064 – RP escreve a sua história com Samyr Paz

rp-facebookHoje no ”RP escreve a sua história” recebemos Samyr Paz, 24 anos, Campo Bom / RS. Relações Públicas e se especializando em Cultura Digital e Redes Sociais. Recentemente mudou-se para Porto Alegre e é lá que busca oportunidades na área de comunicação digital.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Relações públicas me escolheu hahaha. É clichê, eu sei. Nunca tinha ouvido falar em RP, até ter concluído três semestres no curso de design. Na época eu trabalhava no setor de comunicação da Univates (universidade que estudei), justamente divulgando os cursos da instituição. Foi aí que conheci RP, me apaixonei e no semestre seguinte já estava matriculado no curso. Sempre fui relações-públicas, só não sabia até aquele momento. O maior feedback positivo sobre ter escolhido RP é escutar as pessoas mais próximas afirmando que eu nasci para isso. Se elas dizem, já é satisfatório pra mim. =)

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Acho que é um cenário promissor para a profissão se desenvolver, mas nada vai cair do céu. Tem uma frase do Henry Jenkins que eu gosto muito, que diz o seguinte: “Costumamos achar que as tecnologias vão determinar um futuro mais democrático, mas esquecemos de pensar que a democracia é algo pelo que devemos lutar para conquistar”. Fazendo uma analogia, meio boba, podemos dizer que o advento das tecnologias de comunicação favoreceram o mercado de trabalho das relações públicas, pois tem mais informação correndo solta. Logo, são necessários profissionais que nem nós para gerenciar esse fluxo de informação. Mas isso não quer dizer que vão bater na nossa porta e dizer: “Preciso de um RP, posso te contratar?” É um espaço que devemos conquistar. Fazer por merecer. DSC_9672a_corte

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram em Relações Públicas?

No cenário acadêmico tem vários personagens que inspiram e oferecem conhecimento: Kunsch, Simões, França, Rudimar Baldissera… Também tem figuras como Raquel Recuero e Adriana Amaral aqui do RS, que estudam a área de Cibercultura e são geniais. Além disso, curto pra caramba Zygmunt Bauman (que é um filósofo que me inspira, fazer o que =P).

No mercado de trabalho admiro pessoas simples, gente como a gente, que conseguem a cada dia entregar para seus empregadores grandes resultados em comunicação. Nesse sentido lembro de meus colegas de graduação. E, é claro, me inspiro em toda a turma das redes sociais que erguem o nome das relações públicas: Pedro Prochno, Amanda Mayumi, Guilherme Alf, Ariane Feijó, Taís Oliveira, Tuane Nicola, Carol Terra, professor Marcondes e muitos e muitos outros.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Percebo que no Brasil ainda carecemos de valorização. Ou melhor, de sermos corretamente lembrados pelo que somos e podemos fazer por uma organização. RP ainda sofre um estigma do fazedor de eventos. Com todo respeito para quem trabalha com eventos, que é um ótimo mercado, mas podemos ir muito além disso. Somos profissionais de planejamento, de inteligência de mercado e estratégia. Cabe aos relações públicas se responsabilizarem por essa situação e alterarem esse paradigma.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

Acho que pelo excelente corpo teórico criado em torno das relações públicas, tivemos grandes contribuições atreladas as áreas de responsabilidade social e ambiental nas organizações, culturas de transparência e comunicação focada no ser humano. Pelo menos é o que eu penso enquanto profissional de relações públicas, que nossa responsabilidade vai muito além do lucro e do capital.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais da área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Considero que isso é uma questão de maturidade de mercado e que no momento em que as empresas se depararem com cenários onde os competidores se equivalem em produto, serviço e gestão, vai ser uma consequência natural pensar em relações públicas. Não que eu ache que só é necessário RP nessa situação, pelo contrário. Porém vai chegar um momento de aperto em que a empresa não tem para onde fugir, e aí vai se dar conta de que um relações públicas já poderia ter feito muito e oferecido uma larga vantagem competitiva. Ou seja, as empresas do eixo sudeste se encontram em mercados mais maduros, cientes do poder das relações públicas.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Na minha percepção todo o mercado de comunicação está bem aquecido. Principalmente neste segundo semestre, onde as marcas e empresas costumam investir mais em campanhas para conquistar os consumidores.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como inciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Iniciei profissionalmente atuando como vendedor, em uma loja de confecções que meus pais eram proprietários. Depois fui auxiliar de comunicação na Univates, onde aprendi o que é atuar em uma grande instituição, com várias camadas de complexidade para a comunicação.

Posteriormente fiz um estágio em uma agência de comunicação, chamada Dobro. Nesse estágio conheci meus dois futuros sócios e por um ano e meio fui empreendedor na Frente. Também foi uma experiência incrível e aprendi muito sobre empreendedorismo na prática. Porém desejava ter uma experiência mais forte com relações públicas e comunicação digital, área que eu mais me identifico e sempre gostei. Portanto no momento me encontro nessa nova caminhada, estudando para atuar forte nesse mercado digital.

O projeto de maior orgulho sem dúvidas é o RP Faz. Foi criado colaborativamente com um grupo de colegas, durante a graduação e atualmente eu, a Bruna Finger e a Lisiane Costa da Silva administramos o projeto. O objetivo é fazer dele um grande repositório de técnicas, práticas e atividades relacionadas às relações públicas e comunicação.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Sou supeito para falar, mas penso que o digital é uma área que ainda vai crescer muito. As redes sociais são dominadas por pessoas comuns querendo estabelecer relacionamentos com outras pessoas e marcas. Aí entra o relações públicas e suas estratégias, para estabelecer uma comunicação simétrica entre esses grupos.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Hahaha essa pergunta é complicada, mas vamos lá. Quero acreditar que teremos organizações e pessoas valorizando aspectos humanos, de cuidar e se relacionar verdadeiramente. Um olhar mais voltado para o coração e menos para o bolso. E, espero, que as relações públicas ajudem a construir esses valores e que seja uma profissão reconhecida por isso. Acho que vale a pena sonhar com esse futuro.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Sinceramente ainda não tenho convicção em nenhuma opinião, no que tange a flexibilização. Tenho uma inclinação favorável, pois vejo muitos jornalistas e publicitários fazendo um bom trabalho dentro de nossa área e não vejo motivos de negar isso a eles. Então, é uma questão bem complexa. O que eu gostaria é que evitássemos criar uma “guerra” entre profissionais contra e favor, assim como evitar um confronto entre relações públicas e outras profissões de comunicadores.

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Combina e muito. Estratégia, planejamento, relacionamento…são habilidades essenciais para um empreendedor. Deixo esse link aqui como contribuição para essa pergunta.

VRP: Qual mensagem deixa para os estudantes e recém-formados em Relações Públicas?

Para os estudantes: façam vários estágios. Se descubram profissionalmente. RP é multidisciplinar, mas você pode e deve achar uma área em que mais se identifique. Finque o pé em uma área e lute para sempre ser melhor nela.

Para os recém-formados, como eu: continuem estudando. Em comunicação tudo é muito dinâmico e está sempre mudando. Não deixe de se atualizar constantemente.

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