As propagandas brasileiras e a cultura do estupro

No início de julho, a página da revista “Superinteressante” publicou um artigo falando sobre a mulher brasileira e a cultura do estupro. Confesso que ele me fez pensar bastante sobre a questão da cultura associada às marcas – você pode acessá-lo clicando aqui.

Superinteressante - Edição Julho de 2015

Superinteressante – Edição Julho de 2015

No último semestre, presenciamos diversas marcas cometendo erros rudes ao falar com o público feminino – esmaltes, remédio para cólica menstrual, campanhas de cervejas e tantas outras. Erros estes talvez não propositais, mas que surtiram efeito negativo por manterem os estereótipos, como o da mulher “objeto” e fragmento, por exemplo. E eu me pego a pensar: até onde as marcas estão fazendo uso da cultura para alavancar as vendas de seus produtos? Ou será que estão criando uma cultura para isso?

Antes de sair por aí dizendo que estou de “mimimi”, no dicionário Aurélio uma das definições para cultura é: “modo de cultivar, meio de conservar”. Sabemos que um produto é apenas um produto qualquer – roupas são roupas, sorvete é sorvete, suco é suco e cerveja é apenas cerveja, nada mais. O que possibilita ser diferente no mercado é a construção do conceito do produto e, para isto, ninguém melhor do que a (o) “garota (o) propaganda”, alguém com quem as pessoas se identifiquem e que possa “emprestar” seus atributos para o produto.

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Ao apresentar a mulher como um objeto “turbinado” ou a “Amélia” dos produtos de limpeza sem suas demais faculdades – fazendo uso  do cultivo e conservação da cultura -, as marcas alimentam ainda mais o conceito de que ela é apenas um objeto a ser consumido.

Hoje as pessoas estão mais informadas e, consequentemente, mais críticas a respeito de tudo. E minha pergunta para você, gestor de Comunicação de marca, é: até onde vale a pena fomentar uma cultura que macula por colocar a mulher como simples objeto – assim como no caso da cerveja, por exemplo – para alcançar o número ideal de vendas? Não é mais proveitoso adaptar-se às expectativas desse novo público ao invés de lhe oferecer mais do mesmo? Por que não pensar dentro do ecossistema em que esses produtos estão inseridos e a partir daí criar uma comunicação mais consciente e capaz de  transformar essa cultura?

Que tal fazer algo diferente?

Que tal fazer algo diferente?

Nem tudo o que é associado à cultura é ruim, mas é importante levar em consideração quais conceitos estão sendo usados em associação com a marca/produto e os efeitos que isso gera na sociedade e no ecossistema em que estão inseridos.

Pode não ser algo que mude nesta semana, mês ou ano. Podem demorar algumas décadas pra que essa mudança aconteça. Mas, entendendo os princípios de RP, quero fazer parte da parcela que está criando uma comunicação ousada, que influencia, produz mudanças e quebra de paradigmas.

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