099 – RP escreve a sua história com Camila Freitas

rp-facebookCamila Freitas, 22 anos, São Bernardo do Campo – SP, recém-formada em Relações Públicas pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou como estagiária na área de Pesquisa e Produtos Comunicacionais (comunicação interna, SM, cobertura de eventos ….) na AGiCOM (Agência Integrada de Comunicação) da Universidade Metodista de São Paulo, estagiária de Mídia/Social Media na Marketing SIM e como estagiária/analista de monitoramento de redes sociais na E.Life. É uma das administradoras do grupo “Empregos/Estágios – Relações Públicas” no Facebook e colaboradora do Versátil desde abril de 2014.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Foi uma descoberta por acaso, no último ano da escola meu pai me perguntava com frequência se já tinha escolhido o curso e faculdade que queria fazer, então pesquisei em revistas como o Guia do Estudante cursos dos quais eu me identificasse e acabei descobrindo o que queria fazer: Comunicação. Depois de muita pesquisa acabei escolhendo 2 cursos que mais me identifiquei (RTV e RP), e fui em um evento que a Universidade Metodista realiza todos os anos para que estudantes e demais interessados possam tirar suas dúvidas sobre as graduações oferecidas, o evento se chama DUA (Dia da Universidade Aberta).

Quando fui ao evento tinha terminado o workshop de RTV do qual estava muito interessada, então decidi ir ao workshop de Relações Públicas, onde 2 professores explicaram como é o curso e desenvolvemos matérias para um jornal interno com o intuito de vivenciar um pouco do trabalho do RP. A partir daquele workshop, sai com a certeza que queria RP pela versatilidade e poder aprender um pouco de Jornalismo, Publicidade, Marketing, RTV, Finanças e Administração, pois gosto de Comunicação no geral e aprender um pouco de tudo para mim foi primordial na minha escolha.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?IMG_20141221_235333

Nos últimos 3 anos vejo que está se modificando por conta da sacudida que os RPs formados a partir de 2000 estão dando: vejo profissionais da área mais ativos em termos de produzir conteúdo digital e bibliográfico em RP, sinto menos “mimimi” e mais ação dessa nova geração. A internet está sendo uma grande aliada para divulgação do trabalho do RP e também informando aos leigos que existimos.

É bom ver também que os profissionais renomados estão aproveitando as redes sociais para discutir assuntos com estudantes e profissionais, há mais aproximação dos Relações Públicas, mesmo ainda havendo o “clubismo” (a famosa “panelinha”). Sinto também uma maior participação e interesse em associações como ABRP e Conrerp, além de mais eventos da área, estamos “engatinhando” ainda, mas essa evolução de profissionais, profissão e mercado de trabalho está visível.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

Profissionais de Relações Públicas mesmo são poucos, a Lalá Aranha foi a primeira Relações Públicas que me inspirou depois de ler o livro dela (Cartas a um jovem Relações Públicas), a trajetória dela como RP e como se reinventou no seu trajeto é bem legal. Fábio França e JET (João Evangelista Teixeira) são dois profissionais que tenho um grande respeito e admiração. Gosto do empreendedorismo do Guilherme Alf, a Carolina Terra me inspira pelo seu trabalho digital e a Myrian Conor também, pela sua segurança sobre em falar em relacionamento digital e SAC 2.0.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Não, nunca foi como deveria e boa parte dessa culpa é dos próprios profissionais, que começou lá atrás. Eu olho as outras profissões em Comunicação e vejo que elas têm mais respeito por serem mais populares e ver seu trabalho mais divulgado na imprensa, quando falo que sou Relações Públicas as pessoas acham o nome chique e me perguntam o que eu faço, já fui à entrevista de estágio que nem sabiam em quais áreas o RP pode trabalhar.

Infelizmente também está atingindo até as inscrições no vestibular para graduação em algumas universidades, por causa da falta de divulgação da profissão entre os jovens. O dia que chegarmos ao mesmo patamar de conhecimento que um jovem tem sobre Jornalismo, Publicidade e RTV, isso vai impactar as empresas e o mercado em geral.

O que eu mais gosto dessa nova geração de Relações Públicas é utilizar a internet para divulgação da profissão, são profissionais mais ativos e “fazedores”, não ficam esperando o mercado e a sociedade descobrir o que é RP, nós que estamos mostrando o nosso valor e estamos invadindo áreas das quais podemos trabalhar, não ficando apenas em Comunicação Interna, Assessoria de Imprensa e Comunicação Organizacional. O RP está mostrando na prática que somos uma peça importante na Comunicação e que se trabalharmos em conjunto com outros profissionais seremos um time imbatível, por isso sou a favor da Comunicação Integrada, porque somando conhecimento vamos poder cuidar da imagem e reputação das organizações, além da divulgação da nossa própria imagem e trabalho.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

Mostrar para as organizações que não devem apenas pensar em lucro, mas cuidar também da imagem e reputação, além da aproximação com os stakholders. É legal ver como as organizações pensam hoje como atingir o público para criar fidelização e estreitar o relacionamento com seus clientes, a partir de proporcionamento de bons produtos e serviços, além de escutar as reclamações dos consumidores e procurar resolver os problemas, para que ambas as partes fiquem satisfeitas.

O Relações Públicas é um estrategista da Comunicação, usar essas estratégias para construir e manter o relacionamento com o público interno e externo, é a maior contribuição do RP tanto para as empresas como para a vida das pessoas, só na base do respeito, valorização das pessoas e bom trabalho que uma empresa cresce e se mantém firme, mesmo podendo passar por alguma crise ela vai ter força e uma boa base para passar por esse momento, afinal “com crise se cresce, se cresce com crise”.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Há mais ou menos 2 anos que sou administradora do grupo “Empregos/Estágios – Relações Públicas”, junto com a Michele Boin e a Myrian Conor, quando o grupo foi criado apenas tinha vagas em São Paulo e com a expansão dele tem vagas no país inteiro, mas São Paulo (Sudeste em geral) continua como o estado com maior número de vagas. Pelo que percebo em alguns estados nem tem cursos de graduação em Relações Públicas como é o caso de Fortaleza – CE, em Belém do Pará – PA vai fechar o único curso do estado, então nesses locais há dificuldade para achar profissionais no estado ou nem tem vagas.

Para mim o problema em si não é a escassez de vagas pelo país, mas sim as empresas e agências não conhecerem o trabalho do RP e colocar nos requisitos das vagas apenas profissões mais conhecidas, como Jornalismo. Essa falta de conhecimento dos recrutadores acaba nos atingindo também e muitas pessoas não mandam seu CV pensando que a restrição é para determinados profissionais, o que é errado, se você acaba se identificando com a vaga e vê que atende a todos os requisitos pedidos, você pode mandar seu CV, porque está concorrendo de igual com outros profissionais de outras áreas de Comunicação.

O RP tem que entender que são raras as vagas com nomenclatura Relações Públicas, mas temos um leque de opções onde podemos trabalhar, já basta a “poda” do mercado, nos “auto podar” é a pior burrada que um profissional pode fazer. Nas redes sociais e nos sites de vagas há uma variedade de oportunidades sendo divulgadas, falta mesmo “garimpar” essas vagas e ver se atende aos requisitos, o grupo de vagas para RP no Facebook é um dos meios de reunir em um local só essas vagas que aparecem no país e dos recrutadores divulgarem também, só ocupando essas vagas que vai aumentar o número de RPs trabalhando na área de Relações Públicas/Comunicação.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Em São Bernardo do Campo – SP só tem vagas para Relações Públicas em multinacionais praticamente, há agências de comunicação aqui, mas muitas agências e empresas não conhecem o trabalho que o profissional de Relações Públicas realizada, além de oferecerem salário baixo. Já no estado de São Paulo há uma variedade de vagas, principalmente em Assessoria de Imprensa e Social Media, mas as maiorias das oportunidades estão centradas ainda na cidade de São Paulo, em cidades do interior e litoral não vejo muitas vagas. Por São Paulo ser uma metrópole, há mais oportunidade de vagas e bons trabalhos de profissionais, mas vejo que a região do ABC está crescendo, oportunidades têm, mas falta mesmo é achar elas (risos).

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como iniciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Então, eu sou recém-formada, até o momento só estagiei (risos). Eu comecei a estagiar na virada do 1º para o 2º semestre da faculdade na agência júnior da universidade, comecei trabalhando com Pesquisa (área que eu gosto muito) e depois trabalhei como Produtos Comunicacionais (produzia releases e textos para o mural da Faculdade de Comunicação, fazia cobertura de eventos, redes sociais …), depois disso trabalhei com Mídia e Social Media em uma agência de marketing imobiliário e o meu último estágio foi com monitoramento de redes sociais em uma agência digital. Fora desse âmbito de trabalho sou uma das administradoras do grupo de RP como tinha falado anteriormente e desde abril desse ano sou colaboradora do Versátil RP.

Do tempo que trabalhava, a Binária no FB é o meu maior orgulho, pois ela foi criada para ser uma ferramenta de comunicação da Faculdade de Comunicação, na época que ela “nasceu” ela nos dava um bom retorno, os alunos acompanhavam bastante a página; gosto bastante de um projeto de monitoramento que foi realizado na época da Copa, foi bem legal esse “job”. Já em relação a projeto acadêmico, tenho muito orgulho de uma pesquisa que fiz sobre a saúde pública na região do ABC para o PI (Projeto Integrado) do 5º semestre, aquela pesquisa foi interessante, pois o resultado final nos surpreendeu em termos de estrutura das UPA’s e UBS’s em algumas cidades, algo que não imaginávamos.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Definitivamente Comunicação Digital, hoje em dia as organizações se preocupam em está “online”, coitada da empresa que ainda só vive no mundo “off”, pois a internet hoje é essencial para se aproximar dos seus públicos e cuidar da sua imagem, gerando lucro. O RP 2.0 e principalmente o SAC 2.0 é uma realidade, afinal agora o consumidor quando quer reclamar de um produto/serviço ele não liga apenas para o SAC tradicional, ele vai à internet reclamar nas suas redes sociais e nas páginas das empresas, além de reclamarem no Reclame Aqui. O consumidor hoje vai atrás do seu direito e quer seu problema resolvido o mais rápido possível, há da empresa que não resolver o problema, porque eles estão cada vez mais informados sobre os direitos do consumidor.

Já tive um problema com uma empresa de telefonia que foi solucionado por meio de reclamações via redes sociais, a rapidez do feedback foi impressionante, é assim que o consumidor deve ser tratado: de forma rápida e concisa. O consumidor quando reclama acende uma faísca que pode gerar uma crise, quem for experto e oferecer um serviço de qualidade de SM e monitoramento, vai se dar bem, mas nada de ctl + c e ctl +v, ninguém gosta de resposta padrão que não ajuda em nada (risos).

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Claro que combinam!! Há tantos profissionais que abrem agências, empresas ou trabalham de forma independente por aí, o Relações Públicas para mim é um empreendedor nato, talvez falte ainda um pouco de estímulo nos cursos de graduação, mas a internet está aí para suprir essa falta de aprofundamento no assunto e servindo como fonte de inspiração para muitos profissionais.

VRP: Há quanto tempo faz parte do projeto do blog Versátil RP? Quais foram suas experiência mais significantes?

Entrei no Versátil em abril desse ano, desde que entrei estou tendo um bom retorno por quem sabe que participo do projeto, cresci bastante como pessoa e profissionalmente depois que virei colaboradora do blog. Essa troca de experiências e um bom convívio (mesmo sendo apenas online) com os integrantes do Versátil para mim é muito importante, além dos profissionais que tive a oportunidade de conhecer tanto via online (por enquanto) por meio do VRP.

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática relações públicas no país? Quais os benefícios podem surgi daí?

Está crescendo e servindo de inspiração para muita gente que está começando ou se interessa por Relações Públicas ou assuntos relacionados à Comunicação, a internet é um ótimo meio de adquirir mais conhecimento sobre a profissão pelo país a fora, divulgar seu trabalho/curso/estudos acadêmicos, fazer network e discutir assuntos relacionados à RP por meio de blosg/páginas/grupos. Os blogs são formadores de opinião e sempre dispõem assuntos atuais, esse trabalho de informar e entreter os internautas são extremamente importantes para divulgar a profissão, trazer análises de ótimos cases e demais conteúdos relevantes que chegam com mais rapidez e de forma acessível a todos.

Esses meios deixam os profissionais mais próximos e faz com que compartilhemos nossos conhecimentos, o Versátil RP, por exemplo, proporciona aos leitores isso, compartilhamos como eles nossas visões, além de informações do que está acontecendo no mundo da Comunicação graças a uma equipe de colaboradores que estão espalhados pelos 4 cantos do país. As redes sociais estão sendo ótimas ferramentas de estreitar o relacionamento com os RPs e estamos aproveitando ela para acontecer a mesma coisa com nossos clientes, estreitar relacionamento com os nossos públicos de interesse, sendo uma ótima opção de comunicação de mão dupla.

VRP: Qual publicação de sua autoria é sua preferida? Por que?

A publicação “A “Copa das Copas” das marcas”, porque na época da Copa estava trabalhando com monitoramento e vendo o que as marcas patrocinadoras oficiais e não oficiais estavam aprontando em Comunicação e marketing para se auto divulgar, a Copa para mim foi especial por observar como as marcas e agências brasileiras evoluiriam tanto em Comunicação Digital.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Espero que a classe de Relações Públicas esteja mais unida e forte, além de maior reconhecimento de nível nacional em relação a conhecimento das pessoas sobre as Relações Públicas e das organizações/agências também. Os profissionais estão cada vez mais engajados para o fortalecimento da imagem do trabalho dos profissionais de Relações Públicas, tanto por divulgação como por meio do trabalho, então estamos começando bem.

No segundo centenário tudo indica que a importância do RP em comunicação e no trabalho de gestão será essencial de verdade, sairá da parte de planejamento futuro e enfim irá para a ação, as empresas estão dando muito valor a sua imagem, no futuro lucro poderá ser segundo plano e imagem em primeiro, os RPs estaram lá para executar com maestria gestão de imagem e relacionamento.

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém formados?

Aprendam uma coisa: chorem menos e agem mais. Não adianta fazer “mimimi” e também ficar em casa conversando no Facebook, WhatsApp e jogando Candy Crush o dia inteiro esperando a oportunidade bater na sua porta, ela não vai vir até você, quem tem que ir atrás dela é você!!

Outra coisa: tira da cabeça que apenas o que você aprende na faculdade é essencial para conseguir um bom job, o seu diploma é um mero detalhe!! A faculdade é apenas uma boa base para que você aprender o “básico”, ela vai te abrir os olhos sobre o que aconteceu/acontece na nossa profissão, a atual realidade de mercado e o surgimento de novos ferramentas em Relações Públicas você vai aprender por fora.

Aproveitem os milhões de vídeos, blogs (como o Versátil), vllogers, livros onlines e demais conteúdos para apurar mais o que você sabe, além de participar de vários eventos, palestras e cursos gratuitos e pagos que tem por aí para adquirir conhecimento e fazer network, é mostrando interesse e correndo atrás que você vai colher bons frutos lá na frente. Priorizem sempre uma boa oportunidade de adquirir experiência em vez de dinheiro em primeiro lugar, principalmente se estiver na fase de estágio, dinheiro é necessário sim, mas o conhecimento e experiência que adquirir nessa fase é prioridade. Em relação a conseguir um estágio, freela e emprego: entrem no grupo Empregos/Estágio – Relações Públicas e procure o job dos seus sonhos 😉

E nunca, NUNCA DESISTÃO DOS SEUS SONHOS!! Sejam teimosos, porque a teimosia pode até ser uma qualidade ruim em algumas situações, mas aproveitem ela a seu favor, insistam para conseguir o seu objetivo e caso falhe, não se sinta derrotado, apenas modifique o seu sonho, tenha um plano B. O Relações Públicas deve está preparado para as “crises” que vai enfrentar na vida, você vai enfrentar várias, cabe a você ser um gladiador e enfrentar elas, ou apenas ser um mero telespectador. Seja um gladiador.

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