082 – RP escreve a sua história com Sérgio Giacomo

rp-facebookSérgio Giacomo assumiu a liderança da área de Comunicação e Relações Institucionais para a GE na América Latina em março de 2014. Trouxe consigo mais de 25 anos de experiência em Relações Públicas e Comunicação Corporativa. Recentemente recebeu o trofeu Vera Giangrande no 33º Prêmio POP.

Até assumir o seu novo cargo na GE, ele atuou como Diretor de Comunicação da Vale por quatro anos e, antes disso, trabalhou na Shell International, na França e na Holanda, e em vários escritórios internacionais das agências Burson-Marsteller e Edelman PR Worldwide.

Nascido em 1963, Sérgio é formado em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Paris-Sorbonne e em Comunicação Social/Relações Públicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Ele também participou de programas executivos da IMD, na Suíça e no MIT Sloan School of Management, nos Estados Unidos.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Já na minha adolescência, sabia que queria trabalhar em ambientes internacionais para utilizar os idiomas que falava e que fosse em alguma área onde o relacionamento humano, a troca de informações e a análise de perspectivas diferentes das minhas fossem o foco principal. A partir daí, analisando as opções que existiam, RP foi o curso que mais se aproximava e melhor se enquadrava no que eu desejava como estudo superior e futura carreira profissional.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?Foto SGiacomo4

Vejo um cenário complexo, em evolução permanente e altamente capacitado. Contamos com alguns dos melhores profissionais do mundo, sem sombra de dúvida. Mas creio que precisamos sair de vez das velhas querelas conceituais e pseudo-filosóficas sobre “quem deve e pode fazer o quê” e focar na construção do futuro de nossa profissão para nos firmarmos de vez na vanguarda mundial da comunicação.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

Por razões diversas e diferentes, algumas pessoas nos meios acadêmico e profissional sempre foram e continuam sendo grandes fontes de inspiração: as Professoras Sidnéia Gomes Freitas, Sarah Da Viá e Sarah Bacal dos meus anos de ECA; os fundadores de duas das maiores empresas de RP do mundo, Harold Burson e Daniel J. Edelman, para quem tive a honra de trabalhar em vários locais do mundo com quem tive a oportunidade de trocar ideias; alguns dos meu chefes, pessoas muito inspiradoras, tanto no Brasil quanto no exterior; vários colegas de profissão com quem tive e continuo tendo o prazer de compartilhar momentos intensos de troca de ideias em encontros e reuniões como as da Aberje sob a batuta do grande maestro Paulo Nassar; e a jovem geração com quem tenho o privilégio de trabalhar no dia-a-dia em minha equipe. Tantas pessoas que me inspiraram e me inspiram! Sou realmente um cara de muita sorte.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Com certeza, a profissão ainda pode ser mais valorizada; mas também com certeza ela já é bem mais que nos passado quando falávamos que tínhamos que ter um lugar à mesa de decisões nas empresas. Se dizíamos isso, é porque não tínhamos. Hoje, acredito que já conquistamos assento à essa mesa; mas ainda temos que trabalhar mais e melhor para que nossa posição e nossos pontos de vista sejam levados ainda mais em conta na hora das tomadas de decisão.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Espero que, durante os próximos 100 anos, os profissionais consigam desenvolver ferramentas práticas e reconhecidas para demonstrar o valor da reputação e da boa comunicação nas empresas e instituições de forma ainda mais concreta que hoje. Esse ainda é um caminho longo que temos a percorrer. Gostaria que, no futuro, as dificuldades que temos hoje para demonstrar o valor que podemos criar fossem apenas uma lembrança longínqua.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

A concentração em nossa profissão acompanha a concentração das atividadaes econômicas em algumas regiões e a própria presença de formadores de opinião / tomadores de decisão em poucos lugares do país. É um fato. Mas, em diferentes níveis, nossa atividades pode ser bem exercida em áreas ainda pouco desenvolvidas como a área rural, agricultura, etc. Levar a prática das RP a todas as atividades econômicas da sociedade através da demonstração do valor que ela pode trazer a cada uma delas seria um ponto de partida bastante relevante.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Nossa profissão contribuiu para o fortalecimento da transparência e do diálogo como valores essenciais na construção da reputação e do sucesso das empresas e instituições em nosso país. Sem os profissionais da qualidade que temos no Brasil, estaríamos muito atrás de outros países mais avançados economicamente. Mas não é o caso; estamos em um nível comparável às grandes nações industrializadas do mundo no que tange às Relações Públicas e à Comunicação em geral.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

Além do que já disse na resposta à questão número 1, minha escolha se deu pelo fato de acreditar que as Relações Públicas eram uma área onde eu deveria fazer um exercício constante de elaboração e de adaptação de mensagens na busca de compreensão de pontos de vista (nem sempre convergentes) entre um emissor e um receptor. E que isso se daria através da busca de aproximação e estreitamento de relacionamentos entre eles. Filosoficamente, a Comunicação enquanto “ação de aproximar pessoas ou entidades na busca de uma comunhão de ideias” foi o que realmente me atraiu para as Relações Públicas.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

A chamada Comunicação Digital, pois é nesse ambiente virtual onde a transmissão e a recepção das mensagens está se dando de forma mais inovadora atualmente.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Vejo um cenário ainda mais compexo e aberto que hoje, onde profissionais de alto gabarito e qualificação, independentemente de sua formação (médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, etc.) terão mais e mais interesse pelo valor que a Comunicação e o Relacionamento efetivo com os mais variados públicos poderá trazer às suas ações, empresas e instituições. Eles buscarão o apoio de profissionais de RP, mas provavelemente também buscarão agir muitas vezes por conta própria, utlizando ferramentas de RP e Comunicação que estarão à disposição de todos. Caberá aos profissionais de RP e às nossas organizações de classe não proibir aos outros de acessar suas ferramentas de trabalho, mas de garantir que a boa formação dos nossos futuros colegas agregue valor suficiente para que eles sejam sempre vistos como essenciais ao bom funcionamento das empresas e de qualquer outra entidade de nossa sociedade.

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