073 – RP escreve a sua história com Myrian Conor

rp-facebookMais um exemplar dos nossos talentos, hoje Myrian Conor é quem brilha no ‘RP escreve a sua história’, 26 anos e estudante do último semestre de Relações Públicas, pela Estácio – IESAM.

Entusiasta de mídias sociais, do Software Livre e inclusão Digital. Possui experiência em Assessoria Digital e Marketing Político, Assessoria de Comunicação e Articulação de Redes. Atuou como Mobilizadora de Redes durante a Campanha Eleitoral de 2014, pela plataforma Muda Mais, da presidenta Dilma Rousseff representando a Região Norte durante o período eleitoral. Atualmente é editora, colunista e pedreira digital no blog Camisa Nova e curadora no blog SAC 2.0.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Eu era estudante do terceiro ano de Comunicação Social habilitação em Multimídia., quando descobri em Relações Públicas a maior paixão da minha vida. Como na época, as discussões sobre flexibilização da profissão não avançavam, por uma decisão própria, resolvi estudar RP, para ter um olhar além dos multimeios, afinal eu buscava algo mais humano em comunicação e isso RP naquele momento me oferecia e completava. Foi a decisão mais acertada que tomei. Sempre quis trabalhar com Comunicação Institucional, sempre estive envolvida direta ou indiretamente com essa função. Hoje, no 4º ano, posso dizer com clareza e tranquilidade que a bagagem do curso de Multimídia serviu imensamente pra mim, serviu pra acrescentar e complementar ainda mais a minha carreira e posicionamento como profissional de RP.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?MyrianConor_versátilRP (1)

Imagino que já se avançou bastante no que diz respeito à boas oportunidades de fazer e ser RP. Nesse centenário, temos o que comemorar, pois temos história boa pra contar. Sobre o mercado, acredito que ele reflete muito do que queremos e estamos fazendo pela profissão. Se você fala ou faz alguma coisa, você é visto e lembrado. Vejo as Relações Públicas acompanhando as tendências em tecnologia e em comunicação, pois muitos de nossos colegas estão em grandes empreendimentos fazendo coisas grandiosas, com experiências motivadoras para recém-formados e estudantes universitários. O caminho para melhorar a imagem da profissão, deve vir de nós, assim com o que esperamos que nossos órgãos reguladores e que o próprio mercado façam e esperam de nós, como posicionamento profissional.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

Grandes profissionais me motivaram durante minha jornada como estudante, entre eles, a Marcia Ceschini, a quem costumo chamar carinhosamente de minha “mentora” antes, durante e depois do projeto Papos na Rede (meu mais absoluto carinho às experiências e aprendizados), a Gilcena Galerani, o professor Alexandre Costa, a quem adotei como meu “mestre” apesar da distância, a Camila Freitas e Alynne Cid que são minhas maiores incentivadoras e responsáveis pelo que sou hoje, de forma indireta ou direta. À esses o meu eterno agradecimento.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Sempre vou achar que quando se dá muito pouco a alguma coisa ou causa, não se pode exigir muito. Vejo muitos profissionais que reclamam do mercado, reclamam de tudo, mas nada procuram fazer para divulgar qual a “vantagem” de ser e ter um RP nas instituições. Pouco. Muito pouco se faz e acho que a valorização, que esse trabalho de RP para as Rps deve vir de nós mesmos, se enquanto isso continuarmos reclamando de tudo e não fazendo nada, para mostrar quem somos, o que queremos e para que “servimos”, nunca seremos plenos em questão de valorização. A auto valorização e motivação é fundamental, para isso precisamos trabalhar mais as nossas qualificações, saber utilizar-se dos meios digitais e novas tecnologias para otimizar nossa imagem, e assim a da nossa profissão.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

A maior contribuição da profissão pra mim, em uma breve análise do centenário é a que considero nossa maior função social como comunicadores: A construção de relacionamentos éticos entre os públicos e organizações. Nenhuma imagem ou reputação é considerada importante sem engajar, sem gerar valor através de relacionamentos.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Com o aquecimento do mercado e da indústria nas Regiões Norte e Nordeste, prevejo esse cenário mudando drásticamente. Como nortista, analiso que isso vem mudando, grandes empresas vem se instalando em minha região, deixando um pouco de lado o mito de que somente no eixo centro-oeste e sudeste existem profissionais qualificados, pois na administração que faço junto com Michele Boin e Camila Freitas, no Grupo de Facebook Estágios e Empregos em Relações Públicas – já conseguimos verificar boas vagas para Nordeste e Norte, e o melhor: com salários compatíveis e acima da média para a nossa realidade. Com isso, sou altamente otimista, que em breve muitos cases sensacionais surgirão de colegas nordestinos e nortistas.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Aqui no Norte, mais notadamente no estado onde resido, o Pará, está em pleno aquecimento de vagas em setores de Comunicação Digital e Institucional. Os passos não são tão acelerados, mas já possuimos oportunidades excelentes e com ganhos absolutamente compatíveis com os RJ/SP. Temos grandes profissionais trabalhando com grandes empresas e fazendo excelentes trabalhos, inclusive fora do país. Então, creio que vamos seguir ainda mais essa tendência de desenvolvimento do Brasil.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como inciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Minha vida de estudante sempre foi travada com lutas diárias, para chegar na universidade e principalmente na busca de oportunidades, que até então eu nem sabia que existiam, mas a partir do momento que olhei além das dificuldades de posicionamento com profissional inexperiente, comecei a enxergar possibilidades reais de fazer algo pela profissão e para continuar me mantendo. Como o Pará é um estado onde muitas vezes você precisa fazer as oportunidades aparecem, quer seja através de um trabalho voluntário ou através de um coletivo ou de uma causa(blog, ONG, iniciação científica ou em projetos), desde cedo procurei vivências em Marketing, RP 2.0, Assessoria de Comunicação, SAC 2.0 ou com projetos e trabalhos voluntários.

Entre esses trabalhos, sem dúvida os mais marcantes foram no Instituto Peabiru, que é uma ONG focada em captação de recursos e formação de formadores em agroecologia; Como estagiária de Comunicação Instituicional na Delegacia Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e por último, em outubro deste ano, a que considero a maior das minhas experiências, atuei como Articuladora e Mobilizadora de Redes na Campanha presidencial de Dilma Rousseff. Tive sempre em mente que a faculdade é apenas um começo e se não buscamos fazer algo, dificilmente teremos algum retorno, seja na carreira ou na vida pessoal.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Sou suspeita pra falar de Comunicação Interna, mas creio que seja essa a mais profissora área de atuação das Rps, pois não vejo como as instituições contemporâneas possam obter sucesso sem focar estratégicamente nas necessidades do público interno, em primeiro lugar. Comunicação interna gera resultados para os negócios.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Acho saudável a troca, a interação com novas possibilidades. Desde 2011 procuro promover debates(com meus amigos rps e de outras áreas da C.S.) sobre a carência da grade, as perspectivas de mercado e tendências, assim como o papel das universidades em qualificar o ensino e promover trocas entre professores realmente qualificados para tocarem o ensino das RPs. Participei do conselho dos estudantes de RP pela UFMA na ocasião das discussões sobre atualização da grade curricular e vejo que há duas questões importantes a levar em consideração quando se pauta (acho até meio q de forma exagerada) o fim dos cursos: o interesse que a Instituição dá para a qualidade do curso e estrutura (na maioria dos casos inexiste, bibliotecas defasadas e professores de outras áreas ministrando disciplinas que não são habilitados, etc) e a omissão(muitas vezes) da classe que às vezes permanece no mimimi e não pensa muito no coletivo (vejo muitos comentários que dizem que se o outro está desempregado, é sinal de incompetência e etc).

Como já mencionei, o grupo Estágios / Empregos – Relações Públicas abriu novas perspectivas pra que eu pudesse visualizar que as possibilidades são reais, basta que se esteja claro o que se quer e o que se está apto pra fazer. Vivemos num momento onde você tem possibilidades de fazer, tudo pode ser laboratório. Pra fechar, acho importante ter em mente, desde a faculdade que, VOCÊ é o conselho, VOCÊ constrói a mudança que quer, e deve representar o que quer. Eu, muito sinceramente espero que possamos finalmente qualificar o debate e superar isso de forma que só nos faça crescer como classe e, consequentemente como profissionais.

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Sem dúvida nenhuma! A versatilidade de nossa profissão combina com praticamente tudo o que quisermos implementar em nossa vida/carreira. Basta que se tenha uma boa ideia, garra e visão estratégica para colocar o que ser quer em prática. O que acredito não ser difícil, afinal temos a nosso favor a capacidade de enxergar oportunidades, a nossa criatividade e facilidade em lidar com todo e qualquer tipo de públicos e diferentes situações.

VRP: Há quanto tempo faz parte do projeto do blog Versátil RP? Quais foram suas experiência mais significantes?

Conheço o Versátil, assim como Taís Oliveira e Diego Galofero acho que desde o comecinho da iniciativa e sempre tive por eles e por seu trabalho um carinho especial. Diante das minhas experiências com Comunicação Digital, fui chamada para integrar o seleto time de colaboradores, onde passei um tempo sendo a Social Media oficial do blog. Experiência única, ímpar e gratificante de ter visto toda a evolução desse quase coletivo de comunicação e fazer parte disso é muito, muito gratificante, isso sem contar nas amizades e laços estreitos no gerenciamento das redes do VRP.

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática relações púbblicas no país? Quais os benefícios podem surgir daí?

Acho que quando se é estudante, ou mesmo profissional, a vida é e será eternamente um laboratório de RP. Desse modo, vejo os blogs com a temática da profissão surgindo e crescendo, com a utilização dos meios digitais como um orgulho imenso, pois para mim, foi nesse ambiente que aprendi muito e conheci muita gente que me proporcionou e me oportunizou grandes experiências profissionais. Além de fazer um bem danado para a imagem de nossa profissão, sendo vista, acessada e admirada de qualquer parte do globo através da web.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Nos vejo com protagonistas. Teremos o panorama em nossas mãos, mas para isso não podemos deixar de ser incentivadores de nós e de nossos colegas de profissão. Que venham mais Leões de Cannes para nós, e principalmente, que não seja tirado o que é nosso. Espero que façamos com que nossa profissão seja valorizada antes, durante ou depois dos próximos cem anos, mas para isso precisamos fazer do hoje um bom momento para nos valorizarmos, para investir em si mesmos.

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém formados? 

Estudem, se preparem sempre para os desafios, e que possamos lidar com as práticas que aprendemos de maneira positiva, de forma a fazer deste um mundo melhor para se viver. Façam RP dentro de casa, na escola, no trabalho, com a família, para que, principalmente eles saibam responder o que você faz. Se conseguir isso, sua contribuição já será de grande importância.

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