091 – RP escreve a sua história com Michele Boin

rp-facebookMichele Boin, 22 anos, de São Bernardo do Campo/SP. É bacharel em Relações Públicas, recém-formada pela Universidade Metodista de São Paulo. Seu trabalho mais recente foi no Grupo CDI – Comunicação e Marketing, atuando com assessoria de imprensa no segmento de Educação. Também já trabalhou com marketing e eventos no Sindicato dos Corretores de Imóveis no Estado de São Paulo e apoiou a área de imprensa no evento GVT Music Show Cazuza, realizado em 2013, em São Paulo.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Michele Boin: Por uma série de fatores conjuntos: a abrangência da área, a possibilidade de trabalhar com pessoas – direta e indiretamente – e, principalmente, para tentar compreender o que leva uma pessoa a escolher determinada marca e ser fiel a ela.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira/inspiraram a ser Relações Públicas?

Michele Boin: Quando optei por estudar relações públicas ainda não conhecia a área profundamente e, por isso, não tive pessoas como inspiração para seguir em RP naquele momento. Hoje tenho duas pessoas que mais me inspiram nesse caminho, meus professores queridos e profissionais brilhantes Edi Luiza Bacco e João Evangelista Teixeira (o JET), além do professor Fábio França como teórico da área.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Michele Boin: Para mim o Brasil começou apenas recentemente a trilhar um caminho para a compreensão da necessidade desse profissional e de seu real papel no mercado. Hoje as organizações já entendem que o relações-públicas, muito mais que um divulgador – como também era visto -, é um gestor de relacionamentos que utiliza de estratégias e embasamento técnico. Aos poucos o profissional tem galgado seu espaço, porém, ainda assim há um longo caminho a ser percorrido, pois a disputa com outros profissionais da área de Comunicação Social tem sido cada vez maior e debates como a flexibilização/atualização da profissão são importantíssimos para a definição dos próximos passos do RP no País.10624672_752641151496739_2355160883647024260_n

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria? 

Michele Boin: Como citei anteriormente, acho que estamos caminhando para tal, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Recentemente saiu uma matéria na imprensa sobre empregos que os pais não conseguem entender e RP consta na lista. Para mim esse é o princípio para o reconhecimento, pois se as pessoas não sabem explicar é porque não entendem o que o profissional faz, e se não entendem isso também não se atentam à sua importância e, consequentemente, ele não será valorizado. Essa é uma luta da própria categoria e, muitas vezes, os RPs perdem oportunidades de se posicionarem diante de tal, o que precisa ser mudado para acelerar o processo.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Michele Boin: Esse também é um ponto que está evoluindo. Como uma das administradoras da página “Estágios / Empregos – Relações Públicas”, principal grupo brasileiro de vagas da área de RP no Facebook – atualmente o grupo é administrado por mim, Camila Freitas e Myrian Conor e conta com mais de 6500 membros -, posto e vejo publicações ali de muitas vagas na área em outras regiões, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará, Bahia e Amazonas. As oportunidades crescem cada vez mais e não são apenas para grandes empresas, entretanto muitas vezes ainda esbarramos com a “diminuição” do profissional, denominado com o cargo de RP na divulgação, mas com atribuições bem afastadas das comuns ao profissional. Noto também que a maior dificuldade das pessoas é saber onde e como procurar vagas na área, o que dificulta a localização de oportunidades e consequente contratação.

VRP: Os futuros profissionais de Relações Públicas estão preparados para se adaptar as novas tecnologias e utiliza-las a seu favor? Onde as redes sociais se encaixam na estratégia de um plano de “RP”?

Michele Boin: Acho que isso varia muito de profissional para profissional e dos conhecimentos e experiências de cada um. O RP tem capacidade e embasamento estratégico para tal, mas para utilizar as ferramentas também de forma operacional é preciso que cada um busque os meios necessários. Defendo que também é importante entender na prática como as mesmas funcionam, mesmo que não utilize de forma operacional, pois só assim conseguirá direcionar suas estratégias da melhor forma possível e com o conhecimento que se exige para tal. De forma geral, vejo que no mercado temos os dois lados de forma um tanto equilibrada, ou seja, os que sabem e os que não sabem utilizá-las, até porque nem todos escolhem ou seguem com um escopo de trabalho que as envolva.

As redes sociais são mais um meio de se relacionar com os públicos de uma organização ou pessoa pública, e elas possibilitam o contato direto com os mesmos, interação ocasionada também por meio de plataformas multimídia, monitoramento de menções, etc. Nelas podem-se alcançar muitos públicos de uma vez e hoje tudo se comenta e compartilha nas redes sociais, o que, com a estratégia certa, torna fácil alcançar novos públicos e fazer “barulho” de forma positiva, ao mesmo tempo que é um ambiente perigoso e fácil de gerar crises, pois não se tem o real controle de tudo. O RP sabe utilizar das estratégias adequadas para administrar todas as situações envolvidas no meio online para as empresas em conjunto com demais estratégias em outros meios e com outros públicos.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil? 

Michele Boin: Prezemos sempre pela união dos comunicadores e, principalmente, dos RPs. Não devemos nunca deixar de acreditar na importância do nosso papel para uma organização e devemos sempre lembrá-las disso. Juntos somos um grupo completo em que um aprende com o outro e necessita do outro, pois, mesmo com visões diferentes, somos todos comunicadores sociais, e essas mesmas visões diversificadas não nos enfraquecem de forma individual, e, sim, nos tornam mais fortes como equipe.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Michele Boin: A maior contribuição dos RPs é que mudamos o direcionamento das organizações. Agora com uma visão holística, perceberam que o foco principal não é necessariamente no produto/serviço, e sim no relacionamento como um todo. É uma diferença significativa que leva a resultados muito maiores a médio e longo prazo.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

Michele Boin: Eu já falei um pouco do porquê escolhi estudar relações públicas, agora vou explicar como cheguei até a profissão e quis me manter nela. Eu tinha concluído o Ensino Médio, fazia cursinho pré-vestibular e trabalhava numa imobiliária da cidade em que resido atuando com serviços administrativos, ali eu lidava diretamente com atendimento ao cliente e aprendi a trabalhar sob pressão, pegando gosto pelas duas coisas. Era muito bom poder gerenciar as pequenas crises daquele meu cotidiano e cada dia ter uma vivência diferente, mesmo atuando com o mesmo serviço. Naquela época eu tinha acabado de trocar a opção de estudar Engenharia Ambiental por Ciências Econômicas, até tinha feito inscrição para o vestibular da última, mas sentia que ainda não era aquilo. Assim, procurei por testes vocacionais de internet, realizando quatro no mesmo dia, quando dois deles me apontaram a profissão de Relações Públicas, até então desconhecida por mim.

Pesquisei muito sobre tudo da área em portais, Guia do Estudante, Enade, sites de faculdades e em fóruns do Orkut e percebi que ela tinha tudo a ver comigo e com o que eu queria para a minha vida, considerando, além do que já citei anteriormente, também a minha afinidade pela disciplina de Língua Portuguesa na escola, o meu sonho de ser executiva, a seriedade que eu sempre lidei com as coisas, esse meu perfil que considero um tanto analítico e forte, enfim. Assim, me inscrevi no vestibular da Metodista, fui aprovada e, conforme os anos passaram, eu me apaixonei cada vez mais pela profissão, suas atividades e tudo o que a envolvesse. Entrei na faculdade já com um foco dentro da área, Comunicação Corporativa, e saio dela com esse mesmo foco. Não tenho dúvidas de que fiz a escolha certa.

VRP: Para você como recém-formada, a grade do curso da faculdade está satisfazendo o que era esperado por você? Por quê?

Michele Boin: Sim, pois em cada semestre a grade tem um foco em uma área da Comunicação Social, nos dando uma visão completa das atividades de RP, dos colegas comunicadores, nossa relação com cada uma delas e de uma empresa como um todo com foco no pensamento estratégico e gestão de pessoas. Senti falta de um foco maior em áreas específicas, com temáticas específicas voltadas à comunicação interna, assessoria de imprensa e social media, por exemplo, o que considero também muito importante para qualquer profissional e em qualquer curso.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Michele Boin: Defendo a comunicação corporativa, mas, avaliando de forma mais isolada, considero que a área de social media, em curto prazo, é a mais promissora. Porque essa área nos permite muitas coisas de forma concentrada ao mesmo tempo que de forma expandida, pois as ações nesse meio podem ser alçadas para muito mais adiante. Você tem ferramentas diversas para utilizar, de acordo com cada objetivo, várias formas de utilizá-las e pode alcançar vários públicos de maneira muito rápida e eficiente, considerando que hoje as pessoas passam muito tempo conectadas, seja em casa, no trabalho ou na rua através de seus aparelhos móveis. Tudo é compartilhado, curtido e comentado, basta saber a ação certa para atingir o seu público e alcançar seu objetivo. Além disso, elas possibilitam a interação direta com esse público e você pode acompanhar o resultado simultaneamente com outras ferramentas. Não é necessário já ser uma organização de grande porte, mas sim saber utilizar as ferramentas corretas, da forma correta, além de controlar os resultados de perto.

VRP: Como o Relações Públicas, usando as próprias estratégias de “RP” pode fazer com que a profissão ganhe maior reconhecimento nacional?

Michele Boin: Como já citei anteriormente, tudo começa por mostrarmos quem somos, a que viemos e o que fazemos para que as pessoas e organizações possam compreender a nossa necessidade. Antes disso também considero primordial “arrumar a casa”, por isso a importância de debates como a flexibilização/atualização da profissão, bem como de reestruturação e organização dos conselhos regionais e federal e, assim, a exigência de uma fiscalização mais rígida por parte dos mesmos e do auxílio dos próprios profissionais para tal. E, por fim, vai de cada um manter a mensagem inicial que queremos passar, sobre a importância do profissional, pois não adianta ter uma super “campanha”, as empresas e pessoas finalmente entenderem a necessidade e acolherem o profissional sem grandes dificuldades e, chegando lá, não mostrarmos o nosso pensamento estratégico, nem o conhecimento necessário para realizar nossas funções ou desmoralizar a profissão de alguma forma. O profissional precisa estar preparado desde já para esse momento, pois, acontecendo de forma isolada ou nacionalmente, estamos caminhando para tal – até porque é um dos nossos objetivos – e só cabe a nós provarmos que merecemos reconhecimento e que as organizações e pessoas precisam dos nossos serviços.

VRP: Qual mensagem você diria para quem está iniciando no curso de Relações Públicas e para os recém formados na área? 

Michele Boin: A área de Relações Públicas e Comunicação Social como um todo é uma área maravilhosa, muito abrangente, mas para o devido reconhecimento e valorização é necessário que lutemos dia a dia por isso, pela categoria em geral e por nós mesmos. Não somos de uma área única e exclusivamente de eventos, como muitos dizem, o RP vai muito além disso, basta nós descobrirmos e mostrarmos isso de forma inteligente ao demais. Outra coisa, não acredite que só pessoas “comunicativas” podem entrar na área, a comunicação pode ser feita de muitas formas e vários meios e há espaço para todo perfil de profissional, claro que tudo depende também da sua área específica de atuação, mas não deixe que isso influencie nas suas escolhas. Busque sempre conhecimento, experiências, desafios e inovações para ser cada vez um estudante e profissional melhor.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Michele Boin: Em 100 anos muita coisa pode acontecer. Dessa forma, acredito e desejo que “a casa já estará arrumada” na medida do possível e que, assim como muitas análises já indicam, que o profissional será reconhecido dentro de sua própria área e pelas organizações, aumentando a demanda pelo serviço – incluindo por parte de empresas menores – e, consequentemente, teremos mais oportunidades para os estudantes e profissionais de todo o Brasil. Quanto às pessoas comuns, de fora da área, elas estarão começando a compreender com mais facilidade os serviços que as relações públicas prestam, já que as empresas já estarão adequadas a isso, o que agiliza esse processo. Continuaremos enfrentando desafios em nossos caminhos, mas a semente já terá sido plantada e começaremos a colher os frutos delas, percebendo então quais deverão ser os próximos passos a serem trilhados.

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