RP escreve a sua história com Glaucya Tavares

rp-facebookContinuando com as entrevistas remanescentes, hoje recebemos Glaucya Tavares, que é Doutoranda em Comunicação pela ECA-USP com co-tutela pela Universidade Nova de Lisboa, Mestre em comunicação pela Universidade Paulista, pós-graduada em Comunicação e Marketing pela FATEA e Captação de Recursos e Elaboração de Projetos pela FGV, graduada em Comunicação Social – Relações Públicas pela Universidade Estadual de Londrina. Atualmente é Superintendente de Relações Públicas da FJPII e Docente do curso de RP na FAPCOM.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

A comunicação sempre me fascinou e despertou meu interesse, porém não conhecia o curso de Relações Públicas, então quando estava na fase de prestar vestibular tive muitas dúvidas a respeito da escolha do curso, até assistir uma palestra da professora do curso de Relações Públicas da Universidade Estadual de Londrina (Professora Mariângela Benini Ramos Silva), ao ouví-la falar sobre a área de RP tive absoluta certeza de que era essa a profissão que queria para minha vida, uma área com o grande desafio de construir pontes e fortalecer vínculos entre as pessoas.

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?glaucya_tavares

Um cenário promissor, com muitas possibilidades e novas perspectivas, já que cada vez mais as empresas de todos os setores e pessoas buscam se comunicar de forma diferenciada, consolidar sua imagem positiva perante seus públicos de interesse, construindo assim uma reputação positiva, competências essas do profissional de RP. Além disso o cenário atual é composto de um mercado competitivo e com crescimento constante da concorrência em todas as áreas, assim o profissional de Relações Públicas se desponta com as capacidades adequadas para assessorar empresas, marcas e pessoas a se destacarem no mercado.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram em Relações Públicas?

Pergunta de difícil resposta, já que tive e tenho a oportunidade de conviver, aprender e me inspirar em grandes nomes da nossa profissão, mas destaco aqui duas professoras da Universidade Estadual de Londrina, com as quais pude compartilhar e aprender muito do que admiro na profissão, são as Professoras Zilda Andrade e Marlene Marchiori, com quem pude aprender a valorizar acima de tudo nessa linda profissão o “ser humano” e as “oportunidades” constantes da comunicação. Mas destaco de forma especial que as pessoas que atualmente me inspiram diariamente em Relações Públicas, são os meus alunos, com quem todos os dias compartilho conhecimentos e muito aprendo através de suas descobertas sobre a profissão e o árduo desejo de cada um de se tornarem profissionais de excelência.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Em minha opinião existem excelentes profissionais que com um trabalho diferenciado valorizam a profissão, assim como empresas que através desses profissionais e de suas competências também valorizam. Porém considero que ainda existe um longo caminho a ser percorrido, já que a profissão mesmo celebrando o seu primeiro centenário ainda é desconhecida em muitas esferas. A valorização precisa ser uma constate, onde profissionais atuando com excelência, buscando diferenciais, conquistam e abrem espaços nos mercados. Para meus colegas de profissão eu digo “não parem nos obstáculos ou nos primeiros “nãos” recebidos, acreditem, apresentem propostas, falem da nossa profissão, trabalhem e sejam Relações Públicas, isso faz a diferença e apresenta para quem está ao nosso redor a nossa profissão. Não é uma simples promoção, mas sim uma conscientização do que é possível atingir com um trabalho excelente de RP em todos os setores da sociedade.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

Foram inúmeras as contribuições em todas as esferas (pública, privada e terceiro setor), mas ressalto e destaco que nossa maior contribuição como profissionais de relações públicas é a promoção dos diálogos, a consolidação de relacionamentos e a construção de pontes (acredito que uma das grandes forças do profissional de RP é a construção de pontes. A nossa força está em uma comunicação inclusiva, aproximativa, onde pessoas ganham a possibilidade de participarem do processo.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Nesse contexto em minha opinião não estamos falando apenas da profissão e da abertura de mercado dessa profissão, essa é uma questão nacional de divisão de renda, oportunidades, economia e abertura de mercados. Acredito que essa realidade só será diferente na medida que os mercados forem recebendo força para se abrirem, o que já aconteceu em alguns aspectos, mas ainda falta uma política que abra possibilidades em todo o território nacional o que não só abriria oportunidades para os profissionais de Relações Públicas, mas também os de todas as outras áreas.

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

A cidade e o estado de São Paulo é com certeza um pólo central da atividade de Relações Públicas, com muitas possibilidades de crescimentos tanto acadêmico quanto do mercado de trabalho, com excelentes cursos e muitas pesquisas na área de RP e com muitas empresas de todos os setores com trabalhos diferenciados na área. O mercado de RP em São Paulo em minha opinião ainda vai crescer muito nos próximos anos, porém atualmente é um dos estados onde a profissão mais se consolidou.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como iniciou sua atuação? O que tem feito?

Assim que iniciei o curso de Relações Públicas na UEL (Londrina), logo no primeiro semestre iniciei estágios na área e tive a oportunidade de fazer estágios que consolidavam o que eu ia aprendendo em sala de aula, assim que me formei o meu primeiro trabalho foi em uma gráfica, como “Coordenadora de Marketing”, o desafio do primeiro emprego pós formatura se transformou em um grande aprendizado, já que nessa função tive a oportunidade de coordenar o processo de certificação de qualidade da gráfica, trabalho que me levou para o meu segundo emprego como Gerente de Comunicação de uma empresa de telecomunicações no Paraná, além de todo trabalho de comunicação e qualidade da empresa, eu era responsável também por todo o treinamento dos mais de 1.500 funcionários da empresa. Em 2001 iniciei o meu trabalho na Fundação João Paulo II (Sistema Canção Nova de Comunicação), onde tive a oportunidade de iniciar o departamento de Relações Públicas, empresa na qual eu ocupo atualmente o cargo de Superintendente de Relações Públicas, empresa com mais de 3000 colaboradores, 28 filiais (sendo 23 no Brasil e 5 fora do país) e que me propicia o desafio de aprender constantemente sobre como construir relacionamentos entre os públicos de interesse. Paralelo as atividades de mercado, fui buscando desenvolvimento acadêmico, com cursos, pós-graduações, mestrado e agora doutorado porque trazia desde a época de graduanda o desejo de ser professora e também a necessidade de crescimento profissional. Hoje além da minha função na FJPII, sou docente no curso de Relações Públicas na FAPCOM, onde tenho a grande alegria de compartilhar e muito aprender com os meus queridos alunos.

A profissão de Relações Públicas me proporciona muitos conhecimentos diferenciados e tenho orgulho de ter desenvolvido inúmeras atividades de RP Governamental, Assessoria e Consultoria, destaco também a coordenação de eventos de grande porte em âmbito nacional e internacional ao longo desse tempo de atuação profissional.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

A área de Relações Públicas como um todo eu diria ser uma área extremamente promissora, mas destaco aqui o profissional que se aperfeiçoa em “Planejamento Estratégico”, já que é uma das deficiências das empresas de todos os setores, sendo a área que mais tem possiblidade de apresentar resultados efetivos.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Eu acredito que o panorama das Relações Públicas estará ainda muito mais consolidado e que será celebrado uma profissão que terá se tornado uma das mais imprescindíveis para todas as instituições sejam de primeiro, segundo ou terceiro setor, já que acredito que será o tempo de apresentar todo o potencial da área para a sociedade.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

A minha opinião sobre o projeto de flexibilização é de que ainda será necessário uma discussão mais ampla e aprofundada sobre o tema, priorizando de todas as formas com ou sem a flexibilização o desenvolvimento e crescimento da área de Relações Públicas.

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Não só combinam como em minha opinião precisam caminhar juntos, o posicionamento do profissional de Relações Públicas na atualidade precisa agregar características essenciais de empreendedorismo, principalmente na proatividade e apresentação de resultados, esse é o profissional que consegue destaque o que percebe e cenário, enxerga o que ninguém viu e age e isso é empreendedorismo.

— Criar de vínculos;
— Gerar experiência;
— Ser proativo;
— Apresentar resultados

VRP: Qual mensagem deixa para os estudantes e recém-formados em Relações Públicas?

Que delícia falar com vocês, colegas e futuros colegas de profissão. Em primeiro lugar digo que em minha opinião vocês escolheram uma das profissões mais lindas que existem, profissão que eu assumi e que 15 anos depois se tivesse que optar novamente, minha escolha seria por me tornar Relações Públicas, sou realizada na minha profissão e desejo que cada um de vocês também sejam. Não se poupem ou economizem esforços na arte de aprender e de ir além, que os obstáculos próprios do mercado ou dificuldades que se apresentarem para você, encontrem um profissional com um grande desejo de fazer a diferença, de criar vínculos, de gerar experiência, de ser proativo, de construir pontes, e de assumir o desafio de promover uma comunicação diferenciada.

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