072 – RP escreve a sua história com Lidia Catelar Wagner

rp-facebookHoje nossa Social Media oficial é quem vem contar a sua história aqui no Versátil RP, Lidia Catelar Wagner, 25 anos, de Conchas/SP, formada em Relações Públicas pela Unesp Bauru. Paulistana no RG e no coração. Curiosa pelo mundo das redes sociais, leio, estudo e pago de blogueira sobre o assunto. Ações de marketing, publicidade, engajamento e novas tecnologias muito me interessam.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas? 

Na época do colegial andava pesquisando o que poderia fazer, o que me atraia. A comunicação sempre foi algo que me despertou a atenção, mas enxergava o Jornalismo e a Publicidade como seus únicos braços, até o dia que fiz um teste vocacional oferecido pelo colégio e na primeira opção de compatibilidade, apareceu as Relações Públicas. Fui a pesquisar a fundo o que a área fazia e exigia como competências, simplesmente me apaixonei e entendi que era aquilo que eu ia fazer da vida. Já na Unesp, com as disciplinas, as minhas vivências e os bate-papos nos corredores, a paixão só aumentava, bem como a visão da profissão mais humanizada, entendendo que como formada lá, independente se eu atuasse diretamente na área poderia contribuir com o olhar de RP para o projeto/experiência que venha a desenvolver e/ou trabalhar.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?lidia

Vejo o cenário brasileiro das RP’s avançando, mas há muito ainda por fazer. Na faculdade, vivenciei muito o clima de que somos peças-chaves para as organizações, haja vista para as pessoas que formam tais organizações, bem como para a sociedade. Quando me formei, notei a lacuna e o desconhecimento quase que geral por parte dos outros, sobre o que éramos e que poderíamos desenvolver. Isso ao mesmo tempo que me chateou, me mantém ativa buscando possíveis soluções para fazer o cenário da profissão ser cada vez mais evidente e sem restrições aos olhares da sociedade e das corporações.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas? 

Tenho alguns ídolos – digamos clichês – como a Kunsch, o Fábio França e a Maria Aparecida Ferrari. Porém, enxergo na Carol Terra (também clichê), uma das grandes profissionais dentro da sua área de atuação, RP Digitais, sempre disposta ao novo e a nunca cessar sua sede de conhecimento. Também tenho verdadeira adoração e costumo brincar com a Ana Martha Chiaramonte (que até foi banca do meu TCC), que quando crescer quero ser que nem ela. Um grande exemplo de determinação, de confiança e de ver o quanto RP é transformador. Além disso, ela tem uma vontade de sempre compartilhar e aprender, coisa que me fez entender a importância de sempre estar aberta à ouvir e falar, visando melhorar sempre aquilo que faço ou que alguém está fazendo.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria? 

Mais para menos, do que para mais. Como disse anteriormente, a coisa que mais me chateia é ver a falta de clareza com que as organizações enxergam a atuação das RP’s. Por mais eventos que façamos, para mostrar a nossa cara, o público acaba sendo sempre RP e quem deveria estar lá pra nos conhecer, nem sequer fica sabendo dessas oportunidades. O que acaba acontecendo aí, é que profissionais sem a nossa formação, acabam executando funções nossas e nós, restritos aos olhos de muitos, ficamos aquém do pré-requisitos da vaga ou do projeto. Não sei quem já atua há tempos no mercado, mas isso é bem sensível a quem busca a primeira oportunidade na área ou na comunicação, em geral.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

Olha, aí a gente fala de uma coisa que eu me orgulho muito na profissão. A oportunidade da gestão do diálogo entre as pessoas (corporações e sociedades só caminham com pessoas), que os RP’s fazem é lindo de se ver. Aproximar, entender, questionar e estar sempre aberto a ouvir e se posicionar com clareza é a atuação, a meu ver, mais nobre e primordial da profissão. Nesses 100 anos de história das RP’s, li a respeito de que o diálogo foi a ferramenta de transformação, seja de processos, projetos, imagem e principalmente, de relacionamento. Acho que temos aí, a grande fórmula para mais 100 anos.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

O conhecimento e a vontade das instituições de ensino e organizações de trazerem as RP’s para a região. A carência maior fica nas regiões CO, N e NE, principalmente no CO. Já li que a UnB, por exemplo, oferece o curso de RP, com a grade semelhante de algumas faculdades do SE, com outro nome. Agora me digam, como é que a profissão vai expandir se quem concede o ensino, não compreende inteiramente o que o curso “Comunicação Social – Relações Públicas (e suas disposições nominais)” abriga e pode proporcionar ao estudante, futuro profissional? Por que não importar o segredo de sucesso da maioria do curso do SE e do S para aquelas regiões? Qual é a impasse? – São esses questionamentos, quando respondidos adequadamente, que proporcionarão a equalização dos meios de ensino, bem como da profissão no Brasil todo.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Na minha cidade o mercado é zero, pelos motivos que já listei logo acima e pela estrutura da cidade, que abriga na maioria, PME’S. A função de comunicação – em qualquer viés – é muito facilmente suprida por um administrador ou um advogado. Até na conversa com amigos no bar, sempre sou perguntada sobre o que faço…

Quanto ao estado, vejo o mercado bem promissor e até de certo modo estável. A tendência aponta para seu crescimento, o que faz muitos RP’s do interior enxergar na capital do Estados ou nas grandes cidades (nomeadas de novas metrópoles) as melhores oportunidades para a carreira.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como inciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

O meu relacionamento profissional é pequeno, haja vista que me formei em abril deste ano. Estagiei durante a faculdade na empresa júnior , como trainee e diretora de qualidade; na Prefeitura da minha cidade, realizando eventos e pesquisas de clima organizacional e no mercado mesmo, atuei na comunicação interna, aliada com o marketing. Já fui blogueira para assuntos da comunicação no geral e atualmente sou Social Media voluntária da casa. O projeto de maior orgulho, sem sombra dúvidas, foi o Prêmio Aberje Universitário 2012, onde meu grupo galgou o terceiro lugar. Esse projeto engloba bem a visão de RP’s que tenho, que mesmo não atuante na área, podemos levar um pouquinho do que vimos ou vivenciamos para melhorar o que está sendo feito, e foi isso que a maioria do grupo fez (já que éramos em 4 RP’s e um engenheiro de produção).

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Não sei se dá para dizer como área, mas enxergo a gestão dos relacionamentos como mais promissora. Ela acontece em diferentes meios e modos, e sempre está se reciclando.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Isso já vinha sendo discutido nos meus tempos de Unesp. Minha posição visto o cenário atual do Brasil e da profissão, é CONTRÁRIA à atualização da lei. Nossa profissão (graças a Deus) vem crescendo nos quesitos reconhecimento e mercado, mas ainda vem engatinhando, tanto que é muito comum ver outros profissionais (inclusive engenheiros), assumindo o posto que seria nosso. Além de que, para colocar todos os profissionais no mesmo nível, seria interessante equalizar as grades (e isso dá um trabalho e é uma burocracia dos infernos)! Atualizar a lei, no meu entendimento, seria dar uma brecha pra isso continuar acontecendo, por mais que as propostas sejam fomentar uma prova (tipo do CRM). A meu ver, a atualização é bem-vinda, a partir do momento em que o reconhecimento seja perto dos 100% e nós nos tenhamos mais que passar pelo constrangimento, de ouvir coisas do tipo “mas o que você faz mesmo”…”não é a mesma coisa que marketing?” e afins!

VRP: RP e empreendedorismo combinam? 

Empreender anda na modinha ultimamente né? – Mas não vejo barreiras para acontecer esse casamento. Todo negócio que se preze precisa pensar a curto, médio ou longo prazo que vai precisar dialogar com o seu público e aí, nós entramos no projeto. Agora um RP empreendedor já existe né, todos nós somos empreendedores e divulgadores das nossas ideias, ideais e opiniões. Considero isso um ato empreendedor. Não gera lucros, mas gera conhecimento e eu sou da teoria que conhecimento ainda vale mais que muito dinheiro no bolso, mas sem conhecimento algum.

VRP: Há quanto tempo faz parte do projeto do blog Versátil RP? Quais foram suas experiência mais significantes?

Sou recente dentro do projeto, entrei em maio último. Poxa, é repetitivo eu sei, mas a experiência de dialogar com público, cativá-lo e torna-lo assíduo ao blog ou as suas mídias é muito gratificante. E isso acontece, diariamente por uma conversa e/ou feedback nas redes sociais ou no bate-papo .

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática relações públicas no país? Quais os benefícios podem surgi daí?

Importantíssimo! Precisamos demais de canais assim, que tragam o conteúdo RP para um cenário mais abrangente, que possibilitem a troca de ideias, o debate. Pego de exemplo à pauta flexibilização. Todos os canais de RP na internet estão desenvolvendo algo sobre o assunto e isso amplia o acesso à informação dos RP’s para a temática. Enquanto houver canais para apresentar, divulgar e debater a profissão, estamos de alguma forma acontecendo para o mundo.

VRP: Qual publicação de sua autoria é sua preferida? Por que?

Bem, não tenho muitas publicações e na verdade ela é única, mas representa bem o meu espírito RP, Versátil e crítico dentro de um evento que participei. 

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro? 

Eu desejo que a profissão esteja vivendo um momento ainda melhor. Na parte acadêmica, espero que os cursos estejam atentos à realidade social e de mercado, e que transmitam isso integralmente aos alunos, seja pela grade ou pelas oportunidades que toda Universidade deve oferecer. No mercado, que a profissão esteja 100% reconhecida, dialogando e integrando o trabalho desenvolvido com todas as vertentes da comunicação.

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém-formados? 

Acreditem e se apaixonem diariamente pela profissão! Tentem fazer o exercício de enxergar RP por onde vocês passarem, isso fiquem certos, que os qualificará a atuar sempre com a visão de Relações Públicas. Não se acomodem, carreguem mesmo depois de formados a curiosidade de aprender e transformar a realidade. Relações Públicas não é apenas profissão, é agente transformador de situações, pessoas e experiências 😉

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