065 – RP escreve a sua história com Ariane Sefrin Feijó

rp-facebookDiretamente do mundo, mais especificamente Portugal é Ariane Feijó quem vem contar sua inspiradora história aqui no Versátil RP hoje.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Qual sua maior conquista?
Sou uma google girl, in a google world (a frase não é minha, mas é a que melhor me descreve!).

Escolhi o mundo como casa e atualmente a minha base é em Portugal. Tenho uma fascinação gigantesca por conviver com culturas diferentes da minha, por criar projetos que fazem a diferença na vida das pessoas, sejam os meus próprios, sejam para os meus clientes.

Eu comecei a trabalhar com 16 anos. Para mim RP é e sempre foi um ponto de partida. Independente da indústria ou segmento, foi isso que eu sempre fiz: RP. Trabalho oficialmente na área desde o meu primeiro estágio, em 1999.

Sempre estudei e li muito, em cursos ou por iniciativa própria. Atuei nas indústrias de mídia, TI, mercado financeiro, arte e cultura. Até 2009 minha experiência foi basicamente ligada a multinacionais, no Brasil e exterior, tanto na área de RP, quanto de jornalismo e publicidade nestas indústrias. Vivenciei muita assessoria de imprensa, comunicação interna, criação de políticas de comunicação, public affairs, interface com RH, logística, vendas e marketing, trabalhando diretamente ligada a diretores.

Fiz dois estágios (Aldeia e ClicRBS) e a seguir comecei na G&A (2001), agência de RP de SP, para ser assessora de imprensa para a Dell Brasil, e dois anos depois fui contratada pela própria Dell. Foram 5 anos trabalhando lá (até 2006), e atuei com assessora de imprensa, com comunicação interna, com gestão do conhecimento e, no fim, com comunicação de marketing e publicidade online e offline.ari

Queria estudar arte e cultura, aplicar o conhecimento de gestão e comunicação a uma área que eu entendo precisar muito, que é a arte. Fui viver em Londres (em 2006) e estudar gestão de arte e patrimônio, mas acabei me sentido mais em casa do que no Brasil. Quando conheci Portugal, encontrei as condições também para abrir minha empresa e então fiquei de vez deste lado do Atlântico (2010).

Isso me deu uma visão mais ampla da comunicação e um entendimento de necessidades que eu gostaria de me dedicar, como é o caso das empresas em fase inicial ou dos artistas visuais. Com o boom das start-ups, essa demanda aumentou e eu decidi que era a hora de abrir o meu negócio.

Fiz cursos de gestão de projeto (PMI), gestão de conhecimento, gestão de artes visuais, história da arte, entre outros, cursei mestrado em marketing no Brasil e ano passado comecei o mestrado em ciências humanas/ Estudos de Cultura aqui em Portugal.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Sou RP desde que nasci. Tenho provas, inclusive: num dos documentos de avaliação da escola, quando tinha 6 anos, a professora já descrevia a minha habilidade de integrar os colegas e resolver conflitos. (risos) Se fosse voltar a faculdade hoje, voltava a fazer comunicação e RP, mas com um enfoque ainda maior para o marketing e a gestão.

Eu sabia que queria trabalhar com pessoas, no início pensava em responsabilidade social, mas sempre gostei muito de marketing e administração. Durante o curso fiz algumas cadeiras na Faculdade de Administração da UFRGS, até para ter a certeza de que a gestão que queria era mesmo a da comunicação.

Estagiei desde o meu 1º semestre e não tive muito preconceito sobre o que fazer, queria testar de tudo, o máximo que conseguisse. Já de cara me dei conta que a teoria e prática eram muito diferentes e como seguiria o resto da minha vida no mercado, e não na faculdade, procurei aprender rapidamente as dinâmicas de trabalhar com comunicação.

VRP: Qual o seu campo e empresa de atuação? 

Estou pesquisando, escrevendo um livro e explorando formas de melhorar os relacionamentos em cada etapa do funil de vendas das empresas, aplicando ferramentas de Relações Públicas, numa metodologia que tenho chamado de Inbound PR.

O inbound, também chamado de marketing de conteúdo, é a nova forma de fazer marketing e a maneira de colocar em prática a comunicação integrada. E RP é mais do que apenas diagnóstico, planos, programas e projetos neste contexto: é uma nova mentalidade de fazer negócios e um ponto de partida para qualquer estratégia.

Atualmente os meus negócios são:

  • As Pequenas Grandes Ideias/ Brasil e Portugal, sócia e consultora de inbound PR e Relações Públicas criativas.
  • Incubadora de Artistas/ Portugal, sócia e responsável pela comunicação estratégica para artistas, museus e galerias; consultoria em projetos de arte para empresas que pretendem criar ou expandir as suas coleções.
  • Todo Mundo Precisa de um RP/ Brasil, co-criadora e responsável pelo networking internacional.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das Relações Públicas?

Numa fase em que as gerações mais novas reconhecem que precisam se relacionar mais entre si, e em que as gerações mais antigas ainda enxergam o colega como concorrente. Num momento em que o futuro vai depender unicamente daqueles que arregaçarem as mangas e abrirem a sua mente para um mundo 200% diferente do que o que vimos até aqui.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

A minha mãe, em primeiro lugar, a pessoa que melhor sabe lidar com pessoas que eu já conheci. Tive a sorte de trabalhar com pessoas generosas e meus chefes de certa forma sempre foram inspiradores para mim. Atualmente os meus sócios na Todo Mundo RP são pessoas que me inspiram demais, não apenas pelo que fazem pelo nosso mercado, mas pela visão humana e genuína que tem das mudanças que RP precisa passar. E eles tem me apresentado cada dia pessoas mais fantásticas. Não faltam musos e musas inspiradoras no nosso mercado!

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Não. A profissão de RP, nestes 100 anos, foi encarada de forma reducionista – muitas vezes por contingência, muitas vezes por falta de visão.

Costumamos dizer que faltam ícones de RP. Mas não no sentido de pessoas famosas, que tem cartão de visita de RP, fazem o seu trabalhinho bem feito e era isso. Faltam ícones de RP que consigam colocar essa área numa linguagem que seja aplicável por pessoas de qualquer outra área ou disciplina.

Na minha opinião falta surgir o Philip Kotler das RP, com um profundo conhecimento de gestão, de pessoas e de processos, que não restringe a sua área à um grupo seleto de beneficiados pelo dom, técnica, talento ou legislação para exercê-la. E esse cara, hoje, possivelmente não é uma única pessoa, pois vivemos uma era diferente daquela em que o Kotler lançou ao mundo os princípios do marketing.

RP é uma profissão plural, que depende do coletivo para acontecer e fazer sentido. RP extrapolou o que entendemos como uma profissão, tornou-se uma mentalidade, uma “filosofia” de gestão. Para mudar a percepção sobre como colocar isso em prática é preciso uma tomada de consciência generalizada dos profissionais, compartilhada com a sociedade.

Se nós, formados e/ou registrados, conseguirmos nos dar conta disso, temos um campo magnífico de atuação. Se seguirmos coagidos pelo medo de perder espaço no mercado, tenho certeza que perderemos.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Eu não acredito nessa afirmação. Simplesmente pela minha própria vivência (eu nasci e vivi maior parte da minha vida em Porto Alegre) e pelo exemplo de profissionais que conheço.

A maior dificuldade para a expansão das oportunidades para mim se resume a “mimimi”.

Eu passei por momentos verdadeiramente difíceis na minha vida, no início da minha carreira. Me formei e trabalhei numa multinacional no Rio Grande do Sul. De la, sabia, queria ganhar o mundo. Fui atrás.

Tirei dinheiro de onde não tinha, trabalhei como garçonete durante o dia durante um tempo para poder financiar meu sonho de organizar exposições à noite numa capital do mundo, que a maioria das pessoas virava para mim e dizia “que eu não conseguiria”. Eu me chateava, mas não muito e seguia adiante. No final, consegui.

Nunca tive um cargo de “RP”, embora sempre tenha tido essa função. Eu fui RP servindo vinho num jantar de luxo num barco no Tâmisa assim como sou RP do meu cliente hoje quando acompanho ele numa entrevista na TV.

Fui RP quando um site para o qual trabalhava tinha uma micro presença no Brasil e resolvi mandar um pedido de credenciamento para o Festival de Cannes. Eu não tinha nem a grana para ir visitar minha mãe no Brasil. E me deram o credenciamento. E meu cliente financiou a minha viagem. E, alguns vão dizer, como mágica, lá estava eu entrevistando algumas das pessoas mais bem sucedidas e empregadas do mundo.

De repente eu estava diante do cara que mudou o nosso relacionamento social na internet, o Mark Zuckerberg. Dois anos depois, graças ao relacionamento e aos meus novos sócios, que surgiram por contatos e interesse sincero, além de empatia, por intermédio do mesmo facebook do Mark, estava num evento lindo, no meio dos Alpes, entrevistando um dos caras que mais entende de RP no mundo, o Paul Holmes.

Eu tive sorte? Talvez. Dificuldades? Inúmeras! Sou privilegiada? Eu corro atrás dos meus privilégios. Eu busco me relacionar com pessoas que estão melhores do que eu não para pedir favores, mas para criar o novo. A vida não é um destino, é um caminho que nós escolhemos construir.

A nossa cabeça é o nosso maior limitador. As pessoas precisam de mais terapia, de mais coaching com profissionais realmente capacitados, de mais leitura, e de menos, MUITO menos especialistas. Cada trajetória é uma, não podemos pensar que o “colega do sudeste” é mais bem sucedido “do que eu aqui em Portugal”, ou quem estiver lendo na Bahia, ou no Amazonas.

O dinheiro, assim como o trabalho, não existe em quantidades pre-estabelecidas para o sul, centro, norte ou nordeste. Mesmo que o nosso governo roube, esconda, negue. Não podemos culpar as contingências externas para o nosso sucesso ou fracasso. Não vivemos numa guerra e somos livres para dar o próximo passo para o lado que quisermos.

Ser empreendedor não é apenas criar uma empresa para ter dinheiro e trabalho, é encontrar oportunidades onde quer que se vá. Emprego é algo escasso. Às vezes acontece e é incrível, mas cada vez menos é uma realidade. Dificuldades têm que ser vistas como oportunidades com uma cara diferente da que esperamos encontrar.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Os incríveis professores, pesquisadores e profissionais que ainda estão longe de ser plenamente compreendidos e estudados. O caminho que foi trilhado por eles e agora nos é colocado à disposição, para usar o melhor do que foi criado e, a partir daí, construir um futuro diferente.

VRP: Qual dica você pode dar para quem está iniciando a carreira agora? E para quem ainda está em dúvida entre cursar RP?

Estagie, seja voluntário de comunicação para projetos que tenham a ver com o que você acredita ou causas sociais (não trabalhem de graça para empresas!), estude inglês, leia e se informe muito. Ignore os rótulos do mercado, aprenda o que não funciona atualmente e encontre formas de fazer melhor. Trabalhe no máximo de áreas que for possível e não tenha pressa de escolher. Ouvir o que bate forte no coração é o melhor plano de carreira, em qualquer profissão. E isso também é preciso aprender.

VRP: Por fim, qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Profissão é função, Relações Públicas é mentalidade. Uma mentalidade que precisa ser acelerada e compreendida como estratégia de jogo e não apenas na forma de cargos e títulos. RP é uma nova “filosofia” de gestão que vai ganhar espaço na vida de quem é RP e de quem não é RP. A nós, profissionais que estamos vivendo essa transição, cabe evangelizar sobre as suas práticas e a sua ética, aprender com outras áreas e contribuir para um mundo mais equilibrado, em diálogo, com relacionamentos melhores e mais justos.

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Um pensamento sobre “065 – RP escreve a sua história com Ariane Sefrin Feijó

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