057 – RP escreve a sua história com Josie Sodi

rp-facebookJosie Sodi é Relações Públicas pela Universidade do Estado da Bahia desde 2008 e iniciou sua carreira estagiando na Assessoria de Comunicação da própria universidade. Em seu currículo, a RP de hoje na série “RP escreve sua história” tem assessoria de imprensa, monitoria de comunicação para congressos, redes sociais e planejamento, atuando no Fórum Social Mundial Temático Bahia e Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Atualmente, ela é Diretora de Comunicação da Cia Beluna de Arte.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

JS: Na verdade eu não escolhi RP de primeira, mesmo porque eu nem sabia que existia esse curso. Meu sonho era ser jornalista, fazer telejornal, mas quando fui fazer o primeiro vestibular em 2001 vi que só a UFBA tinha Jornalismo e que o curso de Comunicação da UNEB era RP. No final das contas, por ter vindo de escola pública e não ter tido uma base muito boa, naquele ano e no seguinte acabei prestando vestibular para outros cursos de Humanas e só arrisquei Comunicação em 2003, após um curso pré-vestibular extensivo, tendo sido aprovada na UNEB.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das Relações Públicas?

JS: Olha, apesar da evolução verificada nos últimos dez anos, ainda há muito desconhecimento e preconceitoJosie Sodi com as Relações Públicas. Tem gente que se prende a um estereótipo da profissão, acha que não precisa fazer faculdade, basta ser “bonitinho e antenado” que já serve – e isso é mostrado até em novelas. Inclusive há um tempo atrás a Anatel lançou um concurso onde entre os cargos havia o de “Técnico Administrativo – Especialidade Comunicação” em que eram cobrados conhecimentos típicos de uma graduação em RP e as atribuições eram de um profissional da área; a surpresa era que o cargo era de nível médio! Concluí que para a Anatel é desnecessário passar quatro anos em uma faculdade para desempenhar funções de RP, basta apenas o antigo 2º grau. Isso é frustrante e bastante desanimador, pois parte de um órgão federal cujo área de atuação é justamente a comunicação. E o pior é ver a inação e/ou leniência dos Conselhos Regionais e Federais.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

JS: Bom, é claro que todos aqueles cases de sucesso que vemos na faculdade acabam incentivando muito, mas quem me mostrou na prática que é possível e recompensador atuar na área foi Josenildes Oliveira, a RP da Assessoria de Comunicação da UNEB. No ano em que estagiei lá aprendi muito com ela e pude enfim decidir em que campo atuaria, ao vivenciar o cotidiano de uma assessoria. Além dela, o desenvolvimento do trabalho dos meus colegas de faculdade me anima a continuar.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

JS: Não. Ainda falta muito para que entendam que um profissional de Relações Públicas desempenha uma função estratégica na organização, seja no planejamento, na assessoria e/ou no trato com o público interno e externo. Me revolta saber que ainda há quem veja a profissão como foi retratada pela Revista Marie Claire, em fevereiro de 2005, na reportagem “Malandragem de Luxo”. É humilhante.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 100 anos das Relações Públicas no Brasil?

JS: Foco, força e fé. Brincadeira, acredito que devemos persistir no fazer das RP, sem hesitar em demonstrar o nosso valor, o quanto somos fundamentais nas organizações. Aos poucos conseguiremos desconstruir os conceitos negativos que ainda existem e desestimular a apropriação indevida sobre o fazer e a profissão.

VRP:  Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

JS: O desconhecimento e os estereótipos. Por outro lado, é muito comum ver jornalistas, publicitários e profissionais de Marketing desempenhando funções de RP, em um duelo eterno das habilitações da Comunicação. Acredito que enquanto não reconhecerem o quão fundamental a profissão é para as empresas e que, não, não é “qualquer um” que pode exercer o cargo, pois é necessário conhecimento específico na área, não avançaremos.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

JS: A formação de profissionais com uma visão holística da Comunicação, prontos para salvaguardar a imagem externa do país e promover novas perspectivas socioculturais internamente. Em cem anos o olhar do mundo em relação ao Brasil mudou muito e para melhor. Deixamos de ser um país de selvagens, epicentro das mulatas e do futebol e passamos a ser vistos como uma nação séria, com marcas e instituições reconhecidas internacionalmente. Precisamos avançar ainda mais, mostrar que o jeitinho brasileiro é menos malandragem e mais realizar o máximo com o que se tem nas condições disponíveis, com qualidade e excelência.

VRP:  Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão.

JS: Como eu falei anteriormente, eu meio que “caí de paraquedas” nas Relações Públicas. Sonhava com jornalismo, mas acabei me identificando com a profissão e hoje não consigo me imaginar fazendo outra coisa – e a maior prova disso é que sempre dava um jeito de atuar como RP mesmo quando trabalhava em funções totalmente distantes da Comunicação. Meu primeiro trabalho na área foi como estagiária na Assessoria de Comunicação da Universidade do Estado da Bahia, onde fiquei durante um ano. Logo após atuei como repórter de campo da Assessoria de Comunicação da II Conferência de Intelectuais da África e Diáspora – II CIAD. Já bacharel, fiz alguns freelas de assessoria de imprensa, monitoria de comunicação em congressos e fui Subcoordenadora de Cultura durante o Fórum Social Mundial Temático Bahia em 2010. Em 2011 me convidaram para integrar a equipe da Cia Beluna de Arte (www.beluna.com.br), onde atualmente sou Diretora de Comunicação.

VRP: Como é a atuação do profissional de Relações Públicas em uma Companhia de Arte? Conte um pouco da sua experiência nessa área de atuação.

JS: Ser Relações Públicas em uma Cia de Arte abre um leque de possibilidades para o profissional. Há desde a elaboração de projetos culturais, que podem ser submetidos a editais públicos, passando pelos projetos de comunicação interna, assessoria de imprensa até a produção e cerimoniais de eventos. Na Beluna faço um pouco de tudo isso, mas o que mais me empolga é a assessoria, o cuidar da imagem perante as redes sociais e veículos de comunicação. Claro que por ser pequena e não contar com um patrocinador, todos os integrantes acabam fazendo de tudo um pouco e comigo não é diferente: acabo improvisando nos palcos – fazendo leitura dramática de textos – e na própria sede, ao realizar serviços de manutenção do espaço.

VRP: Você acredita que há espaço para o RP atuar nesse mercado? E há desafios? Qual seria?

JS: Acredito que sim, existem muitos coletivos culturais em Salvador carentes de uma atuação mais profissional no campo da Comunicação. Quando iniciei na Beluna, meus sócios não sabiam muito bem qual era o papel de um RP e me colocaram para auxiliar um publicitário. Com a saída dele pensaram em convidar um jornalista para fazer exclusivamente assessoria, mas consegui dissuadi-los da ideia. Risos. Com o tempo eles puderam verificar na prática a versatilidade da profissão e compreenderam que é fundamental ter alguém para gerir a comunicação da Cia. Penso que estes são os nossos maiores desafios: mostrar o que somos, para que servimos e a importância do fazer, o resto é reconhecimento.

VRP: Quais as características que não podem faltar ao profissional que deseja atuar nesse segmento?

JS: Jogo de cintura, versatilidade. Sabe aquela ideia de estar sempre pronto para apagar um incêndio? Pois é. Quando se lida com projetos e eventos que envolvem muitas pessoas (atores, diretores, cenógrafos, designers, professores – inclusive com as quais você não tem uma vivência diária) ter à disposição planos de A à Z é vital para garantir a realização do que foi proposto e minimizar os danos de eventuais surpresas; nem que para isso você precise sair dos bastidores e ir para o palco.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

JS: Produção cultural, pela própria característica da cidade de Salvador e do país como um todo, tão plurais em manifestações artísticas. Seja elaborando projetos, seja executando-os, penso que esse é um filão sub-explorado por nós. Por sua vez, a comunicação empresarial também demanda mão-de-obra qualificada, podemos nos empenhar mais nesta área.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

JS: Espero que esteja melhor! Risos. Penso que daqui a cem anos teremos superado essa “incógnita” que muitos insistem em atrelar ao perfil do profissional e avançado no quesito reconhecimento público. Existe uma seara a explorar, precisamos ocupar nossos espaços e ampliar nosso olhar sobre pessoas e organizações.

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