Porque participar de concursos em Relações Públicas?

Prêmio ABRP 2014 - Alegria e Selfies no Evento | Crédito: Ricardo Bastos fotografia

Prêmio ABRP 2014 – Alegria e Selfies no Evento | Crédito: Ricardo Bastos fotografia

Ontem o Versátil RP trouxe um apanhado de informações para convidar e ajudar os recém-formados na graduação e pós-graduação a participar do 33º Prêmio ABRP. Hoje, trazemos a grande novidade, Primeiro, a entrevista do Presidente da ABRP, Prof. Marcus Vinicius Bonfim, que contará um pouco sobre o prêmio, o que representa para a instituição, o diferencial nesta edição e no final ainda fará um importante pedido a todos os participantes das edições passadas. Na sequência, a entrevista com os relaçõe-pública Eric Nogare que contara suas experiências e por que ele acredita que é interessante participar de concursos em Relações Públicas.

Prof. Marcus Vinicius Bonfim, presidente da ABRP/SP | Créditos: Ricardo Bastos fotografia

Prof. Marcus Vinicius Bonfim, presidente da ABRP/SP | Créditos: Ricardo Bastos fotografia

1.​ Professor Marcus, há anos a ABRP tem desenvolvido o Prêmio ABRP, o que ele representa para a associação e para o profissional que é reconhecido pelo prêmio?

Acredito que o principal valor do Prêmio ABRP pela sua trajetória em mais de 30 anos é justamente o que vocês mencionaram no post anterior: prestar reconhecimento aos alunos que produzem ao longo de um ano seu trabalho de conclusão de curso e que depois de muito estudar, ralar e se dedicar com afinco pra fazer o trabalho tem a oportunidade de concorrer com colegas do Brasil inteiro para obter essa marca que vai ser referência muito particular e especial. É o momento em que, após as bancas, o filho ou filha pode reafirmar aos pais, amigos e parentes o que ele ou ela faz como relações-públicas. E tem isso como um presente, pois é avaliado por outros colegas para esta conquista. Além disso, o Prêmio ABRP também simboliza aos orientadores e aos cursos um motivo extra de orgulho pela formação que foi dada.

2. Como é o processo de seleção? Quem são os jurados, como são escolhidos e por quantos profissionais cada projeto passa para ser analisado?

Os trabalhos são avaliados por uma banca de jurados no sistema blind review, onde os trabalhos são submetidos a profissionais e professores com experiência tanto no mercado quanto na academia, em anonimato: nem o jurado sabe de quem é o trabalho, nem os autores sabem quem são os jurados, isto para garantir para ambas as partes essa autonomia. E isso é comum em premiações de trabalhos acadêmicos no Brasil e no exterior.

Tem colegas do Brasil todo, cada trabalho é avaliado por no mínimo dois jurados, e mandamos os trabalhos para outras regiões do país: por exemplo, um projeto experimental ou monografia de uma faculdade aqui de São Paulo pode ser avaliado por um profissional do Rio Grande do Sul e um acadêmico na Bahia. Por outro lado, um projeto experimental ou monografia da Paraíba pode chagar as mãos de um acadêmico de Goiás e um profissional do Rio de Janeiro.

Temos como critério de seleção dos jurados as categorias em que eles desejam ser avaliadores e fazemos um sorteio para a distribuição dos trabalhos. Todos os jurados têm experiência profissional e acadêmica, currículo Lattes, titulação no mínimo de especialização. Se na atribuição das notas existe uma divergência, mandamos o projeto para um terceiro jurado, com voto de minerva para atribuir a média final. E todos os jurados dão suas notas mas tem que justificá-las.

Dessa forma, proporcionamos a diversidade de olhares sobre o trabalho, dá a oportunidade de ampliar o nosso horizonte profissional e acadêmico sabendo o que estão produzindo e aplicando tecnicamente os novos relações-públicas, especialmente fora do eixo Sul-Sudeste que quantitativamente inscreve mais trabalhos.

Acaba por ser uma oportunidade de troca muito rica e que pode influenciar novas práticas, e o conhecimento de autores diferentes, realidades de organizações por vezes do mesmo segmento, mas que têm comportamentos no mercado bem distintos por conta de todas as variáveis possíveis que nosso país proporciona.

3. Está prevista alguma novidade para esta edição?

Cada ano o regulamento do Prêmio ABRP sempre tem uma modificação para acompanhar o que está acontecendo com o mercado e a sintonia necessária com a academia. Este ano incluímos duas subcategorias em Estratégias de Relacionamento: Governança Corporativa e Campanhas de Relações Públicas e Comunicação Integrada.

Este ano incluímos duas subcategorias em Estratégias de Relacionamento: Governança Corporativa e Campanhas de Relações Públicas e Comunicação Integrada. (Marcus Vinicius Bonfim, presidente da ABRP)

Pode ser que nos próximos anos mais mudanças ocorram, pois os cursos estão adaptando seus currículos às novas Diretrizes do Ministério da Educação e podem vir mudanças, mas sempre mantemos um diálogo regular com os coordenadores e professores para fazer ajustes sempre que necessário.

Este ano demos mais um passo adiante com a inscrição dos trabalhos via site da ABRP e pagamento da taxa de inscrição via Pagseguro/UOL, e vamos seguir evoluindo em outras estratégias sempre que houver condições e oportunidades. Simplificando processos, como o upload do trabalho e criando perfis de inscrições já para o trabalho ser lido pelo jurado pelo conjunto.

4. Quanto a submissão de trabalhos, como é a forma de inscrição e opções para o participante? ​

Os trabalhos podem ser inscritos de acordo com as características e perfis dos TCCs: Monografias de Graduação (com 5 subcategorias), Monografias ou Projetos de Intervenção de Pós-Graduação (Lato Sensu), Projetos Experimentais (com 8 subcategorias); e Estratégias de Relacionamento (com 19 subcategorias). No total são 32 categorias em disputa.

As inscrições podem ser realizadas pelos autores dos trabalhos ou pelas Instituições de Ensino com cursos de graduação ou pós-graduação em Relações Públicas. E a gente recomenda sempre que os alunos procurem seus cursos, falem com os coordenadores e com o orientador ou orientadora para definir as potencialidades do projeto.

​5​. ​É sabido que grande parte dos participantes são da região Sudeste, é possível tecer um comentário quanto as demais regiões do País e sua participação no concurso? 

Sempre digo o seguinte, até retomando a minha fala na primeira pergunta quando falamos sobre o reconhecimento: o maior e melhor resultado que nós temos aqui na ABRP e que nos dá orgulho quando apuramos as notas e divulgamos os finalistas é justamente ter monografias e projetos experimentais do Brasil todo, sobretudo do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e mesmo nos grandes centros, fora das capitais no interior e do litoral.

Essas produções têm felizmente chegado ao concurso, participado e conquistado boas colocações. O valor deste concurso que é nacional é refletir a qualidade dos formandos em Relações Públicas Brasil afora e acho que temos sido bem-sucedidos naquilo que cabe, que é manter um concurso com seriedade e lisura e esse caráter plural há tantos anos e que seu processo de gestão e avaliação permite que estes trabalhos fora do eixo Sul-Sudeste consigam avançar e mostrar a sua qualidade.

Um fator que não pode ser ignorado nessa relação é que o número de cursos no Sul e Sudeste, especialmente no Rio Grande do Sul e em São Paulo é maior que nas demais regiões. Também vejam que alguns cursos investem na inscrição dos trabalhos que foram bem avaliados nas bancas públicas no final de seus cursos. A ABRP oferece condições de desconto para quem for associado (seja o estudante enquanto pessoa física, seja o curso, como pessoa jurídica) que chegam a 50% do valor integral. E não fizemos qualquer mudança nos valores de inscrição desde 2012.

A ABRP oferece condições de desconto para quem for associado (seja o estudante enquanto pessoa física, seja o curso, como pessoa jurídica) que chegam a 50% do valor integral. E não fizemos qualquer mudança nos valores de inscrição desde 2012. (Marcus Vinicius Bonfim, presidente da ABRP)

Não resta a maior dúvida que, quando trabalhos das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, isto deve ser não só comemorado por nós, mas fica também um compromisso destes egressos, dos professores e das instituições que permaneçam inscrevendo mais trabalhos e usem a imagem e a reputação do Prêmio ABRP a seu favor para que o mercado em suas regiões possa crescer e abrir mais portas nos seus mercados locais, contando com o apoio da ABRP para propagar esta chama da vitória junto com os clientes atendidos, acompanhando a implantação dos planos elaborados inclusive.

​6​. Qual a diferença da participação entre Graduados, Pós-graduados no processo seletivo e de submissão dos projetos? ​Em relação aos pós-graduados é permitida a submissão de projetos apenas dos cursos que recebem o título de RP ou é permitido também para áreas afins? ​

A diferença são as categorias em que os trabalhos se inscrevem, e os jurados que determinam se querem avaliar apenas trabalhos de graduação ou somente trabalhos de pós-graduação. Temos um banco com mais de 120 jurados, o que dá a oportunidade de revezarmos os jurados e evitar sobreposição, por isso modificamos o modo de avaliação dos trabalhos pelo conjunto dos trabalhos, para simplificar a avaliação e obtermos uma avaliação mais completa, por exemplo, dos projetos experimentais e das estratégias de relacionamento. Fica menos cansativo e racional para o jurado, melhora a qualidade da avaliação pois ele vê o trabalho como um todo e pode avaliar melhor se aquela estratégia de relacionamento é realmente consistente pois ele leu o trabalho e não uma fração dele sem ter a visão/concepção dos autores sobre o trabalho.

Em pós-graduação ainda, o regulamento prevê que podem se inscrever e concorrer os trabalhos de especialização lato sensu cuja fundamentação teórica esteja alinhada com as bibliografias das áreas de Comunicação Organizacional e Relações Públicas. Muitas especializações têm em seus programas disciplinas com conteúdo da nossa área. O foco na categoria de pós-graduação é a produção acadêmica consistente em nosso campo, trazendo aqueles egressos que abraçaram as Relações Públicas.

Os nossos jurados (quer sejam profissionais e/ou professores), por exemplo, tem formação em graduação em Relações Públicas, mas em pós-graduação (MBA, especialização, mestrado, doutorado) buscam conhecimentos em outras áreas e campos como Administração, Finanças, Psicologia, Recursos Humanos, Filosofia, História, Educação, etc. Esse aporte de conhecimento faz, por exemplo, que tenhamos excelentes professores e profissionais de Relações Públicas para avaliar Comunicação Interna, Avaliação e Mensuração de Resultados, Marketing, enfim, temos que dar espaço às produções que bebem da nossa fonte e que procuram apresentar reflexões muito importantes para nosso campo.

7. Para quando está previsto (mês) o evento de celebração?

Prof Agatha e estudantes do Projeto Memória | ABRP 2012 | Créditos: Samanta Gregório e equipe

Prof Agatha e estudantes do Projeto Memória | ABRP 2012 | Créditos: Samanta Gregório e equipe

Queremos fazer a cerimônia de premiação no final de outubro, mas estamos aguardando a abertura da agenda do Teatro CIEE para o segundo semestre para fechar a data.

​8. Gostaria de deixar alguma consideração? 

Sim, quero aproveitar a oportunidade para convidar especialmente os finalistas das edições anteriores do Prêmio ABRP a visitarem nosso Flickr (https://www.flickr.com/photos/abrpsaopaulo/) e comentem as fotos para nos ajudar a identificar os integrantes de cada agência nas fotos. Isso nos possibilitará fazer as legendas corretas e dar continuidade ao Projeto Memória do Prêmio ABRP lançado pela nossa ex-VP Profa. Ágatha Carmargo Paraventi (que hoje é diretora administrativa da Abrapcorp), que realizou um levantamento sobre os 30 anos do concurso em 2012 com um apoio de alunos vontários da Unisantos, Universidade Cruzeiro do Sul e Faculdades Integradas Rio Branco. Vamos dar seguimento ao Projeto com a identificação dos personagens destas narrativas do Prêmio ABRP e, principalmente, de anos passados, como vocês podem ver em nosso Pinterest também (https://br.pinterest.com/memoriaabrp/) que requer as mesmas identificações para legendas. Ainda temos muita história para digitalizar!

Eric Nogare | Agência Brücke

Eric Nogare | Agência Brücke

1. Eric, o que você achou da experiência de participar do premio ABRP?

Para mim foi muito interessante, pois, além de um reconhecimento a um trabalho que eu e meu grupo levamos um ano para desenvolver, foi um evento onde pude conhecer um pouco do que as outras instituições de ensino estavam produzindo. Estar em um ambiente repleto de RPs, conversar sobre comunicação e conhecer outros projetos foi uma experiência muito gratificante.

2. Para você, o que representa vencer o prêmio ABRP?

Vencer um prêmio ABRP significa a valorização de todo o esforço e dedicação que você empregou no projeto de conclusão de curso. Para mim, foi uma coisa muito boa, pois quem já se formou sabe o quanto temos que sacrificar para realizar um bom trabalho (tempo livre, convívio com pessoas que gosta, entre outros). Fazer o que se ama e ainda ser reconhecido por isso é muito bom!

3. Você sentiu alguma diferença ou utilizou esse prêmio como diferencial no mercado? Ajudou na conquista ou disputa de vagas de emprego?

Senti um reconhecimento, do ponto de vista acadêmico, tanto no meu trabalho quanto na instituição de ensino onde me formei. Não procurei um emprego desde então, pois estou estabilizado na organização onde atuo, por isso não sei dizer se ajuda de fato na procura por vagas no mercado de trabalho. Entretanto, senti uma valorização do projeto e uma procura de outras pessoas que utilizam hoje meu trabalho (e do grupo) como referência para seus próprios projetos.

Senti um reconhecimento, do ponto de vista acadêmico, tanto no meu trabalho quanto na instituição de ensino onde me formei. […] valorização do projeto e uma procura de outras pessoas que utilizam hoje meu trabalho (e do grupo) como referência para seus próprios projetos.(Eric Nogare – Vencedor do Prêmio ABRP/2014)

4. Você indica a outros profissionais de RP a participação?

Com certeza. É uma experiência única. ABRP e Intercom são canais para que os alunos e recém-formados conheçam outros mercados, projetos e pessoas com realidades completamente diferentes das que convivem normalmente. Esse tipo de troca acaba se tornando um benchmarking muito positivo para a carreira e à vida da pessoa.

5. O que viu de diferente entre a Intercom e o Premio ABRP? 

No Intercom eu tive a oportunidade de conhecer profissionais de todo o Brasil, além de participar de oficinas onde pude conhecer o comportamento de diversos mercados e setores dos quais eu nunca havia parado para conhecer. Já no Prêmio ABRP realizado em São Paulo, apesar de terem alguns projetos de outros estados, percebi que é algo muito voltado para a região de São Paulo. Isso não desmerece em nada o evento, mas por ser mais local, você fica condicionado a conhecer muito do que está sendo feito em São Paulo. Para mim, particularmente, isso foi bom, pois é o mercado onde atuo hoje.

6. Quais categorias e classificações vocês venceram?

Se considerarmos o Intercom e o Prêmio ABRP, eu e meu grupo fomos agraciados com algumas premiações. Segue lista abaixo:

ABRP – SP

Agência Brücke - Vencedores Prêmio ABRP  2014 Professor-orientador Glaucya Tavares, Eric Nogare, Bárbara Argenta, Ana Paula Cislaghi, , Carol Bertoco, Fernando Invernizzi e Kelly Feltrin

Agência Brücke – Vencedores Prêmio ABRP 2014
Professor-orientador Glaucya Tavares, Eric Nogare, Bárbara Argenta, Ana Paula Cislaghi, , Carol Bertoco, Fernando Invernizzi e Kelly Feltrin

1º Lugar – Projeto Experimental Setor Comércio

1º Lugar – Estratégia de Relacionamento com Imprensa

1º Lugar – Estratégia de Relacionamento com Fornecedores e Parceiros

2º Lugar – Estratégia de Relacionamento com Público Interno e Familiares

2º Lugar – Estratégia de Relacionamento com Consumidores e Clientes

INTERCOM – EXPOCOM Regional Sudeste e Nacional 2014

1º Lugar – Projeto de Assessoria de Comunicação Empresarial

7. Poderia dar dicas aos colegas que irão participar?

Considero que a principal dica é ter persistência. Acredito que todo mundo, ao ser aprovado na banca, não vê a hora de descansar e não pensar mais no TCC, mas essa é justamente a hora em que o grupo precisa ter muito claro qual é o seu objetivo. Se é fazer um projeto apenas para concluir a faculdade ou se tem alguma perspectiva maior de que isso possa influenciar na carreira e na vida dele. Haverá momentos para descansar, mas também haverá momentos em que será necessário rever o projeto, fazer um paper para se inscrever no Intercom e treinar novamente para se apresentar a um público acadêmico. O importante é acreditar no seu projeto e, mesmo que não vença algum prêmio, saber que deu o máximo de si! Boa sorte!

Considero que a principal dica é ter persistência. (Eric Nogare, Agência Brücke)

O Versátil RP agradece a participação de nossos entrevistados e deseja boa sorte e sucesso a todos os participantes dos congressos na área da comunicação. Que estas e outras ações sejam oportunidades abertas na profissão, ideais para o compartilhamento das novas demandas, tendências e estratégias em Relações Públicas, onde é possível trocar ideias, ver o que os colegas estão fazendo, pensando e apresentar o trabalho desenvolvido com carinho e dedicação à profissionais e professores do segmento que contribuirão de modo significativo aos pontos trabalhos.

A todos, boa sorte e sucesso.

Quer compartilhar seu projeto com o Versátil RP, então entre em contato com GT Acadêmico do blog VRP e nos conte sua história.

Roberta Attene

GT Acadêmico – Blog Versátil RP

robertasemear@gmail.com

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