fidelização vinha como consequência. Depois na época de cursinho, passei a conhecer melhor o papel de um profissional de RP e vi que era isso que desejava pra mim, contribuir para que as relações organizacionais sejam humanizadas e que agreguem valor para todos os envolvidos.

VRP: Qual o seu campo e empresa de atuação?

BP: Minha última experiência foi com Responsabilidade Social Corporativa. Atuei por 3 anos e meio numa Consultoria de Responsabilidade Socioambiental, na qual participei do planejamento, monitoramento e avaliação de projetos sociais em parceria com 23 ONGs em 6 estados do país para inibir o consumo de bebidas alcoólicas por jovens, menores de 18 anos. Foi uma experiência bem rica, pois buscamos alinhar o investimento social do cliente (Ambev, indústria fabricante de bebidas) a sua estratégia de negócios que visam a promoção e estímulo ao consumo responsável, por meio de um programa com diversas frentes, iniciativas e públicos impactados.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das Relações Públicas?

BP: Acho que temos um mercado amplo e promissor, o Brasil está em evidência, estamos produzindo grandes eventos, há um mercado potencial de RP 2.0 para explorar, assim como ás áreas de prevenção e gestão de crises também voltada para a gestão de imagem e reputação via web, que acredito que seja a área que teremos maior crescimento e demanda nos próximos tempos.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser relações-públicas?

BP: Não tenho uma pessoa só como fonte de inspiração. As relações que estabelecemos com elas me inspiram. Acredito que a riqueza está no diálogo, troca de aprendizados e experiências, na conciliação dos interesses e na construção de relacionamentos benéficos e harmoniosos.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

BP: Não, acho que pecamos na nossa própria comunicação, em 100 anos não conseguimos construir a nossa imagem, as pessoas ainda não sabem o papel de um profissional de Relações Públicas, o que faz e o que o diferencia de um jornalista ou de um publicitário, que por muitas vezes atuam em áreas relacionadas às Relações Públicas como Assessoria de Imprensa, Eventos, Cerimonial e Protocolo. Acredito que devemos investir em campanhas, eventos para esclarecer mais sobre a profissão, pois o desconhecimento também limita o crescimento de profissionais na área.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

BP: Acho que este cenário acompanha a realidade econômica do país, a região Sudeste concentra a maior parte das empresas e das áreas corporativas, logo as vagas oferecidas para os RPs também se concentram nessa região. Todavia, acredito que as grandes corporações, que possuem atuação nacional e em demais regiões do país, pecam em não investir em estratégias corporativas locais e acabam deslocando os profissionais da região Sudeste para atuar em outros locais. É uma lógica que precisa ser revista, o argumento é que falta mão de obra qualificada e, mesmo que seja verdade, o ideal é investir em mão de obra local, pois a curto prazo o custo/benefício compensaria, visto que há diferenças regionais, culturais e da própria lógica mercadológica que se perde ao não ter um profissional nativo da região, atuando na estratégia corporativa.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

BP: Acho que a principal foi possibilitar que as organizações conhecessem melhor os seus públicos e pudessem dialogar e atender melhor às necessidades deles. Por meio de um processo de co-criação de significados e do co-gerenciamento de culturas, as organizações passaram a estabelecer canais para ouvir seus consumidores (ouvidoria), a estabelecer canais de atendimento e até sistemas que permitam maior transparência diante de um possível erro (recall), preservando a construção da credibilidade e reputação das Instituições em prol de relações de benefício mútuo.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Qual sua maior conquista?

BP: Conclui a graduação em 2011 e acredito que a minha maior conquista e reconhecimento na área, até o momento, foi a participação no 30° prêmio da ABRP e o contato que venho tendo na minha trajetória acadêmica e profissional junto ao terceiro setor. Participei da ABRP através da agência e projeto experimental que desenvolvi com minhas amigas de faculdade ao Instituto Ecoar, ONG que atua na área de Educação Ambiental. O projeto foi premiado com o 2° lugar na categoria de Estratégia de Relacionamento com consumidores e clientes e 3° lugar na categoria Campanha de Responsabilidade Socioambiental e Sustentabilidade, o que foi super bacana, pois trata-se de um reconhecimento na base das Relações Públicas que é o relacionamento e também ficamos lisonjeadas de conseguir uma premiação na área de terceiro setor que foi o segmento que escolhemos para fazer a diferença.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

BP: Acredito que R.P 2.0, pois estamos vivendo um novo modelo de comunicação, baseado no relacionamento bidirecional, que o consumidor é ativo nas ações de comunicação. Por conta disso, tendo a achar que a comunicação corporativa, gestão de imagem/reputação voltada para a web tendem a crescer, visto que já temos muitas organizações mudando a sua lógica de investimento, trocando os meios offline para online para obter maior interação com o consumidor e possibilitar que ele vivencie uma experiência com a marca.

VRP: Qual dica você pode dar para quem está iniciando a carreira agora? E para quem ainda está em dúvida entre cursar RP?

BP: Acho que diria para quem está iniciando, pra que busque ser um especialista e não um generalista. É importante o profissional estar sempre buscando se atualizar, reciclar e saber um pouco de tudo, mas o mais importante é identificar o que tem de melhor, o que é bom e investir para ser o melhor nisso, pra não ser mais um no mercado. Já pra ser RP tem que gostar de gente e de trabalhar, ter amor e prazer em se comunicar, estar conectado com as pessoas e de não ligar em virar a noite viajando em campanhas de comunicação.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

BP: Nossa, é difícil dizer, mas acho que o consumidor será cada vez mais o patrão, que terá mais voz e que as relações serão sempre para atendê-lo.

VRP: Por fim, qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das Relações Públicas no Brasil?

BP: Acho que devemos vestir a camisa e buscar fazer o melhor em tudo o que nos propomos. Na profissão Relações Públicas não é diferente! Então, compartilho uma frase de George Bernard Shaw que me move: “Existem dois tipos de pessoas na vida: as que veem o mundo como ele é e se perguntam: Por quê?. E as que imaginam o mundo como poderia ser e se questionam: Por que não?”

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