092 – RP escreve a sua história com Socorro Costa

rp-facebookSocorro Costa, analista de projetos sociais. PMD Pró 1 em Gestão de Projetos em Desenvolvimento, formada em Comunicação Social, habilitação Relações Públicas, pela Universidade Federal do Maranhão e pós-graduanda em gerenciamento de projetos na PUC-MG.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas? 

Socorro Costa: Porque é uma profissão que consegue demonstrar a complexidades dos processos comunicativos e como agir por meio de planejamentos e ferramentas de gestão nestes processos, para a eficácia e alcance de objetivos estratégicos de organizações e indivíduos.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira/inspiraram a ser Relações Públicas? 

Socorro Costa: São muitas as inspirações e influências: professores, profissionais, colegas. Em âmbito local, meus professores, principalmente, porque foram os responsáveis por apresentar autores e experiências. Acredito que o processo de aprendizagem é um revisitar constantes aos conceitos que foram repassados, destaco alguns como Luciana Saraiva, Nilma Lima, Amarílis Cardoso, Maria do Carmo Prazeres, Pablo Monteiro e outros, pois foi o empenho destes profissionais, os contextos, histórias e conceitos repassados em sala de aula, que continuam inspirando minha atuação.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas? 

Socorro Costa: Promissor, porque há uma necessidade crescente de reduzir custos, monitorar e avaliar impactos, e resultados. Também de gerar valor, algo que evidencia investimentos maiores em planejamento estratégico, pesquisa e estudos para compreensão dos contextos e públicos os quais a comunicação de uma organização ou projeto se destina.Socorro Costa

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria? 

Socorro Costa: O mercado brasileiro ainda conhece muito pouco desta profissão, ainda é um desafio comunicar suas múltiplas faces. Todavia, há uma mudança na percepção das pessoas e estamos relacionando mais as situações e contextos, buscando uma visão mais holística, um olhar mais integral que favorece a atuação desta profissão. É difícil valorizar o que não conhecemos.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Socorro Costa: A identificação de nichos de mercados e mecanismos de atuação nos contextos locais, que tenham o mercado interno como referência e privilegiem características regionais.

VRP: Os futuros profissionais de Relações Públicas estão preparados para se adaptar as novas tecnologias e utiliza-las a seu favor? Onde as redes sociais se encaixam na estratégia de um plano de “RP”?

Socorro Costa: Vivemos em uma sociedade dinâmica na qual muitos paradigmas foram rompidos e o futuro depende, em grande medida, do que se faz hoje. Observo a necessidade crescente de se manter estudando para a compreensão dos cenários e as formas de atuação nele, algo que depende dos estudos sociológicos, antropológicos, de teorias que buscam entender os fenômenos da comunicação e de ferramentas que darão suporte à criação de ecossistemas comunicativos e outros. A formação deste profissional, embora haja nuances nos currículos pelo Brasil, tem contemplado muito dessa busca por uma visão sistêmica dos processos comunicativos e como interferir neles. As novas tecnologias têm mostrado a validade de muitas teorias da comunicação, bem como permitiu a expressão de muitos públicos e possibilitou identificá-los, alguns até então invisíveis. E as técnicas para estudo destes públicos e a compreensão destas teorias, que é anterior e está na formação do RP, são essenciais para o bom uso das novas tecnologias por estes profissionais.

As redes sociais trazem para o virtual o que existe no mundo físico com ampliação de julgamento. E é indicado que os usos destas ferramentas estejam apoiados em planejamentos maiores, em levantamentos de dados, pesquisas e alinhadas aos objetivos estratégicos para que haja um bom uso das suas vantagens e exploração do seu potencial, porque um plano de RP se apoio na cultura existente ou na projeção do futuro almejado.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil? 

Socorro Costa: Compreensão mútua depende de muito estudo, planejamento, esforço, energia e criatividade.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Socorro Costa: O estímulo ao planejamento das comunicações e a valorização dos processos de produção do diálogo.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por que escolheu RP?

Socorro Costa: Tenho só um ano de formada, a graduação foi o grande teste porque tive contato com os desafios e contradições da área, todavia estou feliz com o caminho escolhido. Acredito que com o tempo é que observamos o significado das nossas decisões e no exercício da profissão descobre-se os limites e potenciais do caminho escolhido, ainda estou aprendendo. É uma profissão que tem me permitido olhar o mundo sempre como um belo campo de possibilidades.

VRP: Para você, a grade do curso da faculdade satisfez o que era esperado por você? Por quê?

Socorro Costa: Não. Todavia, não vejo como ponto negativo porque toda grade é limitadora e reflete muito do contexto da época. A faculdade é uma porta de entrada na qual cada indivíduo traça um caminho e depende muito de ver a grade não como o limite, mas como o ponto de partida. Na minha trajetória na Universidade fui muito influenciada por outros processos de aprendizagens extensão, pesquisa, estágios. São experiências que contribuíram para uma outra percepção da atuação profissional, são outros caminhos que se abrem nesta mesma porta.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Socorro Costa: Áreas afins ou ligada as relações públicas comunitárias, responsabilidade social, relações institucionais, pesquisa e planejamento organizacional pela necessidade de internalizar processos ligados aos temas da sustentabilidade, de redução de impactos, de diálogo intersetorial, bem como pelo cenário de possível recessão. E porque há uma mudança na prioridade no desenvolvimento internacional que substituem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que avançaram com o debate sobre mudanças climáticas. Estas mudanças também serão sentidas em âmbito local.

VRP: Como o Relações Públicas, usando as próprias estratégias de “RP” pode fazer com que a profissão ganhe maior reconhecimento nacional?

Socorro Costa: Segmentação do mercado e do público que o compõe e oferta de serviços que mais se identificam com cada fatia de público selecionada.

VRP: Qual mensagem você diria para quem está iniciando no curso de Relações Públicas e para os recém formados na área? 

Socorro Costa: Estude e ânimo, depois procure aplicar o que aprender não só com os seus clientes mais na sua carreira.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Socorro Costa: Uma área mais visível e com maior capilaridade nas regiões norte e nordeste. Com um conjunto de experiências regionais que consolidem e exponham suas competências.

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