Chapter One – Um texto em sol maior (G)

Qual seria a sua reação ao ouvir o silêncio? Ou ouvir um barulho muito forte? Diariamente recebemos os mais variados estímulos – sonoros, visuais, táteis. Mas qual a relação entre os estímulos sonoros e a comunicação? Essa é uma das questões que desde 2009 tem me chamado atenção  e, ainda, me fazendo perceber teimosamente que essa relação tem uma “relação direta” com as relações públicas. Por isso, analisar em que medida as sonoridades interferem na percepção e comunicação dos indivíduos se tornou um desafio pessoal e profissional nos últimos anos.

Mas para confirmar ou não essa relação, precisava ir à rua, falar com as pessoas, saber como elas se relacionavam com os estímulos sonoros, ou como Sá (2010) chama, com as “Paisagens sonoras”.

Esse texto é fruto de uma pesquisa, dividida em duas etapas. A primeira consiste num levantamento teórico sobre o tema, enquanto a segunda apresenta os resultados e análises de um questionário aplicado nesses sujeitos, após serem submetidos à escuta de cinco sonoridades diferentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritivo-exploratória com o método da observação participante, a partir de uma amostra não-probabilística de 10 sujeitos separados em dois grupos: cinco sujeitos com conhecimento musical teórico e prático, e cinco sujeitos leigos à prática musical.

Vamos lá… O tema música pode remeter diretamente à arte, que nesse sentido está presente na atividade humana há bastante tempo. Em sua história – enquanto construção cultural – a música carrega em si aspectos ligados a outras áreas do conhecimento como metafísica, educação, comunicação, política, ciência, ética. Tomás (2002, p.13), em seu livro: Ouvir o lógos: música e filosofia, traça um panorama do conceito desta arte que, em várias sociedades, tem sua relevância e particularidade. Para ela, Música é conhecimento prático da melodia, que consiste de som e canção, e é chamada assim por derivação das Musas, ahhh, as Musas.

unnamed~2[1]Bom, se a música é uma linguagem universal, como é conhecida comumente, os profissionais de relações públicas não sentirão dificuldade em usá-la como um instrumento em suas estratégias de comunicação, correto? Afinal, a vida cotidiana é cercada de sonoridades; acordar, caminhar, dormir, aparentemente atividades rotineiras, mas que são acompanhadas de sons ou componentes acústicos.

Isto nos ajuda a encontrar outro componente fundamental para o desenvolvimento do trabalho das relações públicas: o componente social. Não apenas isso. Esta pesquisa constatou que questões ligadas ao sentimento, ao pensamento, podem determinar a percepção dos sujeitos frente à audição sonora/musical. Isto é, “a vivência musical pode aperfeiçoar funções cognitivas, operando como orientadora de suas ações”, já afirmava Sekeff (2007).

Então parece que existe um caráter educativo quanto ao uso da música. Ao mencionar educação, citamos diretamente a comunicação. Ao aceitar que a música seja uma ciência, admite-se também a possibilidade de existir, em sua estrutura, semelhanças com processos de comunicação, considerando, que em seu processo de desenvolvimento, se envolvem emissor, mensagem e receptor. E aí é que o bicho pega. Pega porque começamos a tratar de significados e significantes e um significado não é o mesmo para duas pessoas, né?

Dito isto, cinco sonoridades foram selecionadas, além das “Paisagens Sonoras” de Sá (2010), a partir do que Silveira (2013), descrevendo o trabalho da banda Lightning Bolt, chamou de “[…] uma organização no caos sonoro”. (p. 82).

1. Ruído grave e contínuo como de um cabo elétrico de um contrabaixo;
2. Ruído como de água caindo no chão.
3. Ruído agudo como de uma microfonia de uma guitarra;
4. Silêncio;
5. Música do grupo americano Lightning Bolt (chamada Dracula Mautain).

Se a música, através de suas variáveis, é relevante e contribui para a reflexão acerca da comunicação, ao oferecer elementos, cujos aspectos são fundamentais para a construção de novos processos comunicativos e sociais, está prática pretende então ser uma alternativa para usos e recursos das sonoridades, enquanto práticas comunicativas. A realização e a promoção deste tipo de atividade se mostraram positiva, na medida em que os sujeitos puderam expressar detalhes no que se referiu, desde seu processo de escuta, ao processo de ação, Simões (2007). Calma, esse não é o fim do texto. Logo mais publicaremos o resultado. Mas isso são cenas para um Chapter Two.

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