093 – RP escreve a sua história com Juara Castro

rp-facebookJuara Castro, 22 anos, de São Luís do Maranhão.  Sou uma entusiasta. Não vejo um mundo sem Relações Públicas. Confesso que a possibilidade de fazer vários cursos deixou que RP fosse uma das últimas opções. Acho que o curso me escolheu e hoje não me vejo fazendo outra coisa. Relações Públicas pra mim é uma aventura. Já trabalhei em uma rádio, em assessorias do terceiro setor e governamentais, embarquei em uma missão maravilhosa que foi gravar uma série de documentários para TV, sou pesquisadora da era da convergência e me desafio a cada dia como redatora em uma agência de publicidade e propaganda. Vejo RP em tudo e acredito que já convenci muita gente a pensar assim também. Ah, eu também tenho um blog, o Versus Pobres.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas? 

Juara Castro: Faço parte da geração Enem. Quando prestei vestibular, escolhi História na Universidade Estadual e pensava em fazer algo na área de humanas na Federal. Acabei passando nas duas. As áreas de humanas e sociais sempre me fascinaram e sabia que me encontraria se cursasse algo nesse âmbito. Depois de cursar História e Relações Públicas ao mesmo tempo, escolhi seguir em frente em RP, pois a rotina estava sufocante. Minha escolheu se deu pelo dinamismo e expansão da área no momento. Foi um encontro de almas.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspira/inspiraram a ser Relações Públicas? 

Juara Castro: Dentro da universidade tenho professoras que são referências pra mim. Sempre tive afinidade com as áreas das Relações Públicas que envolvem o Marketing e a Comunicação Digital, por isso as professoras Melissa Moreira e Gisela Santos de Sousa sempre foram uma inspiração. Em tempos angustiantes de elaboração do projeto de TCC a professora Maria do Carmo Prazeres também foi muito importante para que eu pudesse organizar minhas ideias de forma clara e objetiva. Cada professor me deixou uma marca especial, mas essas realmente trouxeram um sentido especial para a minha formação profissional.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Juara Castro: Em algumas regiões encontramos uma visão bastante reducionista das atividades desenvolvidas pelo Relações Públicas. Na minha região, ainda existe uma supremacia da Publicidade e do Jornalismo dentro da Comunicação. É comum algumas empresas descreverem atividades ligadas diretamente as Relações Públicas, mas no final disponibilizarem as vagas para outras habilitações. Na Universidade Federal do Maranhão e em outras universidades do Nordeste, Relações Públicas é uma habilitação. Acredito que nova resolução que sancionará a área como um curso trará uma visão mais clara, autônoma e protagonista da área dentro da Comunicação. IMG_20141116_200502 (1)

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria? 

Juara Castro: A insatisfação é algo estritamente ligado a nós seres humanos. Se tudo fosse perfeito, o Relações Públicas não existiria. Acredito que a valorização da profissão é uma luta diária. Muitos profissionais se incomodam com o desconhecimento da maioria das pessoas a cerca da nossa área. Eu já vejo essas situações como certo sex appeal. O Relações Públicas tem um poder que poucas profissões possuem. A leitura simbólica da nossa profissão depende só de nós, porque muitas vezes o imaginário das pessoas está viciado em falácias. Nos lugares onde estagiei sempre foi um prazer ter o reconhecimento e o depoimento sincero das pessoas considerando a relevância da nossa área para sociedade, a partir do desenvolvimento das minhas atividades e trabalhos pessoais.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Juara Castro: De fato o Sudeste concentra a maioria das vagas e profissionais, mas vale ressaltar que o número de faculdades que oferecem o curso de Relações Públicas é bastante superior lá em relação aos números das outras regiões. O avanço econômico é uma das variáveis que estimula o aumento nas oportunidades de emprego para o profissional de Relações Públicas. Acredito que o aumento de produção cientifica influencia na midiatização da área. Hoje, possuímos vários cases de sucesso onde a atuação do RP foi crucial. Isso traz e instiga o empresariado a investir na área dentro de suas organizações. Acho que a comunicação na pós-modernidade valoriza o intangível, que é a força motriz do nosso trabalho.

VRP: Os futuros profissionais de Relações Públicas estão preparados para se adaptar as novas tecnologias e utiliza-las a seu favor? Onde as redes sociais se encaixam na estratégia de um plano de “RP”?

Juara Castro: Sim. A minha geração é fruto dessa transição. Fomos alfabetizados sem o auxílio dos computadores. A Internet entrou em cena muito mais como entretenimento, do que algo com cunho científico. Faço parte do GPEAC (Grupo de Pesquisa de Estratégias Audiovisuais na Convergência) e nossas discussões se baseiam justamente no uso e reflexos das redes sociais digitais no processo comunicacional. Como a única RP do grupo, voltei meu plano de trabalho para aspectos da Memória Organizacional em tempos de convergência. Hoje estar nas redes sociais não é uma escolha da organização, é um fato. Acredito que o RP deve considerar em seu plano, estratégias referentes à memória, imagem e reputação da organização em que está trabalhando.

VRP: Qual mensagem deixaria aqui para ser lembrado na comemoração de 200 anos das relações públicas no Brasil? 

Juara Castro: Não devemos esquecer nossas lutas diárias que resultam em realização profissional e pessoal. Lidamos com interesses de públicos que são pessoas, humanas e passíveis de erros e acertos, assim como nós. O caminho a ser trilhado para os próximos 100 anos é ter em mente que somos genuinamente ligados ao encantamento, a uma comunicação que busca seduzir e fazer amigos. Devemos lembrar dos que lutam por um espaço que já é nosso, mas que outros teimam em disfarçar com o desdobramento de “gerentes”, “analistas”, “marketeiros”. Os 100 anos nos trouxeram reconhecimento e acima de tudo o autoconhecimento. Nos 100 que estão por vir, vamos gozar da plenitude que só usufrui quem se conhece e sabe da sua importância.

VRP: As Relações Públicas completam 100 anos no Brasil. O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período?

Juara Castro: Vejo um Brasil mais transparente e preocupado em receber bem seus públicos. A concorrência é alma do negócio. Temos muitas organizações em segmentos iguais em nosso país. E hoje observamos que a propaganda não vale nada, se não for aliada a um produto e/ou serviço de qualidade que envolva uma gestão de comunicação que começa com o público interno. Vivemos em um tempo de “desmanche” constante das relações, mas vejo as Relações Públicas na contramão desse fenômeno. Buscamos a retomada do conceito de comunidade e isso está refletido em nossas ações por onde passamos. A essência do Relações Públicas está em reavivar afetos através da comunicação.

VRP: Falando em história, conte mais sobre a sua história com a profissão. Por quê escolheu RP?

Juara Castro: Entrei no curso no segundo semestre de 2010. Os dois primeiros períodos foram intensos e angustiantes, afinal queria logo uma experiência prática com a área. Meu primeiro estágio foi na Rádio Universidade, uma experiência incrível, pois nos dá a condição de explorar todas as áreas que o RP atua. Por uma questão de afinidade, acabei ficando com o gerenciamento do site e das redes sociais. Trabalhar com rádio e música é fantástico. Saí da rádio para a assessoria do Serviço Social do Comércio no Maranhão, e mais uma vez o trabalho com mídias sociais foi crucial para a minha escolha como estagiária. Nessa experiência tive o grande incentivo da minha chefe em começar a perceber a área de eventos sem tanto preconceito. Cresci muito em questões culturais e humanas, que são a base do trabalho desenvolvido pelo Sesc. Nesse meio tempo também fui bolsista de um projeto de extensão,

O Conexão Rural, onde eu fui a única RP, que levou tecnologias da informação para uma comunidade rural de São Luís. Na oportunidade oferecemos oficinas para os jovens da comunidade e gravamos (fui responsável pela produção e roteiro junto com os demais bolsistas) uma série de documentários que contam a história e a trajetória de luta da Comunidade do Taim. A série irá integrar a programação da TV UFMA e foi premiada no mês passado pela Fapema. Depois da extensão me debrucei sobre a pesquisa e hoje sou bolsista de iniciação cientifica pela Fapema no projeto “Rádio Web Híbrida” que integra o G-PEAC. Pesquiso convergência, especialmente o conceito transmídia que é meu referencial teórico na monografia. Falarei de algo um pouco “estranho” dentre os temas tratados por Relações Públicas, pois meu objeto é a telenovela. Meu trabalho é investigar como o público mantém sua relação com os conglomerados transmidiáticos em tempos de convergência e transmídia. Nesse meio tempo ainda presto serviços para uma agência de publicidade como redatora. (ufa!) Eu fiz uma escolha quase às cegas, mas vi que nada melhor trata inquietos como as Relações Públicas. Ganhei no bingo!

VRP: Para você como recém-formada, a grade do curso da faculdade está satisfazendo o que era esperado por você? Por quê?

Juara Castro: Vejo uma aurora bem melhor daqui há 2 anos. A grade do nosso curso está sendo reformulada e os alunos estão participando ativamente desse processo. Me enveredei pelas áreas de rádio, TV e Internet por pura curiosidade e inquietude, e fico feliz que meus amigos terão essas áreas contempladas na próxima grade curricular. Orgulho-me da formação teórica que meu curso oferece, mas acho que ainda falhamos em distanciar tanto a universidade da sociedade, especialmente no curso de Relações Públicas. Mas em breve minhas reclamações estarão em desuso. Ainda bem!

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Juara Castro: Acredito que as mídias sociais são uma tendência. Mas acho que o futuro exigirá um profissional muito mais global e com vivências pessoais diversas e agregadoras. Os eventos sempre são um terreno fértil, mas acredito em um horizonte onde eles saiam de um conceito de “festa” para o âmbito mais sociológico dos fatos sociais. Somos profissionais do relacionamento e a crise deles é a nossa carona. Parece um pouco apocalíptico, mas acredito nesse conceito pós-moderno como alavanca para grandes cases de sucesso envolvendo organizações e seu relacionamento com as mais diversas tribos.

VRP: Como o Relações Públicas, usando as próprias estratégias de “RP” pode fazer com que a profissão ganhe maior reconhecimento nacional?

Juara Castro: Sim. Já acompanho trabalhos brilhantes como o “Todo precisa de um RP”, o “Blog Relações” e o próprio “Relações Públicas da Depressão” e mesmo o “Versátil RP”. A emergência desses blogs, sites e fanpages trazem para a cena nacional pautas de interesse para os estudantes e profissionais de Relações Públicas. Passamos a conhecer profissionais que militam, torcem e fazem da sua vida uma luta pela profissão. Acredito que esses canais de comunicação, a interatividade e a interação agregam os profissionais em uma rede importante para a troca de conteúdo e experiências. Fazendo do reconhecimento uma consequência dessa nova dinâmica.

VRP: Qual mensagem você diria para quem está iniciando no curso de Relações Públicas e para os recém-formados na área? 

Juara Castro: Mensagens desse tipo devem ser curtas. Então, sugiro que sejam eternos inquietos. Algumas profissões exigem que o coração seja deixado atrás da porta, mas acredito e coloco o coração em cima da minha mesa. A inquietude leva o RP para caminhos jamais imaginados. Relações Públicas e conformismo não combinam. Leia, produza, viaje e traga um pouco de cada mundo para o seu trabalho.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Juara Castro: Vejo nossa linha do tempo com muito mais compartilhamentos e curtidas. A comunicação reflete as tensões sociais. Acredito que nos 200 anos teremos uma Relações Públicas muito mais tribalizada e estética. Gostaria que os profissionais tentassem aliar técnica e afetividade e que não se tornassem apenas tarefeiros. Espero que no bi centenário o RP tenha como objeto as emoções.

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