RP escreve a sua história com Raquel Cabral

rp-facebookOpa, regressamos e estamos em 2014? O.o Não, apenas vamos publicar algumas entrevistas que chegaram depois do fechamento da série. Hoje e quinta-feira, serão quatro entrevistadas. Aproveitem. 😉

E quem reabre as entrevista é a Raquel Cabral de Bauru/SP. Formada em Relações Públicas, atualmente é Profª Doutora na UNESP/Bauru. Formou-se Doutora em Comunicação Institucional pela Universitat Jaume I, Espanha, em 2012. Bacharel em Relações Públicas pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), São Paulo, Brasil, em 2003. Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP, Brasil, em 2006. Mestre em Estudos Internacionais em Paz, Conflitos e Desenvolvimento Social pelo Instituto Interuniversitário de Desenvolvimento Social e Paz (Cátedra UNESCO de Filosofia para a Paz) da Universitat Jaume I, Espanha, em 2010. Professora Assistente Doutora na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Campus de Bauru-SP. Área de pesquisa: Relações Públicas, interculturalidade, estratégias de sensibilização e cultura de paz.
VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Escolhi Relações Públicas porque era o curso que eu mais me identificava e o que apresentava mais possibilidades e flexibilidade de atuação profissional em comunicação.RaquelCabral

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das Relações Públicas?

No Brasil, vejo que as Relações Públicas estão em um bom momento, apesar dos desafios e da dinâmica transformação dos mercados atuais. Embora tenhamos avançado em alguns pontos e conquistado mais espaço, ainda necessitamos investir na base teórica das Relações Públicas para orientar nosso futuro como profissão e como campo científico.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser relações-públicas?

Posso dizer que tive excelentes professores que me inspiraram, mas reconheço que minha família foi minha principal motivação, já que aprendi desde cedo a valorizar as relações humanas e entender que são elas que nos impulsionam. Quando entrei na universidade me pareceu natural entender a essência da profissão e do campo científico em Relações Públicas no contexto das organizações, em especial, do terceiro setor que sempre me atraiu muito.

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Penso que estamos a caminho dessa valorização. Obviamente, ainda falta avançar em alguns pontos. Contudo, vejo que estamos construindo uma base teórica que precisa ser mais consolidada. Assim, a valorização se legitima e poderá ser a seguinte etapa na nossa história no Brasil.

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

Sem dúvidas, não dá pra entender o início da nossa profissão no Brasil sem remetê-la ao seu relacionamento com as forças governamentais. Nossa história no Brasil, de fato, esteve muito vinculada às necessidades governamentais desde os anos 50 ao 70, especialmente no que se referia às propostas de unificação do Brasil e através da criação da Companhia Nacional de Relações Públicas em 1952 e depois com a criação da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) em 1954. Mais tarde, a criação da Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP) em 1968 no governo Costa e Silva, e mais estrategicamente utilizada no governo Médici, marca de maneira significativa nossa profissão.

A importância de criar e coordenar estratégias de comunicação a fim de trabalhar a opinião pública era evidente. Nesse contexto, as Relações Públicas atendiam plenamente essa conjuntura do país e penso que essa vinculação marcou de forma emblemática a nossa profissão. Criou-se uma imagem muito vinculada ao lobbying e à promoção de eventos institucionais, embora a base principal da atuação profissional estivesse pautada pela formulação de estratégias e gestão em comunicação. Contudo, apesar dessa imagem, penso que em termos de contribuição ao país, observo que as Relações Públicas vêm mostrando a importância da opinião pública nos assuntos públicos, bem como sua importância estratégica na gestão de relacionamentos no contexto empresarial e do terceiro setor.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Entre outras questões, penso que essa situação tem relação com a própria estrutura econômica e política do país. Talvez esta seja a maior dificuldade para a expansão da profissão, ao entendermos que ela está diretamente ligada às organizações. Além disso, para consolidar a importância e a razão de ser da profissão, é preciso que nossos cursos universitários sejam fortalecidos pelo país. Isso requer um importante trabalho de atualização curricular e formação em áreas de pesquisa em Relações Públicas, principalmente no incentivo à formação de doutores na área.
VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Penso que o Estado de São Paulo é o que mais emprega profissionais da área no Brasil. Contudo, na cidade de Bauru-SP, apesar de termos um curso de graduação na área em uma universidade pública e outro em uma universidade privada, a contratação de profissionais ainda é relativamente insuficiente para empregar todos os profissionais formados.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como iniciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Durante a graduação, de certa maneira, eu já atuava profissionalmente. Embora não fosse contratada como relações-públicas, executava tarefas vinculadas à área e relacionadas com projetos sociais. Nesse sentido, eu via certa coerência entre as tarefas que eu realizava e o que aprendia na universidade.

Depois de formada, senti que era um passo natural seguir a carreira acadêmica. Sempre gostei da docência e sentia que podia fazer algo interessante nesse campo. Entendia que as Relações Públicas necessitavam de mais pesquisadores e então decidi prestar o processo seletivo para o Mestrado em Comunicação na Unesp. Aprovei e após a conclusão do Mestrado, achei que deveria tentar o Doutorado, mas na época não havia o curso em Bauru. Comecei a buscar cursos de Doutorado pelo país e pelo mundo e foi quando encontrei, através do meu orientador do Mestrado, um curso de Doutorado na Espanha. Foram inúmeras dificuldades e obstáculos, muita dedicação, renúncias e empenho. Eu já tinha domínio do idioma, participei do processo seletivo e passei. As dificuldades não foram poucas, mas durante meu Doutorado tive a oportunidade de conhecer mais a profissão a partir de uma perspectiva muito distinta da que eu conhecia no Brasil.

Durante o período, tive a oportunidade de continuar trabalhando na área, desta vez, em um escritório da UNESCO dentro da Universidade durante o período em que fui bolsista. Foi uma das mais fantásticas experiências que vivi. Tive a oportunidade de conhecer vários projetos sócio-culturais, estudantes e pesquisadores do mundo inteiro, o que me levou a fazer outro Mestrado, desta vez, vinculado aos Estudos para a Paz, Conflitos e Desenvolvimento Social. Era um tema que sempre me atraiu desde cedo e que estava relacionado com a minha trajetória e nossa profissão. Após finalizar os dois cursos, o Doutorado e o Mestrado na Espanha, regressei ao Brasil, prestei concurso para professora na Unesp e aprovei. Desde então, sou professora contratada no curso de Relações Públicas, o que me permite aliar experiência profissional e acadêmica.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

Penso que há várias áreas promissoras em Relações Públicas, mas acredito que talvez vejamos um crescimento vertiginoso das Relações Públicas internacionais em virtude do processo de internacionalização que várias organizações brasileiras poderão iniciar.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Penso que ainda temos muito a discutir sobre o tema. Caberia uma entrevista só para falar sobre isso.

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Claro. Inclusive, em alguns currículos de Relações Públicas, eles são apresentados como disciplina. É uma vertente que vem se fortalecendo na nossa área.

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática Relações Públicas no país? Quais os benefícios podem surgi daí?

Vejo que é uma tendência em virtude da explosão das mídias sociais. Acredito que pode ser positivo para dar maior visibilidade à profissão.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Gosto de brincar com o futuro, mas embora seja difícil adivinhar como será o panorama da profissão, eu espero que o campo científico das Relações Públicas esteja mais desenvolvido. Com certeza, isso fortalecerá a profissão.

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém formados?

Gostaria de animá-los e incentivá-los a conhecer mais profundamente as Relações Públicas. Não se limitem ao superficial, sejam ousados, curiosos, leiam mais, pesquisem mais, criem mais, mergulhem fundo nesse diverso e extraordinário campo científico. Penso que quando vocês descobrirem mais a fundo sobre a profissão começarão a exercê-la de maneira excelente e, assim, não necessitaremos mais explicar o que são as Relações Públicas. É aí que ela passa de ser uma profissão para ser uma vocação. Nós, simplesmente, faremos e seremos relações-públicas.

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