089 – RP escreve a sua história com Raisa Kamamura

rp-facebookRaisa Kamamura, 24 anos, de São Paulo/SP. formou-se em RP pela Unesp Bauru em 2011. Depois de três anos trabalhando com pesquisas e mensuração de resultados, deu início a uma nova aventura, agora no setor elétrico: atualmente é trainee na AES Brasil. Sua maior paixão sobre as Relações Públicas é ver como ela gera valor tangível e compartilhado em qualquer negócio.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Sempre gostei muito de trabalhar com pessoas – e essa era a certeza que eu tinha quando entrei no colegial. Quando o vestibular começou a se aproximar, iniciei as pesquisas para saber em qual curso eu poderia estudar essa dinâmica do relacionamento e o que está por trás das interações entre pessoas: o que pensam, como pensam, por que pensam. Nessa linha, obviamente não pude fugir do pensamento de prestar Psicologia. Mas queria algo mais corporativo. Eu tenho um ritmo acelerado de trabalho e gosto dele – os que convivem comigo percebem de cara! Daí para unir esse entendimento das relações com mercado corporativo e ir estudar RP foi um pulo!

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Vejo com muito otimismo porque cada vez mais os ativos intangíveis de uma organização estão ganhando atenção. Mais do que suporte, as organizações estão começando a entender (e mensurar) que eles são um diferencial competitivo que pode gerar valor compartilhado entre a empresa e seus públicos de relacionamento. O profissional de RP é o que tem a formação mais holística para segurar essa demanda. Além disso, creio que, pelo menos no setor privado, cada vez menos será utilizada a terminação ‘relações-públicas’ para nomear o cargo dentro da empresa (ainda hoje me parece alguém que anda meio ‘sozinho’, chamado em situações pontuais de crise da empresa), mas cada vez mais o profissional de RP vai ser usado na formulação de estratégias junto aos principais objetivos do negócio, liderando a área de comunicação e o relacionamento da organização com stakeholders.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?RaisaKamaura

Acho que a partir do momento que você tem uma paixão por trabalhar com o relacionamento interpessoal, todas as pessoas com as quais você se relaciona te inspiram a ser um RP de sucesso. É muito gratificante você ver seu trabalho, em uma grande empresa, ter uma pontinha de influência na melhoria de vida de uma pessoa da ponta, um stakeholder da organização. Se fosse para citar nomes, citaria profissionais que fazem essas Relações Públicas se conectarem cada vez mais com a estratégia das organizações – e demonstram esses resultados, por A + B. Nesse sentido, a Suzel Figueiredo, RP de formação e minha ex-gestora (nos meus tempos de Ideafix), é uma grande inspiração para mim. Ensinou-me muito (e continua me ensinando).

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Essa questão não é unanimidade, mas eu percebo as Relações Públicas sendo valorizadas, a partir do momento que pessoas que não trabalham com o mundo da comunicação começam a entender seu sentido para o negócio. Tenho demonstrações quase diárias desses insights que são gerados de meus colegas não RPs. Todos concordam que comunicação e RP são imprescindíveis? Não. Mas vejo que estão começando, cada vez mais, a conectar essa necessidade ao negócio. Isso, para mim, é valorizar a profissão.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

A contribuição é gigantesca! Desde uma gestão de crises até a geração de valor compartilhado. Creio que a principal delas é colocar as necessidades e interesses dos stakeholders na mesa de discussão do board das empresas, ajudando no raciocínio de que considerar esses requisitos na estratégia é um dos pilares de sustentabilidade do negócio.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Esse fato acontece porque existe uma concentração histórica das áreas corporativas/ administrativas das grandes empresas aqui no Sudeste, e Comunicação, como área corporativa, acaba sendo puxada também. É como estudar RP no interior do estado (como fiz): a maioria dos grandes estágios não está nas pequenas cidades porque as sedes administrativas estão concentradas nas capitais. Os estudantes do interior começam a estagiar mais em pequenas empresas, ou em áreas locais que reportam para a sede das empresas. Como área estratégica, a Comunicação deve estar onde a tomada de decisões do negócio está. Essa é a principal ‘dificuldade’ – se assim podemos chamar – para a expansão por todo o território.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Sou de São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo. O mercado aqui é bastante aquecido para a profissão, há muitas possibilidades de agregar valor ao negócio com RP na cidade. Todas as empresas entendem isso? Não. Mas é nosso papel também ajudar nesse racional.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como iniciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Na universidade, fiz parte da RPjr – empresa júnior do curso da Unesp Bauru. Foi lá onde aprendi os primeiros passos da prática da profissão. Sou muito grata de ter feito parte porque o tempo que fiquei lá me fez realmente ter paixão por trabalhar com isso. A Atlética, ainda em período universitário, foi a oportunidade de eu dialogar com outros cursos e de trocar conhecimento com os outros membros, de diversas áreas de formação – o que me ajudou a pensar e trabalhar com opiniões diferentes, mas com um mesmo objetivo. O trabalho da gestão 2011, da qual fiz parte, é um dos meus maiores orgulhos de vida.

Após isso, trabalhei com consultoria e pesquisa na Ideafix, em São Paulo. Foi lá que comecei ‘de verdade’ minha carreira: aprendi a colocar números nos resultados de comunicação, a gerir projetos, a coordenar equipes e a dialogar com o mercado. Atualmente, trabalho como trainee na AES Brasil, que é um grupo do setor elétrico – totalmente diferente da minha formação. Acho que é exatamente por isso que estou gostando tanto. Essa diferença acrescenta, me instiga a ter um novo olhar todo dia. Fiz um projeto de Gestão de Stakeholders no primeiro semestre que gostei muito, pois estudei todos os processos de engajamento da organização e formulei uma sugestão de workflow para ser o processo contínuo. Isso fez com que eu começasse a entender as possibilidades da atuação da minha área e também as possibilidades do negócio como um todo.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Não sei se existe uma mais promissora, mas talvez a que esteja mais consolidada é o trabalho em consultorias e eventos.

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Não podem viver em separado. Já é nato do profissional de RP lidar com diferentes realidades, com um cenário holístico de competências, públicos e possibilidades. Com uma dedicação em conhecimentos relacionados à administração e finanças, o profissional fica completo – e diferenciado – para liderar um negócio próprio.

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática relações públicas no país? Quais os benefícios podem surgi daí?

É um movimento natural. Relações-públicas são apaixonados pela interação, e nada melhor que usufruir o que é disponibilizado para alcançar o maior número de pessoas. Daí podem surgir benefícios tanto ligados a networking como conhecimento a ser discutido e compartilhado.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Olhando com otimismo, como gosto de ver, as Relações Públicas estarão totalmente conectadas ao negócio das organizações. Os requisitos dos stakeholders estarão no centro das decisões porque isso é o que garantirá o diferencial competitivo e, por consequência, a sustentabilidade das empresas. O relações-públicas, nesse cenário, será reconhecido como o profissional mais preparado para trabalhar como o elo de aproximação e engajamento, em prol dos interesses da organização, mas sem esquecer o papel dela como organismo vivo na sociedade. Vejo um futuro de melhor entendimento dos limites da profissão e das razões de sua existência. Como diria o Lemann, já que é pra sonhar, sonhar grande ou sonhar pequeno dá o mesmo trabalho, rs.

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém formados?

Diria para abrir seus horizontes. Relações Públicas, sozinhas, não funcionam. O vocabulário é diferente, a forma de pensar é diferente, o perfil é diferente. É preciso interagir com outros conhecimentos que dão base para nosso discurso e nosso raciocínio ser mais holístico. É preciso estudar finanças, administração, regulação, outras formas de raciocínio. A gente tem essa mente aberta para ouvir e apreender novas formas de pensar. Tem que vir da gente essa dedicação. Nós somos capazes de colocar a profissão lá em cima. 

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