075 – RP escreve a sua história com Guilherme Alf

rp-facebookHoje recebemos a visita de Guilherme Alf, que é Relações Públicas formado pela PUC-RS e idealizador da “Todo Mundo precisa de um RP”. Diretor de RP da Publibrand, agência de comunicação. Sócio-criador da Movetur, agência de turismo especializada em viagens para Disney World, e também do Valen Bar 18+, o primeiro pub erótico do Brasil. É o idealizador da “Pelada das estrelas”, jogo festivo de jogadores de futebol profissional e artistas. Além de palestrar Brasil a fora compartilhando suas experiências e inspirando vários estudantes e profissionais de RP.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Na verdade nem acho que escolhi, acho que fui escolhido. Quando eu estava no colégio participei de grêmios estudantis, organizei campeonatos, festival de música, um monte de atividade que mesmo que eu não soubesse, elas já indicavam como seria a minha vida, minha profissão. Então foi muito fácil a escolha, cheguei a pensar em fazer administração, porque também tenho um lado empreendedor muito forte, mas logo vi que não, vi que era mesmo RP que eu queria e então ingressei em 2000 na faculdade.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?Guilherme Alf_2014baixa

Eu acho que o cenário brasileiro está em uma transformação muito grande, a gente está crescente nesse momento. Porque finalmente a gente se deu conta que precisamos cuidar melhor do mercado. A Academia Brasileira em RP é muito rica de bibliografia, de grandes autores e de grandes professores, e o mercado não é tão forte assim e eu acho que essa nova geração tem esse chip de mercado mais forte que o chip acadêmico.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

Como eu costumo abordar eu não tenho nenhum ídolo em RP, porque eu sou um cara novo de mercado e não conheço muitos profissionais. Agora tenho várias pessoas que me inspiram assim como Carol Terra que faz um trabalho incrível, o Pedro Prochno, a galera do Versátil, Ana de Manaus, Muriel e André do Relaciona-se. Por que essa galera me inspira? Porque essa galera tem o mesmo sonho que eu e mais do que isso essa galera faz. Então minha inspiração é essa, mas eu gostaria que minha inspiração fosse outra, fosse de ídolos mesmo que eu ainda não tenho.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Não, acho que não, acho que a gente não é valorizado. RP existe a 100 anos no Brasil e a maioria das pessoas não sabem o que a gente faz. Tem alguma coisa errada e acho que está se iniciando um movimento que pensa muito mais nisso, na divulgação do que é RP para não RP) do que internamente. Por que? Os movimentos políticos que existiram em RP, os que eu tive conhecimento até hoje, posso estar falando uma grande besteira, foram voltados mais para os RPs, para o próprio mercado de RP. Acho que essa galera nova, que a gente vem fazendo agora é falar para quem não é RP sobre a profissão. Por isso acho que vamos ser mais valorizados,sim, no futuro.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Como eu falei, eu acho que devemos fazer diferente. Acho que o dia 02/12 foi uma grande oportunidade de zerar a conta e recomeçar. Os primeiros cem anos nós fizemos de um jeito, por um lado deu muito certo por outro lado a gente ficou devendo, então eu acho que a gente tem que ter os próximos cem anos dedicados ao mercado, se a gente conseguir se dedicar ao mercado, como se foi dedicado a academia nesses primeiro cem anos, eu tenho certeza que a gente vai ter resultados incríveis logo a frente.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego? 

Então, eu tive a oportunidade nos últimos dois anos, de passar em quase quinze Estados, vendo um pouco dessa realidade e por mais que no sudeste tenha muitos profissionais e muitas oportunidades, nas outras cidades também têm. O que acontece é que a gente não consegue enxergar RP, quando não tem a “plaquinha” escrito: RP. Então eu acredito que isso vai muito da mentalidade das pessoas e da gente entender e cavar nosso lugar nos outros lugares. Acho que esta atenção concentrada no Eixo Sudeste, por uma situação geográfica e também o coração do país é lá, de negócios, de business, então é muito natural. O que fazer para uma expansão nacional? É fazer trabalho como a gente vem fazendo e nota que ao falar nesses movimentos que eu citei no inicio, a gente fala também de movimentos que existem no Norte, Salvador, no Sul. Assim tem movimentos espalhados no Brasil, basta a gente ter um pouquinho de calma e saber que com o tempo vai acontecer.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período? 

Acho que as relações públicas contribuem muito para sermos um país que debate os assuntos, ainda precisa melhorar muito mas a gente tem um diálogo muito grande. Eu brinco que todo mundo tem opinião sobre tudo e acho que isso é pouco do trabalho de RP, poder dar voz para eles, poder ouvir todos os públicos. Mesmo que seja muito longe do ideal, acho que uma das coisas que a gente faz bem.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão.

Minha história com a profissão: entrei na faculdade em 2000, me formei em 2006, tive agência de turismo, entrei como sócio de 3 bares, fui músico, fiz muitas coisas, trabalhei com jornalismo até 2012 , abri a Todo Mundo Precisa de um RP, que era para ser uma agência de RP e virou um coletivo, uma empresa que fomenta uma causa que é acelerar o mercado de RP no Brasil e a partir daí todas as coisas começaram acontecer muito bem na minha vida desde que me assumi como RP. Hoje sou sócio da Publibrand, uma agencia de RP, tenho um bar, Valen Bar 18+, sou palestrante e também tenho a Todo Mundo Precisa de um RP.”

VRP: Nos conte um pouco sobre a história do Todo mundo precisa de um RP.

A Todo Mundo Precisa de um RP era para ser uma agência para atender clientes e com o tempo eu fui vendo que as pessoas não queriam me contratar como RP. Eles queriam saber um pouco mais dessa maneira que eu estava falando de RP, que é uma maneira mais descolada, andar de tênis, de bermuda, falar palavrão, claro no momento certo. Mas dá um ar um pouco mais de entretenimento, um pouco mais cool a nossa profissão que é tão quadrada e certinha, e precisa dos certinhos e dos quadrados mas também precisa de um pouco dos loucos. E é esse tempero que eu dou com a Todo Mundo Precisa de um RP.

VRP: No dia 01 de Outubro de 2012 a empresa Todo Mundo Precisa de um RP foi lançada oficialmente. Como você avalia as ações do Todo Mundo Precisa de Um RP até hoje? Quais os planos para o futuro?

Acho que surpreendeu muito, inclusive eu mesmo, o rumo que a TMPRP tomou, todas as coisas que a gente fez até aqui eu acho que foram muito legais, muito importantes. Acho que a gente levantou uma questão que é falar sobre RP para muita gente que não tinha falado. Então até aqui eu acho que foi muito legal, muito bom, foi incrível mas acho que também agora nós entramos em um período de mais maturidade e de mais qualidade. Os dois primeiros anos foram anos para testar um monte de coisas, botar um monte de coisa na rua mesmo que não fosse da maneira ideal.

Agora em 2015, é hora da gente refinar isso e tornar isso muito mais profissional e os nosso planos apontam para isso. A gente vai levar o imersão para 6 estados em 2015, vou lançar finalmente o meu livro, estamos lançando um portal novo, a RP Week vai para segunda edição, a gente vai lançar outros cursos , então 2015 promete ser um ano de muitas novidades. Mas de novo, novidades um pouco mais profissionalizadas, é o que eu acho que está faltando para gente agora.

VRP: O que falta aos profissionais de RP para que o mercado de RP seja estimulado ? 

Olha para mim falta tirar a bunda da cadeira, falta tirar a mão do bolso e botar a mão na massa. Essa turma gosta muito de reclamar, de criticar, mas tem muita dificuldade em fazer. Todo mundo hoje acha que dar sua opinião, muito bem, mas a gente ainda tem pouca ação. Então para mim o que falta para os profissionais de relações públicas é a ação e a atitude. Falta também elevar um pouco a régua, isso que estou falando de qualidades nas ações, nos materiais e nas coisas. A publicidade tem uma excelência de entrega muito grande e falta um pouco dessa excelência para um RP também.

VRP: O que você diria para incentivar os estudantes de RP a conquista desse mercado?

Eu diria que a gente nunca viveu uma oportunidade tão grande quanto essa. Todo mundo se relaciona muito mais e muito mais rápido. As informações hoje estão muito mais conectadas entre elas e em uma velocidade muito grande, então isso abre espaço para aluno de comunicação, abre espaço para os ruídos de comunicação, abre espaço para as pessoas entenderem essa nova comunicação. O RP é o cara que tem essa leitura desse jogo e mais do que nunca, acho que as pessoas estão mais propensas a se relacionar e quem faz as pessoas se relacionarem melhor é o relações públicas. Então eu acho que já tá com um cenário incrível para os próximos 100 anos.

VRP: Qual é a atuação que você vê como mais promissoras a curto prazo?

Eu acho que é a digital, acho que é um mercado que a gente perdeu para os publicitários e os jornalistas e nós podemos recuperá-lo. Então eu apostaria todas as minhas fichas na conectividade, na internet, na relação disso com o mundo offline. A gente pode entender muito de mundo online e também de mundo offline. Se a gente conseguir ajuntar essas duas coisas, eu acho que é a coisa mais promissora e incrível que pode acontecer.

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