Aprendendo a trabalhar com a camarotização – ou não!

Os vestibulandos da Fuvest 2015 foram no mínimo, pegos de surpresa nesta terça-feira (06/01) com o tema proposto para a redação: dissertar sobre a camarotização. Pera, mas o que seria mesmo esse termo? Ou seria verbo? Ou uma expressão nova?

Já estive sentada na cadeira do temido vestibular e evidentemente, logo que ouvi sobre o tema da redação minha cabeça começou a fervilhar no que eu poderia escrever, mas a fase é outra e eu pensei em trazer para essa nova conversa a visão das Relações Públicas para esse fenômeno.

Antes de tudo, faz sentido explicar o que seria essa tal de camarotização! Assim que ouvi o termo, já associei a sociedade ostentação que estamos presenciando e bingo, ouvindo o professor convidado a comentar sobre o tema proposto, não só percebi que tinha acertado, como observei que a questão vai um “bocadin” mais a fundo: trata-se da nova condição social que está diante dos nossos olhos, ou seja, a segregação da ostentação.

Ora, caro leitor! Estamos na sociedade do ter, do possuir e de todos os verbCamarotizaros que remetam o ato de ostentar. Se camarotizar fosse um verbo, daria para conjugar breve e livre poeticamente assim:

– Eu camarotizo

– Tu ostenta

– Ele segrega… e por aí vai…

Lançada a ideia e fiquem a vontade para pensar livremente e tirarem suas conclusões, vamos a minha proposta inicial, de como as Relações Públicas lidam/lidariam com esse fenômeno. De bate-pronto já poderíamos dizer que o RP pode trabalhar, dentro de infinitos setores e com mais alguns infinitos recursos, pela política de inclusão de todos a essa situação, mas como é que vamos trabalhar com algo que lida simplesmente com o supérfluo?

Inseridos sem nenhuma restrição na sociedade “louca” capitalista isso seria a medida ideal, mas e aí? – Qual é o trabalho de diálogo humanitário de igualdade que estaríamos promovendo? – Nenhum, acredito na mais singela opinião. Porém, tenho a absoluta certeza que o seu patrão não gostaria de ver você nadando contra a corrente das cifras, não é mesmo?

A minha reflexão então, parte para outro viés que faria jus ao que todos juramos quando recebemos nosso diploma: conscientizar! Quanto é importante para nós de fato, ter “o pau de selfie”, o “iPhone 6 mega size Plus”, o tênis que fala enquanto você corre, entre outros produtos? – E o quanto seria válido conscientizar que antes de ter tudo isso, você pode “perder/gastar” seu rico dinheirinho olhando para a casa do lado e percebendo a real necessidade de “camarotizar”?

Não estou aqui propondo o fim do capitalismo, até mesmo porque isso seria um tiro no meu próprio pé (atire aqui a pedra de quem não gosta de gastar em supérfluos), mas porque não trabalhar com a “camarotização de consciência”, aquela que instrui, educa, proporciona, redireciona e dá condições para que todos cheguem ao mesmo nível de ostentação educacional, política e de condições básicas a sobrevivência.

Já que estamos com um ano fresquinho nas mãos, fica aí a minha provocação: não deixemos de lucrar, jamais, mas pensemos em construir o igual para aí sim, conjugar breve e livre poeticamente o verbo “camarotizar” desta maneira:

– Eu partilho

– Tu ensinas

– Ele dialoga

– Nos integramos

– Vós ensinais

– Eles (todos eles) camarotizam…

– Eles (todos eles) camarotizam…

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Um pensamento sobre “Aprendendo a trabalhar com a camarotização – ou não!

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