081 – RP escreve a sua história com Taís Oliveira

rp-facebookTaís Oliveira, 24 anos, guarulhense e palmeirense. Formou-se em Comunicação Social habilitação em Relações Públicas pela FAPCOM em 2011. Passou pela SERT (Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho); Pyrsona – agência de branding; Scriba – agência de conteúdo corporativo; empreendeu na Oh! Georgete – marca de roupas femininas; e foi Social Media na Unius – agência de Marketing Digital.

Fundou o Versátil RP junto com o Galofero em 2009. Hoje, o VRP é seu principal projeto e plano profissional. Em 2013, foi quarto lugar na categoria Profissional Revelação no Prêmio Relações Públicas do Brasil, realizado pelo Portal RP-Bahia. Esse ano participou da Campus Party Brasil, RP Week, Social Media Week Araraquara, Congresso ALARP e Encontro de Egressos da FAPCOM representando e falando sobre o Versátil RP e assuntos relacionados (blogs, RP 20, posicionamento online da marca, etc).

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Durante o ensino médio eu passei dois anos e meio convicta de que queria estudar Psicologia. Certo dia, assisti a uma palestra sobre Marketing e meus olhos brilharam pelo conteúdo. Depois do evento fui conversar com o palestrante e ele me orientou a pesquisar sobre “comunicação social”. E assim fiz. Li sobre todas as habilitações da CS e confesso que todas me interessavam muito, mas fui pelo critério de eliminação. Pesquisei sobre o mercado, habilidades, possibilidades, etc. E acabei colocando Relações Públicas em todas as minhas cinco opções no processo seletivo do Prouni.Taís Oliveira

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Ando um pouco viciada em estatísticas oficiais, pra tentar evitar o achismo. Não tenho tantos contatos assim de RP pelo Brasil e a opinião dos que conheço também pode ser fragmentada. Então, aproveito para sugerir uma pesquisa oficial sobre isso (Alô, órgãos representativos, instituições de ensino, associações, sindicatos, GT de pesquisa do Versátil RP e tals…).

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

Team feminino das RP: Vera Giangrande, Carol Terra, Márcia Cechini, Mara Baroni, Gilceana Galeriani e Ariane Feijó, sou clubista e acho que tem que fortalecer a mulherada sim, hehe. Elas são as divas pra mim, mas tenho outras inspirações como meu parceiro/sócio Diego Galofero, Chamusca, professor Alexandre, Marcus Vinicus Bonfim e Fabio França <3. Além dos meus professores da faculdade Elisete Baião, Paulo Regis, Denise Aquino e Carla Almeida que foram as primeiras referências.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Creio que essa concentração revela um olhar míope ou fragmentado do que RP pode oferecer. Temos uma mania de considerar sucesso ou um case extraordinário somente o que é feito para grandes empresas (e grande maioria está aqui em SP), porém nos esquecemos de cases das empresas de pequeno e médio portes que tem em todos os lugares. Dos empreendedores do bairro, eles também se comunicam, também têm público. Então, partindo desse ponto de vista, em todos os cantos do país tem oportunidade pra RP.

São Paulo e grande São Paulo concentram as grandes empresas ou estatais e essas têm de estar burocraticamente alinhadas, até em relação à nomenclatura “Relações Públicas”. Esse detalhe talvez revele um outro ponto de miopia, e vários entrevistados já falaram disso por aqui, não é necessário estar escrito “vaga para Relações Públicas” para que possamos ser e fazer relações públicas.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como inciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Durante quatro anos, dos 15 aos 19, fui coordenadora de grupo de jovens na Pastoral da Juventude da ICAR, depois fui secretária diocesana e estava pra assumir a coordenação paroquial quando li o Anticristo de Nietzsche pra disciplina de Filosofia da faculdade e, digamos, fiz outras escolhas na vida. Mas enfim, creio que nesse período tive a minha primeira experiência como RP. A Pastoral da Juventude (que é algo que eu amo até hoje, ainda que eu não frequente mais a ICAR) tem uma estrutura e um projeto de desenvolvimento pedagógico com o jovem que requer muito planejamento, observação e estratégia, fora os inúmeros eventos que organizávamos mensalmente (risos, entendedores entenderão). Foi nesse período que comecei a gostar mais de futebol, pois nossos encontros eram aos domingos às 16h (horário do futebol) e estávamos perdendo jovens pro Galvão Bueno. Logo tratei de trocar o horário ou reunir todos pra assistir os jogos juntos (estratégia diante da crise). Assim, me tornei essa arruaceira frequentadora de estádios e xingadora das mães de juízes.

Depois tive uns “pseudo-estágios” dos quais aprendi muito sobre o que não fazer. Fiz os estágios bacanas no último ano. Algumas loucuras logo que me formei (pois ninguém é de ferro) e depois disso a maior parte da minha experiência foi no digital, criação de conteúdo, planejamento editorial, atendimento online, etc.

Atualmente estamos planejando a conquista do universo (aguardem os próximos capítulos…). Além disso, o Versátil RP tem consumido muito do meu tempo, gerenciar o “RP escreve a sua história”, buscar parcerias, revisar textos, gerenciar equipe, planejamento, cobrar a galera (chatão, mas faz parte também) etc. Mas não digo isso com tom de reclamação, de forma alguma. Pois esse é o meu projeto de maior orgulho. São cinco anos de aprendizado e evolução constantes, razão pela qual conquistei muitas coisas bacanas na carreira, conheci e pretendo conhecer muitos profissionais que admiro. Além dos bons amigos que fiz nesses últimos cinco anos.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

O digital e RP 2.0 tem tudo para ser a meninas dos olhos, talvez essa área já esteja super saturada, embora só quem realmente prestar um serviço de qualidade permanecerá, principalmente no que se refere ao bom relacionamento com os públicos, e aí nós somos feras nesse ponto.

Eu sou muito nova no mercado e não tenho um olhar tão afinado de análise, mas pelos eventos, bate-papos e entrevista que fui/fiz pelo Versátil RP esse ano, percebo uma forte corrente de resgate ao papel estratégico das Relações Públicas, então, creio que o pensar a atuação global de uma grande empresa, personalidade, pequeno empreendimento, entre outros seja nosso aspecto mais forte e o que deve receber mais atenção de nossa parte.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Polêmicas. O que observei lendo os documentos, cartas, atas, conversas e debates nas mídias sociais e alinhado ao que vejo no mercado é que:

Primeiro – registro no conselho é lei, é obrigação e não é clube de vantagens. Parem de perguntar se vão ter desconto nisso e naquilo e de falar que custa caro, planejem-se e guardem R$30,00 por mês pra pagar a anuidade com desconto em janeiro;

Segundo – o mesmo registro não garante reserva de mercado. Talvez nas grandes empresas e estatais burocráticas que citei acima. Mas esqueçam que a agência pequena vai exigir isso. Por exemplo: já vi um registro na carteira de um colega com um CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) tão bizarro que nada tinha a ver com a comunicação social, quem dirá com Relações Públicas. As pessoas burlam pra pagar menos impostos, eis o mundo real, e aí ou tu aceita ou tu fica sem emprego, escolha;

Terceiro – é paradoxo, mas pra lutar contras essas ~burlagens~ é necessário registrar-se, pois só assim você terá voz no órgão de representatividade, e vamos combinar que cobrar algo sendo que você também não cumpre sua parte não faz o menor sentido;

Quarto – falando em burlar, é muito simples burlar a fiscalização e de fato a lei que regulamenta as RP tem brechas;

Quinto – muita gente faz RP com outras nomenclaturas (isso faz parte das brechas da lei). Todavia, algumas pessoas são muito boas no que fazem. Partindo dessa premissa, penso que sim, é válido expandir a lei a partir dos critérios indicados no projeto de atualização e rever outros pontos como fiscalização, prospecção de recém-formados, comunicação, facilitar o pagamento da anuidade e outros tantos aspectos do conselho como um todo.

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Sou bem suspeita nesse assunto, minha família é bem empreendedora, desde pequena minha mãe me carrega em todas as suas empreitadas (vários sábados batendo perna no Brás comprando roupas pra revender, loja de doces na rua da escola, gelinho e sorvete no verão, cachorro quente e churros nas festas de rua do bairro, etc). Essa característica empreendedora das RP foi um dos critérios de classificação quando tive dúvida entre as outras habilitações da CS. Aqui no Versátil RP a gente empreende e assim por diante. RP e empreendedorismo combinam e combinam muito.

VRP: Há quanto tempo faz parte do projeto do blog Versátil RP? Quais foram suas experiência mais significantes?

Fundei, junto com o Galofaz, o Versátil RP. Todos os eventos e cursos que cobri pelo Versátil, todas as pessoas que conheci através do blog, os reconhecimentos carinhosos e os eventos que participamos esse ano são as coisas mais legais. A gente nunca ganhou dinheiro algum com o blog, mas aqui o grande valor não está na moeda.

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática Relações Públicas no país? Quais os benefícios podem surgir daí?

Eu gosto muito, primeiro por que quebra uma possível visão de concorrência, quando na verdade somos aliados, parceiros. Cada um a sua maneira, mas no fim das contas o objetivo é o mesmo. Depois por que a maioria é jovem dos 20 aos 35 anos e estamos em plena potência de agir, tendo ideias o tempo todo. Estamos conectados e interagindo todos os dias e muita coisa bacana pode sair daí.

VRP: Qual publicação de sua autoria é sua preferida? Por que?

Tenho sérios problemas em resgatar o que já escrevi, pois sempre quero alterar alguma coisa, mas gosto muito do texto sobre a Vera – foi pesquisa mais gostosa que já fiz, inspiração pura; o Padrões de comportamento versus efeitos da tecnologia; Planejamento editorial em mídias sociais e a série sobre empreendedorismo aqui, aqui, aqui e aqui. Atualmente tenho estado mais nos bastidores do que escrevendo, mas pretendo escrever mais ano que vem, juro.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Como já disseram aqui – espero que sejamos reconhecidos pelo nome sem ter de explicar o que somos.

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém formados?

  • Vão além da cadeira universitária, o conteúdo daí não representa o todo (talvez nem a metade).
  • Façam iniciação científica e já vão se acostumando com a ABNT, isso será muito útil.
  • Estudem inglês (sem desculpa, depois que inventaram a internet não tem mais desculpa).
  • Conversem com os profissionais mais experientes.
  • Pesquisem sobre Conferp/Conrerp, Abrp, Abracom, Aberje, Intecom. Saiba a diferença entre eles, quais suas competências e quem são as pessoas que são linha de frente de cada um dessas representações/instituições/órgãos.
  • Empreendam na instituição. Agência Jr, grupo de estudos, um evento, um blog, qualquer coisa que o faça sair da zona de conforto do aluno que só escuta o que é dito e não vai além.
  • Façam estágios, mesmo os ”pseudo-estágios” (tipo atendente de telemakerting que os caras botam um nome bonitão pra te ludibriar), são nesses que vocês aprenderão o que NÃO fazer.
  • Mas busquem os estágios legais de verdade.
  • Ofereçam o que já aprenderam pra uma Ong ou algo assim.
  • Aproveitem muito os amigos, os bares, as festas, os porres, as viagens por que a vida também é curtição e você vai sentir falta disso tudo depois de formado. 😉
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s