084 – RP escreve a sua história com Juliana Sussai

rp-facebookHoje recebemos Juliana Sussai, que estudou Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela Universidade de Londrina e Especialização em Comunicação Organizacional – Gestão Estratégica na mesma instituição. Atualmente atua como RP na Embrapa.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Na verdade minha primeira escolha em Comunicação foi jornalismo. Sentia-me muito confortável com a habilidade de escrever, sempre fiz boas redações, e achava que era algo a ser explorado. Cheguei a ingressar no curso, mas depois mudei de ideia. Queria trabalhar com comunicação em organizações e a descrição da atividade de Relações Públicas tinha mais a ver com meus propósitos e habilidade com a escrita seria um plus.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Não tenho o conhecimento de todo o cenário, tenho estado distante dos fóruns onde isso é discutido. Mas o que posso dizer é que para bons profissionais, há espaço. Nós temos muito a agregar nas organizações, com um olhar muito estratégico sobre suas relações, e o profissional competente, que consegue projetar os resultados possíveis, vai conseguir colocação no mercado. E quando se fala em diretrizes curriculares, revisão de legislação, Programa de Flexibilização, trata-se, na minha opinião, de um processo pelo qual o amadurecimento da profissão deve passar para atender plenamente suas necessidades. Os conselhos têm papel fundamental para mobilizar os representantes da categoria e engajar os profissionais em quaisquer que sejam as discussões e decisões.2ab5db8

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira a ser Relações Públicas?

Talvez elas não saibam, mas minhas eternas professoras Marlene Marchiori e Marta Martins, ambas da UEL, me inspiraram demais. Meu perfil pessoal tem bastante a ver com o delas e, profissionalmente falando, muito contribuíram para que eu me convencesse de que estava no caminho certo.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Esse drama não é só do Relações Públicas. Há muitos profissionais pouco valorizados no país. O problema é que ainda não há entendimento completo da nossa função e responsabilidade de quem está atuando é enorme. Somos nós os responsáveis por levar as contribuições e provocar mudanças nas organizações em que atuamos para, então, sermos demandados e reconhecidos de fato. Digo isso porque passei por duas grandes multinacionais antes de entrar para a área pública e sei o quanto precisamos abraçar de tudo um pouco nessas corporações. Somos contratados como analistas de comunicação, para o qual cabe executar do texto ao evento. É no dia a dia que podemos “levantar a bandeira”.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil?

Sejamos questionadores e não percamos o foco estratégico.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Há uma série de fatores que podem influenciar nessa expansão profissional. A concentração das indústrias, por exemplo, nos grandes centros do Sudeste ou Sul, depende de incentivos que não estão na nossa alçada profissional. Onde tem menor concentração industrial, tem menor demanda profissional, menor interesse do jovem em ingressar na área, tem menor oferta de cursos de graduação ou pós, enfim. E onde o ensino, pesquisa e extensão não estão, temos um imenso problema. É um efeito cascata. Assim sendo, a dificuldade está em não depender de nós, que temos pleno interesse em atuar fortemente de Norte a Sul. Estamos, ainda, dependendo de políticas de governo e incentivos para atrair indústrias nas regiões fora do eixo hoje com maior densidade industrial.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Poxa, eu tenho 30 anos e uma trajetória ainda curta. Estou no mercado desde 2008. RS
Não ousaria falar das contribuições em tão longa trajetória, mas, de fato, acredito que o profissional trouxe à tona nas organizações a importância do olhar além dos números, do olhar para a harmonia social.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

Não sei, mas acho que muita gente começa sem saber por que, falemos a verdade. E no curso, ou você se apaixona, ou abandona – no meio do caminho ou depois. Eu comecei com um pensamento muito simples: “Quero trabalhar com comunicação dentro de uma grande organização”. No começo tinha dúvidas. Pensava “ai meu Deus, será que um dia vão me pagar o quanto espero para atuar nessa profissão?”. Deu tudo certo. Minhas inspirações foram fortes, eu sempre tive afinidade com comunicação interna e minhas primeiras experiências foram junto a RHs.

Isso fortaleceu minhas certezas. Sou brava (risos), luto pelo espaço do profissional. Estar numa empresa pública (Embrapa) é ainda mais especial porque existem inúmeras oportunidades e maior flexibilidade para discutir. E depois que as áreas descobrem nossa atuação transversal, e que planos de comunicação bem estruturados fazem diferença, me orgulho imensamente. É uma profissão estimulante e creio que acertei na escolha.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Nossa, que responsabilidade fazer essa pontuação. O cenário é favorável para quem atua na gestão de redes sociais, certo? Acho que há ganhos significativos com essa interação que as redes proporcionam, com a aproximação com públicos específicos, na dirigibilidade da informação. Não é o curto prazo, é o agora. Quando falamos de relacionamento, é atemporal. Ontem, hoje e amanhã, eles serão importantes e oferecerão espaço para o profissional. Importante é entendermos o contexto social, as novas TICs, as expectativas das pessoas quando elas estão em determinados grupos. A pesquisa dentro da organização e a interação constante com a academia serão indispensáveis para as promessas se concretizarem.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Espero que estejamos discutindo novas propostas, pesquisando muito e nos reinventando. Isso nos manterá vivos.

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