068 – RP escreve a sua história com Gilceana Galerani

rp-facebookQuem conta a sua história hoje é Gilceana Galerani, Brasília/DF, bacharel em Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas pela Universidade Estadual de Londrina. Especialista em Marketing e Propaganda pela Universidade Norte do Paraná. Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Atualmente, chefe da Secretaria de Comunicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Por que desde o início entendi que era uma profissão que tinha por objetivo fortalecer relacionamentos institucionais. Tive um bom exemplo prático da atuação de RP desde adolescente, pois vivenciava os resultados das estratégias de comunicação como filha de um empregado da Companhia Energética de São Paulo (antiga CESP), que tinha forte trabalho na área entre os idos de 1980. Eu tinha 15 anos quando escolhi a profissão de Relações Públicas.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

O cenário nunca foi tão bom. As empresas e instituições públicas estão demandando uma comunicação efetivamente estratégica, uma vez que os gestores estão necessitando desse apoio forte, e não mais apenas de divulgação, já que as mídias sociais hoje estão muito eficientes nisso. A governança das empresas tem exigido bem mais que a competência na gestão de gente e de recursos. Exige hoje, sobretudo, a gestão da marca e dos relacionamentos, e as especialidades de um profissional de relações públicas podem ajudar demais nessas demandas. Importante lembrar que algumas vezes a vaga que exige essas especialidades não tem o nome de relações públicas, mas exige suas competências.FB1_0537349_10202424530880503_9137131540548234863_n

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram em Relações Públicas?

Em primeiro lugar, Vera Giangrande. Sempre foi minha fonte de inspiração profissional pela competência, pela franqueza, objetividade, assertividade e visão holística da gestão de relacionamentos. Margarida Kunsch, mestre incansável, maior produtora de conteúdo sobre comunicação organizacional e RP deste País, altamente comprometida com o bom preparo dos profissionais na área e uma pessoa incomparável em grandeza de caráter e seriedade, é o principal exemplo vivo de RP e me ensinou lições que aplico em todos os dias em meu trabalho na Embrapa ou junto a alunos para quem leciono.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Não gosto de falar em valorização de profissão. Entendo que todas as profissões enfrentam altos e baixos, desafios… Possuem excelentes profissionais e outros que deixam a desejar. Esses profissionais são responsáveis pela imagem que a profissão tem no mercado, pois quem não entende da área a conhece por meio da atuação dos seus bacharéis. Se empresários e outros contratantes desconhecem o valor da profissão, essa culpa não é do mercado ou de terceiros. É sim responsabilidade dos próprios profissionais que, antes de tudo, são comunicólogos e precisam cuidar e promover adequadamente a profissão. Portanto, valorização está mais relacionada ao resultado visível do trabalho de Relações Públicas do que a iniciativas do mercado para reconhecer a importância da profissão.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

A promoção do diálogo, da via de mão dupla nos relacionamentos institucionais.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Hoje o que entristece é o pequeno número de cursos de Relações Públicas nas universidades. Sem as faculdades de RP será muito difícil continuar fortalecendo a profissão no mercado. Mas não adianta apenas ter boas faculdades de RP. Já vi faculdades promovendo esses cursos de forma absolutamente desrespeitosa, por incrível que pareça. Algo como “faça esse curso porque é bem mais barato que outros”. Sem boas faculdades de Relações Públicas e seriedade na promoção de seus atributos, será difícil avançar nas várias regiões do País. Ainda quanto a oportunidades de emprego, vemos profissionais que já querem começar do alto e não aceitam funções de assistente, por exemplo.

Começar da base ajuda a se posicionar no mercado com humildade e dá aprendizado importantíssimo. Crescer conforme as experiências proporciona mais subsídios e envergadura para atuação em nível mais elevado. Da mesma forma, aceitar uma vaga para trabalhar apenas com eventos pode significar uma chance de o profissional mostrar que tem competência e formação para fazer muito mais. Enfim, esse misto entre ensino de qualidade e disposição do profissional para começar pequeno podem ajudar muito a termos mais profissionais de destaque nas diversas regiões do País.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Moro em Brasília e a situação aqui é bastante diferenciada do restante do País. São muitas instituições públicas e a maioria tem profissionais de RP contratados em concursos públicos. Portanto, o mercado de trabalho é bom. Por outro lado, tem apenas uma faculdade de RP no DF todo… As vagas nas empresas públicas, assim, são preenchidas com profissionais de todas as regiões do País, o que é muito positivo.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como inciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Iniciei minha atuação logo após me formar, indo trabalhar numa grande empresa privada, onde fui gerenciada pela professora Marlene Marchiori, na época diretora de comunicação na empresa. Foi um aprendizado imenso e me deu elementos importantes para trabalhar depois numa empresa pública, a Embrapa, onde estou há 25 anos. Também dou aulas em cursos de pós-graduação, o que permite me manter atualizada frente à literatura da área, às demandas e ao vocabulário dos mais jovens.

A Embrapa é minha casa especial, empresa que me orgulha como cidadã brasileira e à qual dedico com muito gosto cerca de 14h por dia de trabalho. Fiz meu mestrado na ECA-USP por meio do Programa de Pós-Graduação da Embrapa e essa pós-graduação foi um divisor de águas na vida profissional. Escrevi um livro sobre avaliação de resultados em comunicação organizacional sob orientação da Profa. Dra. Margarida Kunsch e estudar esse tema auxiliou a ver com mais clareza os impactos que nossa profissão podem proporcionar às empresas.

Costumo contar que a Embrapa me contratou em 1989 para organizar as visitas que a Empresa sempre recebe em alta quantidade. Tenho orgulho de dizer que aos poucos pude mostrar a grandeza de minha profissão e isso ajudou a trabalhar em vários cargos na Unidade da Embrapa em Londrina/PR e em Brasília/DF. Por mais de dois anos deixei a comunicação para assessorar a Diretoria-Executiva da Empresa, o que me deu oportunidade de ver a comunicação por outro ângulo e conhecer a Empresa de maneira mais aprofundada, vendo-a em seu todo. Após essa fantástica experiência, assumi a Chefia da Secretaria de Comunicação, que tem uma equipe de excelentes e dedicados profissionais de várias áreas na sede em Brasília, além de contar com uma rede de cerca de 180 profissionais de comunicação nas 46 unidades da Empresa em todo o Brasil.

Orgulho-me de vários projetos, pois todos foram executados em rede e isso possibilitou conhecer muitas pessoas, fazer muitos amigos e aprender demais. Em Londrina, trabalhamos pela implantação de um Espaço para Educação Ambiental que a cada dia se supera em inovação e aprovação pela comunidade local. Há um ano, nossa equipe encarou um desafio gigante: liderar um projeto especial para as comemorações dos 40 anos da Embrapa, trabalho delineado com base nos resultados de nossa última pesquisa de imagem, que resultou na execução de programas comemorativos durante um ano, envolvendo as 46 unidades da empresa junto aos 14 segmentos de público com os quais trabalhamos com mais afinco. Esse trabalho exigiu muita articulação, gestão de recursos diversos e de alta complexidade, mas os resultados foram satisfatórios e esperamos confirmar seus impactos positivos em nossa próxima pesquisa de imagem.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Assessoria. Como disse anteriormente, as funções e responsabilidades dos gestores da alta administração são cada vez mais numerosas, envolvendo gestão de riscos de várias categorias. Bons profissionais de comunicação podem auxiliar os gestores a conduzirem melhor as empresas, uma vez que, além das funções mais tradicionais, monitoramos riscos, aconselhamos na administração de relacionamentos e, assim, ajudamos a tomar as decisões de forma mais ágil e adequada.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

A importância de suas técnicas e estratégias estará consolidada, mas não acredito que manterá o nome e o registro de relações públicas. Creio num avanço como o que está ocorrendo em outras áreas do conhecimento, como na agricultura, com a qual trabalho de maneira próxima. O foco está no sistema integrado de saberes e culturas, e não na visão parcial e pontual de uma ação ou profissão de forma isolada. Acredito que relações públicas, assim como jornalismo e publicidade no âmbito empresarial, estarão integrados como estratégia de comunicação organizacional. O profissional estará mais completo, mais apto a assumir diversas funções conforme a prioridade do momento exigir, e deverá ser, efetivamente, mais um profissional de comunicação do que qualquer outra coisa.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Sempre defendi a não exigência de diploma e a possibilidade de outros saberes atuarem na área mediante pós-graduação em comunicação organizacional e/ou relações públicas. Pago preço alto por isso, mas continuo defendo essa ideia para todas as áreas da comunicação. Defendo que a melhor seleção é a do mercado e que não podemos confiar que a cartelização ou o corporativismo seja a saída para que as relações públicas e a comunicação em geral contribuam mais com a sociedade e as empresas.

VRP: RP e empreendedorismo combinam?
Lógico. As boas agências estão aí para comprovar!

VRP: Qual mensagem deixa para os estudantes e recém-formados em Relações Públicas?
Sejam comunicadores antes de serem relações públicas. Sem paixão não se exerce bem essa profissão. Tenham humildade para iniciar a vida profissional. A capacitação deve ser contínua. Falem vários idiomas! Grande abraço e excelente 2015!

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