067 – RP escreve a sua história com Elaine Lina

rp-facebookHoje recebemos Elaine Lina. Graduada em Relações Públicas pelas Faculdades Integradas Rio Branco (2004) e especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Universidade de São Paulo (2006). Docente do curso de Relações Públicas das Faculdades Atibaia (FAAT). Foi presidente do Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas da 2a. Região (SP/PR), gestão 2010-2012. Tem experiência profissional e empreendedora nas áreas de Relações Públicas e Comunicação Organizacional. Pesquisadora sobre as interfaces das Relações Públicas e do Direito na formação do Estado Democrático, assumiu – em 2013 – a coordenação executiva do OCI em São Paulo.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Lina: Ao contrário de muitas pessoas que conheço – inclusive alunos meus na faculdade – não foi por acaso ou risco. Eu pesquisei muito antes de decidir pela profissão. Queria um curso que aliasse minha experiência em áreas administrativas das empresas com a comunicação mais institucional, a questão mesmo do relacionamento planejado e focado num objetivo. Só esclarecendo: por questões diversas, eu fui cursar a faculdade com uma idade em que a maioria das pessoas já está se formando, aos 23 anos. Essa maturidade se transformou numa grande vantagem profissional para mim, pois pude aplicar minha experiência prática na escolha do meu aperfeiçoamento em um curso superior. Nunca me arrependi da decisão – ao contrário, orgulho-me da opção que fiz.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Lina: Acredito, sinceramente, que vivemos um momento muito positivo para a profissão, que vem numa crescente já há alguns anos. Claro, os desafios do mercado são grandes, mas os mesmos para todas as áreas. Em especial no campo da comunicação corporativa como um todo, não só para RP, as apostas foram sim bem mais altas que os resultados atingidos, ficando bem abaixo das expectativas. Vejo colegas, donos de agências já consolidadas em SP, contando os minutos para o ano acabar e recomeçar tudo em 2015. Isso porque esperava-se muito mais de um ano de Copa do Mundo, e no fim o pavio apagou antes da bomba explodir. Mas analisando pelo viés do peso que a opinião pública tem exercido cada vez mais sobre as decisões das empresas, não dá para negar que as oportunidades para RP hoje são muito melhores que há cinco ou dez anos, e que a tendência é que esse mercado continue avançando. O que ainda falta é capacitação. Ainda há muita ação baseada no achômetro ou na tentativa e erro, e pouca estratégia e inovação de fato acontecendo.10606140_10152708743413578_999193478250513072_n

É preciso entender de uma vez por todas que Relações Públicas não se fazem apenas pela comunicação midiática, mas sim pelo conhecimento que se tem do negócio, do cenário econômico e político em que está inserida a empresa. E nesse sentido afirmo que os cursos de graduação em RP que mais investirem em gestão de negócios serão também os que formarão os melhores profissionais.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

Lina: Ah… Muita gente. Depende inclusive da área de especialização. Sim, porque vejo as relações públicas, de certa forma, como a medicina, que forma o “clínico geral” com uma base comum muito sólida, mas que ao mesmo tempo demanda especialização dependendo da área em que se deseja realmente atuar. Para citar alguns exemplos apenas, há um trabalho de grande relevância na própria academia, com a formação de doutrina, em que não se pode esquecer nomes como Fábio França, Margarida Kunsch, Luiz Alberto de Farias e tantos outros.

Se pensarmos em projetos e estratégias de mobilização social, lembro imediatamente de Márcio Simeone. RP e projetos de sustentabilidade das empresas: tem a Silvana Nader fazendo um belíssimo trabalho há mais de uma década. E por aí vai uma lista muito grande de profissionais muito bons espalhados pelo Brasil todo – muitas vezes atuando em setores e departamentos que não carregam necessariamente a nomenclatura de RP, mas que têm em seu DNA bases firmes de gestão, de reputação da marca e relacionamento assertivo, que no planejamento estratégico dos negócios como um todo faz uma enorme diferença. Enfim, morro de medo de esquecer de citar um monte de gente que admiro demais, então vou parando por aqui.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil. Para você, a profissão é valorizada como deveria?

Lina: Não, claro que não. Ainda há um longo caminho a trilhar no conhecimento claro sobre a profissão, inclusive para muita gente da área. Mas estamos avançando a passos firmes, tanto que hoje já dá para falar mais tranquilamente sobre relações públicas e opinião pública no meio corporativo sem ter que explicar tanto o be-a-bá para executivos e clientes em geral. Talvez até pelo nivelamento com outros países de cultura mais avançada nessa área, proporcionado pela internet e a mídia em geral. São cada vez mais comuns os casos reportados pela imprensa sobre imagem e reputação – para o bem e para o mal. Um exemplo positivo recente: a seleção da Alemanha, que deixou uma lição e tanto de RP em sua passagem por aqui. Ela foi o algoz do Brasil no maior vexame futebolístico sofrido em toda a nossa história.

E, no entanto, voltou para casa com a imagem de ser a seleção mais simpática de todas e admirada pelos brasileiros. Tudo devido ao seu comportamento e reputação cuidadosamente tratados de forma muito séria e ética. Imagem é isso: reflexo de uma reputação construída ao longo do tempo.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrada na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Lina: “Se levamos as relações públicas realmente a sério, então com certeza estamos vivendo num mundo muito melhor!”

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Lina: Penso que seja a aposta das universidades na formação de qualidade e de parcerias com empresas e órgãos governamentais para gerar demanda para os alunos desde o curso, incentivando a atuação na sua própria região ao invés de migrarem para outros locais onde supostamente já exista campo para atuação. Isso porque a necessidade sempre existe – o que falta é compreensão disso e gente qualificada para executar. É o bom e velho trabalho de formiguinha aliando conhecimento com base em pesquisa ao incentivo à formação de novos talentos. Isso cria mercados e gerando divisas localmente, fazendo a roda girar.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Lina: Puxa, a lista é grande. Mas acho que se fosse para citar apenas um exemplo mais simbólico de tudo o que se construiu até agora, seria a conscientização e o respeito à força que a opinião pública efetivamente exerce sobre os resultados de uma instituição – seja ela pública ou privada. Foi mostrar que cliente não é Deus – porque Deus perdoa. Cliente é Rainha (a de Copas), que a qualquer vacilo manda cortar a sua cabeça.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora no curto prazo? Por quê?

Lina: Puxa, pergunta difícil. Pois sinceramente no curto prazo não vejo uma mudança muito significativa de cenário não. Mas se me perguntar sobre médio prazo – até porque o que vou dizer exige capacitação e aperfeiçoamento -, eu recomendaria um olhar especial para as áreas de governança corporativa e relação com investidores. Como eu disse, a reputação das marcas e empresas é cada vez mais relevante para o sucesso de qualquer negócio. Assim, as chances de uma empresa ter sucesso sem levar em conta a percepção da opinião pública sobre ela é proporcionalmente cada vez mais improvável. E por outro lado, conhecimento profundo sobre o negócio será cada vez mais necessário para o desenvolvimento de planos eficazes de RP. Planejamento e gestão – não dá mais pra entrar na brincadeira do mundo corporativo sem levar isso às últimas consequências.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Lina: Não duvido nem por um minuto que será uma área tão vital em qualquer empresa como o RH ou o financeiro. Não tem jeito: é um caminho sem volta. Ou as empresas aprendem a se comportar socialmente ou quebram. Simples assim.

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