078 – RP escreve a sua história com Roberta Attene

rp-facebookRoberta Beatriz Cirillo Attene, 23 anos, de São Paulo/SP, formada em Comunicação Social – Relações Públicas pela Fapcom em 2012, cursando Pós Graduação em Marketing e Gestão de Negócios, pela Universidade Metodista​. Profissional atuante em Relações Públicas​, com experiência em planejamento de comunicação para diversos segmentos de públicos, gestão de marca institucional (branding​), ​eventos​, captação de recursos​ e​ assessoria de imprensa.

Atuou como RP no Departamento de Relações Públicas da Fundação João Paulo II – Canção Nova, com mais três profissionais da mesma área de formação, além de ter feito, durante a faculdade, dois estágios de mercado no Parque Ibirapuera e um na área acadêmica na Fapcom.

O Parque Ibirapuera foi a empresa de seu Projeto Experimental (TCC) que ficou em primeiro lugar no regional e nacional no XX Prêmio Expocom 2013, nas categorias “Planejamento Estratégico de Relações Públicas​”​ ​e​ “Projeto de Assessoria de Comunicação Governamental​”​ ​e em primeiro lugar no 31º Prêmio ABRP 2013 na categoria “Projeto Experimental: Esporte, Lazer e​ ​Turismo”​ e segundo lugar na categoria “Estratégia de Relações Públicas: Comunicação Digital, Mídias e Redes​ ​Sociais”.​

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?1977144_606001882813064_368140150_n

Escolhi a profissão de Relações Públicas, por ver nela a oportunidade de atuar com dois fatores que entendo como essenciais para a sobrevivência de uma organização, bem como princípios que norteiam minha vida:

1º Relação empresa-sociedade, o qual o foco da profissão é a visão holística sobre a organização, contemplando os lucros financeiros e socialmente responsáveis. O Relações-Públicas é o profissional que compreende que para a organização sobreviver a um ambiente altamente competitivo e crescer, tornando-se respeitável e aceito pelos públicos-alvo e de interesse, é necessário que sua estrutura e diálogo sejam pautados no valor social, na compreensão dos desejos dos consumidores, para atender de forma diferenciada e personalizada.

2º – O profissional que conhece a organização por completo, seus princípios, valores, histórias e cenários, articulando da melhor forma o modo como a empresa é vista e percebida, tornando-se o “porta-voz” da organização, a representação pessoal da empresa
A área de Relações Públicas tem o grande diferencial da flexibilidade, se adequando as diversas áreas da organização e segmentos de mercado, e a dinamicidade inerente a própria profissão.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Muito se diz que as Relações Públicas são pouco reconhecidas e até desconhecidas no mercado de atuação, suas atividades não são compreendidas e aceitas com facilidade, o que, ocasionalmente, limita o desenvolvimento e espaço de atuação profissional.

Acredito que quando se trata de espaço de trabalho, existe muitas oportunidades e mercados de atuação, principalmente pela amplitude que a profissão proporciona, estando presente em qualquer tipo, seguimento e porte empresarial, bem como nas próprias relações interpessoais e familiares.

O que podemos notar é o pouco reconhecimento da profissão inicialmente pelos próprios profissionais, seguido das empresas e pessoas em geral. Os Relações-Públicas não colocam-se como diferenciais, permitindo que outras áreas profissionais apoderem de suas atribuições. É importante que compreenda que não é só limitar a atuação de outras áreas em nossas atividades, mas encontrar espaços de atuação, demonstrando o diferencial e importância, dialogando em parceria com outras áreas, não sendo o “sozinho” mas o “compartilhador” de ideias para crescimento de todos.

O reconhecimento virá a partir do momento que entendermos que ele só ocorre quando vindo de forma “gratuita” de pessoas externas. Para tanto, quando os próprios RPs compreenderem seu diferencial no mercado, agindo de modo que suas atitudes sejam reflexo de sua importância, a profissão terá o reconhecimento devido.

Do mesmo modo que oportunidades são criadas, reconhecimento e valor para a atuação também. É a execução das atividades profissionais de forma diferenciada e personalizada que permitirão que a atividade seja vista. É o RP se valorizando e sendo verdadeiramente um RP, onde quer que esteja, junto a uma comunidade de RPs que apoiam, ajudam e colaboram entre com dicas, sugestões e ideias, para que todos cresçam, realizando em workshops, eventos e seminários da área com regularidade, para aproximação de relações-públicas e compartilhamento de experiências.

Além disso, não é partindo para outras áreas, para trabalhar nelas, como marketing, jornalismo, finanças, publicidade, secretariado, mas sim trazer o conhecimento destas disciplinas para fortalecer o segmento de Relações Públicas.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

Para responder a essa pergunta, vou responder ela em duas partes. Uma das pessoas que me inspiraram a estudar e trabalhar em Relações Públicas, pelos valores, conhecimento e por demonstrar que mais do que ser profissional é ter uma vida diária de um verdadeiro relações-públicas.

A primeira pessoa, de grande nome e referência a sociedade, e não é a toa que foi considerada o primeiro relações-públicas que se tem datado: Jesus Cristo. O maior comunicólogo, publicitário e maior relações-públicas do passado, no presente e certamente será no futuro, e do qual acredito ter nascido os princípios e modelos de um padrão perfeito de atividade em relacionamento de públicos. Este homem, evangelizava uma filosofia de vida, compartilhava com as pessoas e promovia o amor. Ele uniu povos e nações diferentes e sua história marca a história de cada pessoa, um bom exemplo é a datação: “estamos no ano de 2014, depois de Cristo”, o que prova sua existência e relevância na vida social, como também a continuidade de sua filosofia.

A segunda pessoa é meu pai Juvenal Attene Junior, que colaborou e colabora com minha escolha para esta academia e tem continuamente compartilhado de experiências e objetivos comigo. Não é porque é meu pai, mas por ser verdadeiramente um homem de grande honra, que cuida diariamente em promover o bem social, respeito ao próximo, pessoa criativa, responsável e grande pesquisador. Me mostrou que um relações-públicas precisa entender de tudo, ver que sua atividade precisa ser mensurável e render lucros sociais e financeiros, ver que a área não se fecha em si, mas necessita e precisa compartilhar com outras áreas. O profissional precisa ver que ele deve ser verdadeiro sempre no que prega e no que diz, pois este modo de viver refletirá a maneira como executará suas atividades profissionais. Me mostrou que os princípios devem nortear nossa vida profissional, para que saibamos selecionar aquilo que me melhor qualifica nossa profissão, e que possamos ser, do mesmo modo, flexível e pesquisador, pois nossa visão não deve ser limitada, mas baseada em criticas e perguntas construtivas.

A segunda parte da resposta cabe a todas as pessoas que formaram o meu pensamento acadêmico e profissional, começando pelos excelentes professores que me educaram e me instruíram nessa disciplina, a todos os profissionais que tenho trabalhado nesses últimos 4, bem como os diversos escritores literários em relações públicas e outras áreas aproximadas que compartilham seus ideais e suas habilidades com bastante influência e conhecimento, a quem admiro e respeito.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Como citado nas questões anteriores, os profissionais em Relações Públicas, apesar dos 100 anos, não tem definido ainda a personalidade própria, tão pouco a sua aplicação profissional. reconhecimento no mercado e das atividades desse profissional sejam admiradas, desejadas e aplicadas no mercado como nas demais profissões já reconhecidas. O médico é médico, o arquiteto é arquiteto, o engenheiro é engenheiro, relações-públicas … não se sabe o que faz.

Acredito que a profissão não é valorizada como deveria no mercado e até acadêmico. Vejo que muitos jovens relações-públicas tem buscado sair das teorias e direcionado para o campo de exposição da profissão. Entretanto, há dois fatores que ainda não permitem que esse diálogo se desenvolva:

Precisamos sair do comodismo de somente dizer entre os próprios profissionais que RP é importante, é necessário ser fiel a realidade e colocar os conceitos e ideais em execução, mostrar-se para as empresas e diversos segmentos a nossa importância
Segundo fator, deve-se ao fato de que os próprios profissionais não reconhecem que eles mesmos conseguem criar e evoluir o mercado de RP, o que acaba apenas provocando criticas a legislações e conselhos e não estabelecendo ações que modifiquem o cenário percebido por todos.

Podemos até arriscar e dizer que RP tornou-se como um “artigo” (profissional) de luxo, as empresas que possuem esse profissional o veem como algo para “se mostrar” ou dizer que podem ter um profissional de RP, mas quando a crise financeira aperta, a profissão é retirada de suas funções, o que nos mostra que até nos momentos que o RP se articularia com grande ênfase, perde sua força, por ser considerado um secretario executivo de luxo.

Questionamos: será que sabemos evidentemente as funções e atribuições de um RP? Será que temos condições e portfolios eficientes que demonstrem nosso potencial e importância? Ou estamos sendo só mais uma profissão de administração, marketing ou secretariado? E assim, podemos brincar: Pode um relações-públicas ganhar 50, 100, 200 mil num trabalho de relações públicas?

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 100 anos das relações públicas no Brasil?

Em 100 anos aprendemos que a teoria de relações públicas ainda esta no inicio de uma grande realização, a de nos tornarmos lobistas de nós mesmos, deveremos dar o formato real e aplicativo das nossas atividades nesses próximos 100 anos, aproveitando experiências, técnicas, habilidades de diversas áreas profissionais para fortalecer, incrementar e capacitar nossas atividades . Tenho a certeza, que esta geração centenária fará a diferença no novo perfil dos relações-públicas, pois o sucesso já esta garantido, o contexto histórico atual nos permite evidenciar nossa profissão.

Meu pai sempre diz que a nossa história não existe individualmente, o que somos não se limita apenas a nós, mas aliado a todo contexto histórico, uma sequência de fatos externos e sociais que interferem na nossa história e modifica o modo como compartilhamos e vemos a vida. Portanto, devemos abrir o modo como enxergamos as coisas e nos permitir ver o todo. Que tal fazermos um pequena viagem na história de nosso país e do mundo para compreender o porque citei a frase anterior?

São 100 anos de Relações Públicas, mas também de Brasil e mundo.
O ano de 2014 marca cem anos desde a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914), nesses anos tivemos toda tratativa e arsenal militar no Brasil, vivemos um momento socialista e comunista, que acompanhado de teorias novas e reformulações cientificas, como psicologia de Freud e a inovações tecnológicas, com a Revolução Industrial e, aqui no Brasil, uma transição do Governo Imperial para o Republicano, com grande ênfase de articulações políticas e militares. .
Um panorama apresentando no livro Marketing 3.0 do Philip Kotler, aborda que a área da comunicação, administração e finanças passou por um grande processo de desenvolvimento, transitando em 3 principais estágios, que ele chama de Marketing 1.0, 2.0 e 3.0., dando inicio a partir da época da Revolução Industrial e chegando ao que chamamos hoje de uma comunicação volta a marca e aos relacionamentos sociais e comerciais.

Acredito que essa transição não apenas se restringe ao marketing, como a publicidade e principalmente ao relações-públicas, a quem enfatizamos nessa entrevista. Antes vivíamos um comércio artesanal, no qual as vendas eram diretas e restritas em quantidade, devido ao seu processo fabril. Com a evolução das máquinas e, principalmente, com o grande marco da Revolução Industrial, entramos na esfera de grandes produções, aumentos de estoque e, consequente, necessidade de elevar as vendas. Neste contexto a publicidade e os processos de vendas se tornaram as ferramentas ideais para as organizações, necessitando que seus produtos fossem conhecidos e procurados pelos consumidores. Com o aumento das vendas e de produção, foi necessário pensar num patamar além de departamentos financeiros e vendas, que atendesse a todos os aspectos de distribuição, estrutura e comercialização, assim o marketing teve seu grande destaque.

No mundo de 2014, estamos vivendo o que o Kotler chama de Marketing 3.0, que a base é o consumo de marca e conceitos empresariais, a estrutura comercial não é apenas as vendas, mas a imagem. Particularmente, vejo que é nesse contexto que as Relações Públicas tem o seu grande destaque. É necessário a gestão de uma organização que estruture planejamentos que vislumbrem um contexto novo. Os países, nesse aspecto, não estão sozinhos, vivemos realmente o contexto mundial, a capacidade de obter e comunicar informações entre pessoas e povos é instantânea em quase toda a Terra. A comunicação, portanto, torna-se a essência para todo o setor social e comercial, a função básica: gerir e articular os relacionamentos empresariais, ou seja, relações públicas!

Acredito que o centenário de RP até agora não cresceu como deveria, pois não estava inserido no contexto do mundo dos relacionamentos, ou seja, mais do que nunca, a nova ordem mundial nos permite abrir uma janela para as Relações Públicas, até então não vivida, em um processo de gestão de relacionamentos, estabelecendo estruturas que evidencie o que as empresas desejam aos diversos perfis de públicos, com habilidade para argumentar e influenciar pessoas e povos.
Portanto, Relações Públicas é a profissão do futuro.

Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais da área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

A maior de dificuldade é a questão da compreensão do profissional de Relações Públicas e suas atividades no mercado como um todo, pois o profissional de RP quando bem entendido e requisitado atua com importante influencia na formação ideológica, profissional, cultural, social e politica em qualquer região. Assim sendo, podemos dizer que a região Sudeste e Sul são mais facilitadoras para o profissional em termos da vasta área industrial e comercial – financeiro, restringindo a profissão a mero funcionário de cargos, o que torna restrita aos profissionais de outras regiões do país com menos numero de investimentos nessas áreas: industriais, financeiras e comerciais. Essa verdade esta passando por transformação pois hoje tem se visto grandes investimentos em função de incentivos fiscais e de mercados abertos, tanto nacionais como internacionais. Como exemplo, podemos citar a Fábrica da Ford em Camaçari na Bahia e a Ford Troller em Alagoas, polos desenvolvidos em Mato Grosso, Tocantins, Amazônia e as Hidrelétricas.

Acredito que a maior participação do profissional na área especifica em relacionamento de públicos é o que levará novas fronteiras de investimentos e riquezas para estas regiões, pois foi neste formato que a região Sudeste teve o seu desenvolvimento, basta lembrarmos no crescimento do comércio e da indústria em regiões Sudeste e Sul se deram por conta do segundo governo imperador ter sido estabelecido em Guanabara e no Rio de Janeiro, e com a República, a região que mais agregava políticos era a região Sudeste do Brasil, especificamente São Paulo e Minas Gerais.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

A maior contribuição em 100 anos está no setor político em que se agrega maior número de interesses sejam comerciais, industriais, financeiros, social, saúde pública no qual as redes são ligadas a grupos coordenados por lobistas.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Onde começou? Qual foi ou é o seu maior feito na categoria?

Eu não conhecia a área de Relações Públicas, meu interesse antes do vestibular era fazer medicina, principalmente pediatria, porque o que me via mais para frente era trabalhar em uma profissão de cuidava de pessoas, que tratava delas, este era meu proposito. Gostava muito da área empresarial, minha mãe sempre dizia que me via trabalhando na área administrativa, mas não queria fazer um curso de administração. Meu pai citava diversas áreas que compreendia o perfil social que desejava, como psicologia, mas não sentia aquela sensação “é isso”. E, cheguei a fazer inscrição nos vestibulares em medicina, fonoaudiologia e até arquitetura, mas mesmo assim não sentia que estava decidida oficialmente.

Eu sempre brinco que as coisas que acontecem para mim são sempre as ultimas, e estas parecem que estavam separadas para quando eu chegasse, dou muita risada com isso, porque ocorre fatos desde compras de objetos do cotidiano, como outras situações, como emprego. E não foi diferente na escolha do RP, era o ultimo vestibular para me inscrever e decidi ler o edital de cursos, li: “Relações Públicas”, aquela nomenclatura me chamou tanta atenção, que no mesmo momento fui pesquisar

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Existe um crescimento substancial na área de terceiro setor que tem sido promissor campo de profissionais de Relações Públicas, visto ser um segmento que sintetiza a qualificação de pessoas em que a sociabilidade e o relacionamento de pessoas é o fator social, o que justifica a atuação deste profissional.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Aqui há um dilema, pois, no deveríamos dividir em duas partes esta questão. Primeiro se olharmos para o centenário passado das Relações Públicas, observaremos que os profissionais desta atuação foram fragilizados pela cultura acadêmica não influente para atribuir valores de competências que dessem o fortalecimento e a projeção merecida a esta área, como podemos ver em outras academias. Isto fez com que neste centenário passado a maioria dos profissionais em RP fossem utilizados em diversas áreas institucionais, não propriamente de relacionamento de público, como RH, Marketing, Administração e demais serviços corporativos. O mesmo acontecendo com estes profissionais, quando em determinadas empresas que houvesse verdadeiramente um departamento de Relações Públicas e os tais profissionais destas outras áreas eram colocados no departamento de RP, o que desfigurou a profissão.

O segundo aspecto é a antevisão hipotética, pois o futuro centenário dependerá do posicionamento de vários setores da economia, da política, das empresas em entender e valorizar os profissionais em RP em seus devidos cargos e departamentos específicos desta área, assim como vemos em engenharia, arquitetura, medicina, direito; nós também deveremos ter o reconhecimento do profissional de RP se especifica e molda-se essencialmente em relacionamento e gestão de públicos.

O panorâmico cenário para os próximos 100 anos, mostra-se bastante favorável ao reconhecimento do profissional de RP, porem cabe as instituições educacionais que formam estes profissionais darem ênfase, dinamismo, importância e qualificação para a formação. Mas o mais relevante será o profissional, bem instruído e com capacidades agregadas fazer a parte que lhe compete, de buscar sempre, trabalhar e atuar no segmento que se propôs e valorizar esse segmento através de suas habilidades, competências, qualificações, pois é disso que o mercado futuro estará precisando. Haja visto todos os meios hoje estão voltados para as comunicações, os avançados sistemas de informatização global, a apropriação do conceito de globalização de culturas, economias, politicas entre outras e, principalmente a difusão do conceito de um pensamento único e universal, o qual se estabelecera em relacionamento de pessoas, ou seja, os verdadeiros RPs.

VRP: O que pensa sobre o projeto de flexibilização da profissão?

O processo de flexibilização do regimento da profissão de Relações Públicas é um passo importante pela qualificação e reconhecimento de profissionais de determinada área, projeto este comum a outras categorias profissionais, como o Direito e a Medicina, que estabelecessem formas de validação para registro profissional.
Entretanto, dois aspectos devem ser considerados quando cria-se tal demanda:

O projeto de registro profissional não deve limitar-se a apenas criar barreiras para inserção de pessoas na profissão, mas o Conselho profissional precisa modificar sua forma de atuação e de proteção profissional, não apenas criando um estatuto, mas apoiando os profissionais para crescimento mercadológico.

Assim como ocorre em demais categorias regulatórias, por vezes, identificamos ser o registro uma estratégia de atrelar grupos de interesses sobre determinada profissionalização, em que a pretensa flexibilidade deixa de existir, como exemplo, o recente caso que envolveu o senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr. Joaquim Barbosa, cassado em seus direitos por grupos que regulamentam a justiça e a ordem, diante de seus posicionamentos contrários as propostas lideradas pelo governo.

É importante pensar que a contrariedade que envolve as ordens regulatórias advém de estabelecerem um padrão único de profissionais que respondem com juramento a aprovação de grupos de interesse, não dando liberdade de expressão, interpretação, modificação e, principalmente, de responsabilidades pessoais e de grupos.

VRP: Em sua opinião qual a relação de RP e empreendedorismo?

A relação entre as Relações Públicas e empreendedorismo são diretas e intrínseca a profissão. As Relações Públicas caracterizam-se por uma área corporativa, de negócios empresariais, atuando diretamente em estratégias e planejamentos que aproximem a organização de seus públicos de interesse, para crescimento de curto a longo prazo. Uma atuação profissional que exige ações criativas e estratégias de mercado. Este perfil enquadra-se perfeitamente no princípio do empreendedorismo, mercado novos, que encontram-se em diversos segmentos de atuação, necessitando, principalmente, de reconhecimento pelo público-alvo (consumidores), para inserção e desenvolvimento de futuros negócios.

VRP: Como foi a experiência de participar e ganhar os concursos acadêmicos?

Quando estamos no processo de aprendizado na profissão de Relações Públicas, a ansiedade e medo do “imprevisível” Trabalho de Conclusão de Curso – TCC não nos permite entender a razão de sua existência e o valor de executar um trabalho para fechamento de um ciclo educacional. Por vezes, a tendência do alunado é realizar as atividades acadêmicas meramente como uma “entrega de trabalho” para avaliação final e recebimento do certificado superior.
Entretanto, quando se dá o inicio ao projeto, o medo e a ansiedade continuam, mas a sensação de preparo para este momento é mais reconfortante. É interessante pensar que o projeto deve ser visto e entendido pelo grupo como algo maior do que “mais um trabalho de faculdade”, mas sim um projeto que será um portfólio profissional, sendo a oportunidade de executar como agência profissional todas as atividades e habilidades de um Relações-Públicas, analisando os processos empresariais do inicio ao fim.

A compreensão do TCC como um projeto real por parte da equipe faz a diferença no desenvolvimento do trabalho. É nesse processo que é possível aprender a trabalhar em equipe por um prazo maior, a se relacionar com diversos tipos de pessoas (não somente professores), a enxergar que seu trabalho interfere diretamente no trabalho de outras pessoas e, portanto, é imprescindível buscar relações positivas e construtivas com demais departamentos, e, principalmente, ser responsável por um departamento de RP para uma empresa real. Essa experiência vale a pena ser vivida intensamente, o aprendizado é valioso.

Destaco esse contexto pois a colocação frequente de nosso orientador, Prof. Dr. Marcos Steagall, e tantos professores que nos deram apoio durante o TCC e foram os nossos educadores durante o curso, como Prof. Ms. Fábio Munhoz, Profa. Ms. Glaucya Tavares, Prof. Ms. Paulo Régis Salgado, Prof. Ms. Tarcísio Cardoso, Profa. Denise Aquino, Profa. Ms. Rita de Cássia Borges e Prof. Ms. Daniel Paletta, sempre destacavam que devíamos executar cada etapa do TCC com dedicação, empenho e alegria ao finalizar cada processo, que o futuro (como nota final e concursos, que tanto queríamos) seriam consequências daquilo que estávamos realizando. Este conselho muito nos contribui para, paulatinamente, seguir as etapas executando o melhor que pudéssemos, vivendo cada momento.

No ano seguinte, quando abriram as etapas de concursos na área, primeiramente a alegria foi saber que haviam muitas oportunidades para participação de trabalhos como o nosso (TCC), o que denota a oportunidade de exposição do projeto para pessoas diferentes do ciclo de convívio habitual (ou seja, professores e colegas de nossa relação direta), externos até de nossa região, de culturas, costumes e perfis diversas, que não nos conheciam e, obviamente, tinham o conhecimento profissional elevado, e estavam ali para avaliar trabalhos em Relações Públicas de diversas regionais, Sudeste e depois Nacional. Aspectos que demos valor na hora de submeter o projeto.

Assim como o TCC, quando bem executado, torna-se um grande portfólio pessoal e de equipe, os concursos e prêmios recebidos, também nos qualificam e são fatores de diferenciação para desenvolvimento profissional, por valer não apenas na área de mercado, mas acadêmica também.
A importância da premiação é o reconhecimento de tudo o que você aprendeu e a oportunidade de validar o que foi colocado em prática, bem como a satisfação pessoal e do grupo de ver que seu projeto, seu cliente (neste caso especifico, o nosso foi o Parque Ibirapuera, de ter aberto um novo espaço de discussão e interesse acadêmico no setor até então exclusivo a gestores políticos – setor de parques – que reconheceram a importância de se fazer estudos, pesquisas, TCCs, para a formação de novas politicas governamentais), foram satisfeitos em seus interesses, reconhecidos por profissionais e acadêmicos.

A alegria em participar vai além, até, de receber os prêmios, mas conhecer locais diferentes, participar de eventos e seminários, e, principalmente, conhecer e compartilhar com colegas de outras localidades do país, ver o que estão estudando e como é a vida profissional e acadêmica nas diversas regiões do Brasil.

VRP: Como o seu cliente (do projeto experimental) contribuiu para o desenvolvimento do trabalho?

A boa relação com o cliente e a aceitação plena deste para com o projeto de TCC são fatores essenciais para a realização do projeto, pois o trabalho de Relações Públicas necessita do acesso a informações completas de toda a organização e, principalmente, o posicionamento da gestão e diretoria. Se não houver a colocação destes, sua avaliação e indicações referente a empresa, não é criar um projeto que atenda as necessidades da empresa de forma assertiva, pois o diálogo inicial com a diretoria é o primeiro passo para a execução do projeto, ali serão definidas as linhas de raciocínio que o profissional deverá enxergar.

A nossa experiência enquanto agência Semear Comunicação Integrada junto ao cliente Parque Ibirapuera foi bem peculiar e de grande valia. Uma relação forte e positiva que contribuiu e muito para que realizássemos o projeto. Destacando alguns pontos centrais, temos:
A diretoria e departamentos administrativos do Parque Ibirapuera e os seus parceiros locados em seu perímetro eram formados, em sua grande maioria, por profissionais de engenharia, zootecnia, museologia, arquitetura e agronomia, áreas bem diferentes da profissão de RP, e reconheceram a importância do trabalho e se dispuseram com liberdade a execução de nosso projeto.

Desde o primeiro momento, em que propus a minha chefe, Superintendente de Eventos do Parque Ibirapuera, a Sra. Erika Gartner Hopfgartner, que minha equipe buscava uma organização para trabalhar com o TCC e que surgiu a ideia de realizar no Parque Ibirapuera, a sua resposta favorável foi o ponto chave para que o projeto ocorresse ali. Primeiro, por ser a única equipe de Relações Públicas que desejava realizar um trabalho de RP no Parque Ibirapuera, e não só lá como em todos os Parque Municipais e Estaduais, que nunca haviam recebido um projeto de RP neste segmento de atuação. Segundo, por ser o sonho particular dela, que já estava na organização há 12 anos, e via a importância de desenvolver um projeto de RP no Parque, pois os consumidores necessitavam de um diálogo direto com a organização, o que mostrava, ao seu ver, ser uma grande ausência, de modo geral, nas gestões de parques municipais.

A reunião inicial com a Sra. Erika, seguida do diretor do Parque, Sr. Heraldo Guiaro, foram essenciais para nos apresentar os pontos estratégicos, os quais deveríamos ter como base de pensamento, para execução de ações que fossem adequadas ao perfil da organização. Fatores estes, que com frequência nos recordávamos para avaliação de todas as etapas de nosso projeto.
Por fim, e com muita gratidão, tivemos o privilégio de ter a presença do cliente, representado pelo diretor e toda a equipe administrativa do Parque Ibirapuera, pelos gestores das empresas parceiras e de apoiadores da organização que se fizeram presente em nossa apresentação final.

As colocações do diretor do Parque Ibirapuera, Sr. Heraldo Guiaro, logo após a aprovação de nosso trabalho pela banca, indo a frente, no palco e compartilhando com todos o que o projeto acertava nas necessidades da organização, foram, para nós, motivo de muita alegria e realização. Saber que nosso trabalho atendeu o próprio objetivo da equipe: “não realizar só mais um trabalho de TCC para entrega final do curso”, mas ser um trabalho profissional, responsável, inovador e personalizado, atendendo as necessidades da organização de forma diferenciada.

VRP: Alguma ação foi feita realmente pelo cliente?

Quando finalizamos o projeto e tivemos a presença da diretoria do Parque Ibirapuera em nossa apresentação final, foi colocado que o projeto “Parque Ibirapuera, que o olhar ouse”, seria executado.

Entretanto, o ano de 2013 passou por um grande processo de mudança do Partido Político na Prefeitura Municipal de São Paulo – do PSDB/PV/DEM para o PT, por conta das eleições de 2012.

A Secretaria do Verde e Meio Ambiente – SVMA, o qual o Parque Ibirapuera responde, teve seu quadro de funcionários completamente substituído, o total de 95%, interferindo no desenvolvimento de todos os processos organizacionais, e o Parque Ibirapuera, de igual modo, também passou por esta transição, com a saída dos gestores, não sendo possível retomar as atividades anteriormente propostas pela equipe.

VRP: Onde pretende estar em relação a profissão daqui há cinco anos?

Felizmente, tive a oportunidade de desenvolver três estágios profissionais e ter entrado na profissão de Relações Públicas, logo após a conclusão do curso, em um departamento especifico de RP, o que me permitiu um aprendizado em diversos segmentos de mercado e aplicar os conhecimentos aprendidos.

Diante do que vivenciei, e do desenvolvimento diário, minha previsão futura é atuar em uma empresa, podendo desenvolver projetos em diversos segmentos comerciais, institucionais, políticos, atuando como Relações Públicas em planejamento e criação de estratégias de comunicação com públicos externos e apoio a tomada de decisões, mantendo um perfil de RP dinâmico, atualizado, acompanhando as tendências de mercado e criando ações inovadoras e adequadas ao futuro.

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