Aquecimento workshop – Ariane Feijó fala sobre Inbound PR

WORKSHOP_ARINa lista de divas das relações públicas do Brasil (e do mundo) está: Ariane Feijó! Ela tem 15 anos de carreira internacional, com passagem por multinacionais como Dell Brasil e KPMG UK. É sócia de três negócios de comunicação: As Pequenas Grandes Ideias, consultoria de Inbound PR para pequenas e médias empresas na Europa e no Brasil, da Incubadora de Artistas em Portugal, e do coletivo TMPRP. Conheça um pouco mais da história da Ari (que já foi entrevistada pelo VRP aqui) e o que vai rolar em seu workshop na RP Week. 😉

VRP: Sua atuação profissional foi direcionada para a relação do Marketing com RP em ações voltadas para projetos culturais. Qual foi sua motivação e aspectos que te levaram a dar este direcionamento?

Ariane: Sempre li muito sobre marketing e administração, mas minha transição de RP para o marketing aconteceu quando eu trabalhei na Dell. Do mimimi de sempre pensar que a verba de RP era pequena, aprendi a fazer eventos que gerassem retorno financeiro para a empresa e com isso conseguir aumentar o orçamento para o trimestre seguinte. Deixei de me iludir: negócios existem para ser lucrativos e meu objetivo, então, passou a ser atrelar a nossa visão super humana e focada nas relações das RP ao mundo dos negócios.

Justamente por essa base humanística que tenho muito forte, por acreditar que o sucesso dos negócios está diretamente ligado com o seu significado na vida das pessoas, a questão cultural sempre teve presente na minha vida. Amo arte e as reflexões que ela me gera, sempre quis estudar mais.

Quando saí da Dell para morar na Europa, fiz uma parada para entender melhor o que queria e como queria do mundo capitalista. Fiz cursos de curadoria, história da arte, gestão de artes performativas e de artes plásticas. Decidi que eu queria fazer aquilo que eu acreditava, que era trabalhar com o lado mais sensível do mundo, e por isso escolhi a arte.

VRP: Como é o mercado de Relações Públicas fora do Brasil? Nos conte um pouco de sua experiência, oportunidades, desafios em sair do país e atuar como RP em outros países.

Ariane: O mercado de Relações Públicas tem problemas similares em todos os lugares do mundo. Em alguns lugares ele é mais voltado pra assessoria de imprensa, o que é bem natural, afinal a nossa origem está no jornalismo e no newsmaking. Em outras ele está mais ligado à gestão da comunicação, como é o caso dos Estados Unidos. Das experiências que eu tive, sinto que no mundo inteiro as pessoas estão buscando novos caminhos e estão enxergando RP muito mais como uma mentalidade do que como uma profissão.

Apesar disso, colocar em prática essa nova forma de ver e trabalhar RP ainda não é uma realidade. A maioria das pessoas entendeu que algo está mudando, mas ainda não entendeu o que é. E se entendeu, estão cheias de dúvidas sobre como colocar em prática essas mudanças. E não falo apenas da comunicação, falo de negócios de uma maneira bem ampla. Ainda estamos um pouco perdidos entre o analógico e o digital e precisamos relacionar as duas coisas.

A atuação do profissional de RP global tem muito a ver com estar alinhado com essa mentalidade, de que não existe fronteira entre analógico e digital. Como eu costumo dizer, a comunicação não é mais online ou off-line; ela é all-line.

Um comentário extra sobre RP fora do Brasil: em cada país da Europa/mundo, tem uma forma diferente, nuances diferentes de trabalhar. Em Portugal, por exemplo, um jornalista não pode exercer as funções de Relações Públicas, muito embora a profissão não seja regulamentada lá, jornalismo é uma coisa e RP é outra. Aqui no Brasil, a profissão de jornalismo é desregulamentada e a gente não pode atuar como Relações Públicas sem estar registrado no Conselho. Cada lugar do mundo tem uma regra diferente.

VRP: Durante a semana da RP Week, você realizará o workshop sobre Inbound PR. Poderia nos contar um pouco sobre essa proposta e sua inserção na gestão empresarial?

Ariane: O Inbound PR surge em função do que a gente chama de mentalidade (ou mindset) digital. A novidade que o Inbound PR traz não são os processos, mas sim a forma como eles estão amarrados para gerar resultados em comunicação.

Eu organizei uma série de processos, criando um método que está funcionando para os meus clientes de diversos portes e em diversos lugares do mundo. Minha ideia agora é começar a compartilhar isso tudo com outras empresas, para que os profissionais de comunicação e marketing trabalhem melhor e não mais, em excesso.

Todo mundo fala em marketing digital, em era do conteúdo, em RP 2.0… Mas há um espaço gigantesco para que a gente consiga criar altos níveis de competência e inovação nos negócios. Para que consiga entregar uma experiência melhor para os nossos clientes. E para os clientes dos nossos clientes.

Durante os últimos anos venho acompanhando o Festival de Cannes Lions. Fiquei ainda mais perto da Publicidade e destruí alguns mitos que levava comigo. Por exemplo, o mito da criatividade. Embora a gente enxergue mais o lado da sacada genial o que os clientes querem é que a conta feche e pra isso precisam de método pra trabalhar conosco, profissionais de todas as áreas da comunicação. Quando o processo não é claro e as expectativas não são claramente definidas, o relacionamento é péssimo para todo mundo. E isso tem tudo a ver com RP.

O digital redefiniu as bases de trabalhar e precisamos cruzar áreas de conhecimentos para produzir significado e resultado, palavras de ordem na comunicação atualmente.

VRP: Na área de Relações Públicas há processo, mas eles não se conectam. O próprio processo de comunicação é focado na mensagem, no emissor, no receptor, no feedback. Mas como a gente mensura resultado das nossas ações? De que maneira as coisas se comunicam?

Ariane:  No método Inbound PR, o trabalho começa com a gestão. Trabalhamos diretamente com consultores de negócio ou administradores nas empresas, pois são eles que definem as bases estratégicas de crescimento, de metas, de objetivos de negócios. A partir daí, em conjunto, definimos os objetivos de comunicação e de marketing.

Também não podemos ter a presunção de saber tudo sobre todas as áreas de ação. O meu trabalho é aplicar o método para fazer a conexão criativa entre estratégia e resultado. Atualmente nem começamos o trabalho se o cliente não tem um consultor de negócios e metas claras. Para diversos ainda fazemos o tático e o operacional da comunicação e do marketing. Mas a ideia é sempre trabalhar com quem é melhor na sua área. Por isso temos diversos parceiros na manga, que conectamos com clientes que acreditamos ter mais a ver com a sua forma de trabalhar e sua visão de negócios. Essa conexão de “visões” é algo que está na essência de RP.

No Inbound PR é preciso ter contato direto com a gestão, independente do porte do negócio. Algo que sempre ouvimos falar mas nunca conseguimos fazer de fato. Isso porquê não tínhamos método, mas processos.

Processos orientam ações. Métodos orientam resultados. O Inbound PR surgiu nesse contexto. Entender a mentalidade digital tem a ver com “agir com agilidade”. Essa agilidade vem da tecnologia, se chama métodos ágeis. São estes métodos que orientam o desenvolvimento de software e tecnologia e simplesmente não falávamos sobre isso ainda em comunicação até aqui.

O Inbound PR junta a melhor maneira de se relacionar  para atrair as pessoas que interessam para os negócios (as personas, não mais as massas ou os públicos-alvo) com a execução ágil da comunicação.

E a explicação é simples: se cada vez mais usamos e vivemos com o apoio de apps, e startups como Airbnb, Uber, Easy Taxi e tantas outras, todos negócios baseados em comunicação, engajamento e word of mouth, o conhecimento gerado por esses negócios tem que nos “retroalimentar”, ou seja, se refletir num método de trabalho para comunicação.  Numa linguagem bem “Todo Mundo Precisa de um RP”, o Inbound PR une os pontos da comunicação digital.

Durante 100 anos a gente se preocupou com as pessoas e com o relacionamento entre elas, sem entender como isso efetivamente se reflete nos negócios. Isso nos fragilizou, já que fica difícil mensurar o que fazemos. Dificilmente conseguimos mostrar valor para os clientes e aí nos tornamos descartáveis.

No momento em que  nos responsabilizamos pelo resultado do cliente, estamos  trabalhando junto com ele, compartilhando o esforço de comunicação com ele. E ninguém entende melhor do seu negócio do que o próprio dono. Mas ninguém entende melhor de comunicação do que nós, profissionais. É aí que entra a sintonia, o maior desafio da comunicação. O objetivo é colocar todo mundo pra jogar no mesmo time: clientes, negócios, agências e profissionais.

VRP: Você realizou cursos de PMI, BPI e Marketing, Qual a relação entre a área de Relações Públicas e negócios? Como você enxerga essa forma de atuação?

Ariane: Eu realizei cursos de gestão de projetos, pois as empresas onde trabalhei tinham um foco muito grande em melhoria de processos. Também fui analista de comunicação de um departamento de desenvolvimento de software. Isso me deu uma visão diferente sobre a tecnologia, que vai além dos devices (telefones, tablets, etc).

Eu acredito que estar na mentalidade digital não significa que você tem todos os dispositivos e apps não mão (aliás, só entrei no snapchat há dois dias, para conhecer). Temos que entender a dinâmica, observar com as pessoas utilizam, mas é cada vez mais difícil dar conta de estar em todos os meios, eu mesma sinto essa dificuldade no meu dia a dia. Então, ser digital é saber usufruir dos benefícios que a tecnologia proporciona, que é o mais legal disso tudo.

O fato de eu ter estado numa empresa de background tecnológico e que pensa nessa nova mentalidade, me deu uma noção mais clara da conexão, de como tudo começa na gestão e depois se espalha para outras áreas. A gente ainda confunde planejamento estratégico do negócio com planejamento estratégico de marketing e/ou comunicação. Não existe planejamento de comunicação sem a empresa ter uma base de gestão sólida, sem saber pra onde está indo, que caminhos precisa trilhar.

Quando temos a humildade de entender isso, gestores e comunicadores, tudo muda e conseguimos ter resultado muito mais rapidamente. E resultado aqui é venda, mas principalmente é criação de audiências alinhadas com o propósito dos negócios, que por este alinhamento comprarão mais conscientemente e com mais frequência. É o relacionamento mais próximo e duradouro que se pode estabelecer.

VRP: Muitos profissionais viabilizam a continuidade acadêmica. Você escolheu o mestrado em Marketing para seu desenvolvimento educacional. Nos conte um pouco sobre essa decisão, contribuição e como equilibrar os estudos com a atividade profissional.

Ariane: Eu sempre estudei e trabalhei, desde o segundo semestre de faculdade. A academia e o mercado se complementam e acredito naquela máxima de que a teoria sem a prática é inútil e a prática sem a teoria é estéril. Quanto mais base de conhecimento temos e quanto mais conhece as origens daquilo com o que trabalha, melhor trabalhamos.

Não é porque tem muita coisa nova hoje, no digital, na comunicação, no marketing, que as bases teóricas de todas essas áreas não são mais válidas. Muito pelo contrário. Pegar um livro do França, da Kunsch e de outros professores que nos deram as bases de RP hoje é fundamental.

Ao conversar com professores de qualquer idade e de qualquer época de formação falamos de igual para igual sobre as coisas que estão acontecendo hoje, porque eles tem a base teórica disso tudo. Podem não conhecer todas as ferramentas, mas dão um banho de profundidade e compreensão. Fiz essa experiência com a professora Neli de Camargo, uma das fundadoras da ECA-USP, apresentada pelo nosso querido Prof. Marcondes, ano passado na RP Week e foi sensacional.

Eu gosto muito de estudar. Profissionalmente foi uma escolha que fiz: buscar entender mercado e academia para executar de forma melhor as estratégias dos meus clientes

Gostou? Para quem não conseguiu se inscrever no workshop, já sabe, né? Nos acompanhe nas redes sociais ou vem pra RP Talk no sábado que tem Ari e mais um time de feras durante o dia todo. 😉 | http://www.rpweek.com.br 

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Um pensamento sobre “Aquecimento workshop – Ariane Feijó fala sobre Inbound PR

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