050 – RP escreve a sua história com Maurity Cazarotti

rp-facebookMaurity Cazarotti é Relações Públicas e Publicitário formado em Uberlândia pela faculdade ESAMC. Tem especialização em Gestão de Recursos Humanos pela mesma instituição. É sócio-fundador da Inspire – Construção de Diálogos, agência de Relações Públicas, e consultor de negócios na área de projetos de marketing, comunicação e desenvolvimento de negócios.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Maurity Cazarotti: Estudei Relações Públicas por um acaso da vida. Eu fazia Publicidade e Propaganda e precisava ter créditos em outros cursos para completar a minha formação e foi assim que entrei nesse mundo. No começo eu não queria, mas, depois comecei a tomar gosto pelas disciplinas, graças aos meus amigos RPs e a uma professora que fez a diferença.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira/inspiraram a ser Relações Públicas?

Maurity Cazarotti: Tenho algumas pessoas que me inspiram. A primeira é a professora Adriana Sousa, que Foto Maurity Cazarotitem brilho nos olhos ao lecionar. Tive também um tutor, quando eu fazia meus estágios em Uberlândia, MG, chamado Marco Lara, que me mostrou o que é ter vontade de acertar e paixão pela profissão. Sou muito grato também aos meus familiares e amigos, pois todos fizeram ou, de alguma forma fazem parte da minha formação. Muita gente me ajuda a ser o profissional que busco ser, afinal de contas, não conseguimos nada sozinhos. Os RPs não me deixam mentir!

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Maurity Cazarotti: Vejo o mercado de relações públicas evoluindo a cada ano. Percebo que, cada vez mais, Relações Públicas é a novo marketing. Na minha região, ainda temos um mercado sem uma base sólida de conhecimento sobre o que fazemos. Culpa nossa? Sim! Ainda temos que ser RPs de nós mesmos e mostrarmos os benefícios que podemos proporcionar para as marcas, a sociedade e demais públicos. As oportunidades estão todas por todas as partes e precisamos aproveitar essa crescente, que chega com a necessidade de construção de diálogos pelas marcas e a oportunidade que temos com as redes sociais.

VRP: Como você vê a perspectiva de mercado para profissionais de relações públicas?

Maurity Cazarotti: Vejo muitos profissionais se formando e um mercado com gente cada vez mais nova. Seguido desse crescimento, creio que vamos ter movimentos que nos propicie ter maior visibilidade enquanto profissão de fato, principalmente com a quebra dos chamados “departamentos” da comunicação, o que traz uma força maior para o mercado de comunicação como um todo. Veremos mais ações integradas, mais gente entendendo melhor o que fazemos e, por consequência, vejo mais contratantes. (Amém).

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Maurity Cazarotti: A profissão é supervalorizada pelos profissionais e isso é muito bom! Não vejo ninguém com vergonha de falar que é RP e isso já é um grande passo. Sobre o mercado, tenho a percepção de não termos o prestígio que merecemos, digo isso, pois ainda temos muitas pessoas ocupando esse cargo sem uma formação específica, no caso, a formação em Relações Públicas. O mercado ainda não enxerga a comunicação institucional, ou de relacionamento, ou em redes, como um investimento necessário (ainda são poucos), ao contrário do que ocorre na publicidade, porém, estamos chegando lá e eu tenho certeza de que seremos grandes transformadores do mercado de comunicação.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Maurity Cazarotti: A maior dificuldade, sem dúvida, no que diz respeito à empregabilidade de bons profissionais de comunicação fora do eixo Sudeste, é o baixo investimento em comunicação nas demais regiões. As grandes empresas, comércios e indústrias, ainda estão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e demais estados que formam a região. Outro fator é a própria formação desses profissionais. Em muitos locais, ainda não temos um grande número de relações públicas formados fazendo com que tenhamos uma substituição da mão de obra por profissionais de outras áreas, como publicitários, jornalistas e administradores, por exemplo. O último fator que inibe o crescimento da área são as oportunidades que os profissionais do eixo Sudeste encontram, o que impossibilita uma mudança de ares.

VRP: O que você acha que poderia ser melhorado na grade curricular do curso?

Maurity Cazarotti: Na minha humilde opinião (e vivência de academia), creio que mais do que propor uma separação entre as matérias de publicidade ou jornalismo, desde o início do curso, a bolha que deve ser estourada é a da prática. Temos uma imensa grade teórica nos nossos cursos de Relações Públicas e uma pequena parcela de aulas que contemplem vivência. Temos muitos professores sem experiência específica lecionando disciplinas de RP e um direcionamento míope para que o aluno se torne um profissional completo deixando a cargo do próprio aluno essa busca (o que também não é ruim, mas, ajudaria se tivéssemos um norte).

VRP: Os futuros profissionais de Relações Públicas estão preparados para se adaptar as novas tecnologias e utiliza-las a seu favor? Onde as redes sociais se encaixam na estratégia de um plano de “RP”?

Maurity Cazarotti: O profissional que está se formando, precisa estar preparado para utilizar novas tecnologias. Essa é uma verdade absoluta! Sempre digo que esse novo RP está acostumado, mesmo antes de ser um RP, com esse novo mundo de tecnologias e, por consequência, está apto a utilizar tudo ao seu favor. Sobre a estratégia contemplar redes sociais, posso dizer uma frase que sempre via em um blog de amigos RPs, que dizia mais ou menos assim: “onde existe público, existe relações públicas”.

VRP:  Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Maurity Cazarotti: “RP continue trabalhando!”

Acho que essa mensagem se revigora por si só!

VRP:  As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Maurity Cazarotti: Relações Públicas é uma das profissões mais promissoras nessa década. Já ajudamos muitas marcas a mudarem percepções, melhoramos fluxos de comunicação interna, fizemos muitos releases para imprensa, mas, a maior contribuição da profissão para este país, sem dúvida, é o lado humano e responsável que trazemos para as nossas relações. Temos a capacidade de tornar mútuo o sentimento de ajuda, colaboração, solidariedade, entre outros tantos sentimentos, pois somos contadores de boas histórias (storytelling), somos figuras importantes para a construção de identidades, de quem quer que seja. Somos contribuintes, não somente de impostos, mas, de mudança em comunidades, cidades inteiras. Somos case de sucesso!

VRP:  Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Maurity Cazarotti: A área que eu vejo mais promissora em curto prazo é a de comunicação nas redes sociais. O motivo é quase que óbvio, mas, asseguro que com essa ferramenta nas mãos de RPs profissionais, capacitados e criativos podemos ter ações que sejam, cada vez mais, colaborativas e engajadoras.

VRP:  Como o Relações Públicas, usando as próprias estratégias de “RP” pode fazer com que a profissão ganhe cada vez mais espaço e reconhecimento, para que se torne tão popular como os profissionais de Publicidade e Jornalismo?

Maurity Cazarotti: Relações Públicas se faz com pequenas ações, mas só são colaborativas, ativas de um modo geral, se feitas de maneira positiva, com verdade, espírito de ajuda aos que estão começando e busca de conhecimento junto aos mais experientes. Devemos exterminar a ideia de concorrência entre profissionais. As marcas são concorrentes, nós não! Precisamos nos juntar pra fazer mais e melhor, só assim, seremos populares, nas academias, nas empresas e no mercado.

VRP:  Qual mensagem você diria para quem está iniciando no curso de Relações Públicas e para os recém formados na área?

Maurity Cazarotti: Já fui perguntado uma outra vez e repito que a principal mensagem que tenho para os estudantes de Relações Públicas é que continuem estudando, se preparando para os desafios e que todos nós, estudantes, possamos tratar as práticas que aprendemos na academia de maneira positiva, sem depreciar a profissão e os colegas. Façam desde sempre um trabalho de RP dentro de casa, com os pais, irmãos, avós… para que quando alguém perguntar para eles o que você faz, eles saibam responder!

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Maurity Cazarotti: Estaremos todos de pé. Vamos aplaudir nossos amigos RPs em mais premiações, seja em Cannes ou em qualquer outro lugar. Não deixaremos mais, publicitários, jornalistas ou administradores levarem nosso boné para qualquer lugar. O boné é nosso e nós devemos vestir! No segundo centenário, ou até mesmo antes, seremos reconhecidos pelos nossos pais e avós como Relações Públicas e não como jornalistas, fazedores de matérias para jornais da cidade ou algo parecido. O panorama será nosso! Afinal de contas, quem sabe faz a hora!

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s