052 – RP escreve a sua história com Manoel Marcondes Machado Neto

rp-facebookManoel Marcondes Machado Neto, 56 anos, natural de São Paulo, capital, relações-públicas formado em 1981 pelo Instituto de Psicologia e Comunicação Social da UERJ, professor universitário e diretor-presidente do Observatório da Comunicação Institucional (OCI).

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Quando entrei para a UERJ, precisava estudar à noite. Escolhi Comunicação no vestibular. No ano anterior havia entrado para a UFRJ, mas o curso era de tempo integral. Naquele tempo estudava-se dois anos para depois escolher a habilitação. Na UFRJ eu tinha vontade de seguir Propaganda, mas abandonei- não tendo me identificado com a abordagem. Na UERJ havia apenas Relações Públicas. Estudei o ciclo básico, e no ciclo profissionalizante a área “me pegou”.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Muito promissor. As pessoas – e as organizações – simplesmente resolveram se relacionar… e em público! Marcondes Neto PB para Versátil RPNão há, pois, outra área mais antenada e cheia de oportunidades porque focada justamente em públicos e em relacionamento.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiraram em Relações Públicas?

Roberto Porto Simões como professor e Vera Giangrande como profissional.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Não, mas há avanços notáveis. Em toda a minha carreira profissional (29 anos), nunca vi um momento tão favorável como este.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

A formação de pessoas dispostas ao diálogo e especializadas na construção desse tipo de “pontes”. Mesmo nas quadras mais difíceis do país, com as ditaduras militares de Getúlio Vargas e de 1964, sempre houve gente de boa vontade querendo o ideal que inspirou os nossos fundadores.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

A dificuldade da nossa área advém da sofisticação dela. Poucas nações têm ambientes propícios ao livre pensar, livre comunicação, imprensa diversa, população educada. Penso sempre que, embora, brasileiro, escolhi a formação numa especialidade sueca – a de “ombudsman”. Aqui, relações-públicas.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Crescente. No Rio de Janeiro, com o crescimento econômico e o retorno da industrialização, estão surgindo postos de trabalho que podem muito bem ser ocupados por pessoas formadas em Relações Públicas.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como iniciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Manoel Marcondes Neto FOTO 49Sou professor de Relações Públicas. Este é e foi o meu viés profissional. Como tal, meus maiores “feitos” foram: (1) O doutoramento na USP, na linha de pesquisa “Comunicação institucional: políticas e processos, sob a orientação de Margarida Kunsch; (2) A publicação de minha tese de doutorado em livro (2002); (3) A criação de um website também fruto da tese (1999): marketing-e-cultura.com.br); (4) Uma campanha de relacionamento com a área de RH empreendida em 2002, na UERJ; (5) A revisão técnica e a publicação de um livro de meu querido professor – pioneiro das Relações Públicas e do Marketing no Brasil, Manoel Maria de Vasconcellos (2006); (6) A publicação de um livro que aproxima RP da Administração (2008); (7) A atuação como secretário-geral no Conrerp1 (201-2012); (8) A publicação de um livro (acompanhado de vídeos informativos e website: rrpp.com.br) dirigidos ao pequeno e ao médio empreendedor, desmistificando a atividade (2012) – o que me rendeu o reconhecimento de “profissional do ano” pelo RP-Bahia; (9) A criação do O.C.I. (2013); (10) A produção do documentário “1 jornalista 10 errepês 100 anos” (2014); (11) A coordenação da primeira pesquisa OCI: Leitura Informal do Discurso Institucional dos Partidos Políticos Brasileiros (2014); e (12) A produção, em parceria com Marcelo Ficher” do livro “2014 – Cem Anos de Relações Públicas no Brasil”.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

São duas: (1) o terceiro setor: porque é o que mais cresce e as organizações demandam a criação e a manutenção de uma face e uma voz, públicas; (2) a pessoa física: como acontece nos países mais desenvolvidos, pessoas necessitadas de divulgação e gestão de carreira e reputação cada vez se dão conta da necessidade de orientação profissional.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Olho com otimismo porque acredito que o país se civiliza cada vez mais. Nossa atividade é sofisticada. Beneficia-se, pois, dos processos de crescimento e desenvolvimento econômico, social e humano. É difícil fazer conviver práticas refinadas de governança com índices de IDH muito baixos. Este desafio é do país e não de nossa área, especificamente. Se o Brasil deslanchar, deslanchamos junto.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Sou contra pelas razões que apontei acima. Se somos cada vez mais necessários, por que, justamente agora, abrir mão de termos uma profissão regulamentada?

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Totalmente. Aliás, a profissão nasceu “liberal”. A rigor, um relações-públicas empregado fica limitado para criticar as práticas que condena, eticamente. O ideal é a atuação como profissional liberal, consultor externo.

VRP: Qual mensagem deixa para os estudantes e recém-formados em Relações Públicas?

Deixem fluir, para fora de vocês, a paixão que têm pela sua escolha de formação. Esta atitude os fará sedutores, irresistíveis e permitirá que durmam o sono dos justos (que pregam a harmonia), sonhem muito e voem alto, elevando – com vocês – o nível social e humano das organizações que os acolherem.

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