061 – RP escreve a sua história com Firmo Neto

rp-facebookHoje quem conta a sua história é Firmo Neto diretamente de Recife-PE. Firmo é Relações-Públicas, assessor em RP no Crea-PE (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de PE)

 

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Queria Comunicação Social. Ao ler um Manual da Universidade Católica de Pernambuco, falando dos cursos que oferecia, decidi: “é RP que quero fazer”.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas? 

Sinceramente, na contramão do que muitos colegas, principalmente professores acham; acredito que a situação está bem difícil. O fato de termos nos “firmado” oficialmente no final da década de 60, com nossa regulamentação em 67, nos identificamos como profissão utilizada pelo regime ditatorial para “esconder” as barbáries cometidas no período. Entre outros pontos, esse é um dos que mais nos atinge hoje, na minha humilde opinião. … Não sei exatamente a situação em outros estados do Brasil, mas em PE, embora tenhamos sido um dos estados pioneiros na criação dos cursos de RP no Brasil; tudo está muito obscuro e difícil.10565028_811521832214919_476268143708026660_n

Os empresários não reconhecem as atividades e não as identificam como de RPs. O Conselho Federal, com seus Regionais, não consegue fiscalizar e em certos momentos, nem tem interesse em comprar certas brigas. É até compreensível, embora inaceitável. … Existe um descumprimento generalizado da lei 5.377, que nos regulamenta; e nada é feito. Ainda existem RPs que inocentemente apoiam certas irregularidades. Agora falam em “flexibilização” da profissão. O Conselho Federal, com suas compreensíveis dificuldades financeiras, busca sobreviver financeiramente e a flexibilização é uma saída para eles e, na minha opinião, o começo do fim da profissão de RP no Brasil, pelo menos em nível superior.

Acho que poderíamos pensar em outras saídas. Poderíamos promover com a ajuda de todos, uma grande campanha para o registro dos profissionais nos seus Regionais respectivos. É um absurdo um RP de fato e de direito, imaginar que pode atuar na profissão sem o registro profissional. Isso é um tiro no pé e um absurdo. Ninguém vai para um médico que não tenha seu CRM. Ele sequer pode receitar um remédio. … Ninguém contrata um engenheiro ou um advogado que não seja verdadeiramente regularizado e registrado. Por que imaginar que podemos exercer a profissão sem ter o registro profissional? E tem gente que ainda fala “alto”, bravo; quando na verdade está cometendo uma ilegalidade.

Outra possibilidade seria uma mudança radical na lei 5.377. Especificar realmente o que é atribuição do(a)s Relações Públicas, divulgar e massificar para todos os empresários e empregadores. É besteira por exemplo, manter Assessoria de Imprensa como uma atribuição específica dos RPs. Já perdemos essa atribuição para os jornalistas faz tempo. (realidade de Pernambuco). É melhor entregar e reconhecer que perdemos o espaço por incompetência mesmo, e estabelecermos outros espaços. Cerimonial por exemplo, é outro espaço que estamos perdendo e já já não poderemos mais reivindicar. Seria uma revisão completa na lei com definições mais claras e objetivas das atividades específicas e do conceito da profissão.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria? 

De forma alguma. Estamos longe disso. A profissão é essencial para o Brasil, diante principalmente do seu trabalho no campo dos relacionamentos saudáveis para as corporações públicas e privadas. Isso nem passa pela cabeça, por exemplo, dos profissionais de RH; que muitas vezes têm a função de identificar talentos para determinadas funções e cometem crime por desconhecimento da lei. E o caso do RH é mais sério ainda. Ele tem obrigação de conhecer ao menos superficialmente cada profissão e acabam indicando ou admitindo profissionais de outra formação em atividades que deveriam ser ocupadas por RPs, por lei.

O verdadeiro reconhecimento só virá com uma participação massiva de todos os profissionais do Brasil, que precisam pensar na categoria como um todo e nunca em si, individualmente. Precisamos por exemplo copiar o “corporativismo dos médicos”. A tal da disciplina “ética média” os ensina que “médico não fala mal de médico”. Eles se defendem, se juntam, se protegem e se valorizam, independente de qualquer coisa. Outras categorias já fazem isso muito bem. O(A)s Relações Públicas precisam copiar essas coisas. Embora a palavra “corporativismo” tenha sua conceituação não muito “honesta”, se assim podemos dizer, falamos aqui de “corporativismo saudável” entre os profissionais, para própria valorização. É um trabalho de união e de valorização primeiro entre os próprios RPs. Depois disso, a sociedade nos reconhecerá e nos identificará.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

Na minha opinião temos contribuições importantíssimas no meio acadêmico e de pesquisa e só. Em nível de pós-graduação stricto sensu, somos importantíssimos graças aos nossos autores conhecidos e reconhecidos pela grande capacidade. Mas acho que acaba por aí. Acho que em acontecimentos importantes do país (políticos e sociais) participamos muito pouco ainda, ou nada.

Não temos um RP a frente de um programa de televisão importante. Não temos RPs no Congresso Nacional, como representante nosso. Não temos RPs em importantes cargos públicos ou como executivos de grandes empresas. (posso estar enganado). Na verdade isso virá com as outras coisas que falei. Na minha opinião, pouco ou quase nada aparecemos nos grandes acontecimentos do país. Até os trabalhos de Relações Públicas feitos com alguns candidatos políticos do país, estouram na mão de intitulações como: “marqueteiro político”. É uma aberração, e estamos apenas assistindo.

 

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Olha, sinceramente eu não conheço a real situação do Sudeste. Penso que está melhor, mas sinceramente, sendo bem honesto, imagino que tenham dificuldades semelhantes, guardadas as devidas proporções. Quando falo por exemplo que não identificamos o nome RELAÇÕES PÚBLICAS soar publicamente em nenhuma esfera de massa, estamos falando do Brasil todo, consequentemente do Sul e Sudeste. Na verdade e (na minha opinião) o que precisa se fazer é um conjunto de ações.

Corporativismo saudável entre profissionais do Brasil todo. (pode ser o que for, é um(a) Relações Públicas e merece nosso apoio, destaque e respeito). Mudança na nossa lei principal, especificando exatamente o que nos cabe e de uma vez por todas, fazendo cumprir a lei e entregando pontos já perdidos, como assessoria de imprensa por exemplo. … Registro total do profissional de RP nos seus Regionais, e compreensão de que não há profissão forte sem um Conselho forte e sem um Sindicato forte. … Controle total e fiscalização por parte dos órgãos de classe aos estágios oferecidos aos estudantes da categoria, não permitindo a existência de “vagas absurdas” para RP, desvirtuando o profissional e as suas atribuições. … Além de alguns outros pontos que devem ser tratados em Congressos, Seminários, Debates, etc. Fico sempre a disposição de todos os amigos e amigas do Brasil.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas aí em Pernambuco?

Bom, não há vagas. Raras são as oportunidades diretas e o pior: os RPs já se acostumaram. É uma pena, pois conheço a realidade do nosso povo, mas o ideai seria RP não aceitar certas propostas e imediatamente denunciar ao Conselho Regional ofertas de emprego espúrias (no sentido de não se tratar da profissão). Não há vagas e ponto final. Desafio qualquer colega profissional, professor ou qualquer outro, a me contradizer nisso, com relação a Pernambuco. Não há oportunidades e ponto final. Acompanho isso de perto. Uma ou outra vaga surge sim, até para concurso, e aí o ocupante vai proferir uma palestra e “esbalda-se” gritado que: “para o bom relações públicas não falta emprego”. Acho essa frase ridícula. É tão lógica que é ridícula. Ouvi isso de um professor uma vez e não foi possível me controlar, e rebati. Muito me admira um professor dizer que: “para o bom RP não falta emprego”. E para o mau RP?, perguntei! Afinal, o professor não seria um responsável direto pela formação do mau profissional? É isso. Essa é a grande pergunta.

Não é questão do bom e do mau. É uma questão de espaço de trabalho. É normal que o profissional mais competente ganhe uma vaga na disputa com outro menos competente. O que não é normal é nem disputarmos porque nossas atribuições estão ocupadas por outros profissionais. … Sei que tem um grupo de colegas que está muito bem empregado e credita o que pode ter sido “sorte” unicamente a sua competência particular, que vai me taxar de “doido”, de “inconsequente”. Estou aberto a debater também com esses colegas, numa boa. Me convençam que está tudo bem. Estou doido pra me convencer.

VRP: Conte-nos mais sobre o primeiro congresso de RP de Pernambuco? Quais as pretensões? Qual o foco? Etc. 

O I Congresso Pernambucano de Profissionais e Estudantes de Relações Públicas, é para todos os RPs do Brasil que puderem vir ao Recife nos dias 5 e 6 de dezembro deste ano. Para Pernambuco é mais importante ainda, pois estamos há muito tempo sem nenhum evento interessante na área. Podem aparecer colegas que digam: “não é verdade. Fizemos um evento em tal ano e ninguém compareceu”. Bom, isso é possível. Alguns executivos na área de eventos dizem que quando não aparece ninguém no seu evento é porque ele não era bom.

Quando tem algo sobre “comunicação”, os jornalistas tomam conta. E tomam conta porque são mais estudiosos, porque são mais espertos, porque são mais articulados, porque são mais infiltrados, porque são mais conhecidos, etc..etc. (estou falando de uma maneira geral. Me incluo, claro, no mesmo “barco”). Sinceramente, conhecendo a realidade de Pernambuco, também não criamos grandes expectativas, no que se refere a público; embora achamos que pelo modelo e pela carência, umas 150 pessoas deverão comparecer.

É impressionante a falta de participação do profissional de RP de Pernambuco. Pois bem, pensamos em algo inovador em alguns aspectos: primeiro o tema central. Focaremos a Valorização da Sociedade, o Reconhecimento e o Mercado de Trabalho. Segundo, os preços das inscrições. Serão valores simbólicos e não tem, nem de longe, qualquer intuito monetário no evento. Ao contrário. Para conseguirmos esses valores, ninguém será (isento) de pagar taxa de inscrição. É um evento contributivo e de apoio. Coordenadores e até palestrantes pagarão as taxas. É inclusive “deselegante”, mas tem que ser assim agora.

Cobraremos R$ 50,00 para profissionais e R$ 25,00 para estudantes regulares. Consideramos aí o fato de que nossos profissionais estão desempregados. Muitas críticas já surgiram. Pessoas disseram que “se é barato, não darão valor”, etc. Não pensamos assim.

Terceiro, a participação. Sendo especialista na área de gestão e de acordo com as novas concepções do comunicador moderno, as pessoas não estão mais interessadas em participar de um evento onde eles “entram mudos e saem calados”. Tem que ter abertura e participação. Criamos então as “minipalestras” para esse Congresso aqui em PE. Qualquer congressista formado em RP que esteja assistindo uma palestra, pode solicitar na hora, e proferir uma minipalestra, de até 10 minutos, sobre sua visão do assunto da palestra principal. Isso não retira de cartaz os tradicionais debates, com (perguntas e respostas) feitos em viva voz, com a utilização de um microfone.  Chega desse tipo de evento onde poucos participam. As pessoas querem participar efetivamente de tudo hoje em dia, e com razão. Não há argumento sem contra-argumento. Dentro do princípio do respeito e da ética, devemos garantir espaços para discordar, concordar, opinar, desabafar, etc. Teremos seis palestras no segundo dia, cada uma delas abrindo a possibilidade de outras três minipalestras, solicitadas na hora, por qualquer congressista profissional formado. Então, por esses motivos, mesmo sendo um evento local, feito com palestrantes locais, ele abre a possibilidade de participação direta de outros colegas; sempre dentro do tema central: Valorização, Reconhecimento da Sociedade e Mercado de Trabalho.

Outro ponto, é que nesse momento não pensamos em um evento acadêmico. Tipo: convidar um grande profissional do Brasil para proferir uma palestra sobre seus trabalhos e realizações como RP. Isso é importante, mas não é o momento nem o foco desse Congresso. Provavelmente em outros eventos aqui, esses temas serão abordados; mas na minha opinião pessoal, qualquer evento de RP no Brasil, deveria abrir um percentual de tempo para essa discussão, (valorização e reconhecimento), mesclando com os outros “assuntos aulas”. Penso que até conseguirmos o verdadeiro reconhecimento, esse assunto precisa estar em pauta.

Pretensão realmente seria contaminar o Brasil e todos os profissionais em prol da categoria. Contaminar com relação ao “corporativismo saudável” que falei antes. Contaminar com relação aos debates que a realidade da categoria nos exige atualmente. Sermos unidos verdadeiramente. Por exemplo: na minha opinião esse Congresso seria exclusivo para profissionais e estudantes de RP. Acabo me batendo com pessoas que insistem em fazer um Congresso comum, com a participação de outros profissionais da Comunicação Social. O que vamos discutir nesse Congresso é assunto pessoal dos RPs. Coisa de família. Não deveria ser aberto, mas nossas reuniões aqui resolverão isso da melhor forma. Por enquanto acho que sou voto vencido.
Aproveito pra convidar todos os colegas que puderem vir ao Recife, para, como dizemos aqui: “cheguem”. Claro que não temos como custear nenhuma passagem nem hospedagem, mas já recebemos várias confirmações de outros estados do Brasil. Estamos felizes com isso. Estamos de braços abertos e certamente os que vierem de qualquer lugar do Brasil serão muito bem recebidos e encontrarão espaço para darem suas opiniões.

Isso sem dúvida. Muito obrigado a vocês por estarem nos ajudando a divulgar. Vocês são maravilhosos. Verdadeiros RPs. Parabéns.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como inciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Me formei em 2000 e fui logo para o Maranhão trabalhar como Gerente de Comunicação em uma revenda da Antarctica. Não gostei e voltei ao Recife, quando fui trabalhar na Assessoria de Relações Públicas da Prefeitura do Recife, (o chamado Cerimonial do Prefeito). Ocupei diversos cargos na Assessoria, ente eles: Mestre de Cerimônias e finalmente Diretor de Relações Públicas da Prefeitura do Recife. Passei quase 10 anos na Prefeitura do Recife. Depois empreendi um negócio próprio, com foco em Eventos Estratégicos, deixando em seguida com familiares para vir atuar no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Penso que os gerenciamentos das mídias digitais; as Assessorias de Comunicação e Cerimonial e Protocolo podem ter grande progresso, principalmente se as ações comentadas forem realmente executadas por todos os RPs do Brasil. Acho também que outros espaços se abrirão, como o gerenciamento de crises e os relacionamentos corporativos; mas exigirão preparação e é aí onde acabamos muitas vezes perdendo espaço.

Com a observação por parte dos gestores, empresários e empregadores sobre as verdadeiras funções e atividades dos Relações Públicas, essas talvez sejam as atividades ainda menos confundidas e ocupadas.

O fato é que carregamos outro “carma” que ajuda a nossa falta de credibilidade com a sociedade. Somos muitas vezes taxados como os profissionais de comunicação que não lemos, que não estudamos, que não compramos e consumimos os livros da nossa área e que não estamos atualizados. Se alguém duvidar do que eu to dizendo, vá à uma grande livraria da sua cidade e reparem as prateleiras destinadas a livros de Jornalismo e de RP. Comparem. … Em muitos casos isso complica nossa natural competição na busca por ocupação de espaços. Temos que admitir que muito do que perdemos referente a ocupação dos nossos espaços demarcados por lei, foi por nossa própria incapacidade. Por exemplo, Assessoria de Imprensa, que em uma visão a grosso modo, perdemos faz tempo.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Imaginando que agiremos em busca de um futuro mais promissor para nossa profissão, vislumbro as RPs bastante compreendidas e buscadas pelas organizações. Compreendamos que isso só acontecerá com a atuação efetiva de todos os profissionais do Brasil. Corporativismo saudável, legalidade, com os Registros Profissionais de todos; mudança efetiva na lei, deixando claro quais são as atividades efetivas, fiscalização e muito, muito estudo e leitura.
Temos que ter orgulho da profissão. Orgulho de nos apresentarmos com nossa carteira de identidade profissional. Orgulho de carimbar e assinar como verdadeiros RPs; com nosso nº de registro. Orgulho como outros profissionais têm de suas profissões. Orgulho de verdade.

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