RP escreve a sua história com Natália dos Santos Gonzales

rp-facebookE para completar a série dessa quinta-feira recebemos Natália dos Santos Gonzales, de Bauru e formada em Relações Públicas pela Unesp. Natália é Especialista em Comunicação Organizacional pela Universidade Metodista de São Paulo. Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Relações Públicas pela Unesp/Bauru. Durante a graduação desenvolveu iniciação científica com bolsa PIBIC, além de ter sido participante ativa de projetos de extensão e grupos de estudos.

Atuou 2 anos na área de comunicação de uma empresa de construção civil e, posteriormente, encantou-se pela área social atuando 2 anos na Fundação Abrinq com estratégias de relacionamento com diferentes públicos com o objetivo de engajá-los na causa da criança e do adolescente. Atualmente, se dedica aos estudos para tentar o ingresso no Mestrado em Comunicação para estudar a comunicação e as estratégias para engajamento do público juvenil em se tornarem atores de mudanças sociais.

VRP: Por que escolheu estudar Relações Públicas?

Sabia que queria ir para a área de comunicação, porém estava bem em dúvida em relação à habilitação. Na verdade, não conhecia muito bem a profissão. Sou de uma cidadezinha do interior de SP e nada se falava desse curso no ensino médio. Comecei a pesquisar e me encantei pela grade do curso, pelas áreas de atuação, enfim, por tudo. E até hoje, em nenhum momento, tive a dúvida de não ter feito a escolha certa!NataliaGonzales

VRP: Como enxerga o cenário brasileiro das relações públicas?

Vejo que as empresas estão conhecendo, cada vez mais, sobre o profissional e vendo a importância dele para seu negócio e os potenciais que o profissional pode desenvolver dentro da empresa; porém muitas vezes ainda se vê vagas anunciadas que é nítida a falta de conhecimento sobre a possibilidade da atuação do RP. Um ponto muito positivo para nós, no início da carreira, é que temos uma formação bastante holística, o que permite atuarmos em diferentes áreas dentro de uma organização. Com o tempo na profissão, a especialização em determinada área também é necessária.

VRP: Qual ou quais as pessoas que te inspiram a ser Relações Públicas?

Com minha trajetória, nos últimos anos, tendendo mais para o lado social, tenho me inspirado muito não só em pessoas, mas em grupos com ideias incríveis e com vontade de botar a mão na massa, fazer acontecer. Ver essas pessoas se importarem com outro, trabalhar para que projetos em benefício da comunidade vão para frente, me faz acreditar ainda mais em como existem pessoas para mudar o que está posto e, ainda mais, como nós comunicólogos temos capacidade de transformar isso em algo ainda maior!

VRP: Comemoramos em 2014 os 100 anos das Relações Públicas no Brasil, para você, a profissão é valorizada como deveria?

Infelizmente penso que tem muito ainda para se caminhar para chegar ao “ideal”, porém acredito que cada um de nós devemos fazer por merecer essa valorização. Quanto mais profissionais apaixonados pelo que fazem, motivados com seu potencial de mudar uma realidade – seja em uma empresa, em um órgão público, no terceiro setor, empreendendo…enfim, enquanto os profissionais de RP não estiverem satisfeitos e eles próprios valorizarem a importância de seu trabalho, e continuarmos tendo próprios RP´s falando mal da categoria, da falta de ascensão profissional, de salários baixos…como exigir de todos uma valorização?

VRP: O que você vê como a maior contribuição da profissão para o país, durante todo este período de cem anos?

Acredito que as relações públicas, muitas vezes sem saber que estava sendo “usada”, foi peça principal para diversas situações no país. Puxando um pouco a minha atuação, o crescimento do interesse de empresas por fazerem projetos de responsabilidade social ao se darem conta de como o consumidor preza por este valor e agrega à sua marca, como eles podem contribuir para um menor impacto na comunidade que instalam certas indústrias, entre outras possibilidades. Tudo isso é uma evolução de enxergar de formas diferentes a relação com os diversos stakeholders, isso é fazer relações públicas.

VRP: Sabemos que o eixo Sudeste ainda concentra a maioria dos profissionais de área, bem como a maioria das vagas de trabalho oferecidas. Qual seria a maior dificuldade, em sua opinião, para a expansão nacional da área e das oportunidades de emprego?

Acredito que esta realidade é presente em grande parte das carreiras. Algumas profissões são mais necessitadas nas outras regiões, principalmente norte e nordeste, devido a obras de programas do governo e etc. Nós precisamos nos dar conta que a dificuldade que nós RP´s encontramos (falta de emprego, salários baixos, cargos estritamente operacionais) diversas vezes são também que muitos colegas de outras profissões, até mesmo de carreiras consagradas, como o direito, que estão passando por situações parecidas. Nós não somos a exceção. Obviamente que nossa situação se agrava pela profissão ser algo novo e por isso ainda temos muito caminho a trilhar…

VRP: Como está o mercado de Relações Públicas em seu estado/cidade?

Bom, voltei para Bauru não faz nem um mês, não consigo responder sobre isso até porque não estou buscando atuar no mercado, no momento.

VRP: Conte mais sobre a sua história com a profissão. Como iniciou sua atuação? O que tem feito? Qual seu projeto de maior orgulho na área?

Eu iniciei me envolvendo em projetos da faculdade: empresa júnior, grupos de estudos, agencia experimental. Após, iniciei meu estágio em uma empresa que pude ter a oportunidade de fazer de tudo que tinha relação com comunicação. Fui contratada neste empresa, ainda na graduação, e pude estar a frente de diversos projetos de comunicação. Após isso, fui para São Paulo e comecei a trabalhar com organização de eventos corporativos. Era muito bacana pois precisávamos sempre estar de olho nos assuntos mais inovadores de cada área de uma empresa para poder fazer eventos com temas relevantes. Em um deste eventos, sobre Investimento Social Privado em Educação, a chama de trabalhar com o social se reacendeu dentro de mim (rs). Neste meio tempo, comecei um processo seletivo para a área de comunicação da Fundação Abrinq – Save the Children e lá, com certeza, fiz um dos projetos mais fascinantes: engajar jovens na causa da criança e do adolescente. É fascinante poder pensar em formas de inspirar ainda mais jovens que têm sede de mudança, que querem realmente por a mão na massa e mudar a realidade de diversas crianças que estão vulneráveis.

VRP: Qual é a área de atuação das Relações Públicas que você vê como mais promissora em curto prazo? Por quê?

É muito difícil poder apontar uma ou outra área. Acredito que independente da área você precisa se especializar em uma área, ser apaixonado por aquilo, ver as oportunidades de se aperfeiçoar, fazer networking, mantendo uma rede de pessoas que atuam na mesma área que você.

VRP: Qual sua opinião sobre o projeto de flexibilização da profissão?

Na verdade, com essa flexibilização ou não isso já acontece muito. Vemos muito outros profissionais atuando em áreas de RP, porém vejo que temos que nos consolidar como profissão para fazer com que contratantes deem a devida importância para o profissional quando pensar nas atividades desenvolvidas por nós. Assim, com ou sem flexibilização, teremos mais espaço para atuar com outros colegas – cada um no seu quadrado (rs).

VRP: RP e empreendedorismo combinam?

Com certeza. Acredito que empreender combina com qualquer profissional. Porém, vejo RP com uma visão bastante abrangente para dar um pontapé inicial levando em consideração nossos conhecimentos de análise de oportunidades de mercado, pesquisas com públicos, algumas ferramentas administrativas, enfim, um profissional que tem grande potencial para empreender, basta ter uma boa ideia e força de vontade.

VRP: Como vê o forte movimento de blogs/páginas/grupos sobre a temática relações púbblicas no país? Quais os benefícios podem surgi daí?

Vejo que é muito proveitoso, tanto para profissionais já atuantes como para aspirantes à relações públicas. Para os profissionais é um bacana lugar para trocar experiências, formar uma rede bacana e fonte de conhecimento. Para futuros estudantes, vejo como um espaço que confortam os que possuem diversos questionamentos sobre a profissão.

VRP: Agora, brincando de adivinhar o futuro, como você acredita que estará o panorama das Relações Públicas no seu segundo centenário brasileiro?

Acredito que terá tido diversos avanços em relação ao conhecimento da profissão e de sua necessidade, porém penso que nunca podemos nos contentar com determinada fase de algo. Precisamos buscar mais, se até lá a profissão for mais valorizada, o que poderemos fazer para que as empresas se conscientizem, cada vez mais, sobre a importância de seu público interno e sua valorização?

VRP: Qual mensagem gostaria de deixar para os estudantes e recém formados?

Se envolvam em tudo o que a universidade (e fora dela também) te oferece. Hoje, vocês possuem mais opções do que nós tínhamos acesso há apenas quatro anos atrás. Participem de grupos de estudos, AIESEC, Empresa Júnior, Movimento Choice, Congressos, ações de voluntariado, intercâmbios e tudo mais (coloque o que é prioridade para você e organize seu tempo para conseguir participar de modo eficaz no que escolher fazer parte)! Ah, e não se esqueçam da importância das aulas, é muito importante ter o embasamento teórico para poder ter um respaldo na hora de convencer seu futuro chefe sobre a importância de determinada ação, garanto que nem sempre é tão fácil (rs).

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