087 – RP escreve a sua história com Ítalo Carvalho

rp-facebookHoje vamos conhecer a hitória de Ítalo Carvalho, 25 anos, de São Paulo é Gerente de Projetos e Cofundador da SportMapp, empresa focada em esportistas amadores. Profissional formado em Relações Públicas pela Unesp Bauru, com especialização em Marketing e Empreendedorismo. Possui experiência em validação de projetos e gestão de startups

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Gostaria de trabalhar com comunicação desde o inicio da minha escolha profissional, está era a única certeza que eu tinha na época. E partindo desta premissa, encontrei no curso de Relações Públicas a área que mais se aproximava dos meus objetivos profissionais e de meu perfil pessoal. Mas confesso que foi uma escolha sem profundos fundamentos

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

O cenário brasileiro está em ampla expansão. Com o boom das mídias sociais ficou mais fácil demonstrar um exemplo prático sobre um dos trabalhos que pode ser realizado pelo RP. Este crescimento exponencial na área de gestão e produção de conteúdo digital impulsiona também as relações públicas, mas é um tanto quanto perigoso pois pode reduzir o trabalho de um RP ao profissional de mídias sociais, diminuindo assim as oportunidades deste profissional em outras áreas estratégicas da comunicação.ItaloCaravalho

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

Tony Hsieh (CEO Zappos) , Henry Jenkins ( autor de Cultura de Convergência) e Linda Rottenberg (CEO Endeavor).

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Não, mas acredito que isso não é desculpa para o profissional de RP acomodar-se com a situação, se desvalorizando quando busca um emprego ou aceitando uma proposta não adequada ao retorno que este profissional proporciona dentro de uma empresa. Caso aceite as condições impostas pelo empregador cabe ao profissional encarar a situação como um desafio, mostrando a importância do seu trabalho dentro da empresa e não apenas encarando aquele emprego com algo temporário.

Outro ponto relevante está ligado a abrangência do RP. Devido a profissão ser tão generalista, contemplando diferentes áreas da comunicação, esta fortaleza do curso também é uma das suas principais fraquezas pois gera constante confusão sobre a área de atuação exata deste profissional. Desta maneira, nós RPs precisamos também pressionar a esfera governamental para delimitar claramente o que é e o que não é de competência deste profissional, facilitando assim o processo de compreensão sobre o curso e também o fortalecimento da profissão.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

A dificuldade de expansão do curso não é apenas uma questão pontual de Relações Públicas mas sim de ordem econômica, centralizando o capital , as indústrias e o setor de serviços na região sudeste. A grande barreira da expansão nacional está na dependência de outros atores neste processo, como o governo , a iniciativa privada e o desempenho da economia. As oportunidades de emprego estão diretamente ligadas ao desempenho econômico e também ao amadurecimento e consolidação da profissão.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

O estado de São Paulo é o mais rico do país polarizando o setor de serviços na região sudeste. Desta maneira as oportunidades de emprego e a compreensão do curso acontece de forma mais efetiva devido a uma maior quantidade de postos de trabalho e também ao grande número de universidades, agências e serviços na área de comunicação. Vale ressaltar o desempenho de áreas em zonas descentralizadas mas com forte envolvimento e amadurecimento das Relações Públicas, como: Maranhão, Recife, Bahia e os três estados do sul .

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como iniciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Descobri o que era de fato a profissão somente na Universidade. E a partir daquele momento não tive mais dúvidas sobre a escolha de minha profissão. Sempre fui mais inclinado para parte prática de Relações Públicas e foi através da RPjr e do Grupo AGR que consegui aplicar os fundamentos da academia em ações para o mercado. Um dos projetos que tenho mais orgulho foi o projeto Revitalização, executado em Bauru.

Neste projeto realizamos a revitalização de um bosque em um dos bairros da cidade, e conseguimos engajar e envolver de forma intensa toda a comunidade local. Através do projeto obtivemos dois prêmios te grande importância para nós, uma moção de aplausos da câmara dos vereadores da cidade e um Intercom nacional na categoria melhor assessoria ao 3º Setor. Atualmente tenho minha própria empresa que atua na área esportiva. Vamos lançar um aplicativo chamado SportMapp que será focado em esportistas amadores.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Acredito que a área de gestão de conteúdo digital seja a mais promissora do ponto de vista de geração de empregos. Devido principalmente ao crescimento exponencial do consumo de conteúdos web e também pelas facilidades na compra de smartphones. Por outro lado, a área que visualizo ser mais promissora do ponto de vista de salário e participação na tomada de decisão é a de gestor da comunicação. É preciso ter a consciência de que o profissional desta área precisa entender sobre comunicação, mas também necessita compreender sobre administração e finanças para alinhar o orçamento com as estratégias e também saber conduzir a equipe para atingir os resultados

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

É um projeto profundo que possui seus pontos positivos e negativos. Aprovando a flexibilização poderemos contar com um número maior de profissionais de RP no país e isto pode gerar mais força politica, porém com esta flexibilização iremos legitimar alguns profissionais que não se formaram na profissão além de aumentar o escopo central da profissão aumentando ainda mais a confusão sobre o que de fato é função do profissional de Relações Públicas. Acredito que a delimitação clara sobre a abrangência do profissional é uma das demandas mais carentes que precisamos modificar para adequar a profissão a este novo mercado

VRP: RP e empreendedorismo combinam? 

RP e empreendedorismo combinam e muito! Posso confirmar esta relação pela minha própria experiência. Sou formado em RP e hoje estou tocando meu próprio negócio e as Relações Públicas ajudaram de forma profunda este processo. Primeiro pelo fato de que as duas áreas precisam de profissionais generalistas e multitarefas. Segundo que para empreender é necessário possuir habilidades bem desenvolvidas em comunicação pessoal, discurso em público e retórica, formações básicas de um RP. Terceiro, pela visão sistêmica e o planejamento estratégico. Nestas duas áreas o profissional precisa compreender o todo, antecipando tendências e comportamentos, possuindo assim maiores ferramentas para inovar. São por estes e outros motivos que estas duas áreas dialogam constantemente e esta relação facilitou bastante minha adaptação e capacidade para empreender.

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática relações públicas no país? Quais os benefícios podem surgi daí?

Acredito que o maior número de pessoas comentando sobre o assunto demonstra que a demanda por este profissional vem crescendo de forma substancial e que de certa forma o curso e o profissional de RP está ganhando seu espaço. Mas devemos sempre nos preocupar com o conteúdo que esta sendo transmitido, e cabe aos profissionais de RP fiscalizar estes conteúdos e gerar novos debates que enriqueçam a discussão e a conexão entre os profissionais.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro? 

Eu acredito que a essência do profissional de RP não vai alterar muito, como não alterou de fato nestes últimos anos, mesmo com o advento da Internet. Alguns pontos centrais como a construção de relacionamentos fortes e duradouros, a preocupação com a reputação, o constante esforço em engajar e envolver o público alvo, dentre outros preceitos básicos da profissão serão pouco alterados, na minha visão. O que acredito que vai acontecer e pode modificar de forma constante a área da comunicação, serão as ferramentas e o desenvolvimento tecnológico. Desta forma acredito que a base fundamental de RP será bem parecida mudando apenas as ferramentas e as estratégias de como comunicar-se e atingir os stakeholders.

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém formados?

Primeiro, acredito que devemos parar de mimimi , sair um pouco da zona de conforto e incorporar o desafio de expansão e valorização do curso, sentindo-se parte integrante deste processo. Devemos receber esta responsabilidade para si, somos nós os agentes responsáveis pelas mudanças.

Segundo, sobre escolhas no curso, eu aconselho buscar aquelas atividades que te dão brilho no olho, que você faz com tanta vontade que perde a hora e esquece de todo o resto. Uma frase que marcou minha jornada foi, “play the game no the score” trazendo para a realidade do RP ela significa ir atrás do que você quer dentro da profissão e não o que a profissão esta te empurrando a fazer. A profissão apesar de sistêmica é muito generalista, então decida que área pretende se aprofundar! Se ainda não decidiu, seja aventureiro(a), faça algo que nunca fez, teste, valide, descubra. Aproveite este leque de opções do curso e permita-se ao novo.

“Sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho, então sonhe grande!”( Jorge Paulo Lemann)

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